Escrevo agora, domingo à noite. Acho que começamos a regular o sono... ou, ao menos, não estamos mais tão abalados com o cansaço da viagem e o fuso de 5 horas. Mas estamos de férias e estamos em Paris. E então nos permitimos também um pouco daquele luxo de deixar o sono e os horários mais soltos que na vida ordinária.
Ontem sábado, nos programamos pra acordar não tão tarde, afinal, possivelmente teríamos visita para o almoço. Então me aprumei pra ir ao mercado fazer comprar pro final de semana.
Ir ao mercado é uma aventura e exige certo tempo. Produtos desconhecidos, a grande maioria são marcas novas para nós, a localização dos produtos, tentar entender a lógica de preços. Resolvi ir ao Lidl novamente, e isso daí também é outra aventura por que ele é bem lotado – e lotado de pessoas que conhecem onde estão os produtos, as marcas, os preços, então estão bem em outro ritmo de compras que eu. Mas, sinceridade, também não estamos tão descontextualizados. Há produtos e marcas que já conhecemos de outras ocasiões, então, nestes casos, há o prazer do reencontro.
Neste sentido, temos experimentado nos últimos dias, várias vezes gemer gostoso, aquele gemido de hummmmmmm quase doído. Cada primeira mordida num queijo, cada primeira colher de iogurte, cada madeleine, pain au chocolat e gole de vinho roubam de nós um pouco de alma, um gemido e um sorriso de quem diz: “há quanto tempo!!”.
De volta em casa, descobri que as visitas iriam chegar mais de tarde. Cozinhamos, almoçamos e Aline partiu em sua jornada pro espetáculo em La Seine Musical. Previsão de tempo pra ela chegar lá: 1h15... No extremo oposto de Paris, já até fora da cidade.
Fiquei preguiçoso em casa com Quim, mas a vontade de estar pela cidade não deixa muito tempo. Ainda há uma euforia, apesar do cansaço, esse desejo de comer tudo, ver tudo, respirar tudo.
O dia esfriou, nublado, até molhado o chão acordou de manhã. A perspectiva de realizarmos um piquenique no final de semana não era promissora, mas, em Paris, nunca se sabe a hora que um piquenique pode acontecer em sua vida... Fomos então ao mercado (novamente – falei que temos vontade de comer tudo?), comprar mais alguma besteirinha pra um eventual piquenique.
Logo as visitas chegaram: Júnior, Ana e Bibi vieram de Laon (ao norte de Paris) pra nos encontrar. Que coisa tão boa! Aline até brincou dizendo que “agora sim chegamos na França”. Amigos tão queridos de longa data. Desde a primeira vez que viemos pra Paris, em 2010, quando nos conhecemos, estabelecemos uma amizade linda e fácil que alimenta o coração de todos.
Logo as visitas chegaram: Júnior, Ana e Bibi vieram de Laon (ao norte de Paris) pra nos encontrar. Que coisa tão boa! Aline até brincou dizendo que “agora sim chegamos na França”. Amigos tão queridos de longa data. Desde a primeira vez que viemos pra Paris, em 2010, quando nos conhecemos, estabelecemos uma amizade linda e fácil que alimenta o coração de todos.
A última vez que nos encontramos fazia já 3 anos, em 2014. Naquele ano, antes de viajar de férias a Paris, encontramos com Ana e Bibi por duas horinhas no Brasil (ela estava de férias lá), e assim que chegamos aqui, na mesma semana, encontramos Júnior, vindo de Laon pra passar o dia conosco uns dias antes dele ir ao Brasil.
Ao andarmos pela rua neste sábado, nos demos conta de que fazia pelo menos 5 anos o último passeio juntos por aqui.... com sentimento de que foi recém na semana passada.
Andando pelo bairro, fomos até ao Canal de l’Ourcq, onde está tendo o Paris Plage. A tarde já quase virava noite, e sentamos por ali: vinho queijo, madeleines... realmente, ensacolar alguns itens antes de andar pelas ruas, aumenta a possibilidade de um piquenique surpreender você em Paris. E sentamos bem ali, olhando pro antigo apartamento em que moramos em 2012, na borda do canal.
Joaquim e Bibi tem idade próxima, e, sem se verem há três anos, significa que não se viam há quase metade de suas curtas vidas. No começo foi aquela timidez, mas ao longo do final de semana, fomos vendo a parceria e amizade surgindo novamente. E que dupla!
No domingo de manhã, fomos a um “brocante” (feirinha de rua de antiguidades e cacarecos) aqui perto. Daquelas coisas fantásticas pra se fazer em Paris, vendo a história e o tempo por entre seus dedos: máscaras de madeira vindas da África, bijouterias antigas, cartões postais enviados de lugares distantes há tempos, medalhas de guerras que se perderam de seus heróis, capacetes de diferentes exércitos que testemunharam momentos sofridos, uma louça perdida sem par, um cachimbo usado, um vestido demodê, um livro novo barato, um brinquedo feio, uma moldura sem tela... tudo a negociar, a pechinchar. Pra nós, e o prazer de ver, imaginar, muito além do que ter.
A tarde a ideia era levarmos as crianças para visitar a Exposição Dragonland... do outro lado de Paris. Fomos todos de carro – e que delícia andar de carro em Paris! Foram pouquíssimas vezes que tivemos esta experiência. Aline estava feito turista japonesa tirando fotos de tudo em todo percurso. No caminho, lembramos que hoje seria a chegada do Tour de France, na Champs Elysée, e que haveria um trajeto dentro da cidade. Achei o máximo discutir com Júnior alternativas de caminho pra evitar as ruas fechadas. Mas se andar de carro é legal, engarrafar em Paris é comum. E mesmo hoje domingo, o trânsito não estava fácil. Alguns trechos semi-interrompidos por obras em andamento, e algum caos, mesmo tentando desviar, causado pelo Tour de France. Resultado: chegamos tarde demais na exposição. Desespero de Quim, lamento dos outros, voltamos engarrafando um pouco mais para casa.
A tarde a ideia era levarmos as crianças para visitar a Exposição Dragonland... do outro lado de Paris. Fomos todos de carro – e que delícia andar de carro em Paris! Foram pouquíssimas vezes que tivemos esta experiência. Aline estava feito turista japonesa tirando fotos de tudo em todo percurso. No caminho, lembramos que hoje seria a chegada do Tour de France, na Champs Elysée, e que haveria um trajeto dentro da cidade. Achei o máximo discutir com Júnior alternativas de caminho pra evitar as ruas fechadas. Mas se andar de carro é legal, engarrafar em Paris é comum. E mesmo hoje domingo, o trânsito não estava fácil. Alguns trechos semi-interrompidos por obras em andamento, e algum caos, mesmo tentando desviar, causado pelo Tour de France. Resultado: chegamos tarde demais na exposição. Desespero de Quim, lamento dos outros, voltamos engarrafando um pouco mais para casa.
Por fim, Paris é um pano de fundo, embora linda e empolgante, ela se torna em certos momentos uma madrinha para nós, e não mais a rainha dominante. Uma dinda que nos recebe, mas que não é o centro. A dinda que nos presenteia, mas o cafuné é muito mais que o regalo.
Os cheiros de Paris, os sabores, as luzes, as cores, a arquitetura, os sons... e os afetos. Cada mordida de queijo, gole de vinho ou olhar pra uma janela antiga nos rouba um suspiro. E os abraços saudosos que dão tanto sentido em estarmos por aqui de novo. Tudo é velho. Tudo é novo.
Vive la France!





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