retrospectiva

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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Novos tempos...

23 dias se passaram desde o fim das férias... e estes dias também marcam o começo de um novo tempo aqui em Paris. Neste mês de janeiro eu voltei a ser uma "trabalhadora do Brasil", literalmente, pois estou prestando um serviço para a empresa na qual trabalhava lá (um dos motivos de o blog estar meio às moscas...). Além da novidade na rotina, onde troquei os estudos pelo trabalho (ainda não voltei para as aulas de francês), também demos início à temporada de visitas no "cafofo". Quem inaugurou o saco de dormir foi nosso sobrinho Matheus (agora assustei as próximas visitas!!... Yes, nós temos um saco de dormir! he he...). Matheus veio com um amigo, também Matheus. Foi uma semana divertida, dois adolescentes/jovens, em casa (nossa, agora me senti a tia véia...), trazendo uma agitação diferente, gostosa aqui pra dentro e também nos motivando a rever Paris em alguns aspectos. Essa é uma das tantas coisas gostosas de receber pessoas aqui, a gente adora pensar em roteiros legais, coisas interessantes para ver e fazer, alguns programas a gente acompanha, outros só dá as dicas e espera pra saber depois qual foi a sensação. Acho que os meninos curtiram, nós curtimos. Os próximos visitantes serão meu irmão e a namorada, chegam em duas semanas. E Ismael e eu já estamos mirabolando tudo de legal que vamos fazer juntos!!

A visita dos Matheuses

Nosso "sombrinho" querido

Outra coisa que faz parte desse novo tempo é nossa mudança de apartamento. Estamos com o coração apertadinho por deixar nossa amiga Torre Eiffel, temos mais três dias com esta vista privilegiada. Hoje, quando as luzes da Torre se acenderam no final da tarde, eu estava trabalhando no computador, parei tudo e fiquei olhando pra ela durante os 5 minutos em que as luzes piscam... mas não é só disso que sentiremos falta, morar aqui é legal por vários motivos, estamos super adaptados ao apê, a região aqui é uma delícia, tem um parque gostoso a dois minutos a pé, tem uma feirinha bacana na rua toda terça e sexta, tem 5 supermercados pertinho, o Rio Sena fica no final da rua, tem duas pracinhas com brinquedos pertinho... enfim, é o paraíso, he he... MAS, ao mesmo tempo em que o coração tá apertadinho, também está palpitante, afinal ainda é Paris!!! Iremos apenas do 15éme para o 12éme (quem já viu o mapa da cidade em caracol, com sua divisão em arroundissements tá entendendo) e quando penso que ao vir morar aqui nós não sabíamos que seria tão gostoso, imagino que isso pode acontecer novamente, afinal, ainda não conhecemos a região onde vamos morar. Bom, o Ismael já foi lá uma vez, encontrar-se com os proprietários e disse que gostou da região e do prédio, mas conhecer mesmo a gente vai quando estiver morando. É aí que a gente descobre onde é a pracinha mais próxima para levar Joaquim, quantos marchés tem nas redondezas, etc. Já ouvimos algumas pessoas que moraram por lá nos falando super bem, o que é animador. E o apartamento tem praticamente o mesmo tamanho deste aqui, só uma varanda ao invés de terraço e sem vista para a Torre, he he...
E não é pra deixar saudades uma vista dessas?!?!

Ponte Mirabeau, pertinho de casa

Passeando nas redondezas

Nessas horas penso como a gente vai ficando exigente... antes de vir para cá eu bradava com orgulho que qualquer 20 metros quadrados tava valendo pra gente morar aqui, afinal estaríamos em Paris. E lembro de Ismael dizendo que se a gente tivesse dinheiro para comer só pão com geléia já tava ótimo, afinal seria baguette au confiture. Mas quando a gente tá aqui de verdade vê que as coisas não são bem assim, percebemos rapidinho que se morássemos num cafofo de 20 metros quadrados, geralmente estúdios de uma peça mais banheiro, ficaríamos LOUCOS, afinal temos um bebê que dorme às 20hs e faz sonecas durante o dia... e de vez em quando alguém na família quer domir um pouco mais de manhã, o que 1 quarto no apê permite tranquilamente, enquanto o resto da família vem brincar na sala. E quanto à baguette au confiture também descobrimos rapidinho que com os mesmos dinheiros que comeríamos isto todo dia, podemos comer outras coisas também, he he... aqui é o paraíso das opções práticas e não tão caras para refeições em casa. No fim, nutrimos um certo grau de exigência justificável, afinal, uma vez que chegamos até aqui, que venham dias felizes!!!

Para a mudança, desta vez vamos trocar o trem por um utilitário alugado por 30 pilas por um dia, afinal ninguém merece sair carregando cadeirão, berço e varal no metrô, né não? Estamos bolando estratégias para o dia D, porque temos a grande dificuldade de não ter onde estacionar aqui para carregar o carro, vamos ter que ficar alugando a entrada do prédio, porque vagas na rua são utopia, mas considerando o movimento da garagem aqui, também acho que não será problema parar na entrada por meia hora. Nestes 4 meses aqui eu nunca vi um carro entrando ou saindo da garagem. Aliás, acho que os parisienses tem carros só pra deixar estacionado alugando vaga na rua, porque são sempre os mesmo carros parados aqui na frente (momento indignação). Inclusive meu cunhado já me sugeriu escrever aqui sobre essa questão da mobilidade em Paris - carro, bicicleta, pézão... - é um assunto legal, vou escrever qualquer hora. Bom, voltando a mudança, a chegada lá acho que vai ser mais tranquila neste sentido pois já combinamos com os novos proprietários que eles abrirão a garagem para descarregarmos.

Mudando de caixa de mudança para pasta escolar, hoje chegaram nossas respostas do Curso da Prefeitura, onde nos inscrevemos para o francês. Desta vez eu também entrei, uhuuu... vou ter que fazer uma prova de nivelamento e ver quando começam as aulas. O Ismael por sua vez, foi aceito mas vai optar pela escola que eu frequentei até o final do ano, a Campus Langue, isso porque ele tá querendo dar uma intensificada nas aulas, para melhorar o aproveitamento na pesquisa. Essa coisa da língua tá me deixando cabreira, a essas alturas eu jurava que já estaria fluente no francês, mas nem... aliás, eu regredi total... meu cunhado, de novo ele, diz que sofre quando falo da dificuldade com a língua aqui, rsss... então aí vai Nataniel, mais uma capítulo da novela... Acontece que desde que viajamos, em meados de dezembro eu nunca mais estudei lhufas! Em Portugal, adivinha? Só falamos português. Na Espanha, Ismael era o porta-voz da família, ou eu arriscava meu inglês. E desde que voltamos eu só converso com Joaquim (e o menino não fala francês fluente ainda!!!) e com Ismael, em português. Além disso meus contatos são online, em português, e o povo da quitanda, mercado, boulangerie: "Boujour!!", "Merci beaucoup", "Combien ça coûte?", "Bonne journée!". Isso eu sei dizer fluentemente. Bom, justiça seja feita, eu compreendo a língua francesa 70% melhor do que quando chegamos aqui, dia desses uma senhora se encantou com o Joaquim no mercado e brincou com ele e depois me falou que ele era lindo e muito bem humorado e que ela não suportava criança que abre o berreiro quando fala com ela e... parou por aí... as duas últimas frases eu não entendi. Ela deve ter percebido, pela minha cara e pelo fato de eu só concordar com a cabeça e dizer no máximo "Oui!", "Merci"... afffe... até vir para cá eu não acreditava que fosse possível morar num país por um tempo e não voltar falando a língua de lá. Hoje em dia eu acredito totalmente!! Ainda mais quando Ismael me conta de colegas dele do curso de francês que moram aqui há três anos e falam menos do que ele. Alors, não tô querendo chorar pitangas, tô só fazendo um balanço e assumindo: PRECISO ESTUDAR!!! E sei também que não é só estudar, tem que conversar, encontrar pessoas pra falar francês...

Esta semana veio um povo aqui em casa, colegas do Ismael. Cada um de um canto do mundo: Itália, Peru, Coréia, Canadá, Suiça, Áustria, Croácia e... Brasil! A língua oficial da noitada, ou soirée, era o francês. Mais entendi do que falei, e ainda assim foi uma noitada boa. Mas me deu o clic de realmente preciso voltar aos estudos. Voi lá! C'est le moment!!

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Fim de férias...

Estamos indo para os finalmentes de nossa viagem por Espanha e Portugal. Hoje é nossa última noite em Córdoba, Espanha. Amanhã iremos para Lisboa, previsão de quatro horas na estrada mais ou menos, vai depender do que nos chamar pelo caminho, he he...
Estamos muito cansados, mas também realizados. Apesar dos percalços - lombalgia do Ismael, passaporte "desaparecido" por uma noite, frustração com o hotel em Granada (histórias que Ismael conta no Querido Joaquim) - o saldo até aqui é pra lá de positivo. Visitamos lugares maravilhosos, fizemos viagens deliciosas por estradinhas surpreendentes, nos demos super bem com as reservas de hotel que fomos fazendo ao longo da viagem (com excessão do hotel em Granada), e o aluguel do carro foi bem tranquilo, achamos o preço bom, considerando o tempo de aluguel (serão 19 dias no total). Um dos nossos projetos de viagem durante este tempo de Europa, era fazer justamente isso, alugar um carro e perambular. E vimos que é pas de complication (sem complicação). No final do post vou deixar algumas dicas para quem quiser fazer proveito.

pé na estrada...

Passar tantos dias viajando é bem interessante. Primeiro pelas razões óbvias: se aprende muito, são muitas coisas novas, lindas e curiosas para se ver, etc. Mas outra faceta desta experiência são coisas que a gente observa e descobre e que não estão nos guias de viagem

  • é interessantíssimo observar as diferentes "tribos" de viajantes. Nos deparamos com muitos traillers pela estrada, casais de meia idade que se aventuram pela estrada em seus traillers maravilhosos ou famílias alternativas de pais meio bicho grilo com três ou quatro "barrigudinhos" a bordo de um motorhome velhinho, pequeninho, mas honesto. Vimos uma família assim num trailler estacionado na Ponta da Piedade, Portugal, era divertido de ver, motoquinha dos pequenos pendurada no trailler, as crianças brincando na volta, pai arrumando alguma coisa na casa-carro da família e a mãe lavando uma loucinha básica na bacia, é muito espírito aventureiro, né não?; e falando em pais viajantes, ficamos admirados com a quantidade de casais com dois, três, quatro filhos pequenos turistando por aqui! É um no canguru, outros dois no carrinho duplo e o maiorzinho caminhando junto, lindo de ver!; tem ainda os mochileiros, com os quais nos deparamos pouco, uma vez que nossos tempos de albergue ficaram para trás desde a chegada de Joaquim e esta tribo também circula mais de busão ou trem do que de carro; e falando em albergue e hospedagem e afins, graças ao Destinia.com (mais informações no final do post) nós não só deixamos nossos tempos de albergue para trás como também tivemos a oportunidade de nos hospedar em um ou outro hotel 4 estrelas e assim nos deparamos com mais uma tribo de viajantes, a dos endinheirados. Do tipo que chega na recepção para fazer o check in e diz que prefere quarto com vista para o rio, mesmo que isso signifique pagar um tantão a mais, e confirma o jantar de reveillon que o hotel oferecerá ainda que isso signifique desembolsar 150 euros por cabeça e que na manhã seguinte desfila pelo saguão do hotel com a esposa embrulhada num casaco de vison; ah, e tem também as pessoas que viajam com seus animais de estimação, achamos engraçado ver cãezinhos fofinhos, outros nem tanto, visitando pontos turísticos aqui, lá e acolá... vimos de tudo um pouco, e cada qual no seu "quadrado".
  • Uma coisa sobre a qual tínhamos lido e ouvido falar, mas que nos deixou pasmos, foi a tal hora da siesta na Espanha. É incrível como isso é real e forte e determina o ritmo de toda uma cidade! O primeiro contato que tivemos com esse fenômeno foi em Jerez. O hotel não tinha garagem (o que é bem comum por aqui, lembrando que muitos hotéis ficam nos centros históricos) então deixamos o carro na rua. Chegamos por volta de 14h, e a recepcionista do hotel nos disse que até às 17h o estacionamento na rua era gratuito, por causa da siesta (entre 13h30 e 17h), mas depois, das 17h às 20h precisava pagar o estacionamento no parquímetro. O comércio todo fecha, as igrejas, museus, mercados... a cidade fica às moscas!! É incrível. Eu não cansava de me perguntar o que as pessoas fazem nesse tempo... segundo conclusões e leituras de Ismael, elas almoçam com muita calma, tiram a tal soneca depois do almoço, se escondem do calor absurdo que faz aqui na maior parte do ano e depois retornam à vida, e com o maior gás, porque a cidade ferve à noite!
  • Eu fiquei admirada com a maneira como se vestem as crianças por aqui, sabe roupa de domingo? Aquele vestidinho mais fofo, o lacinho mais lindo, o sapatinho boneca mais brilhoso, o casaco mais charmosinho... vi muuuuuuuitas meninas vestidas assim, e muuuuuuuitas lojas vendendo roupas assim. E meninos com bermuda de lã e meia calça... só tinha visto isso em filme!

Crianças embonecadas na Espanha

  • Dirigir pelas autoestradas, ou mesmo pelas estradas secundárias por aqui é super tranquilo. Até vimos algumas placas de "estrada em mau estado", mas o mau estado deles é a nossa estrada boa (não ótima) no Brasil. Mas quando chegamos nas cidades, a coisa muda de figura. Ao chegar em Sevilha, o GPS nos fez atravessar o centro antigo para chegar ao Hotel (sendo que existe uma via periférica que circunda toda a cidade). É punk dirigir naquelas ruelas estreitíssimas, onde às vezes os carros vão e vem nos dois sentidos... não sei como chegamos, só sei que fomos nos embrenhando e várias vezes tínhamos a sensação de estar circulando pela calçada, outras vezes precisamos manobrar para fazer a curva em esquinas onde tinha camadas de tinta dos carros raspadas na parede dos prédios históricos, foi uma aventura e tanto! E isso foi uma constante em todas as cidades pelas quais passamos, desde Lisboa em Portugal.


Tem que ter uma certa dose de coragem pra dirigir nessas ruelas...


Bom, isto para listar algumas das coisas curiosas e interessantes com as quais nos deparamos. Pra terminar vou deixar algumas das dicas que nos foram muito úteis:

Em Portugal o aluguel de carro é bem barato, comparando com França. Nós alugamos pela viaturas.eu, preço bom, mesmo com cadeirinha para Joaquim e GPS pagos à parte.

Para fazer reservas nos hotéis durante a viagem, usamos o site destinia.com. É fácil de navegar, bem informativo e, o melhor, tem preços de ocasião, ofertas em hotéis 4 estrelas que ficam bem mais barato pela internet. Na hora da reserva é sempre importante pedir reserva de berço (quando se precisa de um , he he...) pois aconteceu de chegarmos num hotel (o fadado hotel de Granada) e não haver berço disponível.

Quando se viaja de carro assim, é legal planejar trechos não muito longos para cada dia de estrada. Isto porque trechos curtos não significam necessariamente viagem rápida. Principalmente quando quem está no carro se deslumbra facilmente com paisagens e belas vistas no caminho, o que é nosso caso. Mas vamos e venhamos, a gente tá lá tranquilão, dirigindo numa estrada deliciosa e de repente dá de cara com um castelo inscrustrado no topo de um monte e uma cidadezinha branca aos seus pés. É lindo demais! E assim vamos incluindo mais umas cidadelas no nosso roteiro...

Foi viajando sem pressa que fotografamos o Castelo de Alcalá la Real...


... e conhecemos a cidadezinha de Belmez, com sua geografia pra lá de interessante!

Para bater perna nos lugares que se quer visitar, quando se está com um bebê, é legal procurar informações sobre o que se vai encarar, se tem muitas escadas, se o trajeto é difícil, etc. para fazer a melhor opção entre carrinho ou sling, ou canguru. Por que ninguém merece ficar carregando carrinho escadarias acima, e abaixo, o tempo todo. Ah, e mesmo quando a gente pensa em dar só uma saidinha rápida, logo ali, é bom levar todo arsenal para passar horas com o baby na rua, porque a gente se perde facinho no tempo e no espaço!