retrospectiva

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domingo, 30 de julho de 2017

Dias 10 e 11 - Um pouco de "preguiça" em Paris...

Depois da maratona para aproveitar ao máximo nossa semana de Navigo Decouvérte (o tal cartão de transporte mágico que nos leva a lugares incríveis) o gás meio que acabou... decidimos fazer um sábado preguiçoso, do tipo acordar a hora que acordar e decidir o que fazer. Dormimos até meio-dia e meio, afe!... Incrível como fuso bagunçado + cansaço elevado ao cubo derrubam a gente!!! Mas foi bem bom!! Fizemos um brunch e pegamos o mapa da cité. Ismael comentou: "a gente está em Paris e quase não caminhou em Paris ainda, né?...". Fato. Por mais que a gente não sinta mais uma certa urgência para visitar os cartões postais da cidade ainda assim tem lugares que nós queremos visitar toujours! Um desses lugares é o bairro de Marais. Fica no centro e é bem turístico, mas tem um clima bom de todo-mundo-ali-e-tudo-ao-mesmo-tempo-agora, sabe como? Tanto que quase nos assustamos com o movimento!! Era muita gente por metro quadrado!! Caminhamos com aquele sorriso bobo na cara, uma sensação boa de revisitar um lugar querido, e aos poucos fomos desviando da multidão, entrando naquelas ruelas menos movimentadas que guardam belezas escondidas... Joaquim começou a falar que precisava urgente de algo "geladinho" na boca (isso depois de ver uns carrinhos vendendo raspadinha (não o jogo de sorte e sim aquelas de gelinho colorido, rsss...). De repente vimos um Monóp (supermercados Monoprix) e entramos. Compramos uma caixa com 4 picolés Magnum da Kibon por 2 euros e voilá, matamos todos a vontade de algo geladinho, despreocupados, continuamos a caminhada...

Começamos nossa caminhada pertinho do Pompidou...



Até que chegamos na Place des Vosges, que delícia!! Em meio aquela muvuca toda um lugar com grama pra gente se jogar, uma fonte que respingava água na gente conforme a direção do vento e muita gente curtindo o momento... 15 minutos  disso (ok, ficamos uma hora e meia) é o que vai sempre nos fazer querer voltar a Paris!! Foi o ponto alto do sabadão!!

Este foi um daqueles dias em que esquecemos de colocar ao menos uma canga na bolsa... SEMPRE faz falta, embora o pessoal aqui não tenha o mínimo pudor de se jogar direto na grama mesmo...




Voltamos pra casa com uma sensação gostosa de ter dado oi pra mais um pedacinho de Paris! Mas era sábado à noite, minha gente!! Aqui do apê onde estamos, se deixamos as janelas abertas, ouvimos todo o burburinho do arroundissement (bairro), o movimento da Brasserie (cervejaria) logo ali embaixo, é muita animação!! Então que colocamos em prática nosso combinado de que faríamos algumas saídas solo, o "pacote" incluí programas diurnos e noturnos, ou seja, um de nós saíria vez ou outra enquanto o outro fica com pequerrucho. Ismael foi o "premiado" desta noite.

O horário que a gente elege para sair e caminhar pela cidade faz muita diferença! Sair cedinho é muuuito diferente de sair no meio da tarde e muito diferente de sair à noite... e temos cá pra nós que todas as experiências devem ser vividas. Assim, Ismael aproveitou o final de semana de cartão de transporte válido para dar um rolé pela cité a noite. É muito legal sentir uma cidade viva, e segura, altas horas da noite.  

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No domingo o ritmo foi parecido com o dia anterior, ou seja, acordar sem pressa e escolher o programa do dia. O destino eleito foi Montmartre. Como assim estamos em Paris há dias e ainda não estivemos nas redondezas de Amélie Poulain?!?!?! Para explicar a Joaquim que seria um passeio muito legal, só precisamos falar que iríamos até a escadaria onde Amélie deixa pistas para Nino... moleQuim já se empolgou!


Começamos pelo cemitério de Montmartre, e é sempre lindo! Uma verdadeira exposição de esculturas a céu aberto. É um passeio tranquilo, pois não está entre os principais destinos dos turistas.

Cemitério de Montmartre

Placa sobre um túmulo: "Rouxinol, se tu voares ao redor desta tumba, cante tua mais bela canção."


Muitos detalhes e muita beleza para observar num mesmo lugar... sem contar os ilustres "hóspedes" do cemitério como Nijinsky, Degas, Debret, Truffaut, Picabia, Alexandre Dumas... e por aí vai...



Curioso como as lápides, tumbas ou mausoléus dos famosos nem sempre são as que mais chamam a atenção...


De lá seguimos bairro adentro como quem chega numa primeira vez... principalmente porque para Joaquim era como se fosse a primeira vez, pois ele não tinha lembranças de já ter passado por lá. Assim caminhávamos tentando absover tudo, apreciar tudo... às vezes escapava um "lembra desse café?" ou "acho que nessa rua nunca passamos!" e lá íamos nós, em mais uma "nova" imersão num lugar conhecido mas ainda com tanta coisa para conhecer...



Subindo as ladeiras de Montmartre e apreciando uma de tantas galerias e ateliers pelo caminho...


Eu lembrei de quando estive lá com uma amiga, a Michele, quando ela e Marcos vieram a Paris em 2011, houve algum momento em que as meninas e os meninos fizeram programas diferentes, então fomos eu, Mi e Quim (menininho a tiracolo) visitar Montmartre. Chegamos num fim de tarde e estava um clima tão gostoso, curti tanto que pensei "preciso voltar aqui com Ismael e Joaquim nesse mesmo horário...". Seis anos depois voltamos, os três. Caminhamos, apreciamos, vimos inúmeros artistas de rua oferecendo seu trabalho e Joaquim falando: "eu devo ser muito lindo mesmo, todo mundo quer me desenhar!!!!" rssss... Isso porque os artistas apontavam para ele e nos ofereciam seu retrato desenhado... sinto dizer que acabamos com a ilusão da criança: "filho, vc é realmente lindo, mas eles fazem isso com todo mundo!!!".

Não conseguimos passar por lá sem registrar ao menos uma foto da Torre Eiffel vista de lá... é sempre uma emoção...

Desta vez não visitamos Sacre Coeur, mas entramos na capela Saint-Pierre de Montmartre, visita gratuita.

 O café e a quitanda de Amélie ficaram para uma próxima... um pouco para fugir da multidão e um tanto para manter a fantasia... Joaquim me perguntou: "Mamãe, a Amélie existiu de verdade?!", expliquei pra ele que era uma personagem da ficção, mas que representava alguém que podia muito bem viver ali naquele bairro, e que o café onde ela trabalhava e a quitanda onde ela gostava de "sentir os grãos entre os dedos" existiam de verdade.



Voltamos pra casa com a noite querendo chegar, o que aqui significa um bom intervalo entre às 20 e às 22h30 da noite. Combinamos agilizar a janta em casa e preparar as coisas para curtit nosso primeiro Cinéma en Plein Air no Parc de La Villette.

Essa foi e sempre será uma experiência mágica pra nós aqui em Paris! Programa que acontece nas férias de Verão, de Julho ao final de Agosto, de quinta a domingo, sessões de cinema ao ar livre. Quando vimos a programação, ainda no Brasil, anotamos em nosso calendário de viagem, com a intenção de ir a todas... a gente se ilude.. rssss... Acontece que o filme começa quando o sol se põe, ou seja, às 22h, mais ou menos... horário em que estávamos voltando pra casa nos últimos dias... Mas hoje esse era o programa e depois de jantar e jogar na mochila uma toalha de piquenique, um pacote de batata-frita, uma garrafinha d'agua, um chardonay gelado e duas taças, lá fomos nós! Quando chegamos lá vi que Ismael tinha preparado a outra mochila com cobertorzinho, echarpes e afins, ou seja, nosso piquenique foi nível 4 estrelas, só não foi 5 porque não alugamos as espreguiçadeiras que eles oferecem ao público por 7 euros, acompanhadas de cobertor!


O filme da noite era Le Chat, um filme francês da década de 70.

Quando chegamos o filme já havia começado, o que é uma pena porque é muito legal chegar ainda à luz do dia, escolher o lugar e ver o pessoal se preparando para o "espetáculo". Mas assim também tivemos a chance de sentir a magia de chegar com o filme rodando e sei-lá-quantas-mil-pessoas no mais absoluto silêncio, incluindo crianças, adultos e idosos, apreciando um filme clássico do cinema francês.

É uma coisa absurda o silêncio que as pessoas fazem, estávamos a céu aberto, num parque, mas o silêncio era total. Tanto que quando estávamos caminhando para lá eu cheguei a pensar que não havia sessão naquela noite, tamanho silêncio. Mas sim, ao virar uma curva, atrás de um contâiner, nos deparamos com a lindeza de ver milhares de pessoas envoltas em mantas, esparramadas no gramado, curtindo um filme projetado numa tela inflável gigantesca, numa noite de verão... (suspiro!)


Aplausos ao final do filme, tão lindo... e quando o filme termina, vem o que eu particularmente considero a outra parte do espetáculo, aquele monte de gente começa a se mexer, se movimentar e em questão de minutos o gramado está vazio e limpo!! Decidimos demorar um pouquinho mais para levantar 'acampamento' justamente para testemunhar essa movimentação toda.

Nossas sombras marcando presença no Cinemá en Plein Air...
Saindo do gramado nos deparamos com uma estrutura de triagem de lixo para não deixar dúvidas sobre o que vai onde...

As cadeiras alugadas não ficam nos gramados para o pessoal do staff recolher... cada um leva sua caderinha pra devolver...

Alta noite já se ia... e nós saindo do Parc de La Villette
20 minutos de caminhada até em casa depois da meia noite... pensa numa aventura!!
A empolgação é tanta que dá tempo até de apreciar a arte de rua!

E assim foi nosso final de semana de "preguiça" em Paris!

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Dia 09 - Chateau de Fontainebleau

Como esta era a semana de aproveitar o cartão Navigo Decouvérte, tínhamos em mente fazer muuuuitos passeios cobrindo o máximo de área possível com o cartão. Assim, no dia seguinte a Sceaux, surgiu um impasse: a ideia era ir para Disney Paris, mas o nível de energia estava baixo, para a família toda... Para aproveitar bem a visita ao parque é bom chegar cedo, então... decidimos deixar a Disney pra outra data, quando estivermos com as pilhas mais carregadas. Principalmente depois que percebemos que a expectativa em relação ao passeio era nossa, pois perguntamos ao Joaquim se ele sabia o que era a Disney Paris e ele respondeu: "Claro que sei, é aquele canal da TV a cabo, o Disney Channel!"... ok, assim resolvemos mudar os planos...

Estávamos precisando de uma manhã tranquila, daquelas de acordar sem pressa, cozinhar ovo, comer pão e tomar café de pijama... e assim foi. Descobrimos que o Castelo de Fontainebleau fica a "míseros" 45 minutos de distância de trem saindo de Paris e definimos o destino do dia.

Este era um destino "eterno", que Ismael e eu queríamos fazer desde que estivemos em Paris pela primeira vez, mas acabou não rolando... até hoje! Quando soubemos que nosso "cartão Navigo - portal-mágico" nos levaria até lá não deu outra: saímos de casa rumo ao metrô, trocamos de trem numa estação, chegamos na Gare de Lyon, (aquela do filme A Invenção de Hugo Cabret), chegando lá vimos que nosso trem partia em 4 minutos, corremos feito loucos em direção às plataformas das Grande Linhas e... conseguimos chegar a tempo! Ufa...  se não fosse esse, teríamos que esperar mais uma hora pelo próximo trem... A única coisa ruim de chegar tão em cima da hora na estação foi que não tivemos a chance de escolher o lugar no trem, e tem diferença! Tem lugares com mesinhas, cabines privadas, bancos conjugados, etc., depende do trem... é muito legal!! Acabamos achando nosso lugarzinho "ao sol" e a viagem foi bem gostosa. O trajeto tem apenas três paradas e 45 minutos depois estávamos em Fontainebleau!

No trem para Fontainebleau

Joaquim logo deu um jeito de se espalhar! =)

Estação de trem em Fontainebleau

Chegando em Avon, parada, pegamos um ônibus até o centrinho da cidade. Você percebe qual é a parada para a visita ao castelo quando vê todas as pessoas que estão conversando em outras línguas, que não o francês, descendo do ônibus no mesmo ponto, não tem erro! Ao descer percebemos uma certa confusão em relação à entrada "oficial" da visita, mas no fim deu tudo certo e chegamos lá!



Tínhamos dúvidas quanto ao interesse e paciência do Joaquim para visitar o interior do castelo, sabendo que não tinha o perfil de programa preferido do pequerrucho. Decidimos por não pegar os audioguias, pois achamos que tornaria a visita mais demorada, e nos viramos bem com as plaquinhas em cada cômodo, mas pra quem tem tempo, talvez o audioguia seja beeeeem legal, pois é um lugar carregado de história! O ritmo da visita acabou sendo um pouquinho mais acelerado do que gostaríamos, mas foi bem aproveitado. Conseguimos ver tudo e até apreciar, junto com Joaquim, algumas coisas com mais atenção. Mas foi senso comum, entre Ismael e eu, que cada ambiente merecia muuuuito mais tempo de apreciação, pois é muita informação e beleza para uma visita só! O castelo é incrível e nosso sentimento na saída era de uma grande satisfação por realizar um desejo de muito tempo!









Terminada a visita ao castelo, o plano era providenciar suprimentos para um piquenique delicioso nos jardins (a visita ao castelo é paga, mas os jardins são gratuitos, dá pra sair e voltar numa boa). Tínhamos visto um supermercado, Monoprix, no caminho do ônibus e fomos caminhando até lá, era pertinho. Compramos salada, queijos, sanduíches, vinho, suco, sobremesas e partimos para os jardins. Montamos o piquenique* às margens do lago e foi mágico! Aquela sensação boa de estar no lugar exato, na hora perfeita...










Ficamos um bom tempo por ali, comemos, relaxamos e deu tempo até de a Sra. Cisne e seu filhote virem pedir comida... rssss... Em seguida caminhamos um pouco mais pelos jardins e resolvemos voltar caminhando até a estação de trem, ao invés de pegar um ônibus. Isso porque, ao pesquisar sobre o itinerário para chegar até o castelo, Ismael usou o Google Street View e percorreu um caminho lindo em meio a um bosque. Na chegada resolvemos ir de ônibus até o castelo para otimizar o tempo, mas na volta o tempo era o que menos importava e resolvemos caminhar de verdade pra conferir o que a telinha nos mostrou... e foi lindo!








Chegamos na estação de trem com tempo de dar uma respirada, usar o toilette (a porta do banheiro só abria com o passe de metrô ou cartão Navigo... tô falando que esse cartão é mágico!!!) e comprar uma água na máquina automática... só que não! Ismael foi com a intenção de comprar uma água, mas a máquina devolveu todas as moedas e uma Coca-Cola!!! Eu estranhei quando ele e Joaquim chegaram com a Coca, considerando que não consumimos tal produto há mais de meio ano, então eles me contaram que a Coca saiu de graça... afe! Vamos beber então, né?!? rssss... Concluímos que alguém havia deixado um vale na máquina sem querer... ok. Um pouco antes do horário do nosso trem, Ismael resolveu ir pegar uma água para a viagem, e voltou com uma Coca!!! Concluimos que a máquina era altamente tendeciosa e só liberava Coca-Cola!!!


 Chegamos em casa à noite, felizes e cansados.

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* Mesmo já tendo vivido essa situação algumas vezes nestes primeiros dias, demorou pra gente se ligar que ao sair de casa em Paris é sempre, mas SEMPRE mesmo, importante levar: uma toalha de piquenique, talheres (pode ser de plástico, mas tem que ter uma colher, um garfo e uma faca!), guardanapos e/ou lencinhos umedecidos, um saca-rolhas (item imprescindível) e, se não quiser beber no bico da garrafa, ao menos uma taça (vale aquelas de acrílico!). Desta vez nosso kit estava completo!