retrospectiva

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quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Budapeste

Tentamos lembrar quando foi a primeira vez que Budapeste foi citada em algum dos nossos planos de viagem (sonhar e planejar viagens é meio que uma mania que a gente tem, algumas acabam acontecendo...). Concluímos que foi em algum dia remoto onde decidimos que um dia faríamos uma viagem ao leste europeu. Mas a coisa parou por aí. Nunca tínhamos pesquisado realmente, procurado saber mais sobre esta cidade.

Quando, há um mês atrás, resolvemos comprar as passagens para A viagem de novembro, abrimos o site da e-dreams, de passagens low cost, e um mapa da europa, que compramos na banca de revistas. Sem muitos critérios específicos fomos elegendo cidades no mapa e procurando preços na internet. Budapeste tinha um bom preço para o aéreo + hotel. E foi assim que a cidade voltou aos nossos planos de viagem. Faltando uma semana para embarcarmos, resolvemos pesquisar, afinal chegar numa cidade sem saber nada sobre ela é desperdiçar tempo e oportunidades! O Santo Google nos deu vários informações; a Lu, do blog Aventuras de uma família na Europa, também nos deu dicas bem legais e nos indicou o blog da Liana (Ela é americana... da América do Sul!) com ricas informações históricas sobre a cidade. Sabendo um pouco mais sobre nosso destino, começamos nossa aventura na sexta-feira pela manhã, nosso vôo era às 13h e precisávamos descobrir como chegar no aeroporto de Orly, em Paris, de trem.

Não foi difícil, descobrimos o itinerário na internet, site da RATP, e assim deu para calcular o tempo, quase 1 hora para chegar lá. No aeroporto andamos um bocado até encontrar os guichês da Easy Jet, eles ficam numa parte meio isolada do aeroporto, mas quem tem boca vai a Roma, no caso à Easy Jet! Embarque tranquilo, vôo tranquilo. Ah, a Easy Jet não oferece lanchinho no vôo, como estamos acostumados no Brasil, aqui eles vendem lanches, bebidas, roupas, acessórios... tudo e mais um pouco. Tem um catálogo à disposição dos passageiros e a gente pede o que quer.


No trem para o aeroporto em Paris

No avião para Budapeste

Chegamos em Budapeste às 15h30 e já tínhamos decidido ir de táxi para o hotel. Isso não é muito comum para os nossos padrões, normalmente preferimos pegar transporte público, ônibus ou metrô e caminhar mais um tanto para ir para o hotel quando chegamos numa cidade nova. Por duas razões, preço e oportunidade de já ir aprendendo como as coisas funcionam. Mas com um bebê a gente repensa algumas coisas... he he... e já tínhamos visto que o táxi não era assim tão caro. Fizemos um trajeto de mais ou menos 45 minutos confortavelmente instalados no carro e cada qual vidrado na paisagem do lado de fora de sua janela, Ismael e eu estávamos impressionados com o pôr-do-sol, às 15h30!, e com a cidade que aos poucos ia se revelando. Prédios lindos, antiquíssimos e impressionantes. Quando nos aproximamos do Rio Danúbio foi emocionante, estávamos do lado de Peste, e nosso hotel era na antiga Buda, de forma que nós não apenas avistamos o Danúbio, como fomos logo atravessando sua extensão através da ponte mais antiga da cidade! Memorável...

Ponte das Correntes, com Peste ao fundo


Castelo de Buda, um dos principais "postais" da cidade


Nosso hotel ficava pertinho da Ponte das Correntes (ou Széchenyi lánchid), que foi a primeira a ser construída ligando Buda e Óbuda à Peste. Estávamos super bem localizados, e o hotel era bem gostosinho. Achamos o atendimento eficiente, apesar de frio, os recepcionistas não eram de muito papo não, he he... Quando chegamos, tentamos a comunicação primeiro em francês, não rolou, depois em espanhol, não rolou, até que meu parco inglês resolveu ressucitar e eu virei a porta-voz da família. Ismael só agradecia em alemão! Eles providenciaram berço para Joaquim e sempre foram muito solícitos em nos deixar usar o microondas na cozinha para aquecer as sopinhas. Ah, e tinha frigobar no quarto, enchemos de sopinha caseira! O nome do hotel: Carlton.

Sobre a língua local, foi muito estranho não reconhecer nenhuma palavra! Até para olhar o mapa tínhamos dificuldades. Mas conseguimos nos virar bem, com meu inglês fraquinho. Ismael que ficava na maior agonia, porque ele adora interagir com o povo mas não conseguia, he he...

Estávamos hospedados a 1 minuto a pé da Ponte das Correntes, que atravessamos zilhões de vezes durante todo o final de semana. Fizemos praticamente todos os passeios a pezão, mesmo quando olhávamos no mapa e achávamos que era um pouco longe, logo pensávamos que caminhando a gente poderia ver mais coisas pelo caminho e fotografar e coisa e tal, e assim foi. Primeira pernada foi logo na tarde/noite em que chegamos. Atravessamos a ponte e, seguindo a dica do recepcionista do hotel, fomos ver a tal Feira de Natal que estava começando naquele dia, no centro de Peste. Só para atravessar a ponte levamos quase meia hora, de tanto que parávamos para admirar a vista da cidade, os prédios históricos iluminados e fotograr muito. Quanto mais andávamos mais empolgados ficávamos com a beleza de Budapeste.

A Feira estava lindona, foi bem legal começar o final de semana assim, pois ela reunia várias coisas típicas e muitas coisas lindas. Jantamos por lá mesmo, depois de muita dificuldade para conseguirmos nos familiarizar com a moeda local, o forint (1 euro = 250 forint = 2,40 reais), aliás passamos o findi todinho fazendo nó na cabeça para calcular o preço das coisas. E concluímos que Budapeste é uma cidade cara, embora tivéssemos lido o contrário. Na verdade concluímos isso porque passamos a calcular as coisas em reais, quando pensávamos em euro víamos que os preços estavam compatíveis com Paris, ou seja, caro!

No sábado, fomos presenteados com um sol lindo, coisa que há muitos dias não víamos em Paris. E percebemos que o dia clareia mais cedo em Budapeste. Vimos o sol nascendo às 7h. Começamos o dia visitando a Bazilika Szt. István, ou igreja de São Estevão. Uma das mais bonitas que já conhecemos!! Seu interior é de tirar o fôlego. Depois decidimos comprar tickets para o Sightseeing, ônibus turístico que passa pelos principais pontos da cidade e que permite saltar e pegar outro no decorrer de 24 horas. Os tickets incluiam também um passeio de barco pelo Danúbio. Acho que o ônibus é um jeito legal de entender como a cidade se distribui, as distâncias entre os pontos, etc. Nós fizemos o passeio completo e elegemos lugares para voltar depois. O único incoveniente é que o ônibus faz muitas paradas, tornando o passeio bem demorado. Depois do bus e do barco, foi a vez de bater perna novamente. Ficamos cerca de duas horas explorando a cidade no lado de Peste. Vimos o Mercado Central, um prédio magnífico, mas que infelizmente estava fechado; fomos caminhando pela Váci, que é um calçadão bem animado, com muito comércio, algumas praças e monumentos; passamos novamente pela feira de Natal e continuamos caminhando até o prédio do Parlamento, que é um espetáculo à parte. Não cansamos de fotografá-lo durante todo o dia, de vários pontos da cidade, ele é como um imã que atrai olhares e lentes por ser tão lindo. Há uma visita guiada para conhecê-lo por dentro, mas nós não a fizemos.

Interior da Igreja de Szt. István, ou São Estevão


Rio Danúbio à noite

Cidade vista da Citadella. Buda à esquerda e Peste à direita


Mercado Central

Prédio do Parlamento

Domingo, ao contrário do dia anterior, amanheceu e permaneceu cinza, fazendo jus ao clima outonal, mas pelo menos não choveu, deu para passar o dia inteiro batendo perna novamente. Começamos pelo lado de Buda. Saindo do hotel subimos a íngreme colina, empurrando o carrinho do Joaquim escada acima, até chegar no Mátyás Templon, ou igreja de Mathias. Um conjunto arquitetônico deslumbrante, com muitas torres, mosaicos, elementos decorativos, estátuas, etc. Além da construção em si, com ares medievais, que impressiona muito, lá de cima tem-se uma vista maravilhosa do Rio Danúbio e Peste. Ficamos um tempão admirando e fotografando tudo. Próximo dali está o Castelo de Buda, a construção imponente que mais se vê quando estamos às margens do Danúbio do lado de Peste. O Castelo abriga um museu com obras de artistas húngaros, moedas e relíquias, nós só conhecemos a parte externa. Dentre as coisas que nos chamaram bastante a atenção destaca-se uma fonte com a estátua de três crianças brincando com um peixe, linda!; e uma senhorinha tocando realejo perto do Castelo, ela era muito fofa, e aquele musiquinha enchendo o ar imprimia algo de surreal ao momento.

Mátyás Templon


Parlamento visto da Igreja Mathias


A empolgação diante da beleza da Igreja Mathias
A senhorinha e o realejo


Detalhe da fonte no Castelo de Buda


De lá, atravessamos a Ponte das Correntes e seguimos, à pezito, pela Avenida Andrássy, até a Praça dos Heróis. É uma pernada e tanto, mas vale a pena, pois passamos pela Ópera, e por diversas casas e palacetes que marcam uma época muito próspera da cidade, anterior ao comunismo. Nesta avenida também está o monumento da Cortina de Ferro, bem interessante. Junto à Praça dos Heróis está o Museu de Belas Artes onde havia uma exposição com obras de Bottero e Klimt, entre outras, os ingressos para nós dois sairia quase R$ 70,00, e ainda tinha tanto para ver da cidade... e Bottero e Klimt nem são húngaros... resolvemos aproveitar a estrutura do Museu: café, fraldário, toilettes, calorzinho, he he... e continuar nossa jornada.


Praça dos Heróis

Ópera


Monumento da Cortina de Ferro


Caminhando na Av. Andrássy

Av. Andrássy


Atrás da Praça dos Heróis está um lugar encantador e que nos foi uma grata surpresa, pois não sabíamos direito o que nos esperava. Trata-se do Parque Municipal Varosliget, uma grande área verde onde, entre outras coisas, está o Castelo de Vajdahunyad. Nós não sabíamos de sua existência, e foi super gostoso descobrir essa maravilha. O Castelo é lindo e junto a ele tem uma capela, e outra construção impressionante que abriga o Museu da Agricultura, além da estátua de Anonymus, uma homenagem ao autor, até hoje desconhecido, que foi o primerio a transpor a história da Hungria para uma obra literária. A estátua é linda e de dar arrepios!


Castelo de Vajdahunyad


Castelo de Vajdahunyad


Estátua de Anonymus

Caminhamos um pouco mais pelo parque enquanto tomávamos um vinho quente e sentamos à beira do lago para dar o lanchinho do Joaquim. Ele curtiu olhar os patinhos enquanto degustava sua papinha de fruta e víamos as luzes da cidade acendendo.

De lá pegamos um metrô, (o primeiro metrô da Europa Continental foi construído em Budapeste), e foi bem pitoresco, pois as estações são super antigas, algumas delas pareciam locação de filme de época. Descemos perto do calçadão da Váci e fomos fechar o dia na Feira de Natal, compramos uns enfeitinhos lindos entre outras coisinhas.

Última manhã em Budapeste, segunda-feira amanheceu chovendo. Que bom que foi no final! Não nos animamos a sair do hotel. Curtimos bem o café da manhã e ficamos de preguicinha até a hora de ir para o aeroporto.
Nós amamos conhecer Budapeste. Saímos muito com a sensação de quero mais, pois muita coisa do que tínhamos pesquisado não conseguimos ver ou fazer. Fica a pergunta, será que com tanto lugar no mundo para conhecer um dia ainda voltaremos à Budapeste? Se rolar vamos querer curtir os banhos termais, famosíssimos na cidade; queremos ver o Memento Parque, com estátuas do tempo do comunismo; vamos conhecer o prédio do Parlamento por dentro e vamos pra lá na primavera ou verão, para ver a cidade com outras cores.

Ah, e agora eu PRECISO ler o livro do Chico: Budapeste!

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Antuérpia e Bruxelas

Final de semana que passou colocamos o pé na estrada novamente. Fomos visitar Carla, Rui e Pierre, a família que nos alugou o primeiro apartamento aqui em Paris, eles moram cá e lá e nos convidaram para conhecer um pouco da Bélgica. Na quinta-feira foi o feriado do Armistício e Ismael e eu enforcamos a sexta, assim tivemos um final de semana prolongado para passear.

Resolvemos alugar um carro novamente. Carla e Rui, com Pierre, foram na quarta à noite e nós pegamos o carro na quinta e seguimos viagem. Como pegamos o carro às 10h, tínhamos a previsão de chegar lá por volta de 14h30... ahããã... teria sido assim se não fossem os percalços que sempre deixam uma história mais divertida para contar. Primeiro, como da outra vez, eu fui pegar o carro enquanto Ismael ajeitava Joaquim e juntava as coisas para viajarmos. Achei que estava abafando pois já tinha ido uma vez pegar o carro na Gare de Montparnasse... mas aquilo lá é um labirinto!!! Demorei mais desta vez do que da outra para achar a loja da AVIS. Mas achei, então vim tranquilinha para casa, carregamos tudo, resolvemos dar almoço para Joaquim antes de sair, e às 11h30 estávamos prontos, todos dentro do carro, tentando programar o GPS para nos levar à Bélgica. Mas não é que o bichinho só tinha o mapa da França?!?!? Claro que levamos um bom tempo para descobrir isto, pois estávamos achando que não sabíamos como programar o negócio. Constatado o problema resolvemos voltar à loja da AVIS para resolver. O GPS nos levou de volta até a Gare de Montparnasse, mas e quem disse que eu achava a entrada de carro para chegar até a loja! Afinal, até então eu só tinha saído de lá com o carro, nunca tinha entrado!! (da outra vez devolvemos o carro em outra loja mais perto de casa). Demos algumas voltas, até que resolvi estacionar na rua e, enquanto Ismael e Joaquim esperavam no carro fui a pezito até a loja. Chegando lá, sabe qual foi a solução que a mocinha me sugeriu? Colocar a cidade da França mais perto da fronteira com a Bélgica e ir até lá com a ajuda do GPS... e depois?!?!?!?! Ela só fez um levantar de ombros como quem diz "é o jeito...". E a mané achou que a gente ia ficar pagando aluguel do GPS dois dias sem usar porque a gente gosta de gastar dinheiro?!?!?! que idéia!!! Até que surgiu alguém mais esperto e pensou na possibilidade de olhar outro aparelho de GPS para ver se tinha mais opções de mapas. Bingo! Problema resolvido, uma hora perdida.

Finalmente começamos a viagem. Mas para sair de Paris, o GPS nos fez cruzar a cidade pelo centro, ao invés de nos levar por uma periferique, resultado: mais uma hora perdida... e para finalmente achar a saída de Paris foi outra sessão, pois havia obras na estrada e achamos que o GPS ficou meio perdidão, assim como nós, obviamente. Um pouco antes da hora prevista para chegarmos na casa de Carla e Rui estávamos finalmente pegando a autoroute... ai, ai... mas a partir daí a viagem seguiu tranquila... até chegarmos em Lille, na fronteira da França com a Bélgica.

Neste ponto da viagem houve o momento caos. Ismael se deu conta de que havia esquecido o passaporte (na outra viagem foi a carteira de habilitação), eu me perdi e entrei na cidade de Lille ao invés de apenas passar por ela, e Joaquim começou uma crise de choro de "ai que tédio!". Todos contribuimos para o momento mais tenso da viagem. Depois de algumas voltas consegui pegar o rumo certo novamente e nos aproximávamos da fronteira, ninguém falava nada, mas o balãozinho de pensamento era unânime "será que vão pedir passaporte na fronteira?"... e Joaquim chorava... mas ufa! Ninguém na fronteira, luzes apagadas, um ou dois carros da polícia federal estacionados, passagem livre. E viva a União Européia!!

Finalmente chegamos na casa de nossos amigos. Que delícia pisar em "terra firme" e entrar numa casa sequinha, quentinha e aconchegante! Choveu o tempo todo durante a viagem. Assim como choveu praticamente o final de semana inteiro. Mas isso não nos impediu de fazer bons passeios, ver muitas coisa lindas e experimentar um bom tanto da gastronomia belga. Carla e Rui foram ótimos anfitriões e nos mostraram pontos super bonitos, curiosos e típicos da Antuérpia e Bruxelas, que fica a 50 km dali. Rui podia ser guia turístico, pois sabe contar ótimas histórias e explicar a origem de muita coisa!! E para Joaquim foi tudo super legal, pois tinha um amiguinho da mesmo idade para brincar, Pierre e ele foram bons companheiros de brincadeira e bagunça.

A viagem de volta, no domingo foi mais tranquila, embora Joaquim também tenha tido seu momento chororô. Ismael dirigiu grande parte do tempo e pode experimentar as autoestradas européias. Chegando aqui, Joaquim ficou desmaiado na cadeirinha enquanto descarregamos o carro todo (e veio muuuuuita coisa, pois fizemos compras na Bélgica, lá as coisas são mais baratas), ele subiu dormindo e foi direto para o berço, enquanto papai se "divertia" procurando lugar para estacionar o carro. Foram voltas e mais voltas para, meia hora depois, deixar o carro a umas três quadras aqui de casa. Esta é Paris!


Experimentando deliciosos gofres com chocolate da Leonidas, em Bruxelas


Com Carla e Rui em frente ao Manneken Pis, estátua famosa do menino mijão, em Bruxelas


Atomium, Bruxelas


Estátua do pintor Rubens, com catedral da Antuérpia ao fundo


Antuérpia

Antuérpia
Estação Central em Antuérpia
O possante que nos levou à Bélgica
Dicas e Curiosidades:
  • Sempre conferir as opções de mapas que o GPS do carro alugado oferece.
  • GPS é muito bom, mas não é perfeito. Às vezes ele se engana, ou não se dá conta de barreiras na estrada, rssss...
  • Não sei se é possível escolher o modelo do carro, sei que na hora de alugar escolhemos a categoria. Nas duas vezes pegamos o Petite, citadine 4 places (pequeno, cidade, 4 lugares), por ser o mais barato. Mas para ir a Mont Saint-Michel, fomos num Panda, da Fiat, pequeno mas espaçoso e com um porta-malas razoável (considerando a categoria), já desta vez pegamos um Peugeot 107. Parece um carro de brinquedo!!! É super fofo, e bem gostoso de dirigir, mas o espaço é zero! No porta-malas cabe uma mala média e uma bolsa, o resto já vai meio empilhado... Fizemos milagra para levar o carrinho e colchão do Joaquim, além de malas, bolsas, etc. E na volta trouxemos 4 caixas de fraldas, além de umas compritchas básicas.
  • Os limites de velocidade variam de um país para outro. E nisso o GPS é ótimo pois sempre avisa qual é o limite.
  • Foi muito estranho entrar na Bélgica e, de repente, não entender mais nada do víamos nas placas. Assim como foi reconfortante cruzar a fronteira na volta e nos depararmos com as placas em francês... nos sentimos em casa!

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

E o sol voltou!!

Paris depois da chuva também é bonita!


Depois de quatro dias gris (cinzas) aqui em Paris, finalmente o sol volta a dar as caras. E frio com sol é até bonito, né? he he... Ontem, voltando da aula, a chuva tinha finalmente dado uma trégua e o céu parecia mais claro do que estivera nos últimos três dias, me senti revitalizada! Deu até vontade de ficar na rua, andando sem destino... mas Joaquim aguardava a "troca de babá", Ismael precisava ir para o curso, era minha vez de cuidar do pequeno. Alors, o trajeto até em casa já foi um bom passeio!

Esta semana temos nos empenhado em resoluções burocráticas (e muito chatas!) de nossa estadia aqui. Até as coisas burocráticas, quando está chovendo parece que ficam mais burocráticas ainda!!! rssss... precisávamos providenciar nossas Cartes de Séjour, que é o documento de permanência de longa temporada na França. É aquele tipo de documento que pode ser que nunca nos peçam, mas se pedirem e não tivermos teremos problemas. Estaríamos em situação ilegal no país. Depois de encaminhar pelo correio os formulários preenchidos para o OFII (Office français de l'immigration et de l'intégration), recebemos cartas em casa com os horários e lugares onde deveríamos comparecer. Como o visto do Ismael é de estudante e o meu de acompanhante, ou visitante, eram dias e locais diferentes. Segunda de manhã, cedo, saímos munidos de muito casaco, sombrinha, capa de chuva do carrinho, e lá fomos nós para o meu rendez-vous que estava marcado para às 9h30. Eu tinha a ilusão de que chegaria lá e seria atendida, numa espécie de entrevista, às 9h30, faria uma consulta médica (mencionada na carta que recebi) e saíria no máximo umas duas horas depois com o documento na mão... doce ilusão! Não vou nem tentar explicar os procedimentos para conseguir a Carte, porque eu simplesmente fui fazendo o que me diziam, sempre esperando muito para cada etapa (entrevista, exame de vista, radiografia do pulmão, consulta médica, e espera, espera, espera...). Eu mais ou menos ia entendendo e fazendo o que eu achava que tinha entendido... bom, antes de ser atendida de fato, eu já estava numa segunda sala esperando, e Ismael e Joaquim ficaram na recepção. Uma meia hora depois que nos separamos eu ainda não tinha idéia de quando seria atendida, liguei para o celular do Ismael e sugeri que ele fosse para casa com Joaquim, que já estava bem aborrecido e caindo de sono, tadinho... e eu continuei lá... Na hora de fazer a radiografia, uma enfermeira me colocou num cubículo com duas portas e falou um monte de coisas que eu não entendi, perguntei novamente, consegui entender que eu tinha que tirar casaco e blusa, mas e o resto? Perguntei novamente... nisso passou uma funcionária que falava português de Portugal e me ajudou dizendo: "Precisas tirar tudo! Toda a parte de cima." Ok. Fechei a porta e ouvi a enfermeira indo embora e repetindo "precisas tirar tudo. precisas tirar tudo..." rssss... A consulta médica foi uma piada, consistiu basicamente numa conversa informal sobre meu curso de francês, quanto eu pagava, onde ficava, escrevi o nome da escola para o médico, enquanto ele media minha pressão. Era para a namorada dele que estava vindo da América do Sul... voilá. Hoje é a vez do Ismael tentar resolver o dele, ele precisa ir em dois lugares diferentes.

Resolver estas coisa burocráticas por si só já é cansativo, mas quando não dominamos o idioma, fica tudo três vezes mais cansativo e difícil... Fazer o quê, faz parte do pacote e temos que encarar, he he...

E quanto à parte gostosa do pacote, amanhã vamos encarar mais uma aventura. Alugamos um carro para ir à Bélgica, mais precisamente Antuérpia, onde ficaremos na casa de amigos durante o feriadão (Armistício dia 11/11). Estamos bem empolgados para pegar a estrada novamente!!

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

On parle portugais!!!! | Nós falamos português!!!!


Tenho me frustrado um pouco com o tanto que sei da língua francesa. Confesso que tinha a ilusão de que daria conta de me "virar" com o pouco que sei. Mas é incrível, quanto mais o tempo passa mais me dou conta de que não sei "lhufas"!!! É engraçado, porque tenho entendido cada vez mais, das conversas na rua, das pessoas ao telefone no metrô, da televisão, mas proporcionalmente me sinto menos capaz de me expressar, de falar. Ismael só me olha com um olhar solidário de quem diz "sei bem o que vc tá passando...". Ele está à minha frente neste processo, porque começou com o curso de francês há mais tempo. E é bem mais ousado, ou corajoso, na hora de hora de falar. Dia desses fiquei aqui, só admirando Ismael e madame Tête (a proprietária do apê) no maior papo! Mas, como ele mesmo diz, ainda sente dificuldade também... e é tão louco a gente se sentir analfabeto!!!

Hoje na aula, me senti uma estudante primária, morrendo de medo que o professor me dirigisse alguma pergunta, e aconteceu! E era justamente uma questão do livro que eu ainda não tinha lido, e não sei se por pânico, ou ignorância mesmo, mas eu simplesmente não entendi o que ele estava me perguntando... ai, ai... é horrível quando a gente se sente burra... mais, ce ça... c'est la vie de une brésilienne en France...

Par contre, ou por outro lado, temos tido gratas e inusitadas supresas com nossa língua-mãe. Ontem foi dia de resolver algumas coisas práticas na rua, já que quarta-feira é um dia mais ou menos livre que temos em nossas agendas aqui. Fomos atrás do PMI (Centre de Protection Maternelle et Infantile) mais próxima para agendar um rendez-vous, ou horário de atendimento para Joaquim, para pesar, medir, examinar e encaminhar vacinas. Enquanto eu ainda catava algumas coisas para sair, Ismael desceu com Joaquim para me esperar lá embaixo. Quando finalmente desci, me deu um estranhamento porque vi, mas ainda não ouvia, Ismael conversando animadamente com uma senhora. O estranhamento foi porque quando conversamos em francês, a tendência é de ser uma conversa mais lenta, moderada... mas Ismael falava e falava... até que cheguei no hall e ouvi que ele falava português! Tinha acabado de conhecer a senhora que cuida da limpeza aqui do prédio, que é de Portugal!! Ela se encantou com Joaquim e a conversa seguia animada.

Na caminhada em busca do endereço do PMI, comentei com Ismael que não sabia exatamente o que dizer quando chegasse lá - "Oi, eu sou brasileira, estou morando em Paris e preciso de orientações sobre vacinação e atendimento para meu filho...". Ok, em português eu sabia.. mas e em francês? Fomos ensaiando no caminho... Claro que chegando lá, ao estar frente a frente com uma pessoa que parece não ter um minuto a perder na vida, a coisa é bem diferente. Bloqueei. Ismael assumiu o comando e foi tentando falar... a interrogação expressa na testa da mocinha não nos parecia um bom sinal... Até que ela perguntou que outras línguas falávamos. Ismael foi dizendo "um pouco de inglês, um pouco de espanhol, e... português...". O português a gente quase nem menciona, porque quem é que aqui na França fala português, além da zeladora do nosso prédio?!?! E não é que a mocinha abriu um sorriso e disse "português!!!". Ora pois, ela era portuguesa com certeza!!! Ufa... A conversa fluiu, conseguimos marcar o rendez-vous e voltamos felizes para casa. Chegando quase aqui em casa, em frente a uma loja de vinhos, ainda presenciamos uma rodinha de conversa entre dois senhores e uma senhora que conversavam em português!!! "Não dê ouvidos a quem não lhe quer bem...", foi o que ouvi. Em poucas horas, era a terceira vez em que ouvíamos nossa língua materna, música para nossos ouvidos... foi como um sinal, ainda resta uma esperança de que nos comuniquemos bem aqui na França!! he he...

E hoje, estava eu voltando da aula, lendo meu livro no metrô (em francês!!! a gente tenta...) quando entrou uma família, pai, mãe e dois filhos que se "espalharam" ao meu redor, conversando em português. A gente se depara com muitos turistas brasileiros por aqui, e quase nunca dá vontade de interagir, pois são encontros furtivos, passadas rápidas... mas hoje não me contive, pois o trajeto do metrô ainda seria longo. Perguntei: "brasileiros passeando em Paris?", eles sorriram e responderam que sim. Começamos a bater papo. E como se ter o mesmo país de origem não bastasse, logo descobrimos que vínhamos todos do mesmo estado, mesma cidade, e mesmo bairro no Brasil!!!! Êeee mundão!!!

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Em casa...

O que é exatamente "sentir-se em casa"? Onde é minha casa? No momento, me sinto em casa, estou no aconchego do meu lar... o que me parece bem estranho quando paro para pensar que estou num país que não é o meu e morando num apartamento onde estaremos por apenas 4 meses. Mas me sinto em casa. E isso é muito bom! Tenho pensado nisso porque desde que comecei meu curso de francês, tenho saído todos os dias, e percebi como eu tenho uma necessidade meio louca de ficar em casa. Ficar mesmo, ao menos um dia inteiro sem colocar a cara pra fora. Fazendo sei lá o quê, vestindo sei lá o quê, apenas em casa. Isso parece um desperdício aqui em Paris, mas pra mim é uma questão de sobrevivência. Fiz isso ontem, feriado aqui - Dia de todos os santos. Na verdade fiz mais ou menos, porque logo depois de almoçar, bateu o tédio no Joaquim e ele ficou meio impaciente. Coloquei no carrinho e fui comprar lenços umedecidos. Ok, não é um programa super importante, então quase nem considero, he he... mas já que estava na rua, dei uma esticadinha e fomos encontrar o papai que tinha ido correr no parque aqui pertinho de casa. Esse foi meu programa do feriado, de resto fiquei aqui. E foi revigorante. Melhor ainda foi perceber como estou me sentindo à vontade e curtindo nosso ninho temporário. No começo sempre dá aquela sensação de "casa dos outros", tem que cuidar com isso ou aquilo, não sabe bem como funcionam as coisas, etc e tal. A proprietária do apartamento veio aqui algumas vezes, para resolver coisas da vistoria, essa parada da infiltração, etc, e no início eu tinha um sentimento estranho de obrigação em deixar tudo lindo e arrumado para quando ela chegasse aqui visse que estamos cuidando bem das coisas... mas nas últimas vezes que ela veio já estava super relaxada (no bom sentido), desencanada mesmo, e ela nos deu essa liberdade, pois sempre deixou claro que podíamos arrumar as coisas como fosse melhor para nós. Então é isso, estou em Paris e me sinto em casa. E a sensação é muito boa.

Me dei conta disso também quando um dia desses comecei a pensar em Joaquim, explorador como está, como seria se estivéssemos no nosso apê lá no Brasil. Aqui, ele ama a máquina de lavar roupas, que fica na cozinha. Volta e meia pego metade dele enfiada lá dentro, aí tentei pensar no contexto brasileiro, a máquina lá fica na lavanderia, que é ao lado da cozinha... mas aí me ocorreu que eu não lembrava se nossa máquina era frontal ou vertical!!! Minha maquininha Enxuta, que temos desde antes de casar!!!! Esqueci da cara da coitada!!! Com algum esforço lembrei que sim, Joaquim poderia se divertir entrando nela também, que é frontal. Mas achei isso muito sintomático.

Minha casa agora (e por enquanto) é aqui!!! Os franceses tem uma expressão específica para se referir a sua casa, seu lugar - Chez. Chez vous (sua casa); Chez Marie (casa de Marie); Chez nous (nossa casa). Então hier, j'étais chez moi (Ontem, eu fiquei em casa).


Nous, à chez nous!!

E falando do meu curso de francês... estou gostando bastante, mas os sentimentos e emoções são ambiguos. Terminando a semana passada (que foi a primeira do curso) cheguei em casa meio desolada na sexta-feira. Um sentimento estranho de que passei uma semana frenquentando um lugar sem ser percebida, sem de fato fazer parte... isso porque não abro a boca na aula!! Fico insegura, parece que todo mundo fala melhor que eu, uma coisa louca... fiquei super feliz de entender o professor e acompanhar as explicações, mas não consigo me comunicar com as pessoas e isso é horrível! Quando cheguei em casa com esse sentimento, Ismael me deu um sorriso cúmplice como quem diz "sei bem o que vc tá sentindo, já passei por isso"... e é verdade! Quando ele voltava da aula meio désolé eu não entendia muito bem, agora entendo tudoooo! A gente tem vontade de conversar, perguntar, expressar opiniões, etc, mas simplesmente não sabe como... e pior, eu tenho a sensação de que o pouco que eu sabia eu esqueci!!! Mas estou me fiando naquilo que ouvi muito quando nos preparávamos para vir para cá: "vocês vão ver, depois de um tempo é como se um botãozinho fosse ligado e vcs conseguem se comunicar!". Tô esperando...

E pra me animar um pouquinho, hoje, começando a nova semana no curso, bati o maior papo com uma colega no final da aula - em português!!!! rsssss... descobri que tenho uma colega brasileira, e ela está como eu, super desolée, rsss... pelos mesmos motivos. E justamente por isso foi muito bom encontrar alguém com quem é possível, pelo menos, chorar as pitangas! E depois de bater um papinho básico, saímos da escola juntas para pegar o metrô, e conosco vieram mais três colegas: uma filipina, uma russa e uma de origem desconhecida (não deu tempo de perguntar). Durante o percurso em comum, conversamos - em francês, inglês, português - e me animei quando me dei conta de que estava batendo papo, meio aos trancos e barrancos, mas estava!

C'est la vie en France!!!