retrospectiva

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sábado, 30 de junho de 2012

Um dia especial...

Quis a vida, e nossos projetos de vida, e as oportunidades que surgiram e os desígnios de Deus que, pelo segundo ano consecutivo, eu comemorasse meu aniversário em Paris. Às vezes penso que é só mais um lugar no mapa, mas logo lembro que não é não... é Paris! E por aqui as coisas tendem a ter significados diferentes, caminhar pelar rua não é "bater perna", é flanar; sentar na calçada na beira de um canal com uma garrafa de vinho não é vagabundagem, é boemia; pedalar pela cidade de terno e gravata não é esquisito, é mobilidade inteligente; ser educado sem ser simpático não é rabugice, é ser parisiense... mas tem uma coisa que não muda, seja em que canto do mundo a gente esteja: em um dia especial como o aniversário, a gente quer estar juntinho de quem se ama, seja onde for!!! E isso faz de mim uma mulher feliz, com bônus: comemorei meu aniversário com meus amores... e em Paris!!!

O dia começou com pain au chocolat, viennoise, cerejas e flores lindas! Surpresinha do meu amor!

Estávamos de olho naquela roda gigante, láaaa atrás...

Joaquim se realizou no carrossel

Meu melhor presente!

Roda giganteeee!!! E a Torre Eiffel láaaa no fundo...

Meus lindos... com eles, a festa é boa em qualquer lugar!!!

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Museu Carnavalet, uma boa surpresa...

Quando fomos embora de Paris, no ano passado, Ismael e eu levamos conosco uma lista de coisas que ficaram para ser feitas (visitadas, experimentadas, vistas) quando, por ventura, voltássemos para cá. Nem sonhávamos que voltaríamos tão rápido, e nem que iríamos passar mais uma temporada e não apenas um período de férias! Pois bem, voltamos, e conosco veio a lista de "Coisas que ainda não fizemos em Paris". Aos poucos vamos colocando um OK ao lado dos itens cumpridos. 


Hoje foi a vez do Museu Carnavalet. Aliás, foi minha vez, tive minha tarde comigo mesma e um dos planos era ir ao Centre Pompidou e, se desse tempo, ao Carnavalet. Mas quis o destino, e minha falta de noção geográfica, que eu cruzasse com a porta do Musée Carnavalet antes de chegar ao Pompidou. Voilá, já que ali estava, resolvi inverter a ordem dos fatores. 




Esse museu entrou para nossa lista por causa de uma aula de francês no ano passado, em que minha professora citou o lugar como digno de uma visita que poderia surpreender, e destacou que a entrada era gratuita. Com esse "incentivo", né? Pensamos, por que não? Cheguei sem muita expectativa, fui entrando no pátio, pensando se eu daria conta de dois museus, lembrei do Pompidou me esperando, quase desisti, mas resolvi entrar e dar uma espiada, se não agradasse eu sairia rapidinho e iria ver os modernos no Georges Pompidou... 


Eu fui!

Um setor do museu é dedicado à Revolução Francesa

Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão


E é tão bom quando a gente se supreende! O Museu tem um acervo incrível que conta a história da capital francesa desde sua pré-história. São principalmente pinturas (achei o máximo ver a Paris de outros tempos pelo olhar dos pintores, lugares que fazem parte do nosso cotidiano, nossa "vizinhança", como já foram um dia... E pra quem está de passagem pela cidade, e não tem uma relação de cotidiano, ainda assim é legal, pois muitas pinturas mostram antigas versões de lugares que obrigatoriamente quem vem conhecer a cidade visita, como Champ de Mars, Champ Elysées, a Catedral de Notre Dame, etc.), e além das pinturas, o acervo conta com relíquias arqueológicas, maquetes de arquitetura, esculturas e objetos do cotidiano. Me diverti um bocado apreciando as duas salas com placas super criativas de estabelecimentos comerciais que já existiram em Paris, achei no mínimo inusitado! A proposta é passar ao espectador um pouco da atmosfera das ruas da cidade entre os séculos XVI e XX, e mostrar como os comerciantes, muitas vezes analfabetos, faziam para chamar a atenção. É a publicidade das antigas...







E além do acervo permanente, eu tive a oportunidade de ver também uma exposição super bacana, a Vis-à-Vies (uma "brincadeira" com a expressão Vis-à-Vis - face-a-face - que virou algo como Face-à-Vidas). O fotógrafo Thomas Bilange convidou todo o staff do museu a participar de uma sessão fotográfica. Ele fez os retratos dos funcionários que toparam (desde o jardineiro até o curador do museu) e pediu a cada um que elegesse sua obra (pintura ou escultura) favorita do acervo da casa. A exposição consiste na justaposíção das fotos destas pessoas com detalhes das obras escolhidas. É incrível como é possível perceber semelhanças, às vezes sutis outras nem tanto, entre as imagens! A exposição está no Carnavalet até 29 de julho.

Então fica a dica: http://carnavalet.paris.fr/

PS: Mesmo achando que não daria conta, eu segui para o Pompidou depois desta visita, entrei no saguão para decidir se iria encarar ou não... e fui! Hoje foi um dia de colírio para os olhos e para a mente...

Centre Pompidou, terraço do quinto andar, lá onde se vê Picasso, Braque, Duchamp, Miró,...

domingo, 24 de junho de 2012

Fête de la Musique em Paris... uma delícia de experiência!

Depois do que vivenciamos em Praga no ano passado e, principalmente, da delícia que foi andar pelas ruas de Paris ontem, se me perguntarem onde quero passar todos os próximos dias 21 de junho da minha vida eu direi: em qualquer cidade de Europa!


Na verdade eu não sei o quanto ela é comemorada em qualquer cidade da Europa, mas em Praga (no ano passado) e em Paris a Fête de la Musique é mais do que celebrada, o dia se torna um verdadeiro brinde à alegria, à festa, à música! É contagiante!!


Nosso passeio pela festa começou bem no final do dia. E nem seria diferente se não tivéssemos os compromissos rotineiros a cumprir, afinal ontem choveu, e choveu bastante durante a tarde. Inclusive esta chuva, que veio acompanhada de raios e trovões para os lados do 19éme arroundissement, atrapalhou o início da "nossa" Fête que começava a se armar aqui na beira do canal, quase em frente ao nosso prédio. E a chuva deu aos meus ouvidos a benesse de ouvir um pouco menos do tumtchi-tumtchi que foi a o estilo musical predominante nesta região. Mon Dieu! Mas tudo bem a festa é de todos...


Eram 9 horas da noite quando finalmente saímos para a "gandaia". Sempre é válido lembrar que às 21h o sol aqui ainda está bem presente! Lá fomos nós, felizes por tomar distância do  tumtchi-tumtchi que já  gerava certas dores de cabeça, literalmente falando. Pegamos a linha 7 do metrô e descemos na estação do Palais Royal, onde eu havia visto na programação que teriam várias coisas acontecendo. 


pausa. Eu me dei ao trabalho de olhar a programação na internet, pelo receio de ficarmos vagando pela rua sem saber onde as coisas estavam acontecendo, onde teria música rolando... ingenuidade minha, não tem como vc andar na rua e não ouvir música! Mas de qualquer forma foi legal saber, por exemplo, que na região do Louvre e Palais Royal, estava rolando bastante música clássica, na região de Chatelet e  Les Halles, em geral, tinham músicos de jazz e no Quartier Latin o lance era Rock'n Roll. despausa.


Saímos da estação do metrô praticamente em frente a uma orquestra se preparando, com o público já cercando, em expectativa, para a apresentação. Nós fomos super espertos e conseguimos um lugar especial, tudo bem que os músicos estavam de costas, mas o importante é que não tinham pescoçudos da nossa frente e conseguimos nos deleitar com a proximidade dos instrumentos e músicos, até que, iniciada mais uma música, passou "relando" em nós, um tenor que soltou a voz deu um show, dirigindo-se para a frente de onde estava posicionada a orquestra. Alguns minutos mais e de repente, do nada, vozes, muitas vozes, se juntaram ao tenor... primeiro eu me arrepiei toda, depois entendi que as vozes vinham da platéia, estava em êxtase quando entendi também que estávamos no lugar destinado ao coral que começava a vir caminhando em nossa direção. Começamos a rir, nós e mais uns espertos que estavam conosco, quando percebemos que estávamos no que seria o "palco", se não estivéssemos todos numa calçada... mas tudo bem, o clima de festa traz um certo ar de informalidade, e ninguém nos olhou feio pelo "mico" que pagamos. Assim que deu um pequeno intervalo, saímos rapidinho e continuamos nossa caminhada... 








Póxima parada foi nos jardins do Palais Royal, onde havia um palco montado, com uma sonzera rolando... não fazia bem nosso estilo e a coisa estava bem muvucada, mas o que mais valeu foi ver os 40 pianos do projeto Play Me, I'm Yours em torno do Bassin do Palais Royal, com as pessoas se empolgando e tocando e cantando... num dos pianos havia um adolescente tocando Beatles, e outro garoto empolgado cantando como se estivesse no chuveiro de casa, logo se juntou a ele um senhor de cabelos brancos e aparência respeitável, soltando a voz "Let it be, let it be...", muito bom! Em outro piano havia um casal, ele de terno, ela toda hiponga, os dois pra lá dos 60, enquanto ele tocava (lindamente) ela, de olhos fechados e sorriso esquecido no rosto, fazia cafuné na cabeleira farta e branca de seu pianista, lindo!



Joaquim fez questão de experimentar!


Adorei este piano!


Dali fomos à pirâmide do Louvre, onde eu havia lido que a Orquestra de Paris se apresentaria. Mas a apresentação era no hall do museu, não no pátio externo. Como já estávamos super no clima da rua, resolvemos continuar caminhando e fomos em direção à Pont des Arts, nossa amada salve-salve, que ainda não havíamos visitado nessa temporada. E como ela não nos decepciona, o clima lá estava ótimo, com muitos músicos informais mandando ver em seus instrumentos: violão, sax, trombone, trompete, etc... muita alegria, muito riso, piqueniques noturnos, os cadeados com juras de amor. Joaquim correu solto achando graça nos cadeados e nos ajudando a procurar o nosso... (sempre procuramos, nunca encontramos... mas sabemos que ele está lá...), enquanto parávamos de vez em quando pra uma embaladinha numa música ou outra.






Enquanto estávamos na Pont des Arts, passou por nós um "barco balada", maior agito!


Vimos a torre piscando da Pont des Arts, é sempre emocionante!


Seguimos em direção a Boulevard Saint German e nos embrenhamos no Quartier Latin, ficamos surpresos com o movimento! Bandas e mais bandas, a cada quadra um amontoado de gente dançando, curtindo e celebrando ao som do bom e velho Rock'n Roll. Não somos experts, nem altos conhecedores do assunto, mas a música era muito boa! A cada tanto parávamos para nos deixar contagiar. E era incrível como havia música em qualquer canto! Literalmente. Muitas bandas se apresentavam em bares e cafés, mas outras tantas estavam na calçada, num lugar qualquer, em frente a uma galeria fechada, uma loja de souvenirs, onde houvesse espaço. Apesar de nossa empolgação, eu sempre de olho no Joaquim pra ver se ele estava bem, se estava curtindo também e coisa e tal, perguntei: "e aí filho?! Muito legal, né?", ele olhou pra mim todo empolgado e falou: "muito legalzinho, mamãe!!!". Ai que delícia!


A caminho da Boulevard Saint German, nos deparamos com várias bandas fazendo um som muito bom!! Esta estava numa calçadinha estreita, em frente a uma galeria de artes fechada.



Não tinha como ficar parado,  a música era contagiante!

Joaquim agitando na Fête de la Musique


E uma das coisas mais legais e mais empolgantes foi ver gente de todas as idades, juntas, dançando e fazendo festa. Muitos adolescentes e jovens sim, mas também muuuuuitas "pessoas maduras" como nós (rsssss...), e muitas pessoas mais velhas! Num café onde paramos porque o som estava bom demais, havia um casal com a maior pinta "Harley Davidson pra mais de 50", dançando, super empolgados na calçada, ao nosso lado. Pensei que quando eu crescer quero ser assim. E um pouco mais adiante, pertinho da Catedral de Notre Dame, vimos mais um grupo empolgadíssimo com o som pra lá de animado que um casal, bem excêntrico, estava fazendo com um teclado e amplificadores. As pessoas dançavam loucamente, e entre elas em casal de "mais idade". Monsieur, mais sóbrio, estava mais ou menos parado, enquanto Madame, numa cadeira de rodas, parecia que ia sair voando, de tanto que agitava com sorrisos e festejos e balançar de braços... de emocionar!


E foi assim, ao longo do trajeto que fizemos em nossa deliciosa caminhada nos deparamos com inúmeras bandas, duplas, músicos solitários... todos fazendo valer o direito de sair às ruas e festejar, para comemorar a chegada do verão (que aliás, chegou bem tímido por aqui...). Depois de ontem, conclui que vivenciar um 21 de Junho em qualquer cidade da Europa (onde se comemore o 21 de junho) é uma experiência que deve ser vivida! Voltamos pra casa depois de 1h da manhã, já não havia mais metrô para chegarmos em casa, mas nessa noite, até uma caminhada prolongada com filhote dormindo gostoso no carrinho, tá valendo!!! Chegamos em casa exaustos e felizes!


Voltando para casa ainda tivemos o prazer de ver esse cara dando um show de malabares!


sexta-feira, 15 de junho de 2012

Sobre envelhecer na Europa...

Não que eu esteja planejando envelhecer por aqui, afinal meu Brasil brasileiro está me esperando... mas se tem uma coisa que já me chamou a atenção na outra temporada em que moramos aqui e agora só se confirmou, é a qualidade de vida das pessoas acima dos 60 anos - idosos? terceira idade? melhor idade? seja lá qual for o nome, ser vovó aqui é outra coisa!!

Entre nós, Ismael e eu brincamos que nunca vimos tantas pessoas com 200 anos de idade circulando na rua, porque aqui a terceira idade de fato parece que é pra lá dos 80... e é verdade, a gente vê vovózinha e vovôzinho, com bengala, com andador, ou se apoiando nos muros para caminhar, mas indo ao mercado, sentando ao sol numa praça para ler um livro, circulando de metrô, lendo jornal num café, etc. É lindo!

E nessa temporada, em especial, estou impressionada, especialmente com o que resolvi, por conta própria, chamar de "curtição da terceira idade na europa". É impressionante o que esse povo faz para passar o tempo! Aula de artesanato? Ginástica uma vez por semana? Encontro dançante no domingo à tarde? Tudo isso eu já achava super bacana e sempre admirei quem chega nessa fase da vida e se envolve e tem pique para essas atividades tão populares no nosso país, ou pelo menos na região onde eu moro... Mas tenho a impressão de que aqui o pessoal é mais ousado... tenho fotografado, sempre que posso, alguns flagrantes do que eu considero atividades que já consideraria bastante satisfatórias para a minha faixa etária! Claro que há de se considerar fatores sociais, culturais e, principalmente econômicos, entre outras coisas, mas não canso de me admirar:

Ao invés de ficar em casa, ele resolveu ir ler um livro na pracinha, onde eu, e mais trocentas mães, levamos nossos pequerruchos para brincar. Ele não estava cuidando de nenhum neto, só estava ali, para tomar sol, e ler...
Sabe o que eles resolveram fazer na manhã do dia 27 de maio de 2012? Participar de uma corrida de rua de 10Km!! Me apaixonei. Como estava na platéia, porque maridão também estava participando do evento, vi quando eles partiram por último, ao sinal da largada, de mãos dadas, correndo felizes da vida... chorei.
Essa chegada foi emocionante! Ela tinha pra mais de 65 anos, com certeza. Ele?  O personal trainer, que comemorou a vitória, de ter completado a prova, como se fosse dele! Foi lindo...

Roda de amigos trocando impressões sobre a prova. Faixa etária média... 60 anos! Incluindo a madame magérrima ali, provavelmente uns 65... 


E antes que pensem bobagem... as fotos anteriores foram as exceções, o que me chamou a atenção, mas em sua maioria, os participantes da corrida estavam na faixa etária dos 20 aos 40... olha maridão ali (192)!!!

Estávamos nós admirando as belezas de Rocamadour, na região do Lot, sul da França, quando de repente chega um grupo, era uma "excursão" da terceira idade, de bicicleta!

Só dava vovô e vovó, com capacete e bike, chegando, chegando...
De umas semanas pra cá, ficamos impressionados com o números de barcos atracando no canal, em frente ao prédio onde moramos. Aos poucos percebemos que era um evento, um encontro de pessoas (que podem ter e manter um barco--casa) viajando pela europa, ou algo assim...

Sei que, neste caso, não é só a disposição que conta, mas também a DI$$PO$IÇÃO.  Pra manter um barco desses não é qualquer bolso, mas ficamos impressionados com a quantidade de casais com o maior jeito de "curtindo a aposentadoria" atracando e trocando idéias com os vizinhos, no tal evento.


E esses são apenas alguns dos flagrantes que consegui registrar, mas tenho visto vovôs e/ou vovós patinando ou correndo na beira do rio Sena, muitos andando de bicicleta pela cidade e assim por diante. Coisas que me inspiram!