retrospectiva

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quarta-feira, 18 de junho de 2014

Paris, 18 de junho de 2014 - Dia 02

Nosso dia começou tarde, dormimos até às 11h30! Mas há de se considerar que estávamos super cansados da viagem e que no Brasil seriam apenas 6h30 da madruga, ou seja, jet lag total!

Uma das coisas boas do "sempre teremos Paris!" é que quando se está de volta, não há mais aquela urgência de ver tudo, e nos permitimos começar o dia devagar. Hoje foi assim, além de acordar tarde trocamos o café da manhã pelo almoço e saímos só à tarde para bater perna na Cité. Fomos direto ao coração da cidade, o marco zero, a Catedral de Notre Dame. Fizemos a caminhada clássica, passando pelo Hotel de Ville, Notre Dame, mercado das flores, margens do Sena até a Pont des Arts...

Abre parêntesis (ficamos impressionados com a quantidade absurda de cadeados na ponte!! Na primeira vez que estivemos em Paris, em 2001, haviam pouco cadeados, entre 2010 e 2012 a quantidade havia aumentado, mas de 2012 pra cá as laterais da ponte foram fechadas com camadas e camadas de cadeados!!!! Não é a toa que há um movimento para que as pessoas encontre outra forma de expressar seu amor em Paris!). Fecha parêntesis.

... passamos pelo Louvre e finalizamos o dia nos gramados das Tuileries, vendo o sol se pôr e a Torre acender.

Margens do Sena

Torre Eiffel vista das Tuleries

Descanso nas Tuleries

Jardin des Tuleries

Músico e o paredão de cadeados na Pont des Arts

terça-feira, 17 de junho de 2014

Paris, 17 de junho de 2014 - Dia 01

Estou escrevendo da sala de nossa "morada" em Paris, se é que podemos chamar de morada um lugar onde viveremos apenas 15 dias... mas acho que que sim, podemos, pois escolhemos com todo carinho este apartamento às "margens" do Parc des Buttes Chaumont, um dos parques que mais amamos na cidade luz. Estamos no sexto andar e, com a vista que temos, nos sentimos morando sobre a copa das árvores do parque. O apê é um xuxuzinho e Philippe, o proprietário, nos recebeu super bem e nos deixou bem a vontade, partindo logo após uma breve explicação de como tudo funcionava (alugamos pelo site housetrip.com e foi super tranquilo!)

Joaquim fazendo um lanchinho e apreciando a paisagem...

E como beleza pouca é bobagem, descobrimos ao entrar no apê que temos vista para a Torre Eiffel!! Ou pelo menos parte dela...

Registro feito logo na primeira noite...
Agora mesmo, ela sinaliza com seu brilho mágico as 23 horas de uma noite recém escurecida. Quando acendeu, às 22h, com o sol se pondo ainda, nós três aqui vibramos! Joaquim foi quem nos avisou: "A torre tá piscando, a torre tá piscando!!!!", foi a maior festa. Ficamos os três num abraço emocionado como que hipnotizados pelas luzes, na sacada do "nosso" ninho, respirando o ar de Paris e nos sentindo muito gratos por poder estar aqui mais uma vez.

Desta vez estamos de férias e é claro que queremos ver (sempre de novo) as coisas lindas que a cidade tem a oferecer, mas mais do que isso, o sentimento é de que viemos relembrar algumas coisas boas que vivemos aqui e que acreditamos ser possível levar conosco para onde fôssemos. Depois de 2 anos de volta ao Brasil, vimos que algumas dessas coisas se perdem em outra geografia, mas somos teimosos e acho que viremos sempre buscar e relembrar coisas boas que vimos tão possíveis de se viver aqui, como por exemplo, a falta de pressa, a contemplação, a possibilidade de se viver com poucas coisas, a polidez e gentileza no trato com o próximo, etc e etc e etc...

Hoje foi nossa chegada e instalação no apartamento. Joaquim e eu embarcamos doentes, eu sem voz e Quim com febre intermintente desde domingo. Apesar disso, a viagem correu bem e foi tranquila, com exceção da vomitada que Quim deu quase chegando... mas tudo bem, deu pra contornar. E apesar disso, é claro que meia hora depois de nos instalarmos já fomos para a rua, fazer um reconhecimento de área e comprar muitas besteirinhas e coisas deliciosas para a matar a saudade das gourmandises francesas.

Agora é colocar o sono em dia para aproveitar ao máximo o que temos pela frente!

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Contando os dias...

Cá estamos em contagem regressiva!! Tanto é que Joaquim teve a idéia genial de fazer um calendário para contar os dias. Papel, cola, barbante, canetas, fita crepe e algumas prints e lá fomos nós para a produção!

Desde sempre nutrimos esse gosto no Quim de contar os dias por algo especial. Isso porque criança tem essa coisa meio louca com o tempo, né? 'Amanhã' é toooodo o futuro, 'Ontem' é a toda uma vida que já passou... então dizer que faltam 10 ou 60 dias pra eles dá na mesma. Ele nem sabia ainda o que eram números ou calendário e já criamos sistemas de contagem regressiva com ele. Sempre funcionou!

Esse foi o calendário de contagem para o retorno ao Brasil, em 2012.

Aqui o calendário que fizemos para o Dia dos Pais em 2013, ele estava ansioso para dar o presente...
Então que para esperar a viagem, ele quis muito fazer um calendário, 12 dias antes, isso é muita coisa para um pequerrucho de 4 anos, mas conseguimos administrar, vários dias ele queria andar o aviãozinho (que deslizava num barbante) duas vezes no mesmo dia, como que apressando o tempo...

Contando os dias para a viagem a Paris 2014! 

Demorou, mas o dia do embarque finalmente chegou!!!

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Em Paris, como os parisienses...

Uma das coisas que mais ouvimos falar de quem viaja pelo mundo afora é sobre o desejo de vivenciar o cotidiano, de experimentar o gostinho da vida real nos destinos visitados. No fundo acho que isso tem um tanto de ilusão, pois por mais que se fuja dos pontos turísticos e se tente uma real imersão na cultura e costumes de um lugar que não o nosso, nós viajantes, seremos sempre forasteiros. Um mês de férias, ou um ano sabático, nunca serão suficientes para que nos tornemos "um deles"...

MAS eu acho sim que é possível viver "pequenas grandes alegrias" se nos poucos (ou nem tão poucos) dias de uma viagem buscamos possibilidades de vivenciar experiências que fazem parte do cotidiano do lugar onde estamos.

Em nosso primeiro mochilão pela Europa, láaaa em 2001, esse não era o foco, pois tínhamos o ímpeto de ver o máximo possível nos 28 dias pelo velho mundo. Então assumimos total o papel de turistas e sim, batemos ponto em todos os "cartões postais" possíveis, curtimos muito cada um deles e foi o máximo! Nessa viagem também caímos de amor e decidimos que um dia ainda viveríamos uma experiência mais calorosa, mais próxima com a cidade de Paris... Quem não, né? Mas a gente tem disso, sempre que viajamos elegemos os destinos "moráveis", e Paris foi o primeiro deles

Por isso, nos sentimos super realizados, quando 9 anos depois, surgiu a oportunidade de viver na apaixonante cidade luz por 15 meses (11 meses em 2010/2011 + 4 meses em 2012).

Essa experiência nos abriu uma portinha pela qual sempre teremos vontade de passar novamente, e sempre de novo terá um gostinho de "volta ao lar". E é essa a sensação que sentimos no momento, "estamos indo de volta pra casa...". Nós inclusive tentamos alugar o mesmo apartamento onde vivemos nos 4 meses e meio de 2012 para ficar desta vez e só não conseguimos por 2 dias... foi o tempo de alguém chegar antes de nós para ser feliz em Paris como nós fomos "morando" no 19éme, a beira do Canal d'Ourq...

Tudo isso é a introdução para falar de uma das maneiras que consideramos das mais próximas de se "viver em Paris, como os parisienses" independente do número de dias na cidade... alugar um apartamento! Dá pra dizer que temos uma certa experiência no assunto, afinal esta será a quarta vez. O quarto apê onde viveremos a delícia de morar em Paris, sim porque num hotel a gente se hospeda, mas num apartamento, a gente mora! E pra nós, cada um desses endereços foi nosso endereço oficial pelo período que passamos lá. A princípio tivemos a impressão de que era a solução perfeita para uma longa temporada, mas logo percebemos que para curtas temporadas também é perfeito! E por curtas, leia-se menos de uma semana!

Nós experimentamos três agências: dois apartamentos pela LODGIS, um pela PARIS ATTITUDE, e agora, um pela HOUSE TRIP. As duas experiências com a Lodgis foram muito boas, fizemos toda a negociação e contato com uma atendente brasileira que vive há anos em Paris e ela foi super disponível e solícita em tudo o que precisamos. Com a Paris Attitude, toda a negociação foi em francês, poderia ter sido em inglês também, e foi igualmente tranquilo. Agora estamos experimentando a House Trip, e também estamos curtindo muito. Este site tem a facilidade de podermos tratar tudo em português mesmo (contando com um tradutor automático) e de pagar no cartão de crédito, as outras agências pediam o pagamento em dinheiro na hora do check in, então tínhamos que pagar o valor de um aluguel mais uma grana de garantia (geralmente o mesmo valor de um aluguel, quando mensal) que era devolvida no final.

Até agora tivemos boas experiências com as condições do apê, sempre consideramos o imóvel melhor do que as fotos mostravam, e sempre encontramos uma estrutura bem bacana com todo o necessário para cama, mesa e banho. Cozinhas bem equipadas, banheiros bons, etc. E o melhor é esse sentimento de estar morando na cidade, de passar num mercado e comprar coisinhas gostosas para preparar um bom jantar, que degustaremos sob o brilho das luzes da Torre Eiffel ao longe, ou delicinhas para o café da manhã que podemos tomar na varanda com vista para o parque... é só escolher o endereço!!


sábado, 10 de maio de 2014

O Antes, o Durante e o Depois...

Viajar é uma delícia - fato. Mas o melhor da viagem é que é uma alegria que rende!! Rende o antes, o durante e o depois! Para nós é uma alegria:

ANTES: escolher o destino, pesquisar, planejar, providenciar, sonhar...

DURANTE: sem comentários, né? É a essência da coisa acontecendo!

DEPOIS: organizar fotos, fazer nossos Foto Livros, contar e relembrar aventuras!

Bom, estamos na fase do ANTES, e entre as correrias normais da vida real, vamos trocando idéias sobre o valor do euro, onde ficar, o que fazer, como chegar, etc. Recebemos uma dica quente sobre aluguel de apartamentos e estamos a fim de experimentar, depois conto mais. Sobre como chegar em Paris, decidimos pegar um transfer do aeroporto para o apartamento. Isso vai nos custar uns euros a mais e poupar algum stress de carregar mala e cuia e Quim, super cansados, de trem, de metrô, etc... às vezes acho que estamos ficando velhos, mas voilá, o importante é chegar! Vimos algumas empresas em indicações na internet e vou orçar pra ver qual é. Quanto ao Euro, é sempre uma loteria... quando moramos lá tivemos a sorte de pegar um dos câmbios mais baixos da história (recente) e agora está super alto. Ismael está atento, mas não sabemos se é melhor comprar já, vai que baixa... e a vida segue e a gente se prepara...

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Um brinde ao eterno retorno...

Passado mais de um ano, quase dois, eu volto. Volto pra dizer que estamos voltando, he he...

Desde que retornamos ao Brasil, em agosto de 2012 eu estou para fazer o post de "fechamento" da temporada de 4 meses que tivemos o privilégio de desfrutar em Paris. Eu gosto dessa idéia de "balanço geral", de avaliar a experiência e resumir as coisas boas e as nem tão boas, mas dessa vez a vida nos "engoliu". No bom sentido. Entre tese de doutorado para concluir, escolinha para retomar, trabalhos para terminar, planos para colocar em prática, dia-a-dia para engrenar, o Oui, Paris! ficou no cantinho, naquele cantinho aconchegante e cheio de carinho no coração, para o qual a gente tem vontade de voltar de vez em quando, só pra lembrar...

Pois agora estamos voltando, e não é só pra lembrar, é pra reviver!!! U-la-lá!! Desde o ano passado estamos falando sobre essa vontadinha de ir lá de novo... pra sentir o cheiro, pra matar a saudade, pra reviver coisas boas, e agora é a hora!!

Tínhamos ouvido boatos de que as passagens aéreas para o exterior teriam redução de preço no período da Copa, mas até o início do mês passado não parecia haver muita mudança. Até que numa pesquisa distraída na internet, Ismael constatou uma redução de quase 50% no valor de passagens para a Europa. Claro que nos empolgamos, mas precisávamos confirmar algumas coisas antes de efetivar a compra. Quando conseguimos fechar datas e possibilidades o preço já tinha subido um pouquinho, mas ainda valia super a pena se comparados aos preços iniciais, cotados em janeiro. Então voilá, compramos as passagens!

...

Certa vez, quando estávamos num trem indo para o Aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, conhecemos um casal simpático, um tanto mais experientes que nós, que compartilhou conosco sua paixão pela Grécia. Eles estavam indo passar as férias de verão numa das ilhas gregas. Destino para o qual iam todos os anos, há 20 anos! Eles já haviam viajado um bocado, mas a Grécia era um destino eterno. Outro dia eu estava conversando com uma amiga (que viaja muito) e contei que Ismael e eu estávamos com aquela "coceirinha" de colocar o pé na estrada novamente, ela logo disse: "só não vão pra Paris de novo, né?!?". E eu respondi: "amiga, Paris é um destino eterno!!! E tem mais, é um senhor portão de entrada para outros tantos lugares da Europa!". Ou seja, eu sei que não será todos os anos, e provavelmente não por 20 anos, mas quero sempre de novo viver a expectativa deliciosa de voltar à Cidade Luz ou La Ville Lumiére!!

Pique nique aos pés da Torre, agosto de 2012.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Sobre ser petit em Paris...

Eu já escrevi aqui sobre minhas impressões acerca de como é envelhecer na Europa, hoje venho falar do que temos percebido (bem de perto) sobre como é ser criança aqui em Paris.

Bom, uma das coisas que mais me chamou a atenção, SEMPRE, e falei disso desde que chegamos aqui para morar durante um tempo pela primeira vez, em agosto de 2010, foi a quantidade de famílias com crianças pequenas, mulheres grávidas, homens com bebês, e casais com bebês + crianças pequenas, circulando pelas ruas e praças e parques... ou seja, a taxa de natalidade por aqui é alta! Segundo minha pesquisa vapt-vupt na internet, a França é responsável pela segunda maior taxa de natalidade da Europa, e eu acredito!

Mas nem foi isso o que mais me impressionou... o que realmente me fez aplaudir em pé (e tentar aproveitar ao máximo) foi que para tal dado demográfico, existe uma resposta à altura da administração pública, e privada! A questão é a seguinte: existe um público enorme de pessoas com filhos pequenos, que precisam se distrair e, ao mesmo tempo, distrair os petits? Ok, então 'vamos' oferecer opções, e que sejam coisas interessantes!!!

A começar pelas pracinhas com playground, ou as squares, que a gente encontra a cada tanto por aqui. A cada tanto, quer dizer que existem muuuuitas. Aqui mesmo, pertinho de onde estamos morando, temos ao menos seis opções que lembro rapidamente e que já conheci, talvez existam mais algumas que ainda não encontrei... E pertinho que eu digo, é coisa de colocar Joaquim no carrinho e caminhar algo entre 5 ou 10 minutos. Se Joaquim for caminhando junto, é coisa de 15 a 20 minutos, rssss... É realmente perto. E o mais legal é a variedade, coisa fundamental para quem é pai e/ou mãe. Infelizmente, neste caso, não consigo fugir das comparações com minha terrinha, coisa que evito fazer pois afinal sei que muitos fatores contam nessa coisa de "aqui é assim, lá é assado...", mas as diferenças são gritantes. Cada uma dessas 6 pracinhas que temos aqui por perto oferece um tipo de atividade, brinquedo ou desafio diferente para Joaquim, e isso é muito legal! Na cidade onde moramos, no Brasil, as pracinhas mantidas pela prefeitura tem sempre os mesmos brinquedos: um escorregador (assassino, de tão alto e perigoso, e que não pode ser usado no horário de sol a pino, pois esfola a pele de tão quente que fica - eles são de metal), um gira-gira e uma, ou duas gangorras. É isso, sem variação. Se vc quer algo diferente, precisa pegar o carro, ou um transporte público, e ir para um ou outro parque que oferece algumas alternativas (devo admitir que até tem algumas bem legais, mas o problema é que são pontuais, e distantes). Aqui, na rotina diária com Joaquim, consigo incluir uma ida a um parquinho muito bacana, sem precisar me programar toda, empacar no trânsito, gastar com transporte.

Joaquim curtindo o "parquinho de madeira"

uma das coisas mais legais dos parquinhos é o contato com crianças de outras culturas e que falam outra língua!

Ele próprio já batizou alguns dos lugares que frequentamos: tem o "parquinho de madeira" - que é um parque com uma grande e variada estação de brinquedos de madeira, corda e borracha. Foi onde ele aprendeu a escalar, subir escada de corda, e onde pudemos ficar sentados pela primeira vez, Ismael e eu juntos, enquanto ele brincava livremente. É um dos mais próximos e um dos que mais frequentamos. Tudo bem que todos os outros parquinhos tem brinquedos de madeira, mas esse foi batizado assim pelo petit, voilá! Depois, descobrimos aqui pertinho o que Joaquim resolveu chamar de "o parque do coelho". Porque recebeu esse nome? Porque tem uns desníveis no chão, literalmente "montinhos" que fazem as crianças subir e descer. Nosso petit amou a "proposta" e decidiu que esses montinhos fazem ele pular como um coelhinho. Além disso, a praça tem brinquedos mais elaborados que o "parquinho de madeira", desafiando ainda mais nosso pequeno a testar suas habilidades e sua imaginação. Nota super legal: nesse parquinho Joaquim aprendeu por conta uma nova palavra em francês. Há um brinquedo que lembra muito um barco, e as crianças chamam de bateau (barco, em francês), ele voltou pra casa todo empolgado contando que havia brincado no bateau. Outro parquinho supimpa que conhecemos foi l'aire de jeux (área de brinquedos) do Parc de la Villette. É um espaço incrível ao ar livre, bem organizado e dividido em áreas para crianças de 2 a 4 anos e de 5 a 9 anos. A primeira vez em que estivemos lá, eu pensei que era pago, porque tem uma portaria, com porteiro inclusive, espaço para "estacionar" os carrinhos de bebês, toilettes e coisa e tal, mas é tudo free. O parquinho tem muita areia, uns colchões infláveis gigantescos para pular muito, balanços, brinquedos super legais para desafiar a motricidade e lógica dos petits e, olha só, espreguiçadeiras para os pais curtirem também enquanto os pimpolhos 'sijogam' na brincadeira. Super amei! E Joaquim também, esse foi batizado por ele de parque "novo", já fomos lá váaarias vezes, mas continua sendo o parque "novo". Bom, esses são alguns dos que temos aqui por perto, os outros são menores, mais simples, mas nem por isso menos interessantes. O que mais me chama a atenção é como parece existir uma preocupação em propor coisas diferentes para os pequenos, no sentido de desafiar habilidades, limites, curiosidade, etc. sem deixar de lado a segurança. Todas as pracinhas, sem excessão, tem um piso especial que contém borracha e ajuda a amortecer uma possível queda, por exemplo. Juro que eu queria conhecer quem foi que projetou e pensou tudo isso, é lindo!

essa ponte de cordas e madeira fica no "parque do coelho"

Joaquim descendo no "u-hu" que é como ele chama o escorregador  ("parque do coelho")

L'aire de jeux do Parc de La Villette
desafios divertidos para o pequerrucho -  L'aire de jeux do Parc de La Villette 
É muito legal ver a alegria dele quando consegue superar um desafio!

aí estão os "montinhos" que levaram este parque a ganhar o nome de "parque do coelho"

Outra coisa incrível que encontrei aqui são os Cafés des Enfants. Paris tem a fama de não ter restaurantes, bistrôs ou cafés com estrutura para receber crianças. Geralmente os espaços são super apertados, impossível entrar com um carrinho e não existem cadeirões disponíveis, MAS, por outro lado, aqui existem esses lugares onde se pode ir com os pequenos para, além de comer ou beber algo, propor alguma atividade interessante e divertida para as crianças. O cigarro é proibido e a maioria não vende bebida alcóolica, em geral existe um cardápio que contempla também os pequenos. No Brasil é comum nos restaurantes e até alguns barzinhos, ter um playground na área externa, mas o que estes Cafés des Enfants oferecem vai além disso. O Café Zoïde, por exemplo, opção que fica a 5 minutos de nossa casa, oferece ateliers de música, construção de brinquedos, desenho, dança, etc, além do espaço com brinquedos de mesa, livros, etc. Para participar de forma mais intensa nas atividades que o Café oferece e até fazer empréstimos de livros e brinquedos, a criança pode se associar, e seus pais podem se voluntariar para ajudar como monitores vez ou outra. Os preços todos são bem camaradas. Pra mim isso tem ares de uma "sociedade utópica", rssss... me emociona ver que lugares assim existem, e funcionam! 

Como se já não fosse o suficiente, quando soubemos que seria bem difícil conseguir vaga para o Joaquim numa garderie (mais ou menos como uma creche), nos indicaram alguns lugares denominados l'aire de famille (área de família). Fomos conferir e fiquei impressionada, mais uma vez! São lugares fechados, como uma grande sala de brinquedos, re-ple-tos de brinquedos lindos, fofos, deliciosos e divertidos. É comum ter um espaço para a criança brincar com água, como um tanque com torneirinhas e brinquedos de água, e estaçõezinhas para ler, para pintar, para desenhar... Aqui pertinho de casa tem dois destes lugares. A Maison des Enfants, fica no 104 (Centquatre), um lugar que por si só já é incrível, é um centro cultural que propõe o contato e vivência da arte contemporânea, e ainda de quebra tem esse regalo, para pais ligados em arte (ou não) levarem seus filhotes. A Maison é indicada para crianças de 0 a 4 ou 5 anos, e os bebês comparecem!!! Achei o máximo um cantinho dedicado especialmente a eles, é uma espécie de "ilha" toda acolchoada onde eles podem ficar sentados ou engatinhando, enquanto os pais se sentam em pufes ao redor. Joaquim conheceu também o Le Coquelicot, mesma proposta da Maison des Enfants, só um pouco menor mas com o plus de oferecer cozinha para o preparo de lanches, mamadeiras e afins. São espaços gratuitos, abertos de 4 a 5 dias por semana. Fiquei encantada com diversas coisas: a proposta em si, o respeito em relação à criança - tudo é para eles, incluindo o toillette em miniatura! As ótimas condições dos brinquedos (não vi nada encardido, quebrado, faltando peça), e a maneira como nos recebem na primeira vez, os monitores conversavam comigo, mas também com Joaquim, nos apresentando o lugar, falando do funcionamento e das regras que devem ser respeitadas e que garantem que coisa funcione. Lindo! Ah, momento emoção: a primeira vez que fomos ao Centquatre, a monitora se dirigiu ao Joaquim e perguntou seu nome - Comment tu t'appeles? - ele nem piscou, respondeu na hora, em alto e bom som, "Zaquim!", assim como quem entende francês desde sempre... emocionei!

Maison des Enfants, no centro cultural Centquatre

Pra brincar com água, a regra da casa é vestir o aventalzinho plastificado

Estação de desenho, com lápis de cor ou canetinhas

Ele amou!

Estação de pintura, a monitora prepara a tinta, nos dá papel e precisa vestir o avental também, depois podemos pendurar as pinturas num varalzinho para secar e levar pra casa


Voltando às grandes áreas ao ar livre, falei antes do parquinho de brinquedos do Parc de la Villete, mas lá tem muita coisa pra fazer com os pequenos, o próprio parque tem uma área verde imensa para caminhar, correr, fazer piquenique, etc. Além disso tem a Cité des Enfants, um espaço dedicado às crianças dentro de la Cité des Sciences e de l'Industrie, cheio de experimentos, brinquedos educativos e pedagógicos para crianças a partir de 2 anos. E a Cité de la Musique, espaço de shows, exposições, ateliers, e várias atividades dirigidas também ao público mirim: concertos educativos, ateliers, espetáculos musicais, etc. Ainda tem a Geóde, o Argonaute, enfim, uma infinidades de coisas, dá pra passar horas por lá, ou voltar sempre que possível, ou que o bolso permitir, pois lá a maioria das atividades são pagas. Nós estamos morando pertinho do parque, uma caminhada de 15 minutos, então Joaquim  tem aproveitado bem, principalmente a área ao ar livre.

Piquenique no gramadão de La Villette, com a Geóde ao fundo, ou Bola Gigante, como Joaquim a chama

E falando em parques, Paris tem muuuuitas opções. E é lindo de ver como as pessoas aproveitam de forma intensa esses espaços públicos, sempre tem muita gente estendida na grama, muitas crianças brincando entre os piqueniques instalados quase que lado a lado no gramado, nos carrosséis ou brinquedos. Em geral, cada parque tem sua l'aire de jeux, proporcionando ainda mais atividades para os pequerruchos. Aqui pertinho de nós fica o Parc Buttes Chaumont, que para o Joaquim é o parque onde o papai foi correr! Toda vez que vamos lá ele me mostra como o papai correu no dia do percurso de 10 Km, rsss... É um lugar que curtimos de forma especial, desde nossa primeira estadia aqui em Paris, quando ainda morávamos bem longe dele, agora dá pra ir caminhando, uma delícia! Neste parque tem uma cachoeira linda dentro de uma gruta, caminhos deliciosos cheios de subidas e descidas, a ponte até o mirante, e tem também le théâtre guignol Anatole (teatro de marionetes).

Teatro de Marionetes no Parc Buttes Chaumont

Povo esparramado nos gramados

Cachoeira na gruta

Joaquim fazendo amigas!

E falando em teatro... he he... Na frente do nosso prédio, atracado na margem do canal, temos o Peniche Antipode. Trata-se de um grande barco que oferece atrações como shows de bandas do circuito independente, exposições e espetáculos teatrais, inclusive para os pequerruchos!! Na temporada anterior nós trouxemos Joaquim para assistir um espetáculo - A la recherche du doudou perdu (Algo como "À procura do naninha/cheirinho/paninho perdido), um universo totalmente familiar à maior parte dos bebês! he he... Ah, e no convés do barco tem mesinhas pra sentar e degustar um vinho, ou comer um crêpe... u-la-lá!

E pra fechar com chave de ouro, teremos o privilégio (ainda estamos para conferir se será privilégio ou stress, mas...) de ter uma praia à nossa disposição, na porta de casa, durante um mês, à partir do próximo final de semana. Muita areia e atividades para a pequerruchada! Vou poder falar mais depois que abrirem "as porteiras"! rssss... É o evento Paris Plages, que acontece todo ano, durante as férias de verão. Eles literalmente constroem praias em três pontos da cidade, e um deles é justamente aqui!

Bom, estas são algumas das opções que descobrimos, experimentamos ou vimos pessoalmente, mas sei que a oferta vai muito mais além. O que acho mais legal é que tudo isso é aqui pertinho de onde estamos morando, e imagino que cada arroundissement da cidade deva ter suas próprias pérolas! Eu estou participando de uma comunidade virtual de mães brasileiras que moram em Paris, onde rola muita troca de dicas, informações, etc. e lá fiquei conhecendo um blog que é "o canal" pra quem procura dicas legais de coisas pra fazer com os petits, é o Paris des Petits, super recomendo!