retrospectiva

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sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Todas as culturas e novas facetas de Paris | Toutes les cultures et de nouvelles facettes de Paris

Ismael ouviu falar na aula mas esqueceu de comentar comigo, eu como só assisto BabyTV e leio roteiro de passeios em Paris, não estava sabendo de nada. Até que Cheryl comentou num e-mail e outro dia minha mãe me informou um pouco mais via MSN - a tal ameaça de bomba na Torre Eiffel e numa estação de metrô. Nós não sentimos efeitos porque neste dia não estivemos nos arredores da Torre, e o metrô que Ismael usa todo dia não passa pela estação seminterditada. Sem saber de nada ao certo, as autoridade estão relacionando o ato à data de 11 de setembro, dia marcado pela queda das torres gêmeas nos EUA, ou ainda à proibição pelo Senado francês do uso da burca pelas muçulmanas em locais públicos aqui na França.

Quanto ao 11 de setembro, não tem muito a comentar, este fantasma vai rondar por muito tempo ainda, já sobre a burca, ontem pela primeira vez reparei numa muçulmana usando burca, numa estação de trem. A gente vê, e muito, muçulmanas com trajes típicos e véu, sempre tendo o cuidado de esconder todos os fios de cabelo, mas usando burca foi a primeira que vi. E reparei que dois homens no trem em que eu estava, africanos, também repararam na mulher e deixaram clara sua desaprovação com comentários e cara feia. Pelo que entendi a proibição do uso aqui é porque o governo francês considera humilhante uma pessoa ter que andar toda coberta. Não sei bem... mas é uma questão discutida há bastante tempo.

Essas diferenças culturais são das coisas mais interessantes que existem por aqui. A gente vê pessoas trajadas de todos os jeitos, e é normal, elas não estão "fantasiadas" para nenhum evento, estão no seu dia-a-dia. Dia desses vimos três africanas sentadas num café tomando coca-cola, com suas vestes super estampadas e lenços coloridos e imensos na cabeça. Judeus ortodoxos também vemos bastante, com seus trajes pretos e sóbrios. Outro vimos uma mulher com 6 crianças e esperando o sétimo, fazendo compras na quitanda perto de casa, o mais velho devia ter uns 9 anos. Fiquei pensando como ela conseguia escolher frutas e verduras tão tranquilamente com aquele monte de crianças espalhada na volta!!! Mas, justiça seja feita, pareciam bem comportados, nós conseguimos fazer compras também e o espaço lá não é dos maiores. Também já cruzei na rua com uma indiana com aquelas pinturas de henna nas mãos e pés, era um dia de semana qualquer, numa rua qualquer, e nem era gravação de cena de novela da globo! he he... acho isso incrível! Mas ao mesmo tempo, sentimos que conviver com o povo francês típico não é lá muito fácil... ou talvez essa imagem que tínhamos do francês típico já nem exista mais, eles estão tão misturados no meio de tantos imigrantes que já são artigo raro! Percebemos isto principalmente ao visitar as vizinhanças de alguns apartamentos que temos visto, as ruas estão tomadas pelo comércio árabe, turco, africano, indiano... e onde não é assim, é muito mais caro morar!

Mudando um pouco de assunto, ontem fomos visitar um novo ponto de Paris, nem um pouco turístico, um hospital! Antes que os ânimos se agitem, não aconteceu nada grave, foram apenas duas gargantas inflamadas e uma unha encravada... e nada disso pertence a Joaquim, graças a Deus! Nós fizemos o seguro saúde internacional e resolvemos usá-lo uma vez que Ismael está doente desde que chegamos aqui, ele até já deu ares de que estava melhorando mas voltou a ficar pior, e eu comecei com garganta dolorida há quatro dias. Além disso, Ismael conseguiu, pela primeira vez na vida, ter uma unha encravada, e o negócio ficou feinho. Fato é que fomos ao hospital. Fomos atendidos primeiro por duas estudantes de enfermagem, muito atenciosas e que se esforçaram bastante em se fazer entender e tentar nos entender. Como Ismael já teve aula no curso sobre saúde e falta de, tínhamos um vocabulário básico para usar e que foi muito útil. Conseguimos passar nossa mensagem. Depois um médico nos examinou, este já não tão fácil de entender, falava rápido sempre, mesmo quando pedíamos para falar mais devagar, mas ele não fazia de chatice, acho que não se dava conta... e quando fazíamos muito cara de que não entendemos, ele desembestava a falar em inglês com Ismael, que ficava indignado! rssss... mas aos trancos e barrancos conseguimos duas receitas de antibióticos para resolver estes perrengues de uma vez. Quanto à unha encravada, foi mais complicado. O doutorzinho (que era bem novo) nos encaminhou para outro setor para marcar um rendez-vous ou horário com um cirurgião ortopédico, que vai ter que tirar um abcesso que surgiu na pele. Quando chegamos no local indicado, três mulheres leram a guia e demonstraram indignação, demoramos para entender que o tal cirurgião já não atendia mais naquele hospital, mas elas foram bem legais e ligaram na clínica onde ele atende e marcaram um horário para Ismael na segunda-feira. Ah, e depois de tudo feito nos tocamos que estávamos indo embora sem pagar! Sim, porque este seguro saúde nos reembolsa, mas temos que pagar as consultas aqui. Voltamos para pagar com medo da facada, mas nem foi. Algo em torno de R$80,00 cada consulta... vamos ver o atendimento de segunda quanto será.

2 comentários:

  1. Essa história da burca é realmente um preconceito brabo. O governo francês é de extrema direita, eles querem se ver livres dos estrageiros, e o francês médio pensa que eles devem sair daí o mais rápido possível. Claro que tem uma porção forte tb de esquerda aí que é contra esse preconceito todo da forma como ele vem sido colocado. Aqui em casa nós lemos a revista carta capital (inimiga número um da veja preconceituosa) e o le monde. As 2 já falaram algumas vezes sobre essa questão do governo querer tirar os "ciganos" de Paris, inclusive aqueles que nasceram na França são registrados nesse país e por consequência são cidadãos(imagina!!!). Sei que a europa está tomada por ilegais africanos, libaneses, romenos, etc etc que tentam uma vida melhor com essa imigração. Tudo tem que ser feito de uma forma legal, respeitando a constituição, os direitos dos indivíduos e principalmente a liberdade de expressão (por exemplo com o uso da burca). Bom, de qquer forma, é a minha opinião. Não sou a favor da imigração ilegal e sim do respeito as individualidades.

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  2. Bonjourrrr aos 3!!!
    POIs é... Vao se acostumando... A discussao do momento é a proibiçao das burcas em locais publicos. O tema é polemico, mas, na minha humilde opiniao, temos que entender os franceses. Afinal ha sim uma "invasao" de muçulmanos na França e existe, por um lado, a ceitaçao dos costumes e cultura desse povo. Mas por outro lado, choca o uso da burca. Choca. Simplesmente. As pessoas nao se sentem seguras de estar na frente de alguém em que so é possivel ver somente os olhos e o resto do corpo coberto de preto. Isso causa um incomodo na certa. Nao faz parte dos costumes de um pais laico.
    AI ai!! Qto a unha encravada, putz, ninguém merece ne Isamael!!! Mas podem ficar tranquilos, o reembolso vira!!
    Seguinte!!! Ontem nao acessei a internet e queria ter falado pra vcs que hoje, domingo, é dia das Journées Europeennes du Patrimoine. Ou seja, museus e outros espaços estarao abertos ao publico, e td isso na faixa! Em Paris ha a possibildade de visitar o Congress, por exemplo (um luxxxxxoooo so). Vale a pena bater perna em Paris hj. Vamos ficar por aqui em Laon e vamos ao museu e tem peças de teatro ao ar livre, vamos ver se consigo ver um pouquinho, so depende da Béa!!! Beijo grande para vcs e melhoras com a unha!!! Eheheh!!

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Diz aí!! Gostamos de visitas e mais ainda de visitas comentadas!! Merci beaucoup!!!