retrospectiva

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domingo, 26 de setembro de 2010

Nossa casa | Chez nous

Vista do nosso primeiro quarto parisiense, amanhecendo...


Nosso primeiro lar em Paris (Deuil la Barre, na Banlieue/Periferia)


Final de semana de respirar aliviados e comemorar!! Achamos o ninho!!! Uebaaa!!!

Foi na sexta-feira, uma novela: eu, Ismael e Walquiria (a atendente da agência onde alugamos) on line, cada qual num canto da cidade. Em questão de duas ou três horas achamos apartamento, recebemos contrato, enviei para Ismael, a proprietária deu para trás, achamos outro, Walquiria fez a segunda proprietária jurar de pé junto que não desistiria, recebemos o segundo contrato, Ismael foi na agência pessoalmente e assinou tudo. Ufa! Ontem pagamos as taxas da agência e recebemos o contrato assinado pela proprietária também. Acho que não tem mais o que dar errado...

Ficamos pensando no que deveríamos ter feito diferente para evitar este stress. Primeiro, precisávamos saber que esta época é a pior para encontrar moradia em Paris, é a mais concorrida, pois começa o ano letivo e tem muuuuuitos estudantes procurando apartamentos. Além dos turistas, cujo fluxo é constante. Segundo, sabendo da informação acima, deveríamos esquecer o medo de alugar "gato por lebre" e ter feito a negociação toda ainda no Brasil, vindo para cá com moradia certa, confiando nas fotos e informações dos sites. Agora já sabemos, he he...

Descobrimos também que na situaçao de estrangeiros fica praticamente inviável alugarmos algo nas imobiliárias "normais" da cidade, pois eles pedem fiador, garantias, etc. Dificultando bastante para quem não mora aqui. Nós chegamos a pensar que poderia ser mais fácil, ou mais barato, mas não é. Acabamos alugando com uma das primeiras agências que conhecemos ainda no Brasil, quando começamos a pesquisar apartamentos. Ela é especializada em alugar imóveis para estrangeiros, tem atendentes que falam diversas línguas - foi ótimo negociar tudo em português! - e alugam por períodos mais curtos, semana, mês, dependendo do interesse. Ah, e os imóveis todos são mobiliados e equipados com tudo o que se precisa para o dia-a-dia. Nas imobiliárias "normais" quase só vimos imóveis vazios. Isso seria bem ruim, teríamos que providenciar tudo por aqui. Então fica a dica, pra quem vier passar uma temporada em Paris, a agência é a LODGIS.

Bom, o apartamento que alugamos é bem mais caro, mas também num padrão bem melhor do que o que estávamos procurando. Se pudéssemos escolher, com certeza não teria sido esse, por causa do preço. Mas na atual conjuntura, agora é mudar e relaxar!! Fizemos um contrato de apenas 4 meses (tempo mínimo pedido pela proprietária), por causa do dindim, e a Walquiria nos garantiu que em Novembro já podemos escolher o próximo apê no site e deixar reservado para fevereiro, quando teremos que mudar novamente. Diz ela que a partir de Novembro a oferta aumenta bastante novamente. Como diz minha sogra, o lado bom disso tudo é que vamos poder experimentar a cidade vivendo em vários endereços diferentes, he he...

Não fomos conhecer o apartamento pessoalmente, por causa da pressa em fechar negócio. Mas percebemos, pela visita ao primeiro apartamento que fizemos, que as fotos e a descrição do site são bem fiéis. Teremos a mesma área que temos aqui, só que lá é apenas um quarto e tem um terraço (detalhe, dá pra vislumbrar a Torre Eiffel, láááá ao longe, do terraço). A sala é bem espaçosa e cozinha separada, o que garante espaço para Joaquim brincar e possibilidade de isolar área perigosa para bebês. Enfim, no fim das contas estamos felizes, e com certeza muito aliviados! Faremos a mudança, levando literalmente mala e cuia (sim, porque eu trouxe minha cuia de chimarrão!), na próxima sexta-feira. Vai ser uma nova experiência morar dentro de Paris, mais perto das coisas, nova vizinhança, novo comércio local para explorar, novas ruas para nos perdermos...

Ah, e detalhe, mudaremos bem no final de semana da Nuit Blanche. É uma noite inteira e madrugada adentro de atividades culturais pela cidade. São três roteiros diferentes, possíveis de se fazer sem precisar de transporte, ou seja, a pezão, para ver exposições, espetáculos, etc. Claro que não temos a ambição de virar a noite na "balada" cultural, afinal Joaquim é companheiro, mas não precisamos abusar, né? Mas ao menos um espetáculo de canto gregoriano na igreja de Notre Dame vai rolar, vai sim...

Mudando de assunto, algumas coisas curiosas por aqui:

  • Estamos insandecidos atrás de cadernos. Sim, cadernos, simples, pautados, normais. Mas só encontramos cadernos com páginas quadriculadas... Já olhamos em vários supermercados, não sei se só existe essa opção ou, assim como os apartamentos, os estudantes acabaram com todos os cadernos da cidade!!
  • Juro que eu tento entender, mas ainda não consegui, o que passa pela cabeça de um francês quando ele anda pelas ruas segurando uma baguette embaixo do braço, assim, sem nada, nenhuma sacolinha, nenhum papelzinho, só a baguette, casca com pele... Não quero julgar ninguém e até me esforço para aderir aos costumes locais, mesmo porque às vezes não tem opção, a mocinha da boulangerie simplesmente pega a baguette que vou comer no jantar com a mão e me dá, penso no que fazer com ela e enfio na sacola de pano, que já carregou sabe-se lá o que tudo... c'est la vie.
  • Fico impressionada todos os dias com a criatividade das mulheres por aqui em relação aos seus cabelos. As francesas tem muito uma coisa meio "casual elaborada", a impressão que dá é que prenderam o cabelo de qualquer jeito, mas se for analisar a gente vê que teve um certo cuidado naquela casualidade; já as mulheres de origem africana são as campeãs, a gente vê os penteados mais ousados, criativos, lindos (outros nem tanto) o tempo todo, todos os dias, em todo lugar. Ismael observou bem, é uma cultura acostumada com ornamentos na cabeça, lenços, enfeites, etc, então parece natural usar penteados elaborados no dia-a-dia também.

Acho super legal a gente se deparar com essas diferenças culturais e tentar entendê-las e até absorvê-las nesse tempo aqui. Se precisar usar cadernos quadriculados nos nossos cursos, usaremos; quanto a baguette já estamos acostumando com a falta de pudor em carregá-la na mão na rua; e com os cabelos ousados tenho muito a aprender!

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