retrospectiva

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sexta-feira, 15 de junho de 2012

Sobre envelhecer na Europa...

Não que eu esteja planejando envelhecer por aqui, afinal meu Brasil brasileiro está me esperando... mas se tem uma coisa que já me chamou a atenção na outra temporada em que moramos aqui e agora só se confirmou, é a qualidade de vida das pessoas acima dos 60 anos - idosos? terceira idade? melhor idade? seja lá qual for o nome, ser vovó aqui é outra coisa!!

Entre nós, Ismael e eu brincamos que nunca vimos tantas pessoas com 200 anos de idade circulando na rua, porque aqui a terceira idade de fato parece que é pra lá dos 80... e é verdade, a gente vê vovózinha e vovôzinho, com bengala, com andador, ou se apoiando nos muros para caminhar, mas indo ao mercado, sentando ao sol numa praça para ler um livro, circulando de metrô, lendo jornal num café, etc. É lindo!

E nessa temporada, em especial, estou impressionada, especialmente com o que resolvi, por conta própria, chamar de "curtição da terceira idade na europa". É impressionante o que esse povo faz para passar o tempo! Aula de artesanato? Ginástica uma vez por semana? Encontro dançante no domingo à tarde? Tudo isso eu já achava super bacana e sempre admirei quem chega nessa fase da vida e se envolve e tem pique para essas atividades tão populares no nosso país, ou pelo menos na região onde eu moro... Mas tenho a impressão de que aqui o pessoal é mais ousado... tenho fotografado, sempre que posso, alguns flagrantes do que eu considero atividades que já consideraria bastante satisfatórias para a minha faixa etária! Claro que há de se considerar fatores sociais, culturais e, principalmente econômicos, entre outras coisas, mas não canso de me admirar:

Ao invés de ficar em casa, ele resolveu ir ler um livro na pracinha, onde eu, e mais trocentas mães, levamos nossos pequerruchos para brincar. Ele não estava cuidando de nenhum neto, só estava ali, para tomar sol, e ler...
Sabe o que eles resolveram fazer na manhã do dia 27 de maio de 2012? Participar de uma corrida de rua de 10Km!! Me apaixonei. Como estava na platéia, porque maridão também estava participando do evento, vi quando eles partiram por último, ao sinal da largada, de mãos dadas, correndo felizes da vida... chorei.
Essa chegada foi emocionante! Ela tinha pra mais de 65 anos, com certeza. Ele?  O personal trainer, que comemorou a vitória, de ter completado a prova, como se fosse dele! Foi lindo...

Roda de amigos trocando impressões sobre a prova. Faixa etária média... 60 anos! Incluindo a madame magérrima ali, provavelmente uns 65... 


E antes que pensem bobagem... as fotos anteriores foram as exceções, o que me chamou a atenção, mas em sua maioria, os participantes da corrida estavam na faixa etária dos 20 aos 40... olha maridão ali (192)!!!

Estávamos nós admirando as belezas de Rocamadour, na região do Lot, sul da França, quando de repente chega um grupo, era uma "excursão" da terceira idade, de bicicleta!

Só dava vovô e vovó, com capacete e bike, chegando, chegando...
De umas semanas pra cá, ficamos impressionados com o números de barcos atracando no canal, em frente ao prédio onde moramos. Aos poucos percebemos que era um evento, um encontro de pessoas (que podem ter e manter um barco--casa) viajando pela europa, ou algo assim...

Sei que, neste caso, não é só a disposição que conta, mas também a DI$$PO$IÇÃO.  Pra manter um barco desses não é qualquer bolso, mas ficamos impressionados com a quantidade de casais com o maior jeito de "curtindo a aposentadoria" atracando e trocando idéias com os vizinhos, no tal evento.


E esses são apenas alguns dos flagrantes que consegui registrar, mas tenho visto vovôs e/ou vovós patinando ou correndo na beira do rio Sena, muitos andando de bicicleta pela cidade e assim por diante. Coisas que me inspiram!

sábado, 26 de maio de 2012

A Paris de Hemingway... aquela que é uma festa!

Hoje nós finalmente encontramos a Paris que viemos para ver. A Paris quente, calorosa, a Paris de Hemingway, aquela que é uma festa... Apesar dos últimos acontecimentos (caso não saiba, falo deles AQUI), hoje acordamos dispostos a tocar a vida, a sentir a vida, a viver a vida. A idéia era começar o dia fazendo a inscrição na Base Nautique de la Villete, para podermos praticar remo gratuitamente, todos os sábados e domingos. A Base fica literalmente em frente à nossa casa, todos os finais de semana ficamos vendo o povo fazendo canoagem, remando em caiaques e não tem como não se inspirar. Fomos atrás de informações e descobrimos que é gratuito! What?! Sim, é só reservar o barco a remo uma semana antes, ou chegar na hora sem reserva e pegar um caiaque mesmo, e sair remando pelo canal de L'Ourcq. Simples assim. Fizemos nossas inscrições, já temos a carteirinha, Ismael e eu.



De lá seguimos para a Mairie (prefeitura) do nosso arroundissement, onde pegaríamos o Kit de corrida do Ismael. Amanhã é o grande dia, ele se inscreveu ainda no Brasil para participar de uma corrida de rua de 10Km nos arredores do Parque Buttes Chaumont. Treinou menos do que queria, mas já o considero um campeão! Ontem ele foi treinar no circuito da corrida, achamos que faria a metade, só pra um reconhecimento de área, mas acabou fazendo o circuito inteiro e em menos tempo do que imaginamos que seria. A corrida agora é lucro!



Da Mairie seguimos para o parque, que fica logo em frente. O dia lindo, o parque estava exalando despreocupação e boemia, caminhamos um pouco por lá e sentimos a necessidade de um piquenique, só víamos gente chegando com cestas de vime, toalhas xadrezes e nenhuma pressa. Fomos a um mercado ali pertinho, duas saladas, sanduíches, purê de frutas, batata frita, suco de laranja, água mineral e um chardonnay gelado, que ninguém é de ferro. A canga no carrinho do Joaquim faria as vezes da toalha xadrez. Tudo preparado, "sijogamos" na delícia do piquenique. Foi muito bom.

Voltando pra casa, Ismael já decidiu aproveitar a nova carteirinha e ficou na Base Náutica, enquanto eu e Joaquim viemos para casa, para a siesta. Enquanto escrevo aqui no blog, vez ou outra dou um pulo na sacada e faço mais um registro fotográfico do Ismael remando lá embaixo, remando no canal em plena Paris, essa Paris que é uma festa!



quinta-feira, 10 de maio de 2012

Duas visitas virtuais

Sugestão de duas visitas virtuais em dois espaços fantásticos de Paris.

O Grand Palais, um local de exposições impressionante: http://www.grandpalais.fr/visite/fr/#/le-film/

E o Palais Garnier, pertencente a Ópera de Paris: http://www.operadeparis.fr/en/L_Opera/Palais_Garnier/visite_virtuelle.php

Divirtam-se nos passeios!

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Não basta estar em Paris, é preciso flanar...


Estratégias do caminhar - Flanêur

'' (...) Para compreender a psicologia da rua não basta gozar-lhe as delícias como se goza o calor do sol e o lirismo do luar. É preciso ter espírito vagabundo, cheio de curiosidades malsãs e os nervos com um perpétuo desejo incompreensível, é preciso ser aquele que chamamos flâneur e praticar o mais interessante dos esportes — a arte de flanar.
(...)Flanar é ser vagabundo e refletir, é ser basbaque e comentar, ter o vírus da observação ligado ao da vadiagem.
(...)É vagabundagem? Talvez. Flanar é a distinção de perambular com inteligência. Nada como o
inútil para ser artístico. Daí o desocupado flâneur ter sempre na mente dez mil coisas necessárias, imprescindíveis, que podem ficar eternamente adiadas. (...)'' (A rua - João do Rio)

Eu encontrei esse texto por acaso na internet, num blog onde a autora fala um pouco mais sobre o 'flanador'. E o texto é perfeito para introduzir um relato do meu momento flanêur que tive ontem. Vou começar do começo.

Ismael sempre foi mais "virador" do que eu. Ele tem, digamos assim, uma natureza de explorador bem maior que a minha, do tipo, se estamos caminhando e passamos pela entrada de um beco, ele sem dúvida nenhuma vai entrar pra ver o que tem lá, quando eu, muitas vezes, nem reparei que havia um beco ali. Juntando isso ao fato de que ele tem circulado bem mais do que eu aqui em Paris, por conta das idas às bibliotecas, Arquivo Nacional, etc., logo ele tem feito algumas descobertas bem legais, de lugarzinhos interessantes que vale a pena conhecer. E isso tem inclusive rendido uma situação engraçada, nossos passeios muitas vezes tem sido "repetecos" de lugares onde ele já esteve e resolveu voltar e me levar pra ver também. Sinceramente? Adoro!

Ontem foi mais ou menos assim. Ele saiu na hora do almoço para um tandem que está fazendo com uma amiga francesa (ele pratica o francês com ela, ela aprende português com ele, é bem legal!), e depois da aula ele deu uma caminhada pela região do Marais e arredores. Chegou em casa empolgado com uma ruazinha que até então não conhecíamos. Perguntou se eu não queria dar uma saída sozinha, tomar um ar, flanar um pouco. Eu quis. E fui. Ismael me explicou no mapa onde era a tal rua e lá fui eu.

Saindo da estação do metrô, caí dentro do centro comercial Les Halles, tratei logo de buscar ar puro, pois ontem foi feriado aqui na França então imaginem um shopping muuuuito cheio. Acontece que aquela região de Les Halles, sempre me pareceu bem muvuquenta, e mesmo já estando ao ar livre, ainda tinha uma certa sensação de sufocamento. Pra ajudar, assim que coloquei o pé na rua começou a cair um chuvisco chato. Ai, ai, ai... pensei com meus botões "nada de desânimo! É pra ser uma passeio gostoso e vai ser!".  Acontece que além de mais explorador, Ismael também é mais orientado geograficamente. Eu sou perdida. Não sabia pra que lado ir, resolvi sair caminhando pra ver onde ia chegar, encontrei uma livraria Mona Lisait no caminho, e não tem como não parar e ficar olhando a infinidade de livros bons, bonitos e baratos expostos em gôndolas na calçada (sem ninguém cuidando! pense...). Comecei a relaxar e senti que meu fim de tarde tinha tudo pra ser bom. A dúvida voltou quando, saindo da livraria e caminhando mais um pouco dei de cara com o mesmo lugar onde eu havia saído do metrô... Resolvi escolher outra direção e consultei um mapa. Agora sim, estava no caminho certo.

Não demorou muito e encontrei a tal ruazinha. Ela começa com o nome de Rue Montorgueil e logo vira Rue Poissonniere. O que ela tem de tão especial? Acho que é um pouco difícil de explicar, mas assim que cheguei ali entendi o que Ismael quis dizer. Ela parece transpirar a essência do ar parisiense, as lojas, cafés, as pessoas caminhando, o movimento, a luz... E foi incrível como mudei meu humor, perdi a pressa, relaxei, assim que percebi onde estava. Até o tempo mudou, o chuvisco parou e um solzinho tímido apareceu, jogando uma luz dourada em tudo e todos. Fui obrigada a escolher um café, daqueles mais "estereótipo parisiense" possível, com mesinhas redondas de tampo de vidro, cadeiras de palhinha, espaço apertadinho, mas muito convidativo. Escolhi uma mesa na calçada, logo sentaram turistas alemães na mesa atrás de mim, em seguida um senhor francês rabugento, na mesa ao lado, ele só parou para fumar um cigarro e tomar um expresso e logo partiu, e em outra mesa sentou outro senhor francês, com um jornal e seu cachorro na coleira, ele tomou uma coca light. Apesar da cafeína (não muito indicada para grávidas), eu pedi um café au lait, e degustei com o maior prazer e a menor pressa do mundo, enquanto aproveitava para escrever para o bebezinho, no diário que estamos fazendo para ele(a).

Acho que eu não cansaria nunca de ficar sentada ali, vendo passarem os turistas, as famílias aproveitando o feriado, os casais apaixonados... mas lá pelas tantas resolvi continuar caminhando pela ruazinha convidativa.  Apesar do feriado, muitas das lojas estavam abertas, não comprei nada, mas me deliciei olhando tudo e mais um pouco. Quando estava quase chegando na Boulevard Bonne-Nouvelle, percebi um grande, mas muito grande mesmo, movimento em frente a um cinema. Havia uma fila, e comecei a rir sozinha quando percebi na fila ninguém mais ninguém menos que Edward Mãos de Tesouras, A Noiva Cadáver, O Chapeleiro Maluco e váaaarios outros personagens do Tim Burton, e muitos deles repetidos... eram cosplays, alguns lindamente produzidos, outros nem tanto, aguardando na fila para a avant-première do novo filme de Burton, Dark Shadows. Eu já tinha sentido bastante falta da máquina fotográfica, mas nessa hora fique indignada por não estar com ela na bolsa. Foi muito inusitado!

Chegando na Bonne-Nouvelle procurei a loja Auber, de roupas e acessórios para bebês, Ismael tinha visto que estava aberta e resolvemos aproveitar para comprar a capa de chuva para o carrinho do Quim (esquecemos a nossa no Brasil, tipo dos manés... era a certeza de que só veríamos sol por aqui...). Essa loja é o templo da perdição para uma mulher grávida! Tem tanta coisa linda que a gente chega a ficar tonta... Depois de muito olhar e babar, saí de lá com a capa de chuva e um Calendrier de Grossesse, ou Caledário de Gravidez, um mimo pra poder contar os dias de um jeito mais fofo, he he...

Voltei pra casa feliz! Foi uma bela "flanada".

segunda-feira, 7 de maio de 2012

reCantos de Paris...

Quinta-feira resolvemos unir o útil ao agradável, saímos para resolver umas coisinhas e aproveitamos para passear pela cité. Nós estávamos planejando passar o final de semana com amigos que moram numa cidadezinha que fica a uns 150 Km de Paris, iríamos de trem. E queríamos comprar um presente para nossa pequena anfitriã que estará completando 3 aninhos em breve, sabíamos exatamente o que comprar e onde encontraríamos: móveis em miniatura para a casa de bonecas da pequena Béatrice. Tem uma loja só de miniaturas - coisas de pirar o cabeção! - na Passage Jouffroy. Antes de sair de casa, procuramos na internet uma Boutique SNCF próxima de lá para comprar as passagens de trem, tinha uma bem pertinho. Perfeito.

no metrô

Primeira parada foi para comprar as passagens. Aproveitamos para nos informar um pouco mais sobre a Carte Enfant +, que já usamos da outra vez em que estivemos aqui, e decidimos fazer novamente. Além da vantagem que já conhecíamos, descontos de 25% a 50% no preço das passagens de trem, para até 4 adultos que viagem com uma criança de 0 a 3 anos dentro da França, agora tem mais vantagens: a SNCF tem uma parceria com a AVIS (rent a car) e com a rede Accor de Hotéis (Ibis, Novo Hotel, etc), descontos nas diárias dos hotéis, do aluguel de carro, acento para crianças e condutor extra gratuitos. Achamos bem vantajoso. O custo para fazer a Carte é de 71 euros, mas fizemos um cálculo rápido e nos três próximos passeios que planejamos fazer a carteirinha já estará paga, vai valer a pena. Saímos satisfeitos com a Carte Enfante + e com as passagens (nas quais já economizamos 22 euros) e fomos para a Passage Jouffroy.

Passage Jouffroy

Essa galeria nós descobrimos sem querer na nossa primeira estadia aqui em Paris. Foi logo no início do período de 11 meses e ficamos tão encantados que depois recomendávamos para todo mundo que veio nos visitar, nem todo mundo teve tempo de dar uma passeada por lá, mas quem viu, gostou! Eu escrevi sobre a nossa descoberta na ocasião, num POST que, acabei de constatar, recebeu o mesmo nome que este aqui, ou seja, é um recanto mesmo! Ficamos quase loucos com as miniaturas na loja Miniatures World (La passion de la miniature). Aliás, a gente fica quase louco com quase todas as lojas nessa galeria, brinquedos antigos, livrarias com preços super convidativos, os doces de conto de fadas da La Cure Gourmande, uma delícia! Além de todo o charme do Hotel Chopin, que funciona neste endereço há 170 anos, o Musée Grévin com a careta grotesca espiando pela cortina os visitantes desavisados da Passage e a vitrine saborosa do Le Valentin. Vale a pena sempre passar por lá!

Quase que repetindo o passeio da primeira vez que estivemos na Passage, saindo de lá seguimos em busca de um terraço gratuito para ver a cidade do alto, mas desta vez não foi o terraço da Galerie Lafayette, e sim o da loja Printemps Haussmann, um pouquinho mais adiante para quem vem caminhando da Opéra. Achamos mais legal que o da Lafayette! Tem uma área gostosa pra ficar sem precisar consumir nada, mas também tem um café todo charmoso, no próprio terraço. Lugar ideal para curtir um final de tarde e ver o sol caindo sobre a cité.

Telhados de Paris vistos do terraço da loja Printemps-Haussmann
A imponência do Sacre Coeur

Joaquim não perde a chance de ver a "Tumi Fel"

O sol se pondo sobre La Defense

Ah, ia esquecendo de dizer que acabamos adiando os planos do final de semana, nosso anfitrião foi pego sem dó nem piedade por uma gripe porreta + conjuntivite, tudo o que ele não precisava era de visitas acampadas em sua casa num final de semana que só pedia cama e descanso. Trocamos as passagens sem problemas e tratamos de programar o final de semana em Paris. Sábado foi dia de rotina, Ismael aproveitou para mandar ver na pesquisa em duas bibliotecas, eu e Joaquim fomos ao parquinho nosso de cada dia, à tarde trabalhei, enquanto passarinho dormiu muito. E hoje, por acaso, foi o primeiro domingo do mês, dia de museu gratuito! Nosso eleito foi o Musée du Quai Branly.


Também chamado de Museu das Artes e Civilizações da África, Ásia, Oceania e Américas, o museu fica no 7o arrondissement, pertinho da Torre Eiffel. Tem um acervo enorme de objetos, vestimentas, acessórios, máscaras, etc., gostei bastante, mas acho que o que curti mais foi o próprio museu, sua configuração e arquitetura. Nós já havíamos passado na frente várias vezes, sempre tivemos vontade de conhecer, e muito pela sua fachada discreta, tomada de vegetação. Hoje fomos conferir. Ficamos muito impressionados com o jardim, e com a harmonia entre os traços ousados da arquitetura e o verde abundante. O museu não é muito grande, digamos que é facilmente apreensível, embora seja possível se perder lendo sobre as obras, assistindo vídeos, etc. Hoje, além do acervo permanente, tinha uma exposição bem bacana chamada Les Maîtres du Desordre (Os mestres da desordem), com obras de Picasso, Basquiat entre outros artistas, além de uma exposição sobre a Patagônia e outra sobre a Chuva. Valeu a visita!










sexta-feira, 4 de maio de 2012

Sobre assistir um ballet no Palais Garnier...

Duas semanas em Paris, e ontem foi minha primeira saída solo pela cidade. AMO passear com pequerrucho e maridão, mas vamos combinar que minha própria companhia também me faz um bem danado! he he... Ismael bem que tenta me convencer a aproveitar mais as oportunidades de sair sozinha, pois ontem aproveitei! Nós já tínhamos comprado os ingressos para o ballet pela internet, quando ainda estávamos no Brasil, duas noites separadas pois aqui não temos vovó Aí e vovô Beleto pra ficar com Joaquim quando saímos.

Final da tarde, chuvinha insistente caindo e lá fui eu, toda feliz para minha soirée. Saí da estação do metrô com guarda-chuva aberto em mãos. Sabe aquela cena de filme em que a câmera faz um zoom vindo do alto em direção ao guarda-chuva que o personagem está segurando e ao se aproximar revela o personagem por trás do guarda-chuva com uma expressão de "embasbacado" no rosto, como quem se depara com algo surpreendentemente belo? Pois foi a cena que vivi ao sair da estação Opéra e dar de cara com o Palais Garnier. Aliás, eu não sei quantas vezes eu já parei pra ficar olhando essa lindeza de edifício, mas acho que toda vez faço a mesma cara de embasbacada. Passado o primeiro momento de deslumbre, segui para meu compromisso, me sentindo toda importante com o ingresso em mãos.



No ano passado, nos últimos dias de Paris, uma das coisas que ainda aproveitamos para fazer foi a visita guiada ao Palais Garnier, foi muito legal, ficamos super impressionados. E essa visita anterior me deu certo desprendimento ao entrar lá ontem, principalmente porque eu acho que se fosse minha primeira vez lá dentro eu perderia o início do espetáculo, não por me perder, porque apesar de o lugar ser imenso, tinha muitos atendentes e guias orientando super bem o público, mas porque a gente fica bobo mesmo, sem saber pra que lado olhar primeiro, é tudo muito lindo! Muitos detalhes delicados, rebuscados e impressionantes... lindo! Bom, eu consegui manter o foco e fui ao meu lugar, 3èmes loges de face 27 - place 5, só precisei descobrir que ficava no 4o andar, o resto eu eu decifrei sozinha, he he... quando cheguei no "meu" camarote dei de cara com uma porta fechada e sem trinco. Como assim? Meio segundo de dúvida foi suficiente para, do nada, surgir um rapaz de smoking perguntando se podia me ajudar, oui! Mostrei a ele meu ingresso e descobri que ele era o guardião das chaves do lado ímpar dos 3émes loges. A porta foi aberta e meu lugar apresentado, quando vi onde eu iria sentar só consegui dizer Mon Dieu! Não foi nem Merci, nem Thanks, foi mesmo Mon Dieu! De cara eu achei que não veria nada do espetáculo, haviam 9 pessoas no camarote, 10 comigo, sentadas em três fileiras num ângulo não muito favorável em relação ao palco. Quando finalmente me acomodei na minha cadeira fiquei um pouco mais aliviada, conseguia enxergar talvez 60% do palco, mas nada de ver a orquestra se ficasse sentada, o que me fez levantar uma vez ou outra para espiar os músicos. Porém quando a cortina se abriu e o espetáculo iniciou, percebi que havia conquistado mais campo de visão, acho que não tem lugar naquela platéia de onde não se enxergue aquele palco imenso! Passei a visualizar uns 90% do palco, havia apenas um cantinho impossível de ver, mas me convenci de que nada importante aconteceria ali, rsss...

O espetáculo estava muito bonito, uma super produção de cenários e figurinos, bailarinos com uma ótima performance mas... pra mim o espetáculo maior ainda era estar sentada lá, naquele camarote, me sentindo às vezes num filme de época, imaginando os nobres que estariam sentados nos camarotes vizinhos, os vestidos deslumbrantes das madames, duquesas, condessas e marquesas. A propósito, fique me perguntando se havia alguma regra de figurino para ir a um ballet no Palais Garnier, mas conclui que não existe regra alguma, vi uma ou outra distinta senhora um pouco mais produzidas, mas no geral a etiqueta diz "venha como quiser". Em outros momentos me senti num daqueles filmes de suspense em que o diretor explora a escuridão na platéia e os olhares do público se cruzando de um camarote para outro, música clássica como trilha, preparando para o momento ápice do suspense... eu quase vi Le Fantôme de l'Opéra vagando nos fundos escuros dos camarotes do outro lado da platéia... uuuuu!!!!

No primeiro intervalo aproveitei para olhar com calma tudo de novo lá fora, os corredores, as escadarias, o hall... eu e a torcida do Flamengo! Só dava neguinho com máquina fotográfica registrando aquele deslumbre todo. Começou o segundo ato e voltamos todos aos nossos lugares. Os camarotes são o que há de fofos, tudo acarpetado, em vermelho, sofazinho na entrada, porte manteaux na parede que é pra ninguém ficar derretendo em seus casacos por causa da calefação, espelho para as madames darem uma conferida no look antes de expor sua figura em seus acentos com vista para os outros 1978 espectadores. Quando terminou o segundo ato, com o assassinato do irmão de Manon (o espetáculo era L'histoire de Manon), me dei conta de que ainda havia um intervalo e mais uns 45 minutos de espetáculo. Me dei por satisfeita, já tinha curtido um bom bocado e para ajudar a me convencer de que era hora de partir, meu vizinho de cadeira havia ferrado no sono durante o segundo ato e precisei empurrá-lo de volta umas três vezes quando senti que estava servindo de escora para o sujeito, ninguém merece, né?

Saí feliz (junto com bastante gente) do Teatro mais lindo que frequentei até hoje e continuei sorrindo quando  dei de cara com as ruas molhadas em frente ao teatro, a chuva havia parado, mas deixou sua marca aumentando o brilho dessa noite que foi vraiment charmant, ou, de fato encantadora!














quarta-feira, 2 de maio de 2012

O meu reencontro com Paris...

Ismael escreveu sobre seu reencontro com Paris. Acho que o meu demorou um pouco mais... Fico analisando e penso que chegar aqui com a notícia fresquinha de que nosso segundo bebê está a caminho, somando ao fato de que nessas duas primeiras semanas choveu todos os dias e fez muito frio, foram motivos suficientes para me tirar um pouco o foco do fato de que estamos aqui novamente.

Mas a ficha caiu. E foi no fim da tarde de domingo, depois de passarmos algumas horas com amigos queridos em nossa casa, saímos para uma despedida de outra amiga, brasileira, que estava voltando ao Brasil no dia seguinte. Quis o acaso que o Ismael esquecesse de levar junto o endereço de onde seria a despedida, e só se tocou disso quando já estávamos no metrô. Ok, qual é o plano? Decidimos ir até o Marais para flanar um pouco até o horário de uma peça de teatro que Ismael assistiria mais tarde. Foi mágico. Sair da estação de metrô e dar de cara com as ruas molhadas, e iluminadas por um sol delicioso de final de tarde, o movimento, o cheiro, as cores, os sons... foi como se tudo gritasse para mim: "Oui, tu és à Paris!!!!".

Foi como matar a saudade de uma velha amiga, saudade que a gente nem se dá conta de que é tão grande, até que acontece o reencontro. Simplesmente caminhar, dar de cara com uma livraria Mona Lisait, se perder nos porões de livros empoeirados, entrar numa loja vintage de roupas semi-novas só pra ver, e sorrir. Ter vontade de sentar em cada café para sentir o sol no rosto numa mesinha na calçada... A gente se pega sorrindo sem querer, enquanto não cansa de andar e andar pelas ruinhas de nos levam ao Louvre, à Comédie Française, ao Centre Pompidou. Me encontrei com Paris!



E hoje foi como a comprovação de que é aqui mesmo que estamos! Demos início à temporada dos piqueniques!! Foi feriado aqui (e acho que no resto do mundo...) de 1o de maio, e para brindar o feriado, fez um dia lindo!! O primeiro sem chuva desde que chegamos. Todo mundo teve a mesma idéia que nós, Paris inteira estava nas ruas, um clima de festa delicioso, o gramado dos parques e calçadas às margens do canal disputadíssimos, todo mundo querendo "lagartear". E até o frio deu uma trégua, primeiro dia em que pudemos dispensar os casacos, ficar em mangas de camisas e ver Joaquim correndo descalço na grama... foi lindo!