retrospectiva

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quinta-feira, 27 de julho de 2017

Dias 07e 08 - Provins e Playmobil Funpark e Sceaux

Então que descobrimos que nossos cartões Navigo-Decouvérte funcionam como um portal mágico que nos leva para lugares incríveis!!! he he he...

Este cartão é um vale-transporte de uso ilimitado para o período de uma semana, começando na segunda e encerrando no domingo (tem a opção para o mês inteiro também). Quando moramos aqui, entre 2010 e 2012, o cartão cobria até a zona 3, assim o aeroporto Charles de Gaulle, a Disney Paris, por exemplo, entre outros destinos, estavam fora da cobertura. Desta vez, soubemos que houve uma alteração e agora o cartão cobre até a Zona 5. Assim, ainda no aeroporto, carregamos nossos cartões e fizemos o de Joaquim (agora ele paga!) e já usamos logo que chegamos para chegar ao nosso endereço na cité. Uma vez carregados, o melhor a fazer é usar e abusar do transporte público para se locomover pela cidade! Na semana que iniciou logo após nossa chegada, decidimos fazer novas recargas para aproveitar o pique da chegada e passear muuuito!!

Foi nesse meio tempo que Ismael resolveu pesquisar o quê exatamente compreendia a tal Zona 5 que nossos cartões cobriam. Assim soubemos que além dos passeios previstos - Versailles, Disney Paris, Sceaux, podíamos ir mais além!!! Provins e Fontainebleau, destinos que já tínhamos em vista, e para os quais eram previstos gastos com aluguel de carro e hospedagem, acabaram entrando nesse pacote! Oba! Agora era só questão de organizar a agenda e programar um bate e volta para cada destino!

O primeiro destino eleito foi a cidade medieval de Provins. Linda de tudo, super passeio! Fica a 1h30 de trem e achamos que super valeu a pena! Mais detalhes sobre a viagem lá no Grande Mundo Colorido!

No dia seguinte elegemos um passeio até a cidade vizinha de Sceaux. Ainda no Brasil havíamos lido sobre um parque lindo e um castelo nesta cidade e lá fomos nós ver qual é! Olhando no mapa, vimos que o parque ficava bem perto da loja-parque Playmobil, que visitamos em 2014 com Joaquim. MoleQuim ficou empolgado e decidimos fazer a dobradinha: Playmobil e Chateau de Sceaux. A ideia era acordar cedinho e visitar o Castelo primeiro, pois fecha às 14h. Mas quem disse? Quem disse que a gente aqui funciona antes das 10h da manhã com o fuso-horário ainda reverberando em nós... Acabou que resolvemos sair quando estivéssemos bem acordados, ou seja, almoçamos em casa e saímos no início da tarde. Fomos direto ao parque Playmobil.

Nossa expectativa, e de Joaquim, era de chegar a um lugar vazio e tranquilo, onde Quim pudesse explorar cada estação de brinquedos à vontade e escolher o que mais curtiu para então passarmos na loja e comprar alguma coisa. Foi assim em 2014. Mas foi antes de as férias escolares começarem... Desta vez estamos em plenas férias escolares. Estava muuuuuito cheio!!! Joaquim ficou perdidão, tadinho, tentou chegar em alguns brinquedos, mas a concorrência estava grande. Resumo da ópera: brincou quase nada lá e fomos para a loja. Molequim ficou tipo maluquinho, querendo tudo e mais um pouco. Conversa vai, conversa vem, escolheu um dragão e uns bichos do mar e voilá! Rapidinho seguimos para o parque de Sceaux pegando um ônibus ali pertinho. Foi muito legal ver que podíamos circular a vontade de ônibus por lá com nossos cartões "mágicos" Navigo!




O parque e Chateau de Sceaux nos surpreenderam! O castelo só vimos por fora, pois já estava fechado, mas ainda assim foi lindo! Construído em 1597, é cercado por jardins concebidos por André Le Nôtre, o mesmo paisagista de Versailles e das Tuileries. E o mais legal foi sentir o quanto o parque faz parte da cidadezinha, nós estávamos lá num fim de tarde, horário em que muuuuuita gente aproveitava para correr, caminhar e até pescar nos lagos. Nós nos rendemos ao gramado para fazer um piquenique delicioso!

Chegando no parque

Escolhendo o lugar para fazer um piquenique, à direita ou à esquerda do lago?
Meu "francesinho" preferido!

Joaquim se divertindo com as pedrinhas no lago

Lugar incrível para ótimas caminhadas!

Detalhe das fontes do castelo, infelizmente estavam desligadas neste dia.
Jardim em frente ao castelo

Chateau de Sceaux

Foi um dia delicioso de realizações, afinal assim como o pequeno, papai e mamãe aqui também curtiram ver os bonequinhos Playmobil de nossa infância em suas mais variadas versões!! E foi também um dia intenso de descobertas e novidades, porque foi muito bom explorar um novo destino, tão fácil chegar a partir de Paris!

terça-feira, 25 de julho de 2017

dias 05 e 06 - Revisitando lugares do coração

Segunda-feira o dia amanheceu cinza. Apesar disso e de uma dorzinha nas pernas que incomodava Joaquim tínhamos combinado de ir ver a exposição dos dragões neste dia, uma vez que no domingo não rolou. Perguntamos para Joaquim se ele achava que conseguiria caminhar para ver os dragões... imagina se não!?! Decidimos sair e ver no que iria dar. No máximo voltaríamos logo pra casa. Foi a melhor decisão. Logo que saímos de casa, passarinho já começou a caminhar mais a vontade e ele mesmo se surpreendeu.

Pegamos ônibus, RER e Tramway para atravessar a cidade e ir até Porte de Versailles, no parque de exposições. Combinamos que Ismael e Joaquim iriam visitar a Dragonland e eu daria um rolé pela região (o preço do ingresso de adulto está salgadinho, minha gente!). Feitos os combinados, os meninos partiram para a terra dos dragões e eu fui bater perna sozinha (ADORO!!).

MoleQuim curtindo a Dragonland - Exposição temporária no Parque de Exposições de Porte de Versailles

Estávamos num lado da cidade que nos era familiar e eu comecei caminhando "ao vento", sem me dar conta de onde exatamente eu estava. Conforme andava fui reconhecendo nomes de ruas, cores, fachadas... meu coraçãozinho começou a bater mais forte quando me dei conta de que estava muito nos arredores de nosso primeiro endereço em Paris, quando viemos lááaaa em 2010... resolvi que iria passar em frente ao nosso prédio e caminhar nos mesmos caminhos daquele ano tão mágico... e caminhei, e caminhei, e caminhei... ainda não tinha chegado em nosso antigo endereço quando resolvi olhar o relógio. Tinha combinado um horário para encontrar Ismael e Joaquim na saída da exposição e achei melhor voltar. Eu tanto tinha caminhado que para voltar resolvi pegar um metrô e um tramway... Cheguei. Escolhi uma mesinha no café combinado, fiquei na dúvida entre pedir um café ou uma pinte de bière... era final de tarde, happy hour, pedi a bière. Abri meu livro e me senti muito francesa, lendo num café...

Ismael registrou um flagrante e ainda saiu junto na foto, ali no cantinho...

Meus meninos chegaram. Joaquim todo felizinho, papai idem (a tal dor nas pernas passou completamente!!! Passarinho estava até dançando!! he he...). Resolvemos continuar o programa de revisitar a região e lá fomos nós, caminhar pelo Parc André Citroën, revisitar suas fontes e alamedas. Dar uma pausa no parquinho onde Joaquim ensaiou seus primeiros passinhos e finalmente passar em frente ao nosso primeiro endereço parisiense, no 15éme. Foi lindo. Ismael e eu estávamos feito bobos, Joaquim curioso tentava entender nosso deslumbramento e comemorava junto conforme contávamos a história e os fatos a ele.

Na primeira foto um registro de 2012, alto verão em Paris e Joaquim se refrescando nas fontes do Parc André Citroën. Na segunda foto um registro de 2017, alto verão em Paris e Joaquim bem protegido do vento friozinho enquanto contávamos as peripécias dele no parque alguns anos antes.

Primeira foto, Ismael carregando Joaquim no inverno de 2010. Segunda foto, Ismael carregando Joaquim no verão de 2017. Parque André Citroën.

Este era o caminho enrre o parque André Citroën e o apartamento onde moramos entre Outubro de 2010 e Janeiro de 2011, no 15éme. Era o máximo caminhar olhando para a Torre Eiffel láaaa na frente... Primeira foto Jan 2011, segunda foto Jul 2017.
Registros feitos no parquinho próximo ao nosso antigo endereço no 15éme. Foto 1 - Jan 2011. Foto 2 - Jul 2017.

A emoção de revisitar nosso primeiro endereço em Paris! (Eu estava emocionada, já Joaquim... rsssss...)

Na época em que moramos perto do Parc André Citröen havia vários brinquedos que nem visitávamos nos parquinhos, pois Joaquim não tinha idade para experimentar... Dessa vez ele usou e abusou!

Penso que este reencontro com um momento tão feliz nos motivou ao programa do dia seguinte: resolvemos voltar um pouquinho mais no passado e revisitar o ponto zero. O endereço onde ficamos nos primeiros 40 dias do período de 11 meses que vivemos por aqui em 2010/2011. Foi incrível como as coisas aconteceram naquela época! Ismael encontrou no (finado) Orkut o post de uma brasileira que morava nos arredores de Paris oferecendo seu apartamento por um período que incrivelmente coincidia com nossa chegada. E mais, ela tinha um bebê da idade de Joaquim (9 meses na época), ou seja, ficaríamos os primeiros dias num apartamento com quarto de bebê e estrutura completa (trocador, banheira, cadeirão para comer, brinquedos...), apenas perfeito! Foi assim que conhecemos a Carla, o Rui e o Pierre e foi super bacana!!! Depois de nossa estadia, nos encontramos mais algumas vezes, e foi sempre muito bom!

Mas antes de pegar o trem para Deuil-la-Barre, tínhamos uma missão, o que resultou em mais uma visitinha num lugar do coração! Fomos fazer a inscrição para o curso de francês que Ismael vai fazer a partir da próxima semana. A escola fica pertinho de onde moramos em 2012, quando voltamos para morar aqui por mais 4 meses e meio, eleito nosso melhor endereço até então: às margens do canal de L'Ourq.Enquanto Ismael foi na escola, Quim e eu curtimos a Paris Plage, uma área de lazer montada nas duas margens do canal com areia, espreguiçadeiras, brinquedos, etc. Tudo isso exatamente em frente ao prédio onde moramos! Nossa vontade dessa vez era tentar alugar o mesmo apartamento, mas infelizmente não estava disponível.

Nosso endereço atual fica perto dessa região, uma caminhadinha de 10 minutos e voilá!

Quim matando a saudade da chuvinha!
Ismael voltou da escola e nos encontrou pedalando no canal! Ao fundo o prédio onde moramos em 2012.



Cumprida a missão do dia e aplacada a saudade da antiga vizinhança, seguimos para o ponto zero. Para chegar lá puxamos pela memória e Ismael tinha o nome da estação na ponta da língua: Épinay-Villetaneuse. Fica na Banlieue, ou seja, a região metropolitana de Paris. Consultamos o mapa e vimos que nossos cartões Navigo (transporte público) abrangiam esta área*. Saímos depois do almoço, rumo a Gare du Nord, grandes linhas, Gare d'Épinay-Villetaneuse.

Ao descer do trem já bateu aquele sorriso bobo, um sentimento de voltar, de viver de novo, de conhecer tão bem um lugarzinho tão distante de nossa realidade atual... E o engraçado é que ao chegar nem sabíamos exatamente o que buscar. Visitar o antigo endereço? Refazer caminhadas daqueles dias? Dar um pulo no mercado que sempre tinha preços incríveis? Na dúvida, fizemos tudo! Começamos passando pelo endereço onde moramos... foram apenas 40 dias, mas foi nossa chegada em Paris!!! Coração bateu forte. E Joaquim só acompanhava: "olha aquela janela, filho!! Era seu quarto! Ali era a janela da cozinha! Cortaram as plantas da entrada..."

Chegando na estação de trem com aquela sensação de estar "voltando pra casa"...
Nosso primeiro endereço!! As duas janelinhas no telhado do prédio branco são do apê onde moramos por 40 dias chegando na França em 2010...

Em seguida, fizemos o caminho do Chemin Vert, que havíamos explorado algumas vezes na época. Uma rua que leva a um parque gostoso para caminhar, piquinicar e criança brincar. De lá nossa meta era ir para a beira do rio Sena, cuja margem oferece mais uma área deliciosa para caminhadas e piqueniques. Meio sem querer, no caminho para lá, encontramos o Supermarché que tínhamos na memória cujos preços e ofertas eram incríveis. Continuam sendo! Saímos de lá com o guarda-roupa de Quim-Quim renovado!! he he he... E quem resiste a camisetas a 2 euros, calças (jeans!) a 6 euros e casacos a 12 euros??!? Sem falar no kit de 7 meias a 4 euros!!! Nunca comprei tanta meia junta pro moleque!!! rssss... Além das roupitchas para molequim, compramos coisinhas para fazer um piquenique, pois nosso alvo ainda era a magem do rio Sena.

Parque próximo ao local onde moramos em Deuil-la-Barre...

Piquinicando às margens do rio Sena em Épinay-sur-Seine

Passeio às margens do Sena em Épinay-sur-Seine

Matando as saudades das redondezas...

Pergunta daqui, pesquisa dali e encontramos!! Esse foi um dos passeios que a Carla havia nos indicado láaaa em 2010 e que nós amamos fazer! Caminhar às margens do rio Sena fora de Paris. É outra geografia, outra paisagem e tão lindo quanto!! Ao chegar elegemos um lugarzinho para o nosso piquenique e ficamos lá... sendo felizes...

Voltamos para nossa casa com a noite feita, pra lá de 22h. E felizes da vida!!!



* Pesquisando sobre a abrangência dos nossos cartões Navigo Decouvérte (cartão para usar o transporte público), Ismael descobriu que eles vão bem além do que estávamos imaginando!!! Por exemplo, já tínhamos planos de, em algum momento, fazer uma "viaginha" para Provins, uma cidade medieval que fica a 100 Km de Paris. Estávamos pesquisando alugar um carro, fazer um roteiro de 3 dias para aproveitar a saída e, além de Provins, visitar o Castelo de Fontainebleau e vilarejos no caminho. Pois não é que o Navigo cobre toda essa região?!?! Foi lindo saber disso!!! Pois assim vimos que dá pra fazer bate-e-volta sem ter o gasto com aluguel de carro e hospedagem!! Bora lá!

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Dias 03 e 04 - Tudo é velho. Tudo é novo.

Escrevo agora, domingo à noite. Acho que começamos a regular o sono... ou, ao menos, não estamos mais tão abalados com o cansaço da viagem e o fuso de 5 horas. Mas estamos de férias e estamos em Paris. E então nos permitimos também um pouco daquele luxo de deixar o sono e os horários mais soltos que na vida ordinária.

Ontem sábado, nos programamos pra acordar não tão tarde, afinal, possivelmente teríamos visita para o almoço. Então me aprumei pra ir ao mercado fazer comprar pro final de semana.
Ir ao mercado é uma aventura e exige certo tempo. Produtos desconhecidos, a grande maioria são marcas novas para nós, a localização dos produtos, tentar entender a lógica de preços. Resolvi ir ao Lidl novamente, e isso daí também é outra aventura por que ele é bem lotado – e lotado de pessoas que conhecem onde estão os produtos, as marcas, os preços, então estão bem em outro ritmo de compras que eu. Mas, sinceridade, também não estamos tão descontextualizados. Há produtos e marcas que já conhecemos de outras ocasiões, então, nestes casos, há o prazer do reencontro.
Neste sentido, temos experimentado nos últimos dias, várias vezes gemer gostoso, aquele gemido de hummmmmmm quase doído. Cada primeira mordida num queijo, cada primeira colher de iogurte, cada madeleine, pain au chocolat e gole de vinho roubam de nós um pouco de alma, um gemido e um sorriso de quem diz: “há quanto tempo!!”.

De volta em casa, descobri que as visitas iriam chegar mais de tarde. Cozinhamos, almoçamos e Aline partiu em sua jornada pro espetáculo em La Seine Musical. Previsão de tempo pra ela chegar lá: 1h15... No extremo oposto de Paris, já até fora da cidade.

Fiquei preguiçoso em casa com Quim, mas a vontade de estar pela cidade não deixa muito tempo. Ainda há uma euforia, apesar do cansaço, esse desejo de comer tudo, ver tudo, respirar tudo.
O dia esfriou, nublado, até molhado o chão acordou de manhã. A perspectiva de realizarmos um piquenique no final de semana não era promissora, mas, em Paris, nunca se sabe a hora que um piquenique pode acontecer em sua vida... Fomos então ao mercado (novamente – falei que temos vontade de comer tudo?), comprar mais alguma besteirinha pra um eventual piquenique.


Logo as visitas chegaram: Júnior, Ana e Bibi vieram de Laon (ao norte de Paris) pra nos encontrar. Que coisa tão boa! Aline até brincou dizendo que “agora sim chegamos na França”. Amigos tão queridos de longa data. Desde a primeira vez que viemos pra Paris, em 2010, quando nos conhecemos, estabelecemos uma amizade linda e fácil que alimenta o coração de todos.
A última vez que nos encontramos fazia já 3 anos, em 2014. Naquele ano, antes de viajar de férias a Paris, encontramos com Ana e Bibi por duas horinhas no Brasil (ela estava de férias lá), e assim que chegamos aqui, na mesma semana, encontramos Júnior, vindo de Laon pra passar o dia conosco uns dias antes dele ir ao Brasil.

Ao andarmos pela rua neste sábado, nos demos conta de que fazia pelo menos 5 anos o último passeio juntos por aqui.... com sentimento de que foi recém na semana passada.
Andando pelo bairro, fomos até ao Canal de l’Ourcq, onde está tendo o Paris Plage. A tarde já quase virava noite, e sentamos por ali: vinho queijo, madeleines... realmente, ensacolar alguns itens antes de andar pelas ruas, aumenta a possibilidade de um piquenique surpreender você em Paris. E sentamos bem ali, olhando pro antigo apartamento em que moramos em 2012, na borda do canal.

Joaquim e Bibi tem idade próxima, e, sem se verem há três anos, significa que não se viam há quase metade de suas curtas vidas. No começo foi aquela timidez, mas ao longo do final de semana, fomos vendo a parceria e amizade surgindo novamente. E que dupla!

No domingo de manhã, fomos a um “brocante” (feirinha de rua de antiguidades e cacarecos) aqui perto. Daquelas coisas fantásticas pra se fazer em Paris, vendo a história e o tempo por entre seus dedos: máscaras de madeira vindas da África, bijouterias antigas, cartões postais enviados de lugares distantes há tempos, medalhas de guerras que se perderam de seus heróis, capacetes de diferentes exércitos que testemunharam momentos sofridos, uma louça perdida sem par, um cachimbo usado, um vestido demodê, um livro novo barato, um brinquedo feio, uma moldura sem tela... tudo a negociar, a pechinchar. Pra nós, e o prazer de ver, imaginar, muito além do que ter.

A tarde a ideia era levarmos as crianças para visitar a Exposição Dragonland... do outro lado de Paris. Fomos todos de carro – e que delícia andar de carro em Paris! Foram pouquíssimas vezes que tivemos esta experiência. Aline estava feito turista japonesa tirando fotos de tudo em todo percurso. No caminho, lembramos que hoje seria a chegada do Tour de France, na Champs Elysée, e que haveria um trajeto dentro da cidade. Achei o máximo discutir com Júnior alternativas de caminho pra evitar as ruas fechadas. Mas se andar de carro é legal, engarrafar em Paris é comum. E mesmo hoje domingo, o trânsito não estava fácil. Alguns trechos semi-interrompidos por obras em andamento, e algum caos, mesmo tentando desviar, causado pelo Tour de France. Resultado: chegamos tarde demais na exposição. Desespero de Quim, lamento dos outros, voltamos engarrafando um pouco mais para casa.


Mais uma refeição juntos, alguns planos de reencontro no período, agendamento de uma visita a Laon em breve. Conquistas, frustrações, desejos, compartilhar a alma.

Por fim, Paris é um pano de fundo, embora linda e empolgante, ela se torna em certos momentos uma madrinha para nós, e não mais a rainha dominante. Uma dinda que nos recebe, mas que não é o centro. A dinda que nos presenteia, mas o cafuné é muito mais que o regalo.

Os cheiros de Paris, os sabores, as luzes, as cores, a arquitetura, os sons... e os afetos. Cada mordida de queijo, gole de vinho ou olhar pra uma janela antiga nos rouba um suspiro. E os abraços saudosos que dão tanto sentido em estarmos por aqui de novo. Tudo é velho. Tudo é novo.

Vive la France!

sábado, 22 de julho de 2017

Dia 02 - Começando a viver a cidade

Nós temos por princípio que quanto mais sabemos sobre as opções que um destino nos oferece, mais aproveitamos a viagem. Essa é uma máxima que temos para a vida desde que, em nosso primeiro mochilão, encontramos uma menina brasileira em Roma, viajando sozinha e dizendo que já tinha visto tudo o que queria no segundo dia na cidade!! Roma!!!! Dois dias...  ok... nós saímos de lá sentindo que dois meses não seriam suficientes para dar conta daquilo tudo!!

Bom, como nosso tempo em Paris desta vez inclui um curso que compromete algumas horas da temporada e sabíamos que nossa estadia aqui seria de pelo menos 35 dias, começamos a pesquisar muuuuito sobre tudo o que estaria rolando na cité e arredores nessa época. Lemos em algum lugar sobre uma exposição bacana que estaria no Musée du Quai Branly por estes dias (termina depois de amanhã) - Picasso Primitif - sobre a influência das máscaras africanas em sua arte. Decidimos que hoje seria o dia de ir até lá, pois teremos visitas para o final de semana . E como já seria meio caminho para o Seine Musicale, onde já tínhamos ingressos comprados para um espetáculo de dança (que dividimos em duas sessões, pois é programa de adulto!*), resolvemos ir mais no final da tarde para poder casar os programas.

Programa da tarde decidido, resolvemos sair pela manhã para bater uma perninha pelo bairro. Nosso prédio fica ao ladinho do parque Buttes Chaumont, nosso amado salve-salve. Então fomos lá para dar um oi. Foi aquela emoção, relembrar piqueniques, fotos, caminhadas e até a corrida da qual Ismael participou lá em 2012... Muitas lembranças gostosas... e o melhor foi ouvir Joaquim falando: "eu lembro que aqui a gente fez um piquenique com o tio Júnior!!"... "E aqui foi onde a gente esperou o papai chegar da corrida!!"

Na volta pra casa passamos no mercado. Estamos em plena missão de encontrar as opções mais baratas das redondezas, e vimos um Leader Price no caminho, opa, é lá mesmo!! Apesar de ser um supermercado de descontos, ainda achamos os preços de alguns itens bem salgados (é a crise!), mas o bom é que ainda existem opções de queijos e vinhos baratos!!! hehehehe...

Depois do almoço, deliciosamente preparado pelo Ismael, rolou aquela preguicinha básica, e foi nessa hora que percebi que Joaquim estava mais quentinho do que deveria. Medi a temperatura e voilá, molequim estava com 38,2 graus de febre. Praquêeee??? Pra quê febre numa hora dessas??!!? Bom, fizemos uma reuniãozinha de família e decidimos que alguém teria que aproveitar a exposição do Picasso, e como ficava para os lados do espetáculo de dança, e hoje era o dia de Ismael assistir o espetáculo, eu sugeri de Ismael ir e eu ficaria por aqui, observando Joaquim. Enquanto isso, demos um antitérmico pra criança... Coisa de meia hora e ele estava lá todo serelepe. Conversamos novamente, trocamos ideia e resolvemos ir todos conferir o Picasso no Quai Branly, meio no espírito de vamos ver até onde vai e aproveitar o que der...

Cada vez que vemos a Torre é uma emoção!!

Já foi uma delícia chegar na região do Museu. Ele fica coladinho na Torre Eiffel, então hoje estivemos um pouquinho mais perto dela!! A segunda delícia foi descobrir uma área ao ar livre que o museu dispõem gratuitamente para quem estiver de passagem ou para os visitantes das exposições. É muito legal, tem esteiras, almofadas e espreguiçadeiras espalhadas numa área verde, onde o museu também disponibiliza livros e até tapa-olhos para quem só quiser fazer uma "siesta". Joaquim amou a proposta e já quis ficar por ali pra fazer um piquenique! Nós tínhamos a expectativa de conhecer o terraço do Museu, mas como já ia fechar (18h) e o custo é independente de visitar alguma exposição (custa 3 Euros pra subir), acabamos sucumbindo à vontade do pequeno e lá fomos nós relaxar nos jardins do Quai Branly antes de ver a exposição, e foi muito bom!! O que achei mais incrível foi perceber que é um espaço utilizado não só pelos visitantes do museu, ou turistas. Enquanto estivemos ali, vi um casal de namorados curtindo o espaço numa boa e um avô que chegou com seu netinho para sentar e ler histórias... achei tão lindo...

Jardim do Quai de Branly com Torre Eiffel ao fundo

E lá fomos nós visitar a exposição. Passados os primeiros 2 minutos percebemos que Joaquim não estava na mesa vibe... Em sua defesa, ele era a única criança no ambiente e a exposição começava com muito texto e contexto. Tudo em francês e inglês, ou seja, tínhamos que explicar tudo para ele. Em nossa defesa, estávamos interessados em tentar ler tudo com calma para fruir as obras com o devido tempo... resultado, Ismael visitou a exposição num ritmo compatível com Joaquim e eu fiquei pra trás, vendo tudo com mais calma.
* Essa primeira experiência foi bem importante pra determinar nossas próximas visitas a museus e exposições!!

Joaquim e as máscaras primitas

Saindo do Museu nos separamos. Ismael seguiu para o local do espetáculo e eu e Quim pegamos o caminho de volta para casa. Deu um frio na barriga. Primeira vez que ia cada um para um canto... será que ambos temos os códigos de entrada do prédio? Será que estamos com os passes de ônibus e metrô? Será que Ismael tem o ingresso? A chave do apê está comigo? E o mais engraçado foi que ambos sentimos isso ao mesmo tempo, como constatamos mais tarde.

Pra mim especialmente, bateu a insegurança em relação a encontrar o ponto de ônibus no sentido correto depois que eu e Joaquim saíssemos da estação de metrô. Isso seria na praça Republique, uma das maiores e mais movimentadas de Paris. Combinei com Quim que sairíamos da estação de metrô e procuraríamos a parada de ônibus, se não encontrássemos, a ideia era voltar e pegar outro metrô até perto de casa. Foi a melhor decisão, justamente porque não encontramos a parada de ônibus e tivemos que caminhar pela praça para procurá-la. Assim encontramos uma área de jogos para les enfants, super legal!! Eram várias estações com jogos de montar, com muitas peças, para as crianças se esbaldarem. Joaquim ficou um pouco tímido de início, mas logo percebeu que podia pegar tudo e brincar mesmo e sijogou na brincadeira. E eu amei!!! Fiquei na volta tentando entender aquela maravilha e percebi que era um programa de férias de verão bancado pela prefeitura, com parcerias, que disponibilizava jogos para todas as idades. Vi que tinham também jogos de tabuleiro e mesinhas para o pessoal se abancar e usar a vontade. Super legal!!

Brinquedoteca ao ar livre na Republique





Quando Joaquim cansou de brincar, seguimos para casa. Achamos o ponto de ônibus!!! Mais tarde Ismael voltou do espetáculo e foi bem gostoso partilharmos de experiências inéditas e autônomas vividas neste segundo dia de Paris!! Principalmente porque amanhã será o meu dia de assistir ao espetáculo de dança e Ismael já me deu todas as dicas!! he he...

Seine Musicale de Paris - um novo espaço destinado a espetáculos na cité, desde abril de 2017.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Dia 01 - Realizando desejos!

Dormimos bem. Todos. Acordamos e dormimos várias vezes ao longo da manhã. São 5 horas de fuso e as tantas da viagem, sem contar nosso terrível hábito de na véspera ficar fechando malas e dormir ínfimas horas. Mas foi tão bom acordar em Paris! E bom acordar e não precisar sair correndo de casa pra aproveitar o tempo. Por que tempo teremos.

O café da manhã foi meio almoço. Mas como não tomar algum destes iogurtes maravilhosos daqui?
Antes de viajarmos, conversávamos em casa fazendo planos, falando das comidas bobas que compraríamos assim que chegássemos, dos lugares que gostaríamos de ir... Joaquim, entre resquícios de memórias próprias e inspirações que sugeríamos, também foi construindo seus planos e alimentando desejos. Hoje então foi dia de Joaquim realizar um dos seus: visitar o Museu de História Natural, exposição de Paleontologia e Anatomia Comparada. 

Pensamos em ir de ônibus, mas teríamos que trocar. Daí resolvemos ir de metrô, acabamos mudando os planos no caminho e alteramos a rota pra não demorar tanto, tomamos três metrôs diferentes.Tudo tão rápido, ágil... Daí nos demos conta dos novos tempos em que vivemos. Ainda da última vez que estivemos em 2014, Joaquim usou carrinho aqui. Com 4 anos, no Brasil, poucas crianças ainda andam de carrinho, mas pra Paris? Totalmente dentro do perfil. Como passar o dia batendo pernas pela cidade com um meninão? Isso significava muito esforço e malabarismos nas escadarias das estações de metrô principalmente. Mas agora os tempos são outros. Sem carrinhos!!! Basta subir e descer escadas sem precisar manobras e carregamentos!

Pessoal compenetrado no metrô, a caminho do Museu de História Natural


Descemos na Gare de Austerlitz e logo demos de cara com o Jardin des Plantes e o prédio que nos interessava. Joaquim estava eufórico. Antes de sairmos, baixamos um aplicativo que mostrava alguns animais da exposição, o que ele logo devorou. Ele foi preparado para a visita, levou seu seu Manual da Pré-história e um Diário de Paleontologia que está fazendo, pra pesquisar e fazer registros importantes!


Dentro do museu, sabe o que é uma criança feliz? Olhando tudo atento, empolgado, reconhecendo animais, concordando com os nomes nas plaquinhas de identificação (escritas em francês e/ou latin), explicando para nós coisas que nunca ouvimos falar. Preciso dizer que era de encher o coração de alegria por dar esta oportunidade a Joaquim?

A realização em pessoa!

Joaquim feliz da vida reconhecendo os fósseis vários dos seus amados dinos!

Tivemos aulinha particular com nosso pequeno nos explicando várias coisas!





Deixamos o museu depois de quase 90 minutos. Vagamos pelo Jardin sempre lindo. De repente, um carrossel com animais e dinossauros. E lá vai Joaquim pro primeiro carrossel da temporada. Montou no quê? Num tricerátopo, é óbvio.





Sentamos num banquinho, cansados, claro. Matamos o resto da batata frita da Ponts des Arts. E seguimos rumo ainda ao reencontro desta velha senhora francesa. Tomamos rumo pela margem do Sena, sem tempo, indo, chegando, ainda flertando, ainda reconhecendo e querendo ser reconhecidos. Passamos pelo “Musée de la sculpture en plein air” [Museu de esculturas ao ar livre], uma região à margem do Sena onde estão distribuídas varias esculturas de diferentes artistas. Sentamos para ver o rio, abanar para mais tursitas felizes em seus barcos turísticos, tomar um fio de sol na cara. Chegar. Estar.

E flanando seguimos beirando o rio, vendo os barcos estacionados enquanto nos aproximávamos pouco a pouco, por trás, vendo a exuberância de Notre Dame. Nós olhando pra ela, ela sem nos ver chegando. Nós ali, quase que de surpresa pra lhe dar um abraço gentil.Decidimos dar uma entrada, pra ver os vitrais no sol do fim do dia (já era quase 19h), mas já havia fechado, danadinha.





Satisfeitos e famintos, tomamos um metrô e resolvemos sair na Boulevard de Belleville. Saímos bem ali, pertinho de nossa antiga escola de francês, sabendo que logo adiante, rumo de casa, haveria um Lidl, um mercado que os imigrantes e estudantes gostam muito (por que é barato). Fizemos a festa e seguimos a pé até em casa.
Cansados. Felizes.
Com mais cheiros, mais gostos, mais sons, mais luzes na cidade luz

Foi um dia muito bom!