retrospectiva

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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Diferentes olhares sobre a cidade...

Uma, dentre tantas outras coisas em comum, que Ismael e eu temos é o gosto pela viagem, pelo novo destino, pela exploração... não sei se sempre tivemos, ou se criamos este gosto juntos, mas fato é que hoje esse é um dos prazeres que nos movem. Desde escolher o destino, pesquisar sobre, planejar a viagem... tudo é gostoso, e já faz parte da viagem. Mas também sei que isso é muito particular, no sentido de que cada pessoa vivencia tudo isso de seu jeito, curtindo mais ou menos. Tem gente que gosta de viajar, mas não de gastar tempo com a preparação da viagem, para isso existem as agências, que facilitam em tudo esse processo; tem gente que gosta de fazer viagens bem específicas: roteiros gastronômicos, roteiros de compras, roteiros culturais; tem gente que só viaja de mochilão; e assim por diante. É natural desenvolver seus próprios "métodos" e gostos e etc. Mas tô filosofando sobre tudo isso porque esta semana tivemos contatos com vários viajantes, e é super interessante trocar impressões sobre o que estamos vivendo. Na verdade, Ismael e eu nos flagramos num papel inédito para nós: o de anfitriões de viajantes ávidos por conhecer o lugar que nos é tão "familiar".


Não é por acaso que este "familiar" está entre aspas. Paris é nossa casa, nossa cidade, nos é familiar sim, com certeza... mas ainda nos sentimos super viajantes passando por aqui. Ainda temos zilhões de coisas para ver e conhecer. E quando recebemos visitantes aqui é que mais nos damos conta disso, porque nossa tendência é levar ou indicar os lugares mais cotados, mas simbólicos da cidade. Imagina vir a Paris e não ir na Torre Eiffel??!?! Mas ainda há tanto para ver além da torre... e apesar de sabermos disso, a coisa fica mais evidente quando num encontro rápido para conhecer minha xará, Aline Bretas, saímos andando pela rua e, por indicação dela, entramos numa loja que estou querendo visitar desde que chegamos e ainda não tínhamos ido. Tá, o dia não estava para compras, mas a vontade de voltar lá com calma cresceu. Ou quando, conversando com nossa amiga Kaká, ela menciona o croissant com frutas secas, m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-o que ela experimentou em tal lugar, nós ainda não conhecíamos, deu vontade de experimentar; ou ainda, quando meu irmão vai conhecer o Marché des les Enfants Rouges, e nos diz que é um lugar bem legal para ir almoçar num dia de fazer algo diferente.

Joe e Vivi chegando em Paris


Com Joe e Vivi em Montmartre

Roger e Karina vieram almoçar conosco depois de um dia INTENSO em Paris... he, he...


Conhecendo minha xará Aline



Claro que nesses 6 meses de Paris, nós descobrimos nossos pequenos tesouros, como a livraria especializada perto do Odeon, o Promenade Plantée aqui perto de casa, o Canal Saint Martin para caminhar num domingo, as lojas de brinquedos de madeira, a ilha dos cisnes perto de nosso antigo endereço, o buffet a la volonté de comida chinesa aqui perto de casa, o mercado Bio, a médiatheque com espaço jeunesse para crianças de 0 a 3 anos na esquina de casa, etc e etc e etc... mas o ponto é que cada um tem seu próprio olhar sobre um lugar novo. O que se quer conhecer, o que se quer fazer, onde se quer estar quando chegamos numa nova cidade é algo pessoal, e é aí que está a riqueza do nosso novo papel neste mundo de viajantes, o de anfitriões. Anfitriões que recebem pessoas e diferentes experiências com a cidade... e que venham os novos olhares sempre!!! Ontem meu irmão e Vivi partiram e daqui a quatro dias chegam as próximas visitas: Ula e Levi, já estamos lavando os lençois!!! he he...

Bom, mas deixa eu contar que essa empolgação toda com novos olhares e viagens e destinos e coisa e tal, para além das visitas que ainda virão, é também muito motivada porque hoje definimos nosso próximo "pé na estrada". Compramos as passagens para nossa próxima viagem de "férias": Itália e Grécia, aí vamos nós!!! Agora é pesquisar, planejar e sonhar... AMO!!!

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Mudança feita. Casa nova.

Foi uma aventura e tanto.

Alugar o carro foi a melhor coisa do mundo! Facilitou tudo e ainda nos possibilitou um passeio meio encaixado nos planos, já falo mais... Mas, falando um pouco da mudança, quando se tem um bebê é preciso traçar toda uma estratégia de ação para estes momentos. Nunca esqueço de quando eu tinha 10 anos de idade e meu irmão caçula uns 9 meses e nos mudamos. Na verdade não lembro de muita coisa, o que lembro é da minha mãe estriquinada porque saímos da casa antiga, chegamos na casa nova e não tinha onde deixar o bebê!!! Cadê o bebê confortooooooo?!?!?! (vc lembra disso, mãe?). Em sendo assim, colocamos os miolos para funcionar para ver como faríamos: não dava para deixar o carro sozinho na entrada da garagem (ah, é claro que não tinha vaga na rua...), então um de nós ficaria ajeitando as coisas no "caminhão" (um Kangoo na verdade) enquanto o outro faria as mil viagens de elevador para descer com as coisas. E Joaquim? A solução foi: berço + BabyTV = bebê entretido. Quando saí da loja onde alugamos o carro liguei para o Ismael. Aí ele já foi juntando coisas no corredor e tratando de ver se Joaquim ficaria brincando no berço numa boa. Diz que deu uma reclamadinha de nada, mas logo tava todo envolvido com os brinquedos dentro do berço e se distraindo com a TV de vez em quando. Carregamos o carro, ficando berço e Joaquim por último. Tudo certo e relativamente tranquilo. Foi um bom trabalho de equipe!

Tínhamos um intervalo entre estar com o carro carregado e a hora de entrar no novo apartamento, então resolvemos aproveitar o possante para ir a uma IKEA, loja de coisas (tooooodas as coisas) para a casa, coisas legais, bonitas e mega baratas. As lojas da IKEA são gigantescas e ficam fora da cidade, então consultamos um mapa para achar a mais próxima, o santo GPS nos levou lá. Foi uma ótima maneira de preencher o tempo. Compramos várias coisas que precisávamos (e outras que nem precisávamos, he he...) e ainda tínhamos uma ótima estrutura ao nosso dispor. Nas lojas sempre tem uma praça de alimentação com um restaurante bem bonzinho, cadeirão para os bebês, área de lazer para crianças, microondas para aquecer papinha, fraldário, etc. Na hora combinada seguimos para o novo apê. O propietário nos recebeu, ele e a esposa são bem legais e eles tem um netinho um ou dois meses mais novo que Joaquim, é o Akim!! Logo descarregamos o carro e a vontade de ficar para nos instalarmos devidamente era grande, mas o dia ainda estava longe de terminar. Fomos devolver o carro e encontrar com a antiga proprietária para os acertos finais. O último encontro com ela foi bem agradável, ela parecia realmente sentida de estarmos partindo, eu quase disse pra ela "dá um descontão aí no aluguel dona, que a gente fica!", rssss... Noite alta e finalmente chegamos em nosso novo lar!

Acho que é inevitável a gente comparar um lugar com outro. Fizemos isso na primeira mudança e fazemos isso agora. Principalmente porque gostamos bastante da última morada. Quanto ao apartamento, o anterior tinha a grande vantagem de ser recém montado para alugar, fomos os primeiros locatários, então era tudo novo e, apesar de todo mobiliado e equipado, tinha pouquíssimos objetos ocupando espaços. Aqui é um apartamento não apenas para locação, a proprietária mora aqui durante parte do ano. Então as coisas são mais usadas e tem muuuuuitas coisinhas ocupando os espaços nas estantes, e armários! Tem dois armários trancados com as coisas dela, então a gente foi meio que se espremendo para ajeitar nossas coisas. A primeira coisa que fizemos foi fotografar a "arrumação" dos ambientes e depois tratamos de recolher os zilhões de objetos de decoração e souvernirs de viagens para abrir espaço. Quanto a área do apê, é equivalente ao anterior, Joaquim continua com uma sala espaçosa para brincar, o quarto é pequeno mas coube o berço além da nossa cama e um armário e uma estantezinha que, por ser baixinha, ficou para os brinquedos e calçados do Quim, e a diversão dele é ir lá tirar tudo da estante, é lógico! O banheiro é dividido, agora temos o que estamos chamando de sala de banho, com banheira e pia (ah, continuamos sem chuveiro!) e o toilette, um espacinho minúsculo mas suficiente para o fim que lhe cabe. Uma das coisas que achamos bem legal é que a cozinha e sala são integradas por uma "janela" com balcãozinho, então dá pra ficar sempre de olho no Joaquim. E embora a cozinha não tenha porta, estamos conseguindo mantê-lo do lado de fora com muita paciência e ajuda de uma linha que demarca território, tem funcionado. Algumas das grandes vantagens daqui são o gás central, então não temos esta despesa extra, e a calefação que aqui é muito mais eficiente que no apê anterior.

Quanto à região onde estamos agora, o 12éme arroundissement, é bem diferente do 15éme. Aqui tem avenidas mais largas, tudo parece maior, mais movimentado, menos aconchegante. Não estamos tão bem providos de comércio pertinho como era antes. Mas aos poucos vamos descobrindo os tesouros da vizinhança. No dia seguinte a nossa chegada saímos para explorar o bairro. Ficamos maravilhados com a descoberta do Promenade Plantée, um parque suspenso, com 4,5km de extensão que passa por cima de prédios e ruas, é lindo, e tão perto quanto era o parque André Citröen do antigo endereço. Outro dia caminhamos até o parque Bercy, uma caminhadinha um pouco mais longa, mas bem agradável. Já era noite quando chegamos lá e tinha uma multidão saindo do Palais Ominsport Paris Bercy, mais tarde em casa, vimos na televisão que teve uma competição internacional de judô lá, e a brasileirada se deu bem! Encontramos também a Cinematheque Française, um espaço bem legal com várias atividades interessantes. Enfim, era noite e voltamos para casa, mas tem mais coisa para explorar por lá. Quando penso que aqui é onde vamos morar por mais tempo fico feliz, porque parece que já estamos aqui há uma eternidade e ainda tem um tantão pela frente. Que bom!

E esta semana também fui fazer um teste de nível na escola da prefeitura para retomar o francês. A prova foi tensa, nem tanto por ser difícil, mas porque eu cheguei super em cima da hora, e tinha duas inspetoras que ficaram de blablabla o tempo todo, difícil concentrar desse jeito. E as entrevistas, para a parte oral eram ali, na frente de todo mundo. Cada vez que alguém ia lá na frente eu ficava toda nervosa "tomara que não me perguntem isso!", "eu não vou conseguir dizer nada!"... mas no fim nem foi o bicho, bati um papinho básico lá com as tias. Agora é esperar o resultado, as aulas começamo no fim do mês. Ismael e eu trocamos de escolas e de horário, eu vou estudar de manhã, na marie (prefeitura), e ele está fazendo à tarde, no Campus Langue, inclusive com o mesmo professor! Mas já combinamos que se eu pegar o professor que dava aula para o Ismael eu fujo!!!! Vou para o Campus Langue também, porque o cara era muito devagar, segundo testemunhas.

E para dar uma agitada no pedaço, fim de semana chegam gentes por aqui. Sábado vamos encontrar minha xará, Aline Bretas que está vindo passar uns dias em Paris, vamos acompanhá-la até o hostel, bater um papo, etc. E ela só não vai ficar aqui em casa porque no domingo chega meu irmãozinho queridooooo, ai acho que vou chorar, encontrar alguém da minha família depois desse tempo todo... já tivemos o Matheus conosco e foi uma delícia sentir a presença da família. Estamos cada vez mais saudosos... e pra completar a semana, na segunda chega nossa queridíssima mais que amiga Kaká, com quem vamos dar uns rolé por Paris durante a semana.

É isso, e que venham mais dias felizes!


Caminho para Bois de Vincennes

Promenade Plantée


Promenade Plantée


Nosso novo lar (vista da nossa varanda, prédios vizinhos no condomínio)

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Novos tempos...

23 dias se passaram desde o fim das férias... e estes dias também marcam o começo de um novo tempo aqui em Paris. Neste mês de janeiro eu voltei a ser uma "trabalhadora do Brasil", literalmente, pois estou prestando um serviço para a empresa na qual trabalhava lá (um dos motivos de o blog estar meio às moscas...). Além da novidade na rotina, onde troquei os estudos pelo trabalho (ainda não voltei para as aulas de francês), também demos início à temporada de visitas no "cafofo". Quem inaugurou o saco de dormir foi nosso sobrinho Matheus (agora assustei as próximas visitas!!... Yes, nós temos um saco de dormir! he he...). Matheus veio com um amigo, também Matheus. Foi uma semana divertida, dois adolescentes/jovens, em casa (nossa, agora me senti a tia véia...), trazendo uma agitação diferente, gostosa aqui pra dentro e também nos motivando a rever Paris em alguns aspectos. Essa é uma das tantas coisas gostosas de receber pessoas aqui, a gente adora pensar em roteiros legais, coisas interessantes para ver e fazer, alguns programas a gente acompanha, outros só dá as dicas e espera pra saber depois qual foi a sensação. Acho que os meninos curtiram, nós curtimos. Os próximos visitantes serão meu irmão e a namorada, chegam em duas semanas. E Ismael e eu já estamos mirabolando tudo de legal que vamos fazer juntos!!

A visita dos Matheuses

Nosso "sombrinho" querido

Outra coisa que faz parte desse novo tempo é nossa mudança de apartamento. Estamos com o coração apertadinho por deixar nossa amiga Torre Eiffel, temos mais três dias com esta vista privilegiada. Hoje, quando as luzes da Torre se acenderam no final da tarde, eu estava trabalhando no computador, parei tudo e fiquei olhando pra ela durante os 5 minutos em que as luzes piscam... mas não é só disso que sentiremos falta, morar aqui é legal por vários motivos, estamos super adaptados ao apê, a região aqui é uma delícia, tem um parque gostoso a dois minutos a pé, tem uma feirinha bacana na rua toda terça e sexta, tem 5 supermercados pertinho, o Rio Sena fica no final da rua, tem duas pracinhas com brinquedos pertinho... enfim, é o paraíso, he he... MAS, ao mesmo tempo em que o coração tá apertadinho, também está palpitante, afinal ainda é Paris!!! Iremos apenas do 15éme para o 12éme (quem já viu o mapa da cidade em caracol, com sua divisão em arroundissements tá entendendo) e quando penso que ao vir morar aqui nós não sabíamos que seria tão gostoso, imagino que isso pode acontecer novamente, afinal, ainda não conhecemos a região onde vamos morar. Bom, o Ismael já foi lá uma vez, encontrar-se com os proprietários e disse que gostou da região e do prédio, mas conhecer mesmo a gente vai quando estiver morando. É aí que a gente descobre onde é a pracinha mais próxima para levar Joaquim, quantos marchés tem nas redondezas, etc. Já ouvimos algumas pessoas que moraram por lá nos falando super bem, o que é animador. E o apartamento tem praticamente o mesmo tamanho deste aqui, só uma varanda ao invés de terraço e sem vista para a Torre, he he...
E não é pra deixar saudades uma vista dessas?!?!

Ponte Mirabeau, pertinho de casa

Passeando nas redondezas

Nessas horas penso como a gente vai ficando exigente... antes de vir para cá eu bradava com orgulho que qualquer 20 metros quadrados tava valendo pra gente morar aqui, afinal estaríamos em Paris. E lembro de Ismael dizendo que se a gente tivesse dinheiro para comer só pão com geléia já tava ótimo, afinal seria baguette au confiture. Mas quando a gente tá aqui de verdade vê que as coisas não são bem assim, percebemos rapidinho que se morássemos num cafofo de 20 metros quadrados, geralmente estúdios de uma peça mais banheiro, ficaríamos LOUCOS, afinal temos um bebê que dorme às 20hs e faz sonecas durante o dia... e de vez em quando alguém na família quer domir um pouco mais de manhã, o que 1 quarto no apê permite tranquilamente, enquanto o resto da família vem brincar na sala. E quanto à baguette au confiture também descobrimos rapidinho que com os mesmos dinheiros que comeríamos isto todo dia, podemos comer outras coisas também, he he... aqui é o paraíso das opções práticas e não tão caras para refeições em casa. No fim, nutrimos um certo grau de exigência justificável, afinal, uma vez que chegamos até aqui, que venham dias felizes!!!

Para a mudança, desta vez vamos trocar o trem por um utilitário alugado por 30 pilas por um dia, afinal ninguém merece sair carregando cadeirão, berço e varal no metrô, né não? Estamos bolando estratégias para o dia D, porque temos a grande dificuldade de não ter onde estacionar aqui para carregar o carro, vamos ter que ficar alugando a entrada do prédio, porque vagas na rua são utopia, mas considerando o movimento da garagem aqui, também acho que não será problema parar na entrada por meia hora. Nestes 4 meses aqui eu nunca vi um carro entrando ou saindo da garagem. Aliás, acho que os parisienses tem carros só pra deixar estacionado alugando vaga na rua, porque são sempre os mesmo carros parados aqui na frente (momento indignação). Inclusive meu cunhado já me sugeriu escrever aqui sobre essa questão da mobilidade em Paris - carro, bicicleta, pézão... - é um assunto legal, vou escrever qualquer hora. Bom, voltando a mudança, a chegada lá acho que vai ser mais tranquila neste sentido pois já combinamos com os novos proprietários que eles abrirão a garagem para descarregarmos.

Mudando de caixa de mudança para pasta escolar, hoje chegaram nossas respostas do Curso da Prefeitura, onde nos inscrevemos para o francês. Desta vez eu também entrei, uhuuu... vou ter que fazer uma prova de nivelamento e ver quando começam as aulas. O Ismael por sua vez, foi aceito mas vai optar pela escola que eu frequentei até o final do ano, a Campus Langue, isso porque ele tá querendo dar uma intensificada nas aulas, para melhorar o aproveitamento na pesquisa. Essa coisa da língua tá me deixando cabreira, a essas alturas eu jurava que já estaria fluente no francês, mas nem... aliás, eu regredi total... meu cunhado, de novo ele, diz que sofre quando falo da dificuldade com a língua aqui, rsss... então aí vai Nataniel, mais uma capítulo da novela... Acontece que desde que viajamos, em meados de dezembro eu nunca mais estudei lhufas! Em Portugal, adivinha? Só falamos português. Na Espanha, Ismael era o porta-voz da família, ou eu arriscava meu inglês. E desde que voltamos eu só converso com Joaquim (e o menino não fala francês fluente ainda!!!) e com Ismael, em português. Além disso meus contatos são online, em português, e o povo da quitanda, mercado, boulangerie: "Boujour!!", "Merci beaucoup", "Combien ça coûte?", "Bonne journée!". Isso eu sei dizer fluentemente. Bom, justiça seja feita, eu compreendo a língua francesa 70% melhor do que quando chegamos aqui, dia desses uma senhora se encantou com o Joaquim no mercado e brincou com ele e depois me falou que ele era lindo e muito bem humorado e que ela não suportava criança que abre o berreiro quando fala com ela e... parou por aí... as duas últimas frases eu não entendi. Ela deve ter percebido, pela minha cara e pelo fato de eu só concordar com a cabeça e dizer no máximo "Oui!", "Merci"... afffe... até vir para cá eu não acreditava que fosse possível morar num país por um tempo e não voltar falando a língua de lá. Hoje em dia eu acredito totalmente!! Ainda mais quando Ismael me conta de colegas dele do curso de francês que moram aqui há três anos e falam menos do que ele. Alors, não tô querendo chorar pitangas, tô só fazendo um balanço e assumindo: PRECISO ESTUDAR!!! E sei também que não é só estudar, tem que conversar, encontrar pessoas pra falar francês...

Esta semana veio um povo aqui em casa, colegas do Ismael. Cada um de um canto do mundo: Itália, Peru, Coréia, Canadá, Suiça, Áustria, Croácia e... Brasil! A língua oficial da noitada, ou soirée, era o francês. Mais entendi do que falei, e ainda assim foi uma noitada boa. Mas me deu o clic de realmente preciso voltar aos estudos. Voi lá! C'est le moment!!

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Fim de férias...

Estamos indo para os finalmentes de nossa viagem por Espanha e Portugal. Hoje é nossa última noite em Córdoba, Espanha. Amanhã iremos para Lisboa, previsão de quatro horas na estrada mais ou menos, vai depender do que nos chamar pelo caminho, he he...
Estamos muito cansados, mas também realizados. Apesar dos percalços - lombalgia do Ismael, passaporte "desaparecido" por uma noite, frustração com o hotel em Granada (histórias que Ismael conta no Querido Joaquim) - o saldo até aqui é pra lá de positivo. Visitamos lugares maravilhosos, fizemos viagens deliciosas por estradinhas surpreendentes, nos demos super bem com as reservas de hotel que fomos fazendo ao longo da viagem (com excessão do hotel em Granada), e o aluguel do carro foi bem tranquilo, achamos o preço bom, considerando o tempo de aluguel (serão 19 dias no total). Um dos nossos projetos de viagem durante este tempo de Europa, era fazer justamente isso, alugar um carro e perambular. E vimos que é pas de complication (sem complicação). No final do post vou deixar algumas dicas para quem quiser fazer proveito.

pé na estrada...

Passar tantos dias viajando é bem interessante. Primeiro pelas razões óbvias: se aprende muito, são muitas coisas novas, lindas e curiosas para se ver, etc. Mas outra faceta desta experiência são coisas que a gente observa e descobre e que não estão nos guias de viagem

  • é interessantíssimo observar as diferentes "tribos" de viajantes. Nos deparamos com muitos traillers pela estrada, casais de meia idade que se aventuram pela estrada em seus traillers maravilhosos ou famílias alternativas de pais meio bicho grilo com três ou quatro "barrigudinhos" a bordo de um motorhome velhinho, pequeninho, mas honesto. Vimos uma família assim num trailler estacionado na Ponta da Piedade, Portugal, era divertido de ver, motoquinha dos pequenos pendurada no trailler, as crianças brincando na volta, pai arrumando alguma coisa na casa-carro da família e a mãe lavando uma loucinha básica na bacia, é muito espírito aventureiro, né não?; e falando em pais viajantes, ficamos admirados com a quantidade de casais com dois, três, quatro filhos pequenos turistando por aqui! É um no canguru, outros dois no carrinho duplo e o maiorzinho caminhando junto, lindo de ver!; tem ainda os mochileiros, com os quais nos deparamos pouco, uma vez que nossos tempos de albergue ficaram para trás desde a chegada de Joaquim e esta tribo também circula mais de busão ou trem do que de carro; e falando em albergue e hospedagem e afins, graças ao Destinia.com (mais informações no final do post) nós não só deixamos nossos tempos de albergue para trás como também tivemos a oportunidade de nos hospedar em um ou outro hotel 4 estrelas e assim nos deparamos com mais uma tribo de viajantes, a dos endinheirados. Do tipo que chega na recepção para fazer o check in e diz que prefere quarto com vista para o rio, mesmo que isso signifique pagar um tantão a mais, e confirma o jantar de reveillon que o hotel oferecerá ainda que isso signifique desembolsar 150 euros por cabeça e que na manhã seguinte desfila pelo saguão do hotel com a esposa embrulhada num casaco de vison; ah, e tem também as pessoas que viajam com seus animais de estimação, achamos engraçado ver cãezinhos fofinhos, outros nem tanto, visitando pontos turísticos aqui, lá e acolá... vimos de tudo um pouco, e cada qual no seu "quadrado".
  • Uma coisa sobre a qual tínhamos lido e ouvido falar, mas que nos deixou pasmos, foi a tal hora da siesta na Espanha. É incrível como isso é real e forte e determina o ritmo de toda uma cidade! O primeiro contato que tivemos com esse fenômeno foi em Jerez. O hotel não tinha garagem (o que é bem comum por aqui, lembrando que muitos hotéis ficam nos centros históricos) então deixamos o carro na rua. Chegamos por volta de 14h, e a recepcionista do hotel nos disse que até às 17h o estacionamento na rua era gratuito, por causa da siesta (entre 13h30 e 17h), mas depois, das 17h às 20h precisava pagar o estacionamento no parquímetro. O comércio todo fecha, as igrejas, museus, mercados... a cidade fica às moscas!! É incrível. Eu não cansava de me perguntar o que as pessoas fazem nesse tempo... segundo conclusões e leituras de Ismael, elas almoçam com muita calma, tiram a tal soneca depois do almoço, se escondem do calor absurdo que faz aqui na maior parte do ano e depois retornam à vida, e com o maior gás, porque a cidade ferve à noite!
  • Eu fiquei admirada com a maneira como se vestem as crianças por aqui, sabe roupa de domingo? Aquele vestidinho mais fofo, o lacinho mais lindo, o sapatinho boneca mais brilhoso, o casaco mais charmosinho... vi muuuuuuuitas meninas vestidas assim, e muuuuuuuitas lojas vendendo roupas assim. E meninos com bermuda de lã e meia calça... só tinha visto isso em filme!

Crianças embonecadas na Espanha

  • Dirigir pelas autoestradas, ou mesmo pelas estradas secundárias por aqui é super tranquilo. Até vimos algumas placas de "estrada em mau estado", mas o mau estado deles é a nossa estrada boa (não ótima) no Brasil. Mas quando chegamos nas cidades, a coisa muda de figura. Ao chegar em Sevilha, o GPS nos fez atravessar o centro antigo para chegar ao Hotel (sendo que existe uma via periférica que circunda toda a cidade). É punk dirigir naquelas ruelas estreitíssimas, onde às vezes os carros vão e vem nos dois sentidos... não sei como chegamos, só sei que fomos nos embrenhando e várias vezes tínhamos a sensação de estar circulando pela calçada, outras vezes precisamos manobrar para fazer a curva em esquinas onde tinha camadas de tinta dos carros raspadas na parede dos prédios históricos, foi uma aventura e tanto! E isso foi uma constante em todas as cidades pelas quais passamos, desde Lisboa em Portugal.


Tem que ter uma certa dose de coragem pra dirigir nessas ruelas...


Bom, isto para listar algumas das coisas curiosas e interessantes com as quais nos deparamos. Pra terminar vou deixar algumas das dicas que nos foram muito úteis:

Em Portugal o aluguel de carro é bem barato, comparando com França. Nós alugamos pela viaturas.eu, preço bom, mesmo com cadeirinha para Joaquim e GPS pagos à parte.

Para fazer reservas nos hotéis durante a viagem, usamos o site destinia.com. É fácil de navegar, bem informativo e, o melhor, tem preços de ocasião, ofertas em hotéis 4 estrelas que ficam bem mais barato pela internet. Na hora da reserva é sempre importante pedir reserva de berço (quando se precisa de um , he he...) pois aconteceu de chegarmos num hotel (o fadado hotel de Granada) e não haver berço disponível.

Quando se viaja de carro assim, é legal planejar trechos não muito longos para cada dia de estrada. Isto porque trechos curtos não significam necessariamente viagem rápida. Principalmente quando quem está no carro se deslumbra facilmente com paisagens e belas vistas no caminho, o que é nosso caso. Mas vamos e venhamos, a gente tá lá tranquilão, dirigindo numa estrada deliciosa e de repente dá de cara com um castelo inscrustrado no topo de um monte e uma cidadezinha branca aos seus pés. É lindo demais! E assim vamos incluindo mais umas cidadelas no nosso roteiro...

Foi viajando sem pressa que fotografamos o Castelo de Alcalá la Real...


... e conhecemos a cidadezinha de Belmez, com sua geografia pra lá de interessante!

Para bater perna nos lugares que se quer visitar, quando se está com um bebê, é legal procurar informações sobre o que se vai encarar, se tem muitas escadas, se o trajeto é difícil, etc. para fazer a melhor opção entre carrinho ou sling, ou canguru. Por que ninguém merece ficar carregando carrinho escadarias acima, e abaixo, o tempo todo. Ah, e mesmo quando a gente pensa em dar só uma saidinha rápida, logo ali, é bom levar todo arsenal para passar horas com o baby na rua, porque a gente se perde facinho no tempo e no espaço!

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Desbravando Portugal

Uma das coisas boas de estar na Europa durante um ano, é a possibilidade de circular pela Europa durante este tempo. Afinal, ir para Budapeste, conhecer o interior da França ou explorar Portugal e Espanha partindo de Paris é bem mais fácil, e barato, do que partindo do Brasil! E voi lá, estamos exatamente em uma destas "possibilidades". Aproveitando um período de férias dos cursos, voamos até Lisboa, onde alugamos um carro. Estamos aqui há uma semana e, por enquanto, circulamos por Portugal: Lisboa, Sintra, Oeiras, Óbidos, Alcobaça, Cabo da Roca. Queríamos ter ido até Porto, mas uma lombalgia desavisada derrubou Ismael, que ficou praticamente de cama enquanto Joaquim e eu visitamos o Mosteiro em Alcobaça. Foi muito de repente, chegamos a ir em um médico, que prescreveu repouso, banho quente, anti-inflamatório e em três dias, quiçás uma semana Ismael estará novinho em folha. Tadinho, tá caminhando feito um velhinho e sente bastante dor. Esperamos que até o final de semana esteja bem melhor, pois ainda pretendemos seguir para a Espanha!


Nosso Q.G. aqui em Portugal é Lisboa, na casa de nosso amigo Carlos, com quem celebraremos o Natal. Ele tem sido um querido nos recebendo e nos levando a todo o canto em Lisboa, feliz da vida em nos apresentar a cidade onde mora há seis anos. E nós estamos amando conhecer Portugal, que entrou nos nossos planos de viagem meio por caso, já que tínhamos um amigo aqui... mas tem sido muito bom estar numa terrinha onde conseguimos nos comunicar tão facilmente, onde entendemos (quase) tudo e ainda por cima tão cheia de belezas e recantos para a gente explorar.


De uma forma geral, temos achado os portugueses muito calorosos e simpáticos, os preços aqui são ótimos (comparado a Paris), as estradas são maravilhosas para dirigir, mas acho que isso é uma constante na Europa. Só é preciso ficar atento aos pedágios! Tivemos que pagar uma multa de 43 euros porque passamos num lugar onde tínhamos que pegar um "título" num caixa automático e apresentá-lo na próxima praça de pedágio... não sabíamos, e distraídamente eu passei na via liberada para quem tem cadastro e passagem livre no pedágio. Quando chegou a hora de apresentar o título, não tínhamos nada... dançamos! Aqui também podemos matar as saudades das novelas brasileiras (oi?) e assistir televisão sem esforço para entender o que se fala. O inverno não é a melhor época para se fazer turismo em lugar nenhum do mundo, aqui as temperaturas estão mais amenas do que em Paris, mas tem chovido bastante, o que nos levou a passar uma tarde num shopping por exemplo, e olha que nós costumamos fugir de shopping centers!! Ah, e uma grande diferença que temos notado, em relação à França, é que aqui as pessoas não são tão solidárias ou condescendentes quando se está com um bebê. Eu fui visitar o Mosteiro em Alcobaça com o Joaquim no carrinho, tive que enfrentar algumas escadas e numa delas um policial quase passou por cima de mim e nem tchum de se oferecer para me ajudar com o carrinho, também recebemos várias manifestações de "ai que saco esse carrinho atrapalhando"... no mercado, em lojas... por outro lado, as pessoas se derretem com Joaquim, muita gente brinca, conversa e sorri para ele, que sempre corresponde como charme que lhe é peculiar!


Bom, quanto aos lugares que temos visitado, são várias informações e curiosidades legais, acho que não dou conta de postar tudo aqui, mas vou deixando algumas fotos para "demarcar território".

Torre de Belém, Lisboa

Mosteiro dos Jerônimos, Lisboa

Quinta da Regaleira, Sintra

Palácio Nacional, Sintra

Jardins dos Marqueses de Pombal, Oueiras

Muralha que cerca a cidade de Óbidos

Castelo, Óbidos

Mosteiro de Alcobaça

Mosteiro de Alcobaça

Mosteiro de Alcobaça, vista da nossa janela no hotel

Cabo da Roca

Farol no Cabo da Roca

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Coisas novas no mundo da neve...


Quarta-feira foi um dia pra lá de especial. Nevou, e nevou muito!!! Este é um dia da semana em que normalmente saímos um pouquinho da rotina porque nem Ismael nem eu temos aula de francês. Ismael não tem porque o curso dele é da prefeitura de Paris, e como o sistema é público segue o calendário escolar, e aqui na França as crianças não tem aula na quarta-feira! Já eu, que estudo numa escola particular, não faço aula na quarta porque o horário não bate com o curso que Ismael faz à noite (que tem a ver com sua pesquisa de doutorado), pois na quarta a aula dele começa mais cedo... bom, tudo isso pra dizer que quarta-feira foi o dia perfeito para a primeira neve mais consistente do ano, pois estávamos os dois em casa para curtir.

Acordamos normalmente e começamos o dia como sempre. Lá pelas tantas Ismael saiu para ir ao mercado "caçar" o almoço e comprar umas frutas para Joaquim. Percebi que o chuvisco que caia começava a ficar mais leve, estava virando gelinho que caia ao invés de gotinhas de chuva. Joaquim sinalizou que estava na hora da soneca, coloquei ele no berço e vim dar uma geral na baguncinha que ficou na sala. Quanto maiores e mais intensos ficavam os floquinhos que caíam, mais empolgada eu ficava e me perguntava: "cadê Ismael que não volta nunca desse mercado?!?!". Lá pelas tantas chegou o moço, com um sorrisão imenso no rosto e a máquina fotográfica, meio molhada, nas mãos. Ele, assim como eu, se empolgou com a neve que caia, e aproveitou que estava na rua para ir ao parque André Citröen, que fica há duas quadras aqui de casa. A essas alturas já estava tudo tomado pela neve, tudo branquinho, tudo lindo...

É bom ver mais gente deslumbrada com a neve... he he


E tem gente que leva vida normal... correndo no frio

Registros fotográficos devidamente feitos, ele chegou em casa, almoçamos, e até abrimos um vinho para brindar a neve! e a cada tanto de tempo um de nós ia fotografar o terraço que ficava cada vez mais branco, e nosso pinheirinho de Natal, que acumulava cada vez mais neve... e Joaquim dormia...

Começamos a imaginar se já não teria neve suficiente para um boneco lá fora... Ismael pegou um escalímetro (régua) e mediu. 7 cm de neve acumulada no nosso terraço. Acho que dá. Ele se muniu de casaco, gorro e calçado e foi lá fora. Eu fiquei aqui dentro no quentinho, só dando palpite e fotografando tudo. Enquanto Joaquim dormia...

Seguimos a dica da Mabel, com toda a sua experiência com a neve, que nos disse pra fazer uma bolinha pequena com a mão, depois colocar no chão e ir rolando, que rapidamente a bola crescia e começava a dar forma ao boneco. Bingo! Funciona mesmo. Nos divertimos muito. Rimos muito... enquanto Ismael quase congelava lá fora e eu fotografava tudo aqui dentro. E a gente querendo muito que Joaquim visse seus amiguinhos de neve "nascendo"... mas ele dormia o sono dos justos... Ismael não se contentou com um boneco, fez logo dois. Ficaram lindinhos de tudo. Batizamos de Floquim e Gelim, os amiguinhos de Joaquim.



No dia seguinte, indo para a aula de francês, pequei um jornalzinho do metrô para ir lendo no caminho. Fiquei sabendo que nossa diversão foi considerada a maior "nevasca" dos últimos 25 anos para esta época em Paris - e ainda estamos no outono! O trânsito ficou caótico, paralisou em vários trechos, muitas linhas de metrô foram suspensas, a Torre Eiffel foi fechada... e tudo isso enquanto Joaquim dormia, he he...Mas no final da tarde, quando ele acordou, levei ele até o janelão da sala para ver se ele reparava nos bonecos. Levou um tempinho, mas quando ele viu abriu um sorrisão e deu tchauzinho!! Um lindo esse meu filho...


E os dois fica lá... só de olho na gente aqui dentro...

Bom, para além de nosso deslumbre. Temos observado algumas coisas interessantes nesse novo mundo da neve:
- Já ouvimos falar muito que as calçadas e ruas ficam muito escorregadias depois da neve. É verdade, parece que estamos só esperando nossa vez de levar um tombo, he he...

- Vi na TV matérias sobre a solidariedade que surge nessa época, torna-se comum pessoas limparem as calçadas e entradas das casas dos vizinhos, principalmente quando tratam-se de idosos;

- vimos no jornal, na TV, que no dia em que nos divertimos fazendo bonecos, muitas pessoas ficaram horas paradas em autoestradas. A polícia resolveu bloquear o tráfego, porque a situação ficou perigosa. Na hora pensamos em como deve ser horrível ficar dentro de um carro, por horas e horas, cercado de neve por todos os lados. Mais tarde eu ouvi sobre alguns abrigos que existem na estrada para estas ocasiões. Se a pessoa tem a sorte de parar perto de um desses, tem um lugar quentinho para esperar.

- ontem voltando da aula, vi garis nas ruas. Mas eles não varriam as calçadas, eles quebravam o gelo com pás. Achei inusitado.

Além de quebrar gelo, eles também jogam sal na rua, para derreter o gelo mais rápido


São tantas as emoções neste mundo gelado que tudo nos chama a atenção!

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

As belezas de Paris

Agora a pouco meu telefone tocou. Eu já sabia quem era, e estava mesmo pensando em ligar pra ele... era Ismael me ligando pra falar que estava nevando, e era justamente o que eu ia contar a ele... fico pensando até quando a gente vai ficar abobado. Espero que sejo o inverno inteirinho, rssss...
Domingo que passou foi dia de museu grátis em Paris. O primeiro de mês sempre é. Este queríamos muito aproveitar pois acabamos perdendo a oportunidade em outubro e novembro, e em janeiro vamos estar viajando. O museu escolhido foi o d'Orsay, onde estão reunidas algumas das mais importantes obras impressionistas, Renoir, Monet, Manet, Degas entre outros. É muito louca esta coisa de estar diante de um original nestes tempos de reproduções ilimitadas e estampadas nos mais variados suportes. Estamos tão acostumados a nos deparar com, por exemplo, as bailarinas de Degas em camisetas, bolsas, quadrinhos, etc. que é difícil lidar com o que se sente diante do original. Eu só conseguia pensar: "há mais de 100 anos atrás, Edgar Degas estava assim como eu estou, parado diante desta tela... ou melhor, ele estava produzindo esta tela para a qual eu estou olhando agora...". É de pirar o cabeção!! Pra mim é mais ou menos como uma viagem no tempo. Olhar para aquelas pinceladas e pensar na revolução visual e estética que elas provocaram... Não dá pra ficar indiferente, esses momentos fazem bem para a alma e para o espírito! he he...
Depois do museu fomos para a Avenida Champs Elysées, ver a feira de Natal. Eram 17h30 e já estava escuro. Ótimo, assim poderíamos admirar as luzes e decorações natalinas. E está tudo lindo!! Tudo muito iluminado, bastante variedade nas banquinhas e muuuuuuita gente!!! Estava fazendo muito frio, por isso nós vimos a feira en passant, nem fizemos comprinhas. Nem pensar em tirar a luva para pegar o dinheiro na carteira!!! he he he...
Enquanto caminhávamos lá aconteceu um episódio engraçado. Eu estava parada, esperando Ismael fotografar perigosamente no meio da rua, e uma moça parou para me pedir informação: "S'il vous plaît, comment s'appele cette avenue?" (por favor, como se chama esta avenida?). Quase não acreditei na pergunta da pessoa perdida... mas de maneira muito polida e educada respondi que era a Champs Elysées. Ao que ela sorriu felizinha e repetiu "Ah, então esta é a Champs Elysées!!!", e eu falei no melhor estilo parisienne "Mais bien sûr!!!" (mas com certeza!!). Aí para provar que ela estava realmente perdida, ela ainda me perguntou se aquilo que víamos no final da avenida era o Arco do Triunfo... achei de uma graça, tsc, tsc... mas tenho a dizer em minha defesa que em nenhum momento fui grosseira com a moça, no fundo fiquei super feliz por estar dando a ela informaões sobre a "minha" cidade...

Feira de Natal na Avenida Champs Elysées

Estes dias frios e cinzentos nos dão muita vontade de ficar no aconchego da nossa casa, mas ao mesmo tempo a cidade tem toda uma beleza que precisa ser contemplada. Dia desses voltei para casa um pouco mais tarde e já estava escuro, nevava... me dei conta de que eu ainda não tinha visto como a rua pertinho de casa está lindamente iluminada para o Natal. Foram penduradas luzinhas atravessando a rua e no meio do cordão sempre tem um Torrinha Eiffel de luzes, e lá no fim da rua, ao longe, a gente vê a Torre de verdade toda iluminada. É mágico.