pé na estrada...
Passar tantos dias viajando é bem interessante. Primeiro pelas razões óbvias: se aprende muito, são muitas coisas novas, lindas e curiosas para se ver, etc. Mas outra faceta desta experiência são coisas que a gente observa e descobre e que não estão nos guias de viagem
- é interessantíssimo observar as diferentes "tribos" de viajantes. Nos deparamos com muitos traillers pela estrada, casais de meia idade que se aventuram pela estrada em seus traillers maravilhosos ou famílias alternativas de pais meio bicho grilo com três ou quatro "barrigudinhos" a bordo de um motorhome velhinho, pequeninho, mas honesto. Vimos uma família assim num trailler estacionado na Ponta da Piedade, Portugal, era divertido de ver, motoquinha dos pequenos pendurada no trailler, as crianças brincando na volta, pai arrumando alguma coisa na casa-carro da família e a mãe lavando uma loucinha básica na bacia, é muito espírito aventureiro, né não?; e falando em pais viajantes, ficamos admirados com a quantidade de casais com dois, três, quatro filhos pequenos turistando por aqui! É um no canguru, outros dois no carrinho duplo e o maiorzinho caminhando junto, lindo de ver!; tem ainda os mochileiros, com os quais nos deparamos pouco, uma vez que nossos tempos de albergue ficaram para trás desde a chegada de Joaquim e esta tribo também circula mais de busão ou trem do que de carro; e falando em albergue e hospedagem e afins, graças ao Destinia.com (mais informações no final do post) nós não só deixamos nossos tempos de albergue para trás como também tivemos a oportunidade de nos hospedar em um ou outro hotel 4 estrelas e assim nos deparamos com mais uma tribo de viajantes, a dos endinheirados. Do tipo que chega na recepção para fazer o check in e diz que prefere quarto com vista para o rio, mesmo que isso signifique pagar um tantão a mais, e confirma o jantar de reveillon que o hotel oferecerá ainda que isso signifique desembolsar 150 euros por cabeça e que na manhã seguinte desfila pelo saguão do hotel com a esposa embrulhada num casaco de vison; ah, e tem também as pessoas que viajam com seus animais de estimação, achamos engraçado ver cãezinhos fofinhos, outros nem tanto, visitando pontos turísticos aqui, lá e acolá... vimos de tudo um pouco, e cada qual no seu "quadrado".
- Uma coisa sobre a qual tínhamos lido e ouvido falar, mas que nos deixou pasmos, foi a tal hora da siesta na Espanha. É incrível como isso é real e forte e determina o ritmo de toda uma cidade! O primeiro contato que tivemos com esse fenômeno foi em Jerez. O hotel não tinha garagem (o que é bem comum por aqui, lembrando que muitos hotéis ficam nos centros históricos) então deixamos o carro na rua. Chegamos por volta de 14h, e a recepcionista do hotel nos disse que até às 17h o estacionamento na rua era gratuito, por causa da siesta (entre 13h30 e 17h), mas depois, das 17h às 20h precisava pagar o estacionamento no parquímetro. O comércio todo fecha, as igrejas, museus, mercados... a cidade fica às moscas!! É incrível. Eu não cansava de me perguntar o que as pessoas fazem nesse tempo... segundo conclusões e leituras de Ismael, elas almoçam com muita calma, tiram a tal soneca depois do almoço, se escondem do calor absurdo que faz aqui na maior parte do ano e depois retornam à vida, e com o maior gás, porque a cidade ferve à noite!
- Eu fiquei admirada com a maneira como se vestem as crianças por aqui, sabe roupa de domingo? Aquele vestidinho mais fofo, o lacinho mais lindo, o sapatinho boneca mais brilhoso, o casaco mais charmosinho... vi muuuuuuuitas meninas vestidas assim, e muuuuuuuitas lojas vendendo roupas assim. E meninos com bermuda de lã e meia calça... só tinha visto isso em filme!
Crianças embonecadas na Espanha
- Dirigir pelas autoestradas, ou mesmo pelas estradas secundárias por aqui é super tranquilo. Até vimos algumas placas de "estrada em mau estado", mas o mau estado deles é a nossa estrada boa (não ótima) no Brasil. Mas quando chegamos nas cidades, a coisa muda de figura. Ao chegar em Sevilha, o GPS nos fez atravessar o centro antigo para chegar ao Hotel (sendo que existe uma via periférica que circunda toda a cidade). É punk dirigir naquelas ruelas estreitíssimas, onde às vezes os carros vão e vem nos dois sentidos... não sei como chegamos, só sei que fomos nos embrenhando e várias vezes tínhamos a sensação de estar circulando pela calçada, outras vezes precisamos manobrar para fazer a curva em esquinas onde tinha camadas de tinta dos carros raspadas na parede dos prédios históricos, foi uma aventura e tanto! E isso foi uma constante em todas as cidades pelas quais passamos, desde Lisboa em Portugal.
Tem que ter uma certa dose de coragem pra dirigir nessas ruelas...
Bom, isto para listar algumas das coisas curiosas e interessantes com as quais nos deparamos. Pra terminar vou deixar algumas das dicas que nos foram muito úteis:
Em Portugal o aluguel de carro é bem barato, comparando com França. Nós alugamos pela viaturas.eu, preço bom, mesmo com cadeirinha para Joaquim e GPS pagos à parte.
Para fazer reservas nos hotéis durante a viagem, usamos o site destinia.com. É fácil de navegar, bem informativo e, o melhor, tem preços de ocasião, ofertas em hotéis 4 estrelas que ficam bem mais barato pela internet. Na hora da reserva é sempre importante pedir reserva de berço (quando se precisa de um , he he...) pois aconteceu de chegarmos num hotel (o fadado hotel de Granada) e não haver berço disponível.
Quando se viaja de carro assim, é legal planejar trechos não muito longos para cada dia de estrada. Isto porque trechos curtos não significam necessariamente viagem rápida. Principalmente quando quem está no carro se deslumbra facilmente com paisagens e belas vistas no caminho, o que é nosso caso. Mas vamos e venhamos, a gente tá lá tranquilão, dirigindo numa estrada deliciosa e de repente dá de cara com um castelo inscrustrado no topo de um monte e uma cidadezinha branca aos seus pés. É lindo demais! E assim vamos incluindo mais umas cidadelas no nosso roteiro...
Para bater perna nos lugares que se quer visitar, quando se está com um bebê, é legal procurar informações sobre o que se vai encarar, se tem muitas escadas, se o trajeto é difícil, etc. para fazer a melhor opção entre carrinho ou sling, ou canguru. Por que ninguém merece ficar carregando carrinho escadarias acima, e abaixo, o tempo todo. Ah, e mesmo quando a gente pensa em dar só uma saidinha rápida, logo ali, é bom levar todo arsenal para passar horas com o baby na rua, porque a gente se perde facinho no tempo e no espaço!
adorei, como sempre! Eu preciso entender que dá sim para viajar com filhos, é um pouco mais trabalhoso, mas tem outro gosto né? Estamos começando a planejar umas viagens curtas,quem sabe no futuro a gente arrisque um passeio assim? Beijos!
ResponderExcluirLindas demais essas paisagens!!!
ResponderExcluirbjos