Outra coisa que faz parte desse novo tempo é nossa mudança de apartamento. Estamos com o coração apertadinho por deixar nossa amiga Torre Eiffel, temos mais três dias com esta vista privilegiada. Hoje, quando as luzes da Torre se acenderam no final da tarde, eu estava trabalhando no computador, parei tudo e fiquei olhando pra ela durante os 5 minutos em que as luzes piscam... mas não é só disso que sentiremos falta, morar aqui é legal por vários motivos, estamos super adaptados ao apê, a região aqui é uma delícia, tem um parque gostoso a dois minutos a pé, tem uma feirinha bacana na rua toda terça e sexta, tem 5 supermercados pertinho, o Rio Sena fica no final da rua, tem duas pracinhas com brinquedos pertinho... enfim, é o paraíso, he he... MAS, ao mesmo tempo em que o coração tá apertadinho, também está palpitante, afinal ainda é Paris!!! Iremos apenas do 15éme para o 12éme (quem já viu o mapa da cidade em caracol, com sua divisão em arroundissements tá entendendo) e quando penso que ao vir morar aqui nós não sabíamos que seria tão gostoso, imagino que isso pode acontecer novamente, afinal, ainda não conhecemos a região onde vamos morar. Bom, o Ismael já foi lá uma vez, encontrar-se com os proprietários e disse que gostou da região e do prédio, mas conhecer mesmo a gente vai quando estiver morando. É aí que a gente descobre onde é a pracinha mais próxima para levar Joaquim, quantos marchés tem nas redondezas, etc. Já ouvimos algumas pessoas que moraram por lá nos falando super bem, o que é animador. E o apartamento tem praticamente o mesmo tamanho deste aqui, só uma varanda ao invés de terraço e sem vista para a Torre, he he...
Nessas horas penso como a gente vai ficando exigente... antes de vir para cá eu bradava com orgulho que qualquer 20 metros quadrados tava valendo pra gente morar aqui, afinal estaríamos em Paris. E lembro de Ismael dizendo que se a gente tivesse dinheiro para comer só pão com geléia já tava ótimo, afinal seria baguette au confiture. Mas quando a gente tá aqui de verdade vê que as coisas não são bem assim, percebemos rapidinho que se morássemos num cafofo de 20 metros quadrados, geralmente estúdios de uma peça mais banheiro, ficaríamos LOUCOS, afinal temos um bebê que dorme às 20hs e faz sonecas durante o dia... e de vez em quando alguém na família quer domir um pouco mais de manhã, o que 1 quarto no apê permite tranquilamente, enquanto o resto da família vem brincar na sala. E quanto à baguette au confiture também descobrimos rapidinho que com os mesmos dinheiros que comeríamos isto todo dia, podemos comer outras coisas também, he he... aqui é o paraíso das opções práticas e não tão caras para refeições em casa. No fim, nutrimos um certo grau de exigência justificável, afinal, uma vez que chegamos até aqui, que venham dias felizes!!!
Para a mudança, desta vez vamos trocar o trem por um utilitário alugado por 30 pilas por um dia, afinal ninguém merece sair carregando cadeirão, berço e varal no metrô, né não? Estamos bolando estratégias para o dia D, porque temos a grande dificuldade de não ter onde estacionar aqui para carregar o carro, vamos ter que ficar alugando a entrada do prédio, porque vagas na rua são utopia, mas considerando o movimento da garagem aqui, também acho que não será problema parar na entrada por meia hora. Nestes 4 meses aqui eu nunca vi um carro entrando ou saindo da garagem. Aliás, acho que os parisienses tem carros só pra deixar estacionado alugando vaga na rua, porque são sempre os mesmo carros parados aqui na frente (momento indignação). Inclusive meu cunhado já me sugeriu escrever aqui sobre essa questão da mobilidade em Paris - carro, bicicleta, pézão... - é um assunto legal, vou escrever qualquer hora. Bom, voltando a mudança, a chegada lá acho que vai ser mais tranquila neste sentido pois já combinamos com os novos proprietários que eles abrirão a garagem para descarregarmos.
Mudando de caixa de mudança para pasta escolar, hoje chegaram nossas respostas do Curso da Prefeitura, onde nos inscrevemos para o francês. Desta vez eu também entrei, uhuuu... vou ter que fazer uma prova de nivelamento e ver quando começam as aulas. O Ismael por sua vez, foi aceito mas vai optar pela escola que eu frequentei até o final do ano, a Campus Langue, isso porque ele tá querendo dar uma intensificada nas aulas, para melhorar o aproveitamento na pesquisa. Essa coisa da língua tá me deixando cabreira, a essas alturas eu jurava que já estaria fluente no francês, mas nem... aliás, eu regredi total... meu cunhado, de novo ele, diz que sofre quando falo da dificuldade com a língua aqui, rsss... então aí vai Nataniel, mais uma capítulo da novela... Acontece que desde que viajamos, em meados de dezembro eu nunca mais estudei lhufas! Em Portugal, adivinha? Só falamos português. Na Espanha, Ismael era o porta-voz da família, ou eu arriscava meu inglês. E desde que voltamos eu só converso com Joaquim (e o menino não fala francês fluente ainda!!!) e com Ismael, em português. Além disso meus contatos são online, em português, e o povo da quitanda, mercado, boulangerie: "Boujour!!", "Merci beaucoup", "Combien ça coûte?", "Bonne journée!". Isso eu sei dizer fluentemente. Bom, justiça seja feita, eu compreendo a língua francesa 70% melhor do que quando chegamos aqui, dia desses uma senhora se encantou com o Joaquim no mercado e brincou com ele e depois me falou que ele era lindo e muito bem humorado e que ela não suportava criança que abre o berreiro quando fala com ela e... parou por aí... as duas últimas frases eu não entendi. Ela deve ter percebido, pela minha cara e pelo fato de eu só concordar com a cabeça e dizer no máximo "Oui!", "Merci"... afffe... até vir para cá eu não acreditava que fosse possível morar num país por um tempo e não voltar falando a língua de lá. Hoje em dia eu acredito totalmente!! Ainda mais quando Ismael me conta de colegas dele do curso de francês que moram aqui há três anos e falam menos do que ele. Alors, não tô querendo chorar pitangas, tô só fazendo um balanço e assumindo: PRECISO ESTUDAR!!! E sei também que não é só estudar, tem que conversar, encontrar pessoas pra falar francês...
Esta semana veio um povo aqui em casa, colegas do Ismael. Cada um de um canto do mundo: Itália, Peru, Coréia, Canadá, Suiça, Áustria, Croácia e... Brasil! A língua oficial da noitada, ou soirée, era o francês. Mais entendi do que falei, e ainda assim foi uma noitada boa. Mas me deu o clic de realmente preciso voltar aos estudos. Voi lá! C'est le moment!!

Minha querida
ResponderExcluirte entendo perfeitamente. Pense que faz 2 anos que estou aqui em Viena e falo meia duzia de palavras. E olha que tenho muitas amigas que moraram na França ou são casadas com franceses e elas juram que frances é infinitamente mais facil do que alemão. Diga se dá vontade de aprender depois desse animo todo...
bjs
Lu