retrospectiva

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quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Recantos de Paris

Última noite neste endereço. Última noite em Deuil la Barre, Banlieue (periferia) de Paris. Foi bem gostoso este período aqui, o apartamento é muito gostosinho, tivemos um bom espaço e nos sentimos bem aconchegados nesse comecinho de aventura. A Carla (que nos alugou o apê) foi super atenciosa, quando chegamos estava tudo arrumadinho para nos acolher, parecia até hotel. Camas arrumadas, toalhas dobradinhas no banheiro, pizza no congelador, até papinha para o Joaquim tinha! Além de pacotes de fraldas e guiazinhos manuscritos e mapas impressos, com dicas de coisas para fazer por aqui, mercados, quitandas, etc. Uma anfitriã e tanto a Carla! Vamos nos conhecer pessoalmente no domingo, quando viremos até aqui para trazer as chaves e fazer últimos acertos.

Nossa nova anfitriã (locatária na verdade, mas anfitriã fica mais simpático, he he...) se chama Isabelle. Nós alugamos o próximo apartamento pela agência que mencionei em outro post, mas depois de tudo acertado com eles, a partir do momento em que entramos no apartamento, nosso contato será a proprietária. E hoje fizemos o primeiro contato direto, a iniciativa foi dela, que nos mandou um e-mail. Trocamos algumas mensagens e combinamos o horário para entrar no imóvel amanhã. Ela nos acompanha na "posse" do novo ninho para nos explicar como as coisas funcionam e fazer uma vistoria junto conosco. Walquiria, a mocinha da agência, nos disse que esta proprietária é super acessível e disponível. Que assim seja!

Dia desses tivemos um momento "saudades do Brasil". Na volta do mercado paramos numa pizzaria e trouxemos pizza para comer em casa!! Parece bobo, né? Mas foi tão legal... he he... uma coisa tão familiar, e gostosa! A pizza realmente era boa, talvez não tanto quanto a nossa clássica "Pizza da Hora" lá do Brasil, mas era boa. Mas o mais engraçado foi trazermos as pizzas (eram duas, promoção compre uma leve duas), mais carrinho de compras, mais sacola de compras, mais Joaquim no sling... o Ismael só dizia: "tipo dos manés mesmo... humpf!!". Importante é que matamos a saudades.

E ontem fizemos mais uma das nossas pernadas em Paris, desta vez com máquina fotográfica!!! Fomos resolver coisas como pagar curso, trocar roupa que ficou grande... andamos muito e foi uma delícia. Principalmente porque descobrimos uns recantos meio sem querer. Primeiro foi uma galeriazinha super charmosa na Boulevard Montparnasse, a Passagem Jouffroy, que depois de atravessar a rua vira Passagem Verdeau. É onde fica o Museu de cera Grévin, que outra hora visitaremos devidamente. Além dos ares de antiguidade da galeria, as lojas são muito legais, livrarias, lojas de brinquedos, de doces, etc.



Seguindo o passeio chegamos na Galeria Lafayette, a maior loja de departamentos da França. Não estávamos interessados exatamente em fazer compras, embora tenha sido legal olhar a vitrine da Chanel, mas fomos direto ver a cúpula central da loja, linda! E depois pegamos o elevador até o sexto andar, de lá escada rolante para o sétimo e chegamos onde tem a praça de alimentação, loja de souvenirs e terraço, nosso alvo. Que terraço!! A vista de lá é super legal! Pode-se ver quase todos os monumentos: a Torre Eiffel, Catedral de Notre Dame, Arco do Triunfo, Sacre Coeur, Hotêl des Invalides, além de ser super legal ter uma noção de como a cidade é plana e entender melhor sua geografia e o melhor, é de graça!

Parte da cúpula e alguns andares da Galeria Lafayette

Telhado da Ópera Garnier, visto do terraço da Galeria Lafayette
Telhados de Paris e Torre, vistos do terraço da Lafayette

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Pra passear, pra fotografar, pra estudar...

Dia desses, segunda-feira, Joaquim e eu fomos encontrar Ismael depois da aula dele (ah, preciso contar sobre o curso de francês... daqui a pouco). Combinamos de fazer umas compras de roupitchas para o frio, já que ele tá começando a dar as caras e nós trouxemos pouquíssima coisa para enfrentá-lo. Fomos na Decathlon, loja super bacana e muito barata!!! Compramos bons casacos para nós três, algumas roupas para Joaquim, calçados para mim - uma bota tipo montanhista por 14,90 euros!! - entre outras coisas. Essa loja tem no Brasil também, e lá as coisas também são boas e baratas. Bom, tudo isso pra contar duas coisas:

1. Tô virando francesa no quesito malabares com carrinho e bebê nos trens e metrôs. No início eu sempre ficava boba de ver como a mulherada se virarava sozinha com os carrinhos e bebês nas estações, escadas rolantes, trens, etc. Ficava imaginando que jamais teria coragem, tanto que as primeiras vezes que sai sozinha, levei Joaquim no sling, assim ele ficava bem seguro e firme comigo. Problema é andar com 11kg a mais por muito tempo, além da mochilinha dele nas costas! Té que um dia criei coragem e fui. Amarrei o sling em mim, para qualquer eventualidade, coloquei Joaquim no carrinho e lá fomos nós. Não sem antes fazer todo o roteiro na minha cabeça e tentando prever como eu faria para passar na roleta da entrada do metrô, para entrar nos trens, para descer na escada rolante, etc. E não é que sobrevivi!?!! Consegui e até parecia super experiente!! E o mais legal é que as pessoas são muito solícitas, sempre alguém se oferece para ajudar a descer ou subir o carrinho, teve uma vez que a estação estava muito tumultuada, então coloquei Joaquim no sling e dobrei o carrinho. Um homem se ofereceu para carregá-lo (o carrinho) para mim até o metrô. Aceitei. E deu tudo certo. E é assim que temos ido encontrar o Ismael em Paris para nossos passeios, agora já estou bem acostumada.

2. Não dá pra sair sem máquina fotográfica nessa cidade. Na segunda saí meio corridinha e não levei. Quando lembrei já estava fora de casa, mas também pensei que só iríamos fazer compras, nem era passeio oficial. Mas vi que não faz diferença, seja para ir logo ali, ou para fazer lindos passeios, a gente se depara com coisas inspiradoras o tempo todo. Para ir nessa loja Decathlon, por exemplo, passamos pela Ópera Garnier, um escândalo de linda, dá vontade de parar e ficar olhando... isso só por fora, por dentro deve ser muito mais. Estamos planejando uma visita guiada uma hora dessas. Também passamos pela Église de la Madeleine, outra construção belíssima, e a Place Vendome, que vimos apenas de longe. É incrível como tudo é bonito e dá vontade de fotografar... Estamos tão viciados na máquina fotográfica que até para ir na Boulangerie do bairro costumamos levá-la junto.

Ópera Garnier (foto da internet)


Église de la Madeleine (foto da internet)

Place Vendome (foto da internet)

PS: Vamos ficar devendo fotos nossas!!!



Bom, deixa eu contar do curso de francês. Ismael e eu nos increvemos no curso que a Prefeitura de Paris oferece, é um curso bem bom, e muito mais barato. Acontece que Ismael entrou e eu não... chuif... Tínhamos que esperar uma correspondência confirmando a vaga. Alguns dias antes da data de início do curso chegaram as duas respostas. Na minha resposta alegaram que o número de inscritos foi muito maior que o de vagas para o horário que eu havia escolhido. Ismael entrou e foi na segunda-feira. Eles explicaram que ainda havia muitos candidatos para aquela turma e que o teste de nível seria também uma nova seleção para ver quem ia fazer o curso de fato. Ismael só vai saber amanhã se ele vai fazer o curso ou não.


Quanto a mim, vou partir para o plano B, tem uma escola aqui chamada Campus Langue, indicada no site do Campus France. Ela é particular, mas bem mais em conta do que a maioria. Vou me inscrever lá e começar, provavelmente uma semana depois da nossa mudança. Depois que estivermos instalados também quero dar uma pesquisada em outros cursos interessantes para fazer, oficinas ou workshops na área de artes, criação, comunicação. Tem que aproveitar, né? Afinal Paris tem mais a oferecer além da beleza!! Ah, o Ismael entrou também em outro curso da prefeitura, de Organização de espaços e Cenografia de eventos. Tem a ver com o que ele vai estudar aqui, a primeira aula foi na segunda, final da tarde, e ele gostou do professor. Acho que vai ser legal! Embora ele tenha ficado meio frustrado por não entender grande parte da aula, uma vez que este curso não é específico para estrangeiros, então o professor mandou ver no seu francês! Mas logo, logo nossos ouvidos estarão mais afiados, e vamos poder absorver mais informações.


Hoje li mais alguma coisa sobre as ameaças terroristas aqui em Paris. Assusta um pouco ouvir sobre uma ameaça real e iminente. Ontem a Torre Eiffel foi evacuada mais uma vez, fecharam estações de metrô novamente. Nós não percebemos nada, porque não saímos aqui de Deuil la Barre, mas hoje já vamos para Paris novamente. Esse tipo de coisa assusta mesmo, mas não pode paralisar. Infelizmente não temos como prever, dizem que suspeitam de um ataque suicida em algum lugar movimentado da cidade, mas que também pode ser o assassinato de alguma figura pública importante... e fazer o quê? Esperar que não passem de ameaças e que nada aconteça. Enquanto isso a vida segue...

domingo, 26 de setembro de 2010

Nossa casa | Chez nous

Vista do nosso primeiro quarto parisiense, amanhecendo...


Nosso primeiro lar em Paris (Deuil la Barre, na Banlieue/Periferia)


Final de semana de respirar aliviados e comemorar!! Achamos o ninho!!! Uebaaa!!!

Foi na sexta-feira, uma novela: eu, Ismael e Walquiria (a atendente da agência onde alugamos) on line, cada qual num canto da cidade. Em questão de duas ou três horas achamos apartamento, recebemos contrato, enviei para Ismael, a proprietária deu para trás, achamos outro, Walquiria fez a segunda proprietária jurar de pé junto que não desistiria, recebemos o segundo contrato, Ismael foi na agência pessoalmente e assinou tudo. Ufa! Ontem pagamos as taxas da agência e recebemos o contrato assinado pela proprietária também. Acho que não tem mais o que dar errado...

Ficamos pensando no que deveríamos ter feito diferente para evitar este stress. Primeiro, precisávamos saber que esta época é a pior para encontrar moradia em Paris, é a mais concorrida, pois começa o ano letivo e tem muuuuuitos estudantes procurando apartamentos. Além dos turistas, cujo fluxo é constante. Segundo, sabendo da informação acima, deveríamos esquecer o medo de alugar "gato por lebre" e ter feito a negociação toda ainda no Brasil, vindo para cá com moradia certa, confiando nas fotos e informações dos sites. Agora já sabemos, he he...

Descobrimos também que na situaçao de estrangeiros fica praticamente inviável alugarmos algo nas imobiliárias "normais" da cidade, pois eles pedem fiador, garantias, etc. Dificultando bastante para quem não mora aqui. Nós chegamos a pensar que poderia ser mais fácil, ou mais barato, mas não é. Acabamos alugando com uma das primeiras agências que conhecemos ainda no Brasil, quando começamos a pesquisar apartamentos. Ela é especializada em alugar imóveis para estrangeiros, tem atendentes que falam diversas línguas - foi ótimo negociar tudo em português! - e alugam por períodos mais curtos, semana, mês, dependendo do interesse. Ah, e os imóveis todos são mobiliados e equipados com tudo o que se precisa para o dia-a-dia. Nas imobiliárias "normais" quase só vimos imóveis vazios. Isso seria bem ruim, teríamos que providenciar tudo por aqui. Então fica a dica, pra quem vier passar uma temporada em Paris, a agência é a LODGIS.

Bom, o apartamento que alugamos é bem mais caro, mas também num padrão bem melhor do que o que estávamos procurando. Se pudéssemos escolher, com certeza não teria sido esse, por causa do preço. Mas na atual conjuntura, agora é mudar e relaxar!! Fizemos um contrato de apenas 4 meses (tempo mínimo pedido pela proprietária), por causa do dindim, e a Walquiria nos garantiu que em Novembro já podemos escolher o próximo apê no site e deixar reservado para fevereiro, quando teremos que mudar novamente. Diz ela que a partir de Novembro a oferta aumenta bastante novamente. Como diz minha sogra, o lado bom disso tudo é que vamos poder experimentar a cidade vivendo em vários endereços diferentes, he he...

Não fomos conhecer o apartamento pessoalmente, por causa da pressa em fechar negócio. Mas percebemos, pela visita ao primeiro apartamento que fizemos, que as fotos e a descrição do site são bem fiéis. Teremos a mesma área que temos aqui, só que lá é apenas um quarto e tem um terraço (detalhe, dá pra vislumbrar a Torre Eiffel, láááá ao longe, do terraço). A sala é bem espaçosa e cozinha separada, o que garante espaço para Joaquim brincar e possibilidade de isolar área perigosa para bebês. Enfim, no fim das contas estamos felizes, e com certeza muito aliviados! Faremos a mudança, levando literalmente mala e cuia (sim, porque eu trouxe minha cuia de chimarrão!), na próxima sexta-feira. Vai ser uma nova experiência morar dentro de Paris, mais perto das coisas, nova vizinhança, novo comércio local para explorar, novas ruas para nos perdermos...

Ah, e detalhe, mudaremos bem no final de semana da Nuit Blanche. É uma noite inteira e madrugada adentro de atividades culturais pela cidade. São três roteiros diferentes, possíveis de se fazer sem precisar de transporte, ou seja, a pezão, para ver exposições, espetáculos, etc. Claro que não temos a ambição de virar a noite na "balada" cultural, afinal Joaquim é companheiro, mas não precisamos abusar, né? Mas ao menos um espetáculo de canto gregoriano na igreja de Notre Dame vai rolar, vai sim...

Mudando de assunto, algumas coisas curiosas por aqui:

  • Estamos insandecidos atrás de cadernos. Sim, cadernos, simples, pautados, normais. Mas só encontramos cadernos com páginas quadriculadas... Já olhamos em vários supermercados, não sei se só existe essa opção ou, assim como os apartamentos, os estudantes acabaram com todos os cadernos da cidade!!
  • Juro que eu tento entender, mas ainda não consegui, o que passa pela cabeça de um francês quando ele anda pelas ruas segurando uma baguette embaixo do braço, assim, sem nada, nenhuma sacolinha, nenhum papelzinho, só a baguette, casca com pele... Não quero julgar ninguém e até me esforço para aderir aos costumes locais, mesmo porque às vezes não tem opção, a mocinha da boulangerie simplesmente pega a baguette que vou comer no jantar com a mão e me dá, penso no que fazer com ela e enfio na sacola de pano, que já carregou sabe-se lá o que tudo... c'est la vie.
  • Fico impressionada todos os dias com a criatividade das mulheres por aqui em relação aos seus cabelos. As francesas tem muito uma coisa meio "casual elaborada", a impressão que dá é que prenderam o cabelo de qualquer jeito, mas se for analisar a gente vê que teve um certo cuidado naquela casualidade; já as mulheres de origem africana são as campeãs, a gente vê os penteados mais ousados, criativos, lindos (outros nem tanto) o tempo todo, todos os dias, em todo lugar. Ismael observou bem, é uma cultura acostumada com ornamentos na cabeça, lenços, enfeites, etc, então parece natural usar penteados elaborados no dia-a-dia também.

Acho super legal a gente se deparar com essas diferenças culturais e tentar entendê-las e até absorvê-las nesse tempo aqui. Se precisar usar cadernos quadriculados nos nossos cursos, usaremos; quanto a baguette já estamos acostumando com a falta de pudor em carregá-la na mão na rua; e com os cabelos ousados tenho muito a aprender!

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Caminhos | Chemins

Continuamos nossa saga atrás de um ninho para habitar nos próximos 9 meses. Nunca pensamos que seria tão difícil!! A ponto de bater uns sentimentos meio ambíguos do tipo "Paris não tem lugar para nós...", "somos praticamente sem-teto!", e começa a bater uma ansiedade muito grande... bom, mas sobre isso Ismael falou bastante lá no Querido Joaquim, quem quiser ler, tá aqui.

Mas com ou sem lugar pra morar, a vida continua e ainda estamos em Paris!! he he... e nossa sede por explorar as ruas, ver as coisas, respirar o ar parisiense ainda tá firme e forte. Ontem fomos visitar as redondezas de um apartamento que tínhamos em vista. Bairro bom, descobrimos mais um parque, o Buttes Chaumont, lindo! Cheio de gente largada na grama, pegando sol, muitas crianças... uma delícia!
Parque de Buttes Chaumont
E hoje, logo cedo ou melhor, às 9h da manhã, com cara de 7h, eu e Joaquim fomos dar uma volta aqui pelas redondezas de casa. É bem gostoso andar sem destino e disposto a se perder pelas ruelas de Deuil la Barre, tanto que entrei numa rua, logo aqui na esquina, chamada Chemin Vert (Caminho Verde), e fiquei surpresa ao descobrir a razão do nome no fim da rua, ela termina num parque super gostoso, que a gente nem sonhava que tinha aqui tão pertinho. Fiz uma caminhada deliciosa, com Joaquim no carrinho e foi um jeito bom de começar o dia.
Percebi que nos arredores do parque tem muitos judeus, no parque mesmo eu cruzei com vários, sempre vestidos de preto, homens de chapéu, meninos de kipah e todos eles traziam nas mãos uma espécie de ramo dentro de uma embalagem... me chamou a atenção porque vi muitos deles! Não sei se hoje foi alguma data especial para os judeus...

Parque pertinho de casa



E hoje também foi dia de greve no transporte. Eu já havia lido antes de vir para cá, que na França é muito comum ter greve sempre, em todos os setores. Mas as greves são diferentes do Brasil. Ontem havia comunicados nas estações de metrô dizendo quais trens teriam horários reduzidos. Isso permite que as pessoas se organizem para chegar onde precisam mais ou menos no horário.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Todas as culturas e novas facetas de Paris | Toutes les cultures et de nouvelles facettes de Paris

Ismael ouviu falar na aula mas esqueceu de comentar comigo, eu como só assisto BabyTV e leio roteiro de passeios em Paris, não estava sabendo de nada. Até que Cheryl comentou num e-mail e outro dia minha mãe me informou um pouco mais via MSN - a tal ameaça de bomba na Torre Eiffel e numa estação de metrô. Nós não sentimos efeitos porque neste dia não estivemos nos arredores da Torre, e o metrô que Ismael usa todo dia não passa pela estação seminterditada. Sem saber de nada ao certo, as autoridade estão relacionando o ato à data de 11 de setembro, dia marcado pela queda das torres gêmeas nos EUA, ou ainda à proibição pelo Senado francês do uso da burca pelas muçulmanas em locais públicos aqui na França.

Quanto ao 11 de setembro, não tem muito a comentar, este fantasma vai rondar por muito tempo ainda, já sobre a burca, ontem pela primeira vez reparei numa muçulmana usando burca, numa estação de trem. A gente vê, e muito, muçulmanas com trajes típicos e véu, sempre tendo o cuidado de esconder todos os fios de cabelo, mas usando burca foi a primeira que vi. E reparei que dois homens no trem em que eu estava, africanos, também repararam na mulher e deixaram clara sua desaprovação com comentários e cara feia. Pelo que entendi a proibição do uso aqui é porque o governo francês considera humilhante uma pessoa ter que andar toda coberta. Não sei bem... mas é uma questão discutida há bastante tempo.

Essas diferenças culturais são das coisas mais interessantes que existem por aqui. A gente vê pessoas trajadas de todos os jeitos, e é normal, elas não estão "fantasiadas" para nenhum evento, estão no seu dia-a-dia. Dia desses vimos três africanas sentadas num café tomando coca-cola, com suas vestes super estampadas e lenços coloridos e imensos na cabeça. Judeus ortodoxos também vemos bastante, com seus trajes pretos e sóbrios. Outro vimos uma mulher com 6 crianças e esperando o sétimo, fazendo compras na quitanda perto de casa, o mais velho devia ter uns 9 anos. Fiquei pensando como ela conseguia escolher frutas e verduras tão tranquilamente com aquele monte de crianças espalhada na volta!!! Mas, justiça seja feita, pareciam bem comportados, nós conseguimos fazer compras também e o espaço lá não é dos maiores. Também já cruzei na rua com uma indiana com aquelas pinturas de henna nas mãos e pés, era um dia de semana qualquer, numa rua qualquer, e nem era gravação de cena de novela da globo! he he... acho isso incrível! Mas ao mesmo tempo, sentimos que conviver com o povo francês típico não é lá muito fácil... ou talvez essa imagem que tínhamos do francês típico já nem exista mais, eles estão tão misturados no meio de tantos imigrantes que já são artigo raro! Percebemos isto principalmente ao visitar as vizinhanças de alguns apartamentos que temos visto, as ruas estão tomadas pelo comércio árabe, turco, africano, indiano... e onde não é assim, é muito mais caro morar!

Mudando um pouco de assunto, ontem fomos visitar um novo ponto de Paris, nem um pouco turístico, um hospital! Antes que os ânimos se agitem, não aconteceu nada grave, foram apenas duas gargantas inflamadas e uma unha encravada... e nada disso pertence a Joaquim, graças a Deus! Nós fizemos o seguro saúde internacional e resolvemos usá-lo uma vez que Ismael está doente desde que chegamos aqui, ele até já deu ares de que estava melhorando mas voltou a ficar pior, e eu comecei com garganta dolorida há quatro dias. Além disso, Ismael conseguiu, pela primeira vez na vida, ter uma unha encravada, e o negócio ficou feinho. Fato é que fomos ao hospital. Fomos atendidos primeiro por duas estudantes de enfermagem, muito atenciosas e que se esforçaram bastante em se fazer entender e tentar nos entender. Como Ismael já teve aula no curso sobre saúde e falta de, tínhamos um vocabulário básico para usar e que foi muito útil. Conseguimos passar nossa mensagem. Depois um médico nos examinou, este já não tão fácil de entender, falava rápido sempre, mesmo quando pedíamos para falar mais devagar, mas ele não fazia de chatice, acho que não se dava conta... e quando fazíamos muito cara de que não entendemos, ele desembestava a falar em inglês com Ismael, que ficava indignado! rssss... mas aos trancos e barrancos conseguimos duas receitas de antibióticos para resolver estes perrengues de uma vez. Quanto à unha encravada, foi mais complicado. O doutorzinho (que era bem novo) nos encaminhou para outro setor para marcar um rendez-vous ou horário com um cirurgião ortopédico, que vai ter que tirar um abcesso que surgiu na pele. Quando chegamos no local indicado, três mulheres leram a guia e demonstraram indignação, demoramos para entender que o tal cirurgião já não atendia mais naquele hospital, mas elas foram bem legais e ligaram na clínica onde ele atende e marcaram um horário para Ismael na segunda-feira. Ah, e depois de tudo feito nos tocamos que estávamos indo embora sem pagar! Sim, porque este seguro saúde nos reembolsa, mas temos que pagar as consultas aqui. Voltamos para pagar com medo da facada, mas nem foi. Algo em torno de R$80,00 cada consulta... vamos ver o atendimento de segunda quanto será.

domingo, 12 de setembro de 2010

São tantas as emoções | Il ya tant d'émotions

Tantas coisas pra contar... vou começar pelo nosso amigo Dentinho, ou Petite Dent, como diriam os franceses. O homem anda amigo demais, já tento passar quietinha pela escada com medo de que ele escute e venha nos cumprimentar e, por tabela, nos passar seu rol de dicas imperdíveis em Paris (todos os lugares em que já fomos!). Talvez eu devesse aproveitar essas conversas para treinar meu francês, não? NÃO!! Acontece que o homem fala pelos cotovelos e quando tento, com muito sacrifício falar uma frase, ele fica me olhando com cara de paisagem e não dá o mínimo sinal de que entendeu, ou não, simplesmente continua do ponto onde havia parado seu blá-blá-blá... mon Dieu!! E como se não bastassem as abordagens no portão e escada, antes de ontem o homem resolveu subir dois andares e bater na nossa porta. Ai que medo! Ismael ainda não haviachegado da aula, estávamos eu e Joaquim. Sabe o que ele queria? Nos dar um Napoleãozinho, destas estatuinhas de souvenir, acho que eu entendi que ele coleciona isso, aí resolveu nos dar um de lembrança e ainda fez piada dizendo que Napoleão também não falava francês, assim como nós! Pelo menos o sujeito é bem humorado, tanto que fez piada novamente sobre seu único dente e o de Joaquim, tsc, tsc...

Dia desses eu tive um experiência bem frustrante em relação a língua francesa. Achei que bem ou mal eu estava conseguindo me virar. Mas resolvi ligar numa agência de aluguel de imóveis onde estamos vendo alguns apês. Entrei em pânico! Não entendi praticamente nada do outro lado da linha... me deu uma tristeza... mas voi lá, bola pra frente e vambora estudar, né? Na verdade confesso que não tenho me esforçado para dar uma estudada por aqui, até trouxemos os livros, mas quem disse? Acho que quero que minhas aulas comecem logo. Ainda aguardamos a confirmação de vaga que deve vir pelo correio.

E falando em aluguel... estamos empenhadíssimos na procura do nosso apê, o tempo está passando e temos que ter para onde ir quando o mês acabar. Achamos um lugarzinho interessante na internet. Para conhecê-lo precisamos preencher uma ficha de visita, que a agência passa para o propietário e marcamos uma hora com ele para ir lá. Já encaminhamos a ficha e fomos conhecer a vizinhança. Pegamos o metrô e fomos ver como é a rua, a região, e ficamos bem empolgados! Lugar tranquilo mas com muita coisa bem pertinho, metrô fácil, prédio simpático. Agora é torcer para a coisa dar certo. Pelo que a moça que nos atendeu disse, somos os primeiros da fila para este apê. Ah, e ela fala português!! ufa...

Esta semana fizemos mais alguns passeios deliciosos pelas ruas de Paris. Na quinta, depois de eu e Joaquim ficarmos três dias pelas redondezas de casa mesmo, matamos a saudade de bater perna. Depois da aula de francês de Ismael fomos conhecer La Defense, o bairro moderno de Paris. Fui pra lá um pouco sem expectativa confesso, mas fiquei muito impressionada! Parece filme futurista, a gente sai da estação de metrô emergindo numa praça ampla, rodeada de prédios incríveis e imensos. Lindo! Entramos no edifício de 48 andares onde as plaquinhas indicavam a vista panorâmica, pegamos o elevador, sentimos pressão nos ouvidos, e quando chegamos lá em cima não passamos na roleta porque os ingressos deveriam ser comprados lá embaixo, rssss... ok, agora já sabemos o caminho. Ficamos nos deliciando com a arquitetura, os prédios, a paisagem, a vista, tudo fenomenal! Ali também tem muitas lojas e achamos algumas interessantes como a Decathlon (preços absurdos de baratos! e achamos a mochila/cadeirinha para o Joaquim, ainda não compramos, mas agora sabemos onde tem) e a FNAC (colírio para os olhos!).

Grand Arche e edifícios de La Defense


No dia seguinte fomos a Montparnasse, conhecer o cemitério (bonito mas não tanto quanto o de Montmartre) e caminhar pelo bairro. Achamos muitas lojas com material para desenho e pintura (viu mãe? vamos lá quando você vier!!), tomamos chuva e caminhamos até a Torre Eiffel. Finalmente fomos ver a torre de perto! Porque ela é visíviel de vários cantos da cidade, até do trem que tomamos para ir de Deuil la Barre à Paris. Mas pertinho é outra coisa, né? O tempo estava um pouco chuvoso, mas curtimos muito a caminhada e a vista!


Detalhe do Cimetière Montparnasse


Frequentador do Cimetière Montparnasse

La Belle!

Sábado lindo de sol, dia de conhecer Bois de Bologne, uma imensa área verde que fica na Banlieue. Comporta vários parques, lagos e uma vizinhança de luxo! Lugar lindo para caminhar, fazer piquenique e aproveitar o sol, coisa que aliás muitos parisienses estavam fazendo! Tinha gente de sunga, de biquini e até de calcinha e sutian!! Caminhamos por lá até não poder mais, depois nos esticamos na grama para Joaquim fazer um lanche. De lá seguimos para o Trocadero, a pé mesmo, que já é dentro de Paris e onde fica a Torre Eiffel. Fomos apreciá-la de um outro ponto de vista. Esta parece ser uma região bem nobre da cidade, os prédios parecem mais luxuosos, assim como as pessoas nas ruas mais chiques. Passamos num Monoprix (supermercado bom de comprar!) pegamos uns sanduíches, suco de laranja e fomos até o Palácio de Chaillot para sentar num banco e comer apreciando o movimento.

Foi um ótimo sábado!








Algumas coisas me impressionam:

Toilettes gratuits: existem umas cabines que ficam na calçada, para entrar basta apertar um botão. Elas parecem naves espaciais, dentro é tudo automatizado, e limpo! Tem espelho (e não estão quebrados!), tem papel higiênico (no lugar certo!), tem sabonete e vento para secar a mão, aliás, para lavar as mãos é um troço de louco, vc só coloca a mão sobre a pia e cai o sabonete, dá um tempinho, em seguida cai a água e logo vem o ventinho... vc aciona a descarca com pouca ou muita água (dependendo do serviço) mas ela só funciona depois que vc sai da cabine, que é toda lavada por dentro entre um uso e outro. Coisa de primeiro mundo!!!


Pontualidade dos trens e metrôs: a gente já está até ficando mal acostumado. Mais de 10 minutos já é uma eternidade para esperar na estação, porque os transportes são muito frequentes, e muito pontuais! 9h47 significa exatamente 9h47 e não 45 ou 50. E é muito bem sinalizado qual trem será o próximo em qual plataforma, não tem erro, quando a gente entende a dinâmica fica super fácil!

Lixo reciclável: aqui é levado muito a sério!! Tanto que dá até medo de não seguir as regras, he he... todas as casas e prédios tem as lixeiras padronizadas para lixo orgânico e reciclável. Elas ficam no quintal e devem ser colocadas na rua no horário em que passa o caminhão do lixo (acho que quem faz isso aqui é o Dentinho - Petit Dent). E vidro é outro departamento, a gente vai juntando (tooooodas as garrafas de vinho, por exemplo) e uma hora sai com elas numa sacola até um lugar específico para jogá-las (assim como vidros de geléia, conserva, etc.). Aqui no apê que alugamos para o primeiro mês existem duas lixeiras grandes, que ficam na cozinha, uma para o lixo orgânico e outra para o reciclável. A dona do apê nos deixou orientações bem específicas que estamos seguindo à risca. E eu senti tanto a seriedade da coisa que até lavando o lixo reciclável eu estou!! Coisa que minha mãe já faz há tempos aí no Brasil mas eu ainda não tinha me dignado a fazer, eu até separava o lixo em casa, mas não lavava potinho de iogurte, por exemplo, aqui tenho medo de colocar sujo na lixeira!!! he he... e vai virar hábito!

Sacolas: aqui são assunto sério também. Nesse setor senti orgulho de mim mesma, porque até trouxemos uma sacola retornável, de pano, "eu faço a diferença" do Wall Mart. As sacolas plásticas são super controladas por aqui. Nos mercados maiores - Carrefour, Auchan, Monoprix - paga-se para usá-las e sempre perguntam se queremos. Na quitanda da esquina não precisamos pagar, mas se não levamos a retornável, eles vão pesando as coisas e colocando tudo junto numa sacola só. E aqui as pessoas usam muito aqueles carrinhos de feira, a dona do apê aqui deixou um para usarmos, me sinto suuuuper parisiense quando saio com Joaquim no sling arrastando o carrinho de feira!

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

O preço das coisas | Le prix des choses


Sempre ouvimos falar que Paris é um dos lugares mais caros do mundo para se viver. Isso me impressionava bastante e me dava uma noção um pouco exagerada das coisas. Acho que foi bom, porque chegamos aqui e vimos que não é bem assim. Pode-se gastar muito sim, e bem fácil, mas também é possível encontrar coisas muito boas e baratas. Aluguel de imóveis infelizmente não entra nesta categoria, aqui vamos pagar mais do que o dobro do que seria o valor do aluguel do nosso apê no Brasil, mas com um espaço três vezes menor.

Bom, mas eis alguns exemplos de coisas boas e baratas: carro aqui é barato, esses dias vi um outdoor de propaganda da Renault, um Kangoo novo custa 9.900,00 euros, ou R$ 22.000,00 mais ou menos. Dá pra ter uma idéia, né? Nosso plano aqui não é ter carro, porque uma dificuldade bem grande é ter onde guardar, mas que dá vontade dá! E tem cada xuxuzinho de carro diferente... Continuando, nos mercados, ou supermarché, é bem comum a gente encontrar a área de descontos, são prateleiras com tudo misturado, e com preços mega baratos, desde queijos (que em geral já são bem baratos) a produtos de toilette, vale a pena tirar um tempo para fuçar nesta seção. Há alguns dias fomos a um mercadão grande que tem aqui na vizinhança, meio shopping center, com várias lojas junto, vi umas meias bonitinhas para o Joaquim, estava em promoção, vinham três pares diferentes e o preço era bem bom, peguei um conjunto. Na hora de passar no caixa descobrimos que além de o preço estar bom, a promoção ainda dava direito a um segundo kit de graça! Fui correndo lá buscar. E falando em Joaquim, fico louca cada vez que vou ao mercado. A seção de bebês tem muitas opções de tudo e coisinhas muito lindas e muito baratas. Ontem torrei 25 euros (R$ 55,00) e comprei 7 bodies, 2 camisetas de manga comprida, 1 camiseta de manga curta e um pijama/macacão de plush, este último custava 6 euros, mas na promoção ficou por 3,60!!! E não é querendo desfazer meu Brasil que eu amo, mas pelo que temos visto, de uma forma geral aqui barato não significa de baixa qualidade como costuma acontecer lá.

Com comida também temos nos surpreendido. Achamos que seria tudo muito mais caro. Comer fora sim, é bem caro. Tanto que em nossas pernadas por aí não costumamos parar para comer, no máximo um café ou urgh McDonalds (que é barato). Mas para fazer mercado dá pra gastar razoavelmente pouco. E tem umas coisas muito baratas, achamos umas tortinhas prontas, congeladas, perfeito para comer de janta à noite, custa 1,60 euro cada uma, tamanho de uma pizza brotinho e com sabores dos mais variados: salmão, funghi, queijos mil!! Iogurtes e biscoitos também se acha com bom preço. E tudo mais elaborado do que estávamos acostumados, os iogurtes parecem muito mais densos e cremosos, os biscoitos tem de tudo que é tipo, com muito chocolate sempre... falando nisso, quase tudo que temos comigo ultimamente tem chocolate!! Imagina o estrago... aqui tem uns pãezinhos deliciosos com gotas de chocolate, chama pain au chocolat, é de virar os olhinhos!! As frutas e verduras variam bastante os preços e não são lá tão em conta (por isso a gente come tanta besteira!! rssss...). Ismael até se empolgou e fez uma listinha comparativa, com alguns itens:

Banana kg – 1,39 € - R$ 3,33
Cenoura kg – 0,89 € - R$ 2,13
Maçã vermelha kg – 1,99 € - R$ 4,77
Tomate kg – 1,79 € - R$ 4,29
Espinafre congelado kg – 0,99 € - R$ 2,40
Coca 2 l – 1,57 € - R$ 3,76
Arroz kg – 0,76 € - R$ 1,82
Aveia orgânica 400 gr – 1,64 € - R$ 3,93
Café 500 gr - 0,92 € - R$ 2,20
Lentilha kg – 1,69 € - R$ 4,05


Sobre o transporte. Aqui tem algumas opções de passes para trem e metrô. Como Ismael está indo todos os dias à cidade, e andando muito por lá de metrô, pra ele valeu a pena fazer o cartão Navigo, que tem um valor fechado por mês para andar a vontade, vale a pena pra quem usa bastante.


Além disso, é questão de perambular e ficar atento. No Marais, que não é um bairro barato, encontramos uma livraria bem legal, com muitos livros de arte baratíssimos; e também um brechó bem legal com muita coisa estilosa e barata. Ou seja, é possível gastar pouco em Paris!