Nós em Cabo da Roca
Em Sintra fomos tomar um café, delicioso, com travesseiros, especialidade da Piriquita, confeitaria famosa por esse doce bem tradicional de massa folhada. Depois demos uma caminhada pelo centrinho cheio de ruelas e subidas e descidas, tudo lindo. Próxima parada foi a casa do Carlos, onde Joaquim fez uma merecida e refrescante soneca, dormiu só de fralda, estava o maior calor!! Enquanto Carlos nos preparou um almoço gostoso. A vontade de ver mais coisas, ir a mais lugares era grande, mas o tempo não. Quando nos demos conta, nossas 9 horas de escala em Lisboa passaram voando! Voltamos ao aeroporto.
Vou abrir um parênteses para falar um pouco sobre os aeroportos. O de casa é sempre o melhor, né? É onde a gente se sente em casa, sabe onde deve ir, o que deve fazer... Ah, e detalhe importante, dos quatro aeroportos em que estivemos, foi o único onde encontramos carrinho de bagagem com bebê conforto adaptado! Joaquim agradece! Mas lá, ainda em nossa cidade, perguntamos na loja da TAP sobre nossa saída do aeroporto em Lisboa, se seria possível. A mocinha disse que sim, mas mediante pagamento de uma taxa de 37 euros por pessoa na hora do "reembarque". Ok, estávamos dispostos a pagar, desde que pudéssemos sair. Isso que antes da viagem perguntamos na agência onde compramos as passagens, eles nos disseram que não era possível sair do aeroporto, e na TAP, por telefone, nos disseram que sim e não falaram nada de taxas... ou seja, ainda não tínhamos certeza de nada.
Em Guarulhos foi onde descobrimos como era bom o carrinho de bagagem com bebê conforto, e ficamos surpresos de não encontrar nenhuma opção lá, nem carrinho para alugar, como tem em alguns shoppings, nem carrinho da empresa aérea, como a TAM oferece. Ok, Joaquim foi para o Sling, santo Sling! Em São Paulo foi tudo tranquilo, não precisamos retirar as bagagens. Ah, só resolvemos confirmar se estava tudo ok com nossas malinhas, a mocinha do guichê da TAP disse que elas ainda não haviam sido computadas no sistema, erro do primeiro despacho, e que se não tivéssemos pedido para conferir, as chances de elas se perderem eram grandes. Mas agora estava tudo ok. Na hora do embarque ficamos ansiosos novamente com as papinhas do Joaquim, mas ninguém falou nem nos perguntou nada. Nem precisamos abrir a bolsa.
Na falta de bebê conforto, Joaquim andou na cestinha mesmo!
No aereoporto de Lisboa foi onde precisamos passar pela imigração. Mais uma vez uma fila gigantesca se formou e nós, belos e formosos passamos por todo mundo e não esperamos nadinha... e viva o neném!!! Lá só nos perguntaram porque nossos vistos iniciavam no dia 06 de setembro, Ismael respondeu que era quando começava seu curso e pronto. O portuga simpático nos deixou passar. Quando voltamos para o "reembarque", a bolsa com as papinhas e água de côco do Joaquim chamou a atenção do guardinha, mas ele chamou uma colega que logo o tranquilizou explicando que era mesmo papinha e estava tudo bem, isso tudo pelo raio-x, nem pediram pra olhar dentro da bolsa.
Finalmente chegamos ao último aeroporto, Orly - Paris. Quando chegamos na porta de saída nos olhamos e perguntamos: Ué? Simples assim? Ninguém nos perguntou nada, pediu para ver nada... nos demos conta de que já estávamos na União Européia e que o lance da imgração era mesmo só em Portugal. Melhor assim, é sempre mais fácil ser questionada em português, he he... Fecha parênteses
Em Orly um carro do hotel em que fizemos reserva para a primeira noite nos pegou. O hotel era ali pertinho. Largamos as coisas no quarto e fomos a um mercado - Carrefour - comprar água e comida. Estávamos quebradaços os três. Foi o tempo de comer, banho e cama. Eram 22h aqui, 17h aí. No dia seguinte, um contato que fizemos através do contato do contato do contato, sabe como? Viria nos acompanhar até nosso apê. Imaginamos que viria alguém para nos ajudar com a bagagem no trem, metrô, etc. Mas a surpresa foi boa quando chegou Michel, um brasileiro de Brasília, que mora aqui há 5 anos, para nos buscar de carro, oba! Acho que seria uma aventura encarar metrô com tantas malas + neném.
Chegamos em nosso apê aproximadamente às 9h30. Foi animador ir chegando e vendo a vizinhança, casinhas tão francesas à volta... tudo tão francês... he he. O apartamento é super gostosinho, aconchegante, e o Joaquim adorou seu quartinho! Com berço e tudo, ô beleza!! Começamos a nos espalhar pela casa, mas logo logo bateu o sono desregulado do fuso... fomos todos descansar e dormimos muito! À tarde saímos para conhecer os arredores. A Carla, que mora neste apê e nos alugou enquanto passa um mês no Brasil, foi muito querida e nos deixou mapas com mercados e outras coisas marcados para não nos perdermos. Ah, esqueci de contar, o Sling do Joaquim ficou esquecido no carro ou casa do Carlos em Lisboa... chuif... então uma providência bem urgente era comprar um carrinho ou qualquer coisa pra carregar nossos quase 11kg de fofurice. Resolvemos caminhar até o mercado mais distante, mas também maior para ir conhecendo as coisas por aqui. Foi uma caminhada deliciosa. No mercado começamos a aprender as particularidades daqui: os carrinhos de compras são retirados mediante depósito de 1 euro num cadeado que solta quando recebe a moeda, quando devolvemos o carrinho, recebemos a moeda de volta; e não vimos sacolas de plástico como no Brasil, existem umas maiores, mas precisamos pagar por elas, baratinho, mas são pagas. Nós trouxemos nossa sacola de pano do Walmart e nos sentimos super europeus! rsssss...
Na caminhada de volta pegamos uma chuvinha fraca, mas encaramos numa boa, inclusive Joaquim, que dormia no carrinho novo. Compramos um carrinho daqueles modelo guarda-chuva, basicão e levinho de tudo, por 22,90 euros (mais ou menos R$ 55,00). Quando entrávamos no portão de casa, apareceu um sujeito meio alucinado, com apenas um dente na frente, nos perguntando quem éramos. Tentei explicar com meu francês ainda fraco e mencionei a palavra "louer" (alugar), pra quê? O homem ficou louco, correu pra dentro de casa, voltou telefonando para alguém, nos mostrando um chaveiro de police fédérale, e mencionando "sublocation" mil vezes ao telefone... fiquei com medo. Ele não nos deixava passar e gritava ao telefone. Quando finalmente desligou continuou esquelando conosco e só entendíamos a palavra "sublocation". Foi uma loucura, mas conseguimos fazer o homem entender que não era nada daquilo, que éramos amigos de Carla e Manuel, que estavam viajando e nos emprestaram o apê durante umas três semanas... o que não deixa de ser verdade, pois ficamos amigos pela internet he he... e quanto ao pagamento... bom, resolvemos dar uma ajuda de custo para eles por usar suas coisa... Fato é que o homem foi se acalmando e no final já estava brincando com Joaquim... ufa! Depois disso ainda ficamos com medo de que o "Dentinho", como passou a ser chamado carinhosamente por nós, voltasse para nos apavorar.
E este foi o começo da nossa aventura!