retrospectiva

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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

On parle portugais!!!! | Nós falamos português!!!!


Tenho me frustrado um pouco com o tanto que sei da língua francesa. Confesso que tinha a ilusão de que daria conta de me "virar" com o pouco que sei. Mas é incrível, quanto mais o tempo passa mais me dou conta de que não sei "lhufas"!!! É engraçado, porque tenho entendido cada vez mais, das conversas na rua, das pessoas ao telefone no metrô, da televisão, mas proporcionalmente me sinto menos capaz de me expressar, de falar. Ismael só me olha com um olhar solidário de quem diz "sei bem o que vc tá passando...". Ele está à minha frente neste processo, porque começou com o curso de francês há mais tempo. E é bem mais ousado, ou corajoso, na hora de hora de falar. Dia desses fiquei aqui, só admirando Ismael e madame Tête (a proprietária do apê) no maior papo! Mas, como ele mesmo diz, ainda sente dificuldade também... e é tão louco a gente se sentir analfabeto!!!

Hoje na aula, me senti uma estudante primária, morrendo de medo que o professor me dirigisse alguma pergunta, e aconteceu! E era justamente uma questão do livro que eu ainda não tinha lido, e não sei se por pânico, ou ignorância mesmo, mas eu simplesmente não entendi o que ele estava me perguntando... ai, ai... é horrível quando a gente se sente burra... mais, ce ça... c'est la vie de une brésilienne en France...

Par contre, ou por outro lado, temos tido gratas e inusitadas supresas com nossa língua-mãe. Ontem foi dia de resolver algumas coisas práticas na rua, já que quarta-feira é um dia mais ou menos livre que temos em nossas agendas aqui. Fomos atrás do PMI (Centre de Protection Maternelle et Infantile) mais próxima para agendar um rendez-vous, ou horário de atendimento para Joaquim, para pesar, medir, examinar e encaminhar vacinas. Enquanto eu ainda catava algumas coisas para sair, Ismael desceu com Joaquim para me esperar lá embaixo. Quando finalmente desci, me deu um estranhamento porque vi, mas ainda não ouvia, Ismael conversando animadamente com uma senhora. O estranhamento foi porque quando conversamos em francês, a tendência é de ser uma conversa mais lenta, moderada... mas Ismael falava e falava... até que cheguei no hall e ouvi que ele falava português! Tinha acabado de conhecer a senhora que cuida da limpeza aqui do prédio, que é de Portugal!! Ela se encantou com Joaquim e a conversa seguia animada.

Na caminhada em busca do endereço do PMI, comentei com Ismael que não sabia exatamente o que dizer quando chegasse lá - "Oi, eu sou brasileira, estou morando em Paris e preciso de orientações sobre vacinação e atendimento para meu filho...". Ok, em português eu sabia.. mas e em francês? Fomos ensaiando no caminho... Claro que chegando lá, ao estar frente a frente com uma pessoa que parece não ter um minuto a perder na vida, a coisa é bem diferente. Bloqueei. Ismael assumiu o comando e foi tentando falar... a interrogação expressa na testa da mocinha não nos parecia um bom sinal... Até que ela perguntou que outras línguas falávamos. Ismael foi dizendo "um pouco de inglês, um pouco de espanhol, e... português...". O português a gente quase nem menciona, porque quem é que aqui na França fala português, além da zeladora do nosso prédio?!?! E não é que a mocinha abriu um sorriso e disse "português!!!". Ora pois, ela era portuguesa com certeza!!! Ufa... A conversa fluiu, conseguimos marcar o rendez-vous e voltamos felizes para casa. Chegando quase aqui em casa, em frente a uma loja de vinhos, ainda presenciamos uma rodinha de conversa entre dois senhores e uma senhora que conversavam em português!!! "Não dê ouvidos a quem não lhe quer bem...", foi o que ouvi. Em poucas horas, era a terceira vez em que ouvíamos nossa língua materna, música para nossos ouvidos... foi como um sinal, ainda resta uma esperança de que nos comuniquemos bem aqui na França!! he he...

E hoje, estava eu voltando da aula, lendo meu livro no metrô (em francês!!! a gente tenta...) quando entrou uma família, pai, mãe e dois filhos que se "espalharam" ao meu redor, conversando em português. A gente se depara com muitos turistas brasileiros por aqui, e quase nunca dá vontade de interagir, pois são encontros furtivos, passadas rápidas... mas hoje não me contive, pois o trajeto do metrô ainda seria longo. Perguntei: "brasileiros passeando em Paris?", eles sorriram e responderam que sim. Começamos a bater papo. E como se ter o mesmo país de origem não bastasse, logo descobrimos que vínhamos todos do mesmo estado, mesma cidade, e mesmo bairro no Brasil!!!! Êeee mundão!!!

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Em casa...

O que é exatamente "sentir-se em casa"? Onde é minha casa? No momento, me sinto em casa, estou no aconchego do meu lar... o que me parece bem estranho quando paro para pensar que estou num país que não é o meu e morando num apartamento onde estaremos por apenas 4 meses. Mas me sinto em casa. E isso é muito bom! Tenho pensado nisso porque desde que comecei meu curso de francês, tenho saído todos os dias, e percebi como eu tenho uma necessidade meio louca de ficar em casa. Ficar mesmo, ao menos um dia inteiro sem colocar a cara pra fora. Fazendo sei lá o quê, vestindo sei lá o quê, apenas em casa. Isso parece um desperdício aqui em Paris, mas pra mim é uma questão de sobrevivência. Fiz isso ontem, feriado aqui - Dia de todos os santos. Na verdade fiz mais ou menos, porque logo depois de almoçar, bateu o tédio no Joaquim e ele ficou meio impaciente. Coloquei no carrinho e fui comprar lenços umedecidos. Ok, não é um programa super importante, então quase nem considero, he he... mas já que estava na rua, dei uma esticadinha e fomos encontrar o papai que tinha ido correr no parque aqui pertinho de casa. Esse foi meu programa do feriado, de resto fiquei aqui. E foi revigorante. Melhor ainda foi perceber como estou me sentindo à vontade e curtindo nosso ninho temporário. No começo sempre dá aquela sensação de "casa dos outros", tem que cuidar com isso ou aquilo, não sabe bem como funcionam as coisas, etc e tal. A proprietária do apartamento veio aqui algumas vezes, para resolver coisas da vistoria, essa parada da infiltração, etc, e no início eu tinha um sentimento estranho de obrigação em deixar tudo lindo e arrumado para quando ela chegasse aqui visse que estamos cuidando bem das coisas... mas nas últimas vezes que ela veio já estava super relaxada (no bom sentido), desencanada mesmo, e ela nos deu essa liberdade, pois sempre deixou claro que podíamos arrumar as coisas como fosse melhor para nós. Então é isso, estou em Paris e me sinto em casa. E a sensação é muito boa.

Me dei conta disso também quando um dia desses comecei a pensar em Joaquim, explorador como está, como seria se estivéssemos no nosso apê lá no Brasil. Aqui, ele ama a máquina de lavar roupas, que fica na cozinha. Volta e meia pego metade dele enfiada lá dentro, aí tentei pensar no contexto brasileiro, a máquina lá fica na lavanderia, que é ao lado da cozinha... mas aí me ocorreu que eu não lembrava se nossa máquina era frontal ou vertical!!! Minha maquininha Enxuta, que temos desde antes de casar!!!! Esqueci da cara da coitada!!! Com algum esforço lembrei que sim, Joaquim poderia se divertir entrando nela também, que é frontal. Mas achei isso muito sintomático.

Minha casa agora (e por enquanto) é aqui!!! Os franceses tem uma expressão específica para se referir a sua casa, seu lugar - Chez. Chez vous (sua casa); Chez Marie (casa de Marie); Chez nous (nossa casa). Então hier, j'étais chez moi (Ontem, eu fiquei em casa).


Nous, à chez nous!!

E falando do meu curso de francês... estou gostando bastante, mas os sentimentos e emoções são ambiguos. Terminando a semana passada (que foi a primeira do curso) cheguei em casa meio desolada na sexta-feira. Um sentimento estranho de que passei uma semana frenquentando um lugar sem ser percebida, sem de fato fazer parte... isso porque não abro a boca na aula!! Fico insegura, parece que todo mundo fala melhor que eu, uma coisa louca... fiquei super feliz de entender o professor e acompanhar as explicações, mas não consigo me comunicar com as pessoas e isso é horrível! Quando cheguei em casa com esse sentimento, Ismael me deu um sorriso cúmplice como quem diz "sei bem o que vc tá sentindo, já passei por isso"... e é verdade! Quando ele voltava da aula meio désolé eu não entendia muito bem, agora entendo tudoooo! A gente tem vontade de conversar, perguntar, expressar opiniões, etc, mas simplesmente não sabe como... e pior, eu tenho a sensação de que o pouco que eu sabia eu esqueci!!! Mas estou me fiando naquilo que ouvi muito quando nos preparávamos para vir para cá: "vocês vão ver, depois de um tempo é como se um botãozinho fosse ligado e vcs conseguem se comunicar!". Tô esperando...

E pra me animar um pouquinho, hoje, começando a nova semana no curso, bati o maior papo com uma colega no final da aula - em português!!!! rsssss... descobri que tenho uma colega brasileira, e ela está como eu, super desolée, rsss... pelos mesmos motivos. E justamente por isso foi muito bom encontrar alguém com quem é possível, pelo menos, chorar as pitangas! E depois de bater um papinho básico, saímos da escola juntas para pegar o metrô, e conosco vieram mais três colegas: uma filipina, uma russa e uma de origem desconhecida (não deu tempo de perguntar). Durante o percurso em comum, conversamos - em francês, inglês, português - e me animei quando me dei conta de que estava batendo papo, meio aos trancos e barrancos, mas estava!

C'est la vie en France!!!

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Em obras!


Apartamento em reforma, em Paris, ninguém merece!!! Tudo começou há duas semanas com a vizinha de baixo deixando um bilhete em nossa porta falando sobre uma infiltração. No dia seguinte ela veio pessoalmente. Sempre muito polida e educada, tentamos nos comunicar e falamos a ela que avisaríamos a proprietária. Desde então madame Tête assumiu a "negociação". Ontem estiveram aqui 6 pessoas (contando com o bebê da vizinha de baixo) olhando onde poderia ser o vazamento. Dois moços passaram algumas horas trabalhando no terraço dos fundos. O que parecia estar resolvido ficou ainda pior. A vizinha passou a madrugada coletando litros de água que escorriam de seu teto, enquanto nós, desavisados e achando que estava tudo bem, dormíamos tranquilamente.

Hoje saí com Joaquim pela manhã e quando voltei vi um recado da vizinha lá no mural da entrada, pedindo desculpas aos moradores do prédio por ter pego emprestado uma das lixeiras, ela precisava conter o vazamento em seu apartamento que estava quase inundando. Opa! Logo a proprietária me ligou dizendo que viria hoje à tarde com um especialista. Ai, de novo... vamos lá... sei que lá pelas tantas tinha de novo 7 pessoas, entre vizinha, síndico, proprietária, dois especialistas, o pai de madame Tête e um outro senhor que não sei quem é mas que trocou algumas palavras em português comigo, circulando entre nosso quarto e o banheiro. E eu acompanhando sem entender lhufas do que falavam. Resumo da ópera, sem banho hoje!!! Uláláaa, na França como os franceses!!! E amanhã a novela continua, madame Tête vem com um técnico para fazer o reparo num vazamento que encontraram na baignoire (banheira). Depois dessa vamos chorar mais um mês de grátis no apartamento, pela incomodação!!! he he he he... já pensou?!?!

A partir desta semana mudei meu status por aqui, agora além de turista, dona de casa, esposa e mãe, sou também estudante! Comecei, finalmente, meu curso de francês! Gostei bastante do professor, a turma é um pouco grande e a maioria é de japoneses, isso é um pouco ruim, porque existe muita diferença para aprender o francês quando se tem ou não a língua materna de origem latina. Então a predominância de orientais vai determinar o ritmo das aulas, penso eu. Mas tá tudo dez. Fiquei feliz que entendo bastante coisa do que o professor fala, só estou super travada para falar, parece que mais do que quando chegamos aqui. Espero superar isso logo, pois como me disse Ismael ontem, a gente tem sotaque para falar, mas não para pensar, e é muito triste quando a gente não consegue expressar idéias e opiniões. A escola é bem legal, chama Campus Langues, e além de ser bem estruturadinha, tem um preço ótimo. Me inscrevi para quatro semanas, 8 horas semanais, e paguei 155,00 euros, mais 25,00 pelo material didático. Pretendo continuar depois, provavelmente até dezembro.

Sair de casa sozinha, andar uns 40 minutos fazendo baldeações de metrô para atravessar a cidade, caminhar mais uns 5 minutos até a escola, assistir duas horas de aula, depois voltar com um cansaço gostoso pra casa e encontrar Ismael e Joaquim se divertindo e ambos com um sorrisão cúmplice no rosto ao me ver... não tem preço! O começo dessa nova fase está sendo super estimulante!

Mudando de assunto, esta semana definimos nossos destinos para as férias de fim de ano e para a "viajinha" de novembro. Viajinha é como estou chamando as pequenas viagens que pretendemos fazer neste período aqui na Europa, tem que aproveitar, né? Então vamos tentar ir para, pelo menos, um lugar super legal a cada mês. Outubro foi Mont Saint-Michel, e novembro será Budapeste! Para escolher o lugar acessamos um site de vôos low price e fomos olhando as promoções e possibilidades. Percebemos que low price meeeesmo, é bem difícil de conseguir, pois depende do dia da semana, horário, etc. e como temos os cursos, precisamos ir no final de semana. E depois ainda tem as taxas que vão sendo acrescentadas, para a bagabem, para a agência, etc. Mas enfim, ainda assim acho que conseguimos um bom preço. Vamos enforcar uma sexta e uma segunda e assim conheceremos a capital da Hungria, o Rio Danúbio, etecéterrá... como dizem os franceses. Ismael está com um pouco de medo do frio, mas estamos dispostos a encarar os graus negativos previstos para novembro, vamos ver no que dá!!

Falando em frio. Estou percebendo que precisamos mudar nossa mentalidade em relação ao clima urgente! No Brasil, tem muito aquela coisa de "hoje tá muito frio pra sair de casa", lembro que tinha dias mais frescos que eu saía com Joaquim e costumava ouvir comentários de pessoas no mercado e até na rua, "tá muito frio pra sair com essa criança!". Aqui isso não existe. As pessoas agem como se fosse um dia qualquer, vemos muuuuuitas crianças, bebês, com os pais na rua, logo pela manhã e em lugares como pracinhas, parque... ou seja, teoricamente lugares onde não precisariam estar. Mas vemos aqueles pacotinhos que mal caminham, correndo na pracinha cheios de casacos, luva, cachecol... aí fico pensando, é isso ou a gente pira ficando só dentro de casa!! E isso que o frio nem chegou de verdade!!!

Ah, e deixa eu falar um pouquinho sobre a tal greve e caos que tem sido divulgado na imprensa sobre Paris e França. Não posso dizer que estamos super bem informados porque não temos lido os jornais diariamente, mas nos parece que o caos não é tão grande quanto divulgam. A situação é séria sim, e os franceses em geral são bastante politizados, então as manifestações são bem comuns, mas em geral são pacíficas e não perturbam a ordem geral. Os transportes sofrem algum efeito, mas há muita informação sobre quais linhas de metrô ou trem serão afetadas. Parece que nos aeroportos as coisas estão um pouco mais complicadas, muitos vôos cancelados ou adiados. E em relação ao combustível a coisa ficou realmente feia. Filas e mais filas de carros se formam nos postos onde ainda tem gasolina, mas dizem que as coisas devem voltar ao normal. De uma forma geral, aqui onde moramos está tudo muito tranquilo. Não temos presenciado manifestações nem nada referente à greve.

Amanhã estão anunciando uma paralisação geral no setor público. Ainda não sei bem o que isso significa, mas pelo que andei me informando, será como tem sido até agora, algumas linhas de metrô e trem vão parar, outras funcionam normalmente. Meu curso e o do Ismael à noite funcionarão pois são escolas privadas, e o curso de francês da prefeitura que Ismael está fazendo entrou em férias esta semana - férias que não tem muita razão de ser, mas enfim... provavelmente as aulas seriam suspensas de qualquer forma.

E é assim que as coisas estão por hora.

domingo, 24 de outubro de 2010

Adivinha quem vem para visitar?

Receber visitas em Paris. É definitivamente algo que nos dá prazer. É como assistir um bom filme com alguém pra poder ficar conversando horas depois sobre o filme. A troca de coisas boas faz a coisa ficar melhor ainda! Neste final de semana fizemos nossa estréia como anfitriões, e quem veio nos ver foi a Márcia, grande amiga, madrinha de casamento e minha chefinha por longos anos até eu sair do Brasil. Foram três dias em que ela se aventurou a tomar um trem sozinha da Alemanha pra cá, enquanto Hialmar, o maridão, visitava parentes. Foi uma delícia, tivemos ótimas conversas, fizemos longas caminhadas pela cidade, exploramos a feira aqui perto de casa, fizemos uma noite de queijos e vinhos... Obrigada Márcia pela sua companhia nesses dias!!

Temos mais algumas visitas "agendadas" durante esse período que passaremos aqui, e isso nos empolga muito, gostamos de tentar imaginar programas legais para fazer com esta ou aquela pessoa, "ah, isso é a cara do meu irmão" ou "eles vão adorar isso aqui" ou "temos que trazer Aninha aqui" ou "mamãe vai ficar louca quando vier aqui!". É muito gostoso. A sensação é a de que é beleza e coisa boa demais só pra nós três, dá vontade de compartilhar!!! he he...



terça-feira, 19 de outubro de 2010

A primeira viagem dentro da viagem...

Há tempos que estávamos ensaiando uma fugidinha de Paris num final de semana qualquer, para começar a explorar a "vizinhança", um dos problemas era escolher o destino - as opções são muitas!!! Até que no final de semana que passou aconteceu! Foi uma decisão repentina e muito acertada, foi uma viagem maravilhosa, que Ismael descreveu super bem lá no QUERIDO JOAQUIM. Então vou registrar aqui mais algumas impressões e curiosidades sobre a viagem.

Eu nunca tinha ouvido falar em Mont Saint-Michel, desculpe aí... foi uma amiga brasileira que estava aqui que nos falou. Ficamos curiosos e fomos dar uma pesquisada, descobrimos que é o segundo lugar mais visitado da França, depois de Paris! U-la-lá!! Muitas coisas sobre o lugar impressionam, lá ocorre uma das marés mais altas do mundo, com variação de até 15 metros, e na maré baixa, a distância entre o Monte e o mar chega a 18km. Para ir de Avranches, onde dormimos, até Saint-Michel, são aproximadamente 50 km de estrada, mas em Avranches tem um parque com vista para Saint-Michel, é lindo! Aliás, ver o Monte de longe é possível de diversos pontos... quando estávamos indo para lá, faltavam ainda mais de 10 Km para chegar e já estávamos sendo acompanhados pela imponente presença da edificação, que ia ficando cada vez maior e mais impressionante. É de emocionar. Eu só ficava pensando, quando construíram a Abadia no topo do monte, aquilo era um meio de nada (hoje ainda é), podiam ter feito um prédinho qualquer, com parede e telhado, mas não, é uma construção linda, com riqueza de detalhes nos telhados e em lugares que nem conseguimos enxergar direito.
A caminho de Mont Saint-Michel (ao fundo)
A abadia no alto do morro e a vila logo abaixo
Ismael falou que quando chegamos, depois de muuuuitos degraus, dentro da Abadia, estava acontecendo uma missa. Na hora em que entrei, os monges e freiras estavam entoando um cântico que ressoava naquela imensidão iluminada naturalmente através dos vitrais, havia fumaça do incenso no ar, e além das vozes que ecoavam louvando a Deus, um silêncio absoluto. Não me contive, chorei. Chorei emocionada por estar ali, por ver tanta beleza e por sentir a presença de Deus naquele lugar. Foi um momento mágico que não quero esquecer nunca!
Missa na abadia de Sain-Michel
Além da Abadia, há também o vilarejo medieval que se instalou ao pé do monte, dentro da muralha que cerca tudo. Hoje o vilarejo consiste em lojas e restaurantes, comércio que provavelmente já existia na época de origem, mas como disse Ismael, ao invés de tripa de porco e pelego de ovelha, hoje são vendidos souvenirs e comida típica. Soubemos que mais ou menos 40 pessoas moram dentro das muralhas, e há também alguns hotéis ali.
Entrando na vila de Saint-Michel

Conhecemos Saint-Michel num dia bom, o movimento de turistas era contido, não estava abarrotado de gente, pudemos caminhar tranquilamente nas ruinhas estreitas. Com excessão dos grupos de excursão, que quando chegavam iam dominando todos os espaços, e nós fugíamos rapidinho.

(...)

Bom, essa foi nossa primeira experiência com carro, estrada, GPS, etc. O carro que alugamos era um xuxuzinho, um Panda da Fiat, bem pequeninho e super gostoso de dirigir. Pegamos a opção mais barata, mas o carro era completo, com direção hidráulica, vidros elétricos, ar condicionado, etc. Não sei se aqui existem carros mais básicos que isso... A locação para três dias ficaria em 114,00 euros, mas a cadeirinha para o Joaquim é um opcional pago a parte (28,00 euros) e o GPS também (10,00 euros por dia), e ainda tem impostos e seguro opcional, combustível, pedágios, etc. Ou seja, alugar um carro não é das coisas mais baratas por aqui, mas é muuuuuito bom! É ótimo ter a liberdade de ir e vir quando a gente bem entender, e parar quando e onde quiser... Ismael comentou que na ida levamos 7 horas, na volta foram 3h. Mas isso porque optamos por ir por estradas secundárias, o que foi super acertado pois nos deparamos com lugares lindos e paramos para fotografar e caminhar em cidadezinhas que nem sonhávamos que existiam. Na volta viemos pelas autoroutes, estradas ótimas, com pedágio, pagamos 4 pedágios no trecho que fizemos, total de mais ou menos 13,00 euros. Na verdade as autoroutes ganham em número de pistas, e limite maior de velocidade, porque em termos de qualidade de estrada, as secundárias todas eram muito boas também e muitos trechos em pista dupla. Dirigir na estrada aqui na França, e pelo que ouvimos falar, em toda a Europa, é muito tranquilo. Já em Paris, a coisa muda de figura.


Uma das muitas vilas simpáticas que conhecemos ao longo do caminho
Nunca, em meus trocentos anos de direção no Brasil, fui parada pela polícia. Aqui em Paris, eu estava dirigindo havia 5 minutos e vi o carro da guarda municipal fazendo sinal atrás de mim. O engraçado é que eu não fiquei nervosa, não me bateu o pânico nem nada, encostei o carro meio que rindo e pensando "ai, ai, lá vamos nós!". Entre várias coisas que o policial - muito gentil e educado devo dizer, de verdade! - me falou, só entendia "fait rouge" (ou algo que o valha), o que aos nossos ouvidos brasileiros soa como "ferrugem", juro que (sem medo de parecer ridícula) pensei "será que tem alguma ferrugem na lataria do carro!?!?!?!", mas levou alguns segundos para que o botãozinho do francês fosse ligado em meu cérebro e relacionei rouge=vermelho, sinal vermelho!! Só podia ser, e era. Fiz cara de constrangida e enquanto mostrava passaporte, licença internacional para dirigir, carteira de habilitação e recibo de aluguel do carro, fui explicando, como consegui, que era a primeira vez que eu dirigia em Paris e que havia acabado de pegar o carro. Convenci o guardinha, ele foi super gente fina e só falou para eu prestar mais atenção - Bien sur, monsieur!!! (com certeza, senhor!!). E o segredo todo é esse, atenção, não dá pra ter pressa no trânsito aqui, pois pedestres SEMPRE tem preferência, assim como as bicicletas, então é preciso ter vários pares de olhos atentos em todas as direções. Outra coisa é que o sinal amarelo praticamente não existe, entre o verde e o vermelho, tem uma piscadela amarela, então não é como no Brasil - "ah, ainda dá tempo..." - não dá.

Outro probleminha aqui, pelo menos nas redondezas de onde estamos morando, é achar lugar para estacionar. Os parisienses são campeões em "fazer caber" o carro, seja onde for, e não é a toa que é muito comum carros com a lataria amassada e parachoques bem arranhados. Mas nas ruas em geral, as vagas são pagas, no estilo do Estar brasileiro. Então tive que comprar um cartão para usar num parquímetro, e retirar um bilhete para colocar no painel do carro, nos dando um sossego de duas horas. Isso depois de dar várias voltas até achar um lugarzinho ao sol... e pra descobrir como tudo isso funciona?! em francês?!... sei que quando cheguei em casa falei para o Ismael: "pronto, já tive minha aventura do final de semana!! Nem precisamos viajar...".

Outra aventura em relação ao carro foi abastacer. Primeiro porque teríamos que descobrir como se faz, uma vez que aqui os postos são self-service, no melhor estilo "se vira, camarada!! . Ok, pra quem já descobriu como se compra ticket de metrô, faz fotocópia, pesa frutas e verduras no mercado, tudo sozinho, abastacer seria fichinha... isso se encontrássemos combustível!!!! Ai que desespero... Bom, pegamos o carro na locadora e saímos de Paris com o tanque cheio. Fizemos todo o passeio e no domingo, antes de pegar a estrada de volta o marcador indicava que estava entrando na reserva, até aí estávamos bem tranquilos. O stress começou quando, saindo de Avranches, paramos num posto e a bomba estava com um aviso hors de service (fora de serviço), pensamos que seria melhor voltar e encontrar um posto na cidade, pois sabe-se lá a que distância seria o próximo posto na estrada. Voltamos. Estivemos em três postos e nada... nos ocorreu que poderia ter algo a ver com a tal greve e crise que a França está enfrentando, e aí?!?!?! Continuamos nossa busca... graças a Deus achamos a essence 95 sans plumb (gasolina 95 sem chumbo), que era o que precisávamos. Enchemos o tanque e pegamos a estrada. A viagem de volta foi tranquila, para nosso alívio os pedágios funcionam como no Brasil, com uma pessoinha para receber o dinheiro. Mas outro stress começou chegando em Paris. Nós teríamos que devolver o carro com o tanque cheio, para não pagar o absurdo que eles cobram na locadora pelo litro da gasolina. Fomos ao posto mais próximo de casa, dando a viagem por encerrada, era só encher o tanque e pronto... ledo engano! Hors de service... foi o aviso que lemos em outros tantos postos que encontramos... até que, volto a dizer, graças a Deus, encontramos um posto com combustível, nem tão longe de casa... ufa! Mas como ainda não pegamos a manha de encher o tanque, ao sair do posto vimos que o marcador indicava o tanque "quase" cheio, mas não totalmente... E não é que o carinha da locadora, na hora da devolução, queria cobrar a diferença!?! Contrargumentei dizendo que foi muito difícil encontrar combustível, tive que rodar muito e coisa e tal... ele foi camarada e não cobrou. Mas tive uma noção do quanto a situação está crítica quando, enquanto aguardava para fazer a devolução do carro, vi um cara saindo meio indignado porque estava alugando um carro com o tanque quase vazio e não tinha a mínima idéia de onde encontraria combustível... e o mocinho da agência não sabia o que dizer... Hoje li que quase dois mil postos na França estão sem combustível. As refinarias de petróleo aderiram à grave contra a reforma no sistema de aposentadoria que está sofrendo uma reforma no país. O caos está feito. Só sei que saí respirando aliviada por ter devolvido o carro.

Nosso fiel escudeiro de toda a viagem, um Fiat Panda, gostosinho de dirigir.

E ainda sobre o aluguel do carro, tenho algo a dizer sobre o GPS. Depois deste final de semana, minha vida passou a ser contada em "antes do GPS" e "depois do GPS". É a coisinha mais maravilhosa e eficiente do mundo!!!! Ele nos dá opções como pagar pedágio ou não, caminho mais rápido ou mais curto, e ainda avisa que o mais curto não é necessariamente o mais rápido, nem o mais econômico... foi essa nossa opção na ida, e amamos! Apesar da sensação de estarmos sendo vigiados o tempo todo, afinal, por mais que nos perdessemos o tal GPS sempre sabia dizer onde a gente estava, a tranquilidade de ter "alguém" nos indicando o caminho o tempo todo não tem preço, vale cada centavo de euro pago!!! Nem cogitaremos alugar carro por aqui sem GPS!!

E pra finalizar, antes de saírmos do Brasil, pesquisamos sobre carteira de habilitação para dirigir na Europa. Em alguns lugares dizia que é necessária a Permissão Internacional para Dirigir (PID), em outros dizia que a Habilitação brasileira é suficiente. Como eu tive que renovar minha carteira antes de vir para cá, resolvi fazer a PID também. Ismael veio só com a brasileira. Por isso, achamos mais prudente eu ir buscar o carro na locadora, caso pedissem a Permissão Internacional. No fim não sei dizer se seria necessário ou não, pois mostrei o documento, mas a mocinha me pediu meu documento do país de origem... voi lá!

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Assim é Paris... aos nossos olhos!

O tempo de viagem no metrô não é tempo perdido, é tempo disponível para ler, ler e ler... o parisiense lê muito, e não são só os mais velhos, eu já vi três adolescentes entrando num metrô no maior clima de festa, assim que o trem começou a andar, uma das meninas pegou um livro na bolsa e ficou na dela, lendo...

Cena no supermercado, fila do caixa: na nossa frente uma mulher com seu filho de, aproximadamente, três anos. Menino começa a ficar impaciente, a mãe nem titubeia, abre a embalagem de queijo Camembert, arranca um naco e dá para o guri ir comendo enquanto espera... assim, sem mais, como se fosse um pacote de Elma Chips... o menino ficou calminho...

Nós andando com Joaquim no carrinho pelas ruas de Paris, em nossa direção vem um senhor de mais ou menos 120 anos (brincadeira, mas tinha pra lá de 80), o caminho fica estreito, enquanto penso pra que lado vou para o senhorzinho poder passar, ele já saiu de nosso caminho nos dando a preferência. Aqui bebês são mega preferenciais em tudo!
Já que o assunto são os idosos, no metrô tem um espaço reservado para assentos preferenciais, a ordem de preferência é numerada: 1) mutilados de guerra; 2) portadores de necessidades especiais; 3) mulheres grávidas ou pessoas com crianças de até 3 anos de idade; 4) pessoas com mais de 75 anos. Fica bem evidente a longevidade do francês, além da diferença de 15 anos em relação ao idoso no Brasil, eles ainda ficam por último na ordem da preferência!
Pra quê estressar??!!? Segunda-feira de manhã, é assumidamente momento de curar a ressaca. Pelo menos é o que parece, pois o comércio é meio morto-vivo, muitas coisas estão fechadas, e cada lugar abre num horário diferente, isso quando não é o mesmo lugar que abre a cada dia num horário. Perto de nossa primeira morada por aqui, tinha uma quitanda ótima, com muitas opções de frutas e verduras e preços ótimos, mas cansei de dar com a cara na porta, segunda-feira não abria antes das 10h, outro dia abria às 8h30, mas fechava às 17h, e assim ia... em um mês não deu pra decorar os horários, então era arriscar ou arriscar...
A sensação que temos é que, em geral, o parisiense lida de uma forma bem diferente da nossa em relação ao tempo. Eles levam o trabalho muito a sério e são empenhados, mas também acham muito importante ter um tempinho no meio do dia para sentar num gramado, na praça mais próxima e pegar um sol; ou, como disse uma amiga nossa, para chegar em casa depois do trabalho e ouvir uma ópera enquanto toma um vinho... parece uma imagem romantizada do francês, né? Mas isso existe!

Domingo de manhã, enquanto a bela adormecida aqui curte uma caminha gostosa, Ismael e Joaquim saem para bater perna pelo bairro. Cena inusitada: sob uma ponte, em um posto de gasolina fechado, uma banda tocando um som maravilhoso, jazzinho animado... dali a pouco começam a pipocar os primeiros corredores do que parece ser um maratona. Ismael caminha mais um pouco e na próxima ponte, outra banda, tocando cordas, outro som delicioso embala o ritmo do que agora é uma massa infinita de corredores. Aqui não basta organizar uma corrida de rua para os parisienses, tem que colocar algumas bandas tocando som de qualidade ao longo do caminho, que é para motivar!


Ismael que sempre foi chegado em catar coisas de origem duvidosa na rua (leia-se lixo) e trazer para casa como se fosse o tesouro perdido, está se realizando aqui em Paris. Quando nos instalamos no novo apartamento sentimos falta de algumas coisas que poderiam facilitar nosso dia-a-dia: um rack, ou móvelzinho qualquer para deixar as coisas do Joaquim à mão no nosso quarto para a hora da troca de fraldas; mais um varal, pois o único disponível aqui era pouco; uma lixeira para as fraldas, etc. Dia desses, voltando para casa à noite, não é que Ismael se depara justamente com um varal e uma dessas fruteiras de aramado, tipo rack com gavetas, na rua, em frente a um prédio?!?! Declaradamente lixo, alguém colocou ali porque não queria mais... mas ambos estavam em perfeito estado. Não teve dúvidas, catou e trouxe para casa com o maior sorriso de satisfação. E ontem, eu subi com Joaquim enquanto ele foi ao mercado, quando voltou tinha nas mãos uma lixeira de lata, dessas de abrir com o pé, um pouco empoeirada, mas branquinha e também em perfeito estado... pronto, temos onde jogar as fraldas... Eu nunca fui muito a favor desta prática, mas aqui realmente não tenho como discutir! As coisas estão ótimas para serem usadas e nós estamos precisando. Pronto!

E o que não se acha no “lixo”, encontra-se nas chamadas brocantes, ou feira de usados, ou bazar, ou garage sale, seja o que for. Este final de semana teve uma aqui pertinho de casa, eratipo feirinha mesmo, com várias bancas montadas ao longo da rua, e encontrava-se de tudo. A maioria das coisas era usada, eu até fiquei impressionada com o estado de algumas coisas, sapatos, roupas que poderiam muito bem ser descartados, mas estavam ali à venda. Por outro lado tinha coisas novas também, inclusive com etiqueta ainda. E entre coisas novas e nem tão novas, voltamos para casa com: um cadeirão para Joaquim sentar nas refeições, por 5 euros (estado – bem usado mas com tudo em ordem); um livro infantil lindão, grandinho, de capa dura, por 1 euro (estado – ótimo); 4 jardineiras muito fofas para o Joaquim por 5 euros, as quatro! (estado – novas); 1 blusão lindinho para Joaquim, por 1,50 euro (estado – novo). Fizemos bons negócios.



Existem lugares mágicos nessa cidade, lugares que nos atraem como imãs... e descobrimos mais um no sábado. É a Pont des Arts, uma ponte diferente da maioria em sua estrutura, e em seu uso. Ela é toda de ferro, piso de tábuas, é apenas para pedestres e tem uns bancos no meio. Chegamos lá num fim de tarde lindo, o sol estava querendo se pôr. A primeira coisa que nos chamou a atenção foi a quantidade de cadeados presos na ponte, sempre com o nome de um casal ou uma declaração de amor escritas, uma celebração ao amor! E depois também percebemos que a ponte é usada para piqueniques! Quanto mais a tarde caía, maior a quantidade de gente abrindo sacolas e tirando garrafas de vinho, queijos, pães, enquanto se sentavam no chão mesmo, sem a menor cerimônia. Claro que não deixamos por menos, providenciamos sanduíches e Joaquim tinha a papinha dele, estava feito nosso piquenique, iluminado pelas luzes dos barcos passando embaixo no Rio Sena, e embalado ao som de músicos espalhados pela ponte.


E é assim que temos percebido Paris até aqui!

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Novidades parisienses...


Fim de semana de mudanças. Começamos a operação formiguinha na sexta-feira, depois de faxinar e deixar quase tudo em ordem no antigo apê, reunimos os volumes para ter uma idéia do que teríamos que carregar. E deu bastante coisa. Estudamos as possibilidades, considerando que viríamos de trem para o novo apê – três trens na verdade! Depois de rápidas considerações de logística dividimos os volumes entre nós dois, eu fiquei com a “malinha” mais preciosa, trouxe Joaquim no sling, além de outros tantos volumes. Ismael veio com um mochilão e vários outros tantos volumes. Mas ainda assim, ficou metade das coisas para o dia seguinte.

Depois da aventura de trocar duas vezes de trem carregando tudo aquilo e ainda pegar uma chuvinha fina quase chegando no apê, finalmente chegamos. Madame Tête já nos esperava e foi nos receber no hall quando ligamos para ela. Gostamos bastante de nossa locatária, ela foi muito atenciosa e não achou ruim o fato de nossa comunicação ser meio truncada. Entre gestos, um pouco de inglês, espanhol e francês conseguimos entender como funcionam as coisas por aqui, perguntamos algumas coisas e até conversamos um pouquinho. Depois de tudo explicado ela nos deixou para finalmente tomarmos posse do novo ninho. E que ninho! Nós somos os primeiro inquilinos, e parece que ela recém montou o apartamento, tudo novinho, algumas coisas até tiramos da embalagem. Temos um espaço ótimo, a sala é perfeita para Joaquim brincar enquanto trabalhamos ou estudamos, a cozinha é espaçosa, o banheiro idem. O lugar menos espaçoso é o quarto, que além da cama tem um armário enorme, onde dá até para guardar as malas. Estamos achando que ainda vai caber o berço do Joaquim, apertadinho, mas talvez dê.

Algumas coisas que nos chamam a atenção aqui:
Assim como no outro apê, os ambientes não tem lâmpadas instaladas no teto, a luz vem de luminárias espalhadas pela sala e quarto, é uma luz indireta e, vamos e venhamos, dá todo um charme ao ambiente... embora a gente tenha estranhado bastante no iníco – sempre nos parecia um pouco escuro – agora já estamos acostumados e até gostamos.

Em geral, nesses apartamentos mais compactos, a máquina de lavar roupa fica instalada na cozinha, às vezes no banheiro, ou seja, não existe uma área de serviço, nem tanque!!! Tive dificuldade com isso no início, até entender que dá pra lavar um calçado ou pano de chão no chuveiro e dar uma esfregadinha em alguma roupa mais suja na pia da cozinha mesmo...

Este apartamento em que entramos agora é todo lindão, tem um cuidado com a decoração dos ambientes, tem taças de vinho E de champagne, velas perfumadas à disposição, o banheiro é todo em mármore e tem uma banheira toda chiquetê, MAS não tem chuveiro!!!! Quando entrei no banheiro a primeira coisa que pensei foi “como assim?!?! Está faltando alguma coisa”. É isso, vamos morar bem pra caramba, mas passaremos quatro meses sem um bom banho de chuveiro!!! Ah, para nosso consolo, tem um chuveirinho na banheira.

Bom, mas o melhor de tudo, a coisa mais sensacional do nosso novo ninho, é que estou aqui escrevendo este post, sentada na sala, acompanhada de uma taça de vinho, olhando para a Torre Eiffel toda iluminada! Sim, temos um terraço com vista para a Torre!! Com certeza é muito mais do que tínhamos em vista como moradia aqui em Paris, mas diante da absoluta falta de opções, uma das alternativas era pagar um pouco mais do que estávamos dispostos... a parte boa é que essa vista nos faz sentir que está valendo a pena!

E desde que chegamos no novo endereço, a sensação de que cada tostão investido está valendo muito a pena só cresce. Já fizemos algumas caminhadas exploratórias e a empolgação vai aumentando. Estamos pertinho do Rio Sena, perto do Parc André Citröen, dá pra ir caminhando até a Torre Eiffel, Champs de Mars e Trocadero, temos uma estação de Velib (bicicletas) a uma quadra de casa, trem RER e metrô a duas quadras, o comércio por aqui tem absolutamente tudo que poderíamos imaginar e até um pouco mais – floricultura, loja de bricolagem, lojinha de 1,99 (francesa!), loja de brinquedos de madeira, livraria, isso sem falar nos inúmeros supermarché, pharmacie, boulangerie, etc. Ah, e para alegria do Ismael (e minha por tabela), tem uma Picard aqui pertinho. Picard é uma rede de lojas de pratos congelados que tem de tudo, desde pratos prontos até verduras, saladas, sorvete... tudo congelado, super prático e os preços são ótimos. O único porém é que temos um congeladorzinho minúsculo aqui no apê lindão (mas nem tô reclamando!). Fato é que estamos absolutamente felizes com a mudança! Tanto que a primeira noite no apê ainda empoeirado e cheio de malas espalhadas foi celebrada com um jantar à luz de velas, champagne e Cordon Blue (da Picard!).

Quando ainda achávamos que dava para escolher em que região da cidade iríamos morar, não cogitávamos o 15º Arroundissement, ou 15eme como falam por aqui, porque fica no lado oposto da cidade de onde será o curso que Ismael veio pesquisar e o meu curso de francês. Mas dadas as circunstâncias, é onde estamos morando, e já estamos descobrindo os caminhos das pedras: para ir para o curso de francês do Ismael é super tranqüilo, tem ônibus rápido e freqüente (estreamos nossa experiência com ônibus aqui, já falo mais...), para o outro curso da prefeitura que Ismael está fazendo é um pouquinho mais distante, tem que pegar metrô e fazer conexões, mas é possível e com os outros cursos provavelmente será assim também, nada que um pouco de paciência e disposição não resolva. Aliás, até comentei com o Ismael que não vejo a hora de começar meu curso também para, entre tantas outras novidades, poder andar todo dia de metrô lendo um livro no longo trajeto que sei que terei que enfrentar, o povo aqui lê muuuuuito no metrô!!!

Sobre andar de ônibus aqui: até hoje não tínhamos experimentado, porque não foi necessário. Mas hoje de manhã saímos juntos para o curso de francês do Ismael, ele para ir à aula e eu para conhecer a região. Fomos a pé, Joaquim no carrinho e foi uma caminhada ótima, mas bem longa. Na volta Ismael descobriu que tem um ônibus que faz o percurso, é super freqüente e tem ponto perto da escola e pertinho de casa. À tarde nós saímos para comprar o material de desenho que Ismael estava precisando, pegamos o ônibus e experimentamos com Joaquim no carrinho. É ótimo! Super fácil de entrar e sair, as pessoas dão preferência por causa do bebê e tem lugares especiais para “estacionar” o carrinho dentro do ônibus! Uma beleza.

Outra grande vantagem da mudança nós pudemos experimentar logo na segunda noite. Fizemos nosso primeiro programa noturno em Paris! Antes, pelo fato de estarmos na Banlieue, ainda que fosse super prático pegar o trem, tinha o fator psicológico de estarmos fora da cidade, então não nos animamos a sair nenhuma noite. Mas sábado, dia 02 de outubro, teve a Nuit Blanche de Paris, falei sobre ela em outro post. Nós fomos assistir a um grupo de canto gregoriano que se apresentou na Catedral de Notre Dame. Quando chegamos lá ficamos impressionados com o movimento e quantidade de pessoas nas ruas do Quartier Latin, um clima de festa no ar, parecia noite de Ano Novo, ou de Carnaval, muito agito. Chegamos em Notre Dame em cima da hora, mas nada que um bebê não resolva na hora de encarar a fila, entramos direto, conseguimos lugares e curtimos o espetáculo. Depois ficamos um bom tempo batendo perna pelas redondezas, estava uma delícia ficar na rua, justamente por esse clima de festa e o tempo estava ótimo, fez uma temperatura super agradável, foi perfeito. Acabamos não assistindo mais nada, mas vimos algumas instalações na rua, até que nos rendemos ao cansaço e voltamos para casa.

E desde então estamos curtindo a nova moradia, descobrindo coisas novas a cada dia!