Há tempos que estávamos ensaiando uma fugidinha de Paris num final de semana qualquer, para começar a explorar a "vizinhança", um dos problemas era escolher o destino - as opções são muitas!!! Até que no final de semana que passou aconteceu! Foi uma decisão repentina e muito acertada, foi uma viagem maravilhosa, que Ismael descreveu super bem lá no QUERIDO JOAQUIM. Então vou registrar aqui mais algumas impressões e curiosidades sobre a viagem.
Eu nunca tinha ouvido falar em Mont Saint-Michel, desculpe aí... foi uma amiga brasileira que estava aqui que nos falou. Ficamos curiosos e fomos dar uma pesquisada, descobrimos que é o segundo lugar mais visitado da França, depois de Paris! U-la-lá!! Muitas coisas sobre o lugar impressionam, lá ocorre uma das marés mais altas do mundo, com variação de até 15 metros, e na maré baixa, a distância entre o Monte e o mar chega a 18km. Para ir de Avranches, onde dormimos, até Saint-Michel, são aproximadamente 50 km de estrada, mas em Avranches tem um parque com vista para Saint-Michel, é lindo! Aliás, ver o Monte de longe é possível de diversos pontos... quando estávamos indo para lá, faltavam ainda mais de 10 Km para chegar e já estávamos sendo acompanhados pela imponente presença da edificação, que ia ficando cada vez maior e mais impressionante. É de emocionar. Eu só ficava pensando, quando construíram a Abadia no topo do monte, aquilo era um meio de nada (hoje ainda é), podiam ter feito um prédinho qualquer, com parede e telhado, mas não, é uma construção linda, com riqueza de detalhes nos telhados e em lugares que nem conseguimos enxergar direito.

A caminho de Mont Saint-Michel (ao fundo)

A abadia no alto do morro e a vila logo abaixo
Ismael falou que quando chegamos, depois de muuuuitos degraus, dentro da Abadia, estava acontecendo uma missa. Na hora em que entrei, os monges e freiras estavam entoando um cântico que ressoava naquela imensidão iluminada naturalmente através dos vitrais, havia fumaça do incenso no ar, e além das vozes que ecoavam louvando a Deus, um silêncio absoluto. Não me contive, chorei. Chorei emocionada por estar ali, por ver tanta beleza e por sentir a presença de Deus naquele lugar. Foi um momento mágico que não quero esquecer nunca!
Missa na abadia de Sain-Michel
Além da Abadia, há também o vilarejo medieval que se instalou ao pé do monte, dentro da muralha que cerca tudo. Hoje o vilarejo consiste em lojas e restaurantes, comércio que provavelmente já existia na época de origem, mas como disse Ismael, ao invés de tripa de porco e pelego de ovelha, hoje são vendidos souvenirs e comida típica. Soubemos que mais ou menos 40 pessoas moram dentro das muralhas, e há também alguns hotéis ali.
Entrando na vila de Saint-MichelConhecemos Saint-Michel num dia bom, o movimento de turistas era contido, não estava abarrotado de gente, pudemos caminhar tranquilamente nas ruinhas estreitas. Com excessão dos grupos de excursão, que quando chegavam iam dominando todos os espaços, e nós fugíamos rapidinho.
(...)
Bom, essa foi nossa primeira experiência com carro, estrada, GPS, etc. O carro que alugamos era um xuxuzinho, um Panda da Fiat, bem pequeninho e super gostoso de dirigir. Pegamos a opção mais barata, mas o carro era completo, com direção hidráulica, vidros elétricos, ar condicionado, etc. Não sei se aqui existem carros mais básicos que isso... A locação para três dias ficaria em 114,00 euros, mas a cadeirinha para o Joaquim é um opcional pago a parte (28,00 euros) e o GPS também (10,00 euros por dia), e ainda tem impostos e seguro opcional, combustível, pedágios, etc. Ou seja, alugar um carro não é das coisas mais baratas por aqui, mas é muuuuuito bom! É ótimo ter a liberdade de ir e vir quando a gente bem entender, e parar quando e onde quiser... Ismael comentou que na ida levamos 7 horas, na volta foram 3h. Mas isso porque optamos por ir por estradas secundárias, o que foi super acertado pois nos deparamos com lugares lindos e paramos para fotografar e caminhar em cidadezinhas que nem sonhávamos que existiam. Na volta viemos pelas autoroutes, estradas ótimas, com pedágio, pagamos 4 pedágios no trecho que fizemos, total de mais ou menos 13,00 euros. Na verdade as autoroutes ganham em número de pistas, e limite maior de velocidade, porque em termos de qualidade de estrada, as secundárias todas eram muito boas também e muitos trechos em pista dupla. Dirigir na estrada aqui na França, e pelo que ouvimos falar, em toda a Europa, é muito tranquilo. Já em Paris, a coisa muda de figura.
Uma das muitas vilas simpáticas que conhecemos ao longo do caminho
Nunca, em meus trocentos anos de direção no Brasil, fui parada pela polícia. Aqui em Paris, eu estava dirigindo havia 5 minutos e vi o carro da guarda municipal fazendo sinal atrás de mim. O engraçado é que eu não fiquei nervosa, não me bateu o pânico nem nada, encostei o carro meio que rindo e pensando "ai, ai, lá vamos nós!". Entre várias coisas que o policial - muito gentil e educado devo dizer, de verdade! - me falou, só entendia "fait rouge" (ou algo que o valha), o que aos nossos ouvidos brasileiros soa como "ferrugem", juro que (sem medo de parecer ridícula) pensei "será que tem alguma ferrugem na lataria do carro!?!?!?!", mas levou alguns segundos para que o botãozinho do francês fosse ligado em meu cérebro e relacionei rouge=vermelho, sinal vermelho!! Só podia ser, e era. Fiz cara de constrangida e enquanto mostrava passaporte, licença internacional para dirigir, carteira de habilitação e recibo de aluguel do carro, fui explicando, como consegui, que era a primeira vez que eu dirigia em Paris e que havia acabado de pegar o carro. Convenci o guardinha, ele foi super gente fina e só falou para eu prestar mais atenção - Bien sur, monsieur!!! (com certeza, senhor!!). E o segredo todo é esse, atenção, não dá pra ter pressa no trânsito aqui, pois pedestres SEMPRE tem preferência, assim como as bicicletas, então é preciso ter vários pares de olhos atentos em todas as direções. Outra coisa é que o sinal amarelo praticamente não existe, entre o verde e o vermelho, tem uma piscadela amarela, então não é como no Brasil - "ah, ainda dá tempo..." - não dá.
Outro probleminha aqui, pelo menos nas redondezas de onde estamos morando, é achar lugar para estacionar. Os parisienses são campeões em "fazer caber" o carro, seja onde for, e não é a toa que é muito comum carros com a lataria amassada e parachoques bem arranhados. Mas nas ruas em geral, as vagas são pagas, no estilo do Estar brasileiro. Então tive que comprar um cartão para usar num parquímetro, e retirar um bilhete para colocar no painel do carro, nos dando um sossego de duas horas. Isso depois de dar várias voltas até achar um lugarzinho ao sol... e pra descobrir como tudo isso funciona?! em francês?!... sei que quando cheguei em casa falei para o Ismael: "pronto, já tive minha aventura do final de semana!! Nem precisamos viajar...".
Outra aventura em relação ao carro foi abastacer. Primeiro porque teríamos que descobrir como se faz, uma vez que aqui os postos são self-service, no melhor estilo "se vira, camarada!! . Ok, pra quem já descobriu como se compra ticket de metrô, faz fotocópia, pesa frutas e verduras no mercado, tudo sozinho, abastacer seria fichinha... isso se encontrássemos combustível!!!! Ai que desespero... Bom, pegamos o carro na locadora e saímos de Paris com o tanque cheio. Fizemos todo o passeio e no domingo, antes de pegar a estrada de volta o marcador indicava que estava entrando na reserva, até aí estávamos bem tranquilos. O stress começou quando, saindo de Avranches, paramos num posto e a bomba estava com um aviso hors de service (fora de serviço), pensamos que seria melhor voltar e encontrar um posto na cidade, pois sabe-se lá a que distância seria o próximo posto na estrada. Voltamos. Estivemos em três postos e nada... nos ocorreu que poderia ter algo a ver com a tal greve e crise que a França está enfrentando, e aí?!?!?! Continuamos nossa busca... graças a Deus achamos a essence 95 sans plumb (gasolina 95 sem chumbo), que era o que precisávamos. Enchemos o tanque e pegamos a estrada. A viagem de volta foi tranquila, para nosso alívio os pedágios funcionam como no Brasil, com uma pessoinha para receber o dinheiro. Mas outro stress começou chegando em Paris. Nós teríamos que devolver o carro com o tanque cheio, para não pagar o absurdo que eles cobram na locadora pelo litro da gasolina. Fomos ao posto mais próximo de casa, dando a viagem por encerrada, era só encher o tanque e pronto... ledo engano! Hors de service... foi o aviso que lemos em outros tantos postos que encontramos... até que, volto a dizer, graças a Deus, encontramos um posto com combustível, nem tão longe de casa... ufa! Mas como ainda não pegamos a manha de encher o tanque, ao sair do posto vimos que o marcador indicava o tanque "quase" cheio, mas não totalmente... E não é que o carinha da locadora, na hora da devolução, queria cobrar a diferença!?! Contrargumentei dizendo que foi muito difícil encontrar combustível, tive que rodar muito e coisa e tal... ele foi camarada e não cobrou. Mas tive uma noção do quanto a situação está crítica quando, enquanto aguardava para fazer a devolução do carro, vi um cara saindo meio indignado porque estava alugando um carro com o tanque quase vazio e não tinha a mínima idéia de onde encontraria combustível... e o mocinho da agência não sabia o que dizer... Hoje li que quase dois mil postos na França estão sem combustível. As refinarias de petróleo aderiram à grave contra a reforma no sistema de aposentadoria que está sofrendo uma reforma no país. O caos está feito. Só sei que saí respirando aliviada por ter devolvido o carro.
Outro probleminha aqui, pelo menos nas redondezas de onde estamos morando, é achar lugar para estacionar. Os parisienses são campeões em "fazer caber" o carro, seja onde for, e não é a toa que é muito comum carros com a lataria amassada e parachoques bem arranhados. Mas nas ruas em geral, as vagas são pagas, no estilo do Estar brasileiro. Então tive que comprar um cartão para usar num parquímetro, e retirar um bilhete para colocar no painel do carro, nos dando um sossego de duas horas. Isso depois de dar várias voltas até achar um lugarzinho ao sol... e pra descobrir como tudo isso funciona?! em francês?!... sei que quando cheguei em casa falei para o Ismael: "pronto, já tive minha aventura do final de semana!! Nem precisamos viajar...".
Outra aventura em relação ao carro foi abastacer. Primeiro porque teríamos que descobrir como se faz, uma vez que aqui os postos são self-service, no melhor estilo "se vira, camarada!! . Ok, pra quem já descobriu como se compra ticket de metrô, faz fotocópia, pesa frutas e verduras no mercado, tudo sozinho, abastacer seria fichinha... isso se encontrássemos combustível!!!! Ai que desespero... Bom, pegamos o carro na locadora e saímos de Paris com o tanque cheio. Fizemos todo o passeio e no domingo, antes de pegar a estrada de volta o marcador indicava que estava entrando na reserva, até aí estávamos bem tranquilos. O stress começou quando, saindo de Avranches, paramos num posto e a bomba estava com um aviso hors de service (fora de serviço), pensamos que seria melhor voltar e encontrar um posto na cidade, pois sabe-se lá a que distância seria o próximo posto na estrada. Voltamos. Estivemos em três postos e nada... nos ocorreu que poderia ter algo a ver com a tal greve e crise que a França está enfrentando, e aí?!?!?! Continuamos nossa busca... graças a Deus achamos a essence 95 sans plumb (gasolina 95 sem chumbo), que era o que precisávamos. Enchemos o tanque e pegamos a estrada. A viagem de volta foi tranquila, para nosso alívio os pedágios funcionam como no Brasil, com uma pessoinha para receber o dinheiro. Mas outro stress começou chegando em Paris. Nós teríamos que devolver o carro com o tanque cheio, para não pagar o absurdo que eles cobram na locadora pelo litro da gasolina. Fomos ao posto mais próximo de casa, dando a viagem por encerrada, era só encher o tanque e pronto... ledo engano! Hors de service... foi o aviso que lemos em outros tantos postos que encontramos... até que, volto a dizer, graças a Deus, encontramos um posto com combustível, nem tão longe de casa... ufa! Mas como ainda não pegamos a manha de encher o tanque, ao sair do posto vimos que o marcador indicava o tanque "quase" cheio, mas não totalmente... E não é que o carinha da locadora, na hora da devolução, queria cobrar a diferença!?! Contrargumentei dizendo que foi muito difícil encontrar combustível, tive que rodar muito e coisa e tal... ele foi camarada e não cobrou. Mas tive uma noção do quanto a situação está crítica quando, enquanto aguardava para fazer a devolução do carro, vi um cara saindo meio indignado porque estava alugando um carro com o tanque quase vazio e não tinha a mínima idéia de onde encontraria combustível... e o mocinho da agência não sabia o que dizer... Hoje li que quase dois mil postos na França estão sem combustível. As refinarias de petróleo aderiram à grave contra a reforma no sistema de aposentadoria que está sofrendo uma reforma no país. O caos está feito. Só sei que saí respirando aliviada por ter devolvido o carro.

Nosso fiel escudeiro de toda a viagem, um Fiat Panda, gostosinho de dirigir.
E ainda sobre o aluguel do carro, tenho algo a dizer sobre o GPS. Depois deste final de semana, minha vida passou a ser contada em "antes do GPS" e "depois do GPS". É a coisinha mais maravilhosa e eficiente do mundo!!!! Ele nos dá opções como pagar pedágio ou não, caminho mais rápido ou mais curto, e ainda avisa que o mais curto não é necessariamente o mais rápido, nem o mais econômico... foi essa nossa opção na ida, e amamos! Apesar da sensação de estarmos sendo vigiados o tempo todo, afinal, por mais que nos perdessemos o tal GPS sempre sabia dizer onde a gente estava, a tranquilidade de ter "alguém" nos indicando o caminho o tempo todo não tem preço, vale cada centavo de euro pago!!! Nem cogitaremos alugar carro por aqui sem GPS!!
E pra finalizar, antes de saírmos do Brasil, pesquisamos sobre carteira de habilitação para dirigir na Europa. Em alguns lugares dizia que é necessária a Permissão Internacional para Dirigir (PID), em outros dizia que a Habilitação brasileira é suficiente. Como eu tive que renovar minha carteira antes de vir para cá, resolvi fazer a PID também. Ismael veio só com a brasileira. Por isso, achamos mais prudente eu ir buscar o carro na locadora, caso pedissem a Permissão Internacional. No fim não sei dizer se seria necessário ou não, pois mostrei o documento, mas a mocinha me pediu meu documento do país de origem... voi lá!
Que aventuuuuuuraaaaa!!!! Como sempre as fotos estao maravilhosas!! Beijo pros 3!!
ResponderExcluirOlá, estamos adorando viajar com vocês por Paris!!!!!
ResponderExcluirO Joaquim a cada dia esta mais lindo!!!
Bjus
Paulo e Greisi Stelter