retrospectiva

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sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Desbravando Portugal

Uma das coisas boas de estar na Europa durante um ano, é a possibilidade de circular pela Europa durante este tempo. Afinal, ir para Budapeste, conhecer o interior da França ou explorar Portugal e Espanha partindo de Paris é bem mais fácil, e barato, do que partindo do Brasil! E voi lá, estamos exatamente em uma destas "possibilidades". Aproveitando um período de férias dos cursos, voamos até Lisboa, onde alugamos um carro. Estamos aqui há uma semana e, por enquanto, circulamos por Portugal: Lisboa, Sintra, Oeiras, Óbidos, Alcobaça, Cabo da Roca. Queríamos ter ido até Porto, mas uma lombalgia desavisada derrubou Ismael, que ficou praticamente de cama enquanto Joaquim e eu visitamos o Mosteiro em Alcobaça. Foi muito de repente, chegamos a ir em um médico, que prescreveu repouso, banho quente, anti-inflamatório e em três dias, quiçás uma semana Ismael estará novinho em folha. Tadinho, tá caminhando feito um velhinho e sente bastante dor. Esperamos que até o final de semana esteja bem melhor, pois ainda pretendemos seguir para a Espanha!


Nosso Q.G. aqui em Portugal é Lisboa, na casa de nosso amigo Carlos, com quem celebraremos o Natal. Ele tem sido um querido nos recebendo e nos levando a todo o canto em Lisboa, feliz da vida em nos apresentar a cidade onde mora há seis anos. E nós estamos amando conhecer Portugal, que entrou nos nossos planos de viagem meio por caso, já que tínhamos um amigo aqui... mas tem sido muito bom estar numa terrinha onde conseguimos nos comunicar tão facilmente, onde entendemos (quase) tudo e ainda por cima tão cheia de belezas e recantos para a gente explorar.


De uma forma geral, temos achado os portugueses muito calorosos e simpáticos, os preços aqui são ótimos (comparado a Paris), as estradas são maravilhosas para dirigir, mas acho que isso é uma constante na Europa. Só é preciso ficar atento aos pedágios! Tivemos que pagar uma multa de 43 euros porque passamos num lugar onde tínhamos que pegar um "título" num caixa automático e apresentá-lo na próxima praça de pedágio... não sabíamos, e distraídamente eu passei na via liberada para quem tem cadastro e passagem livre no pedágio. Quando chegou a hora de apresentar o título, não tínhamos nada... dançamos! Aqui também podemos matar as saudades das novelas brasileiras (oi?) e assistir televisão sem esforço para entender o que se fala. O inverno não é a melhor época para se fazer turismo em lugar nenhum do mundo, aqui as temperaturas estão mais amenas do que em Paris, mas tem chovido bastante, o que nos levou a passar uma tarde num shopping por exemplo, e olha que nós costumamos fugir de shopping centers!! Ah, e uma grande diferença que temos notado, em relação à França, é que aqui as pessoas não são tão solidárias ou condescendentes quando se está com um bebê. Eu fui visitar o Mosteiro em Alcobaça com o Joaquim no carrinho, tive que enfrentar algumas escadas e numa delas um policial quase passou por cima de mim e nem tchum de se oferecer para me ajudar com o carrinho, também recebemos várias manifestações de "ai que saco esse carrinho atrapalhando"... no mercado, em lojas... por outro lado, as pessoas se derretem com Joaquim, muita gente brinca, conversa e sorri para ele, que sempre corresponde como charme que lhe é peculiar!


Bom, quanto aos lugares que temos visitado, são várias informações e curiosidades legais, acho que não dou conta de postar tudo aqui, mas vou deixando algumas fotos para "demarcar território".

Torre de Belém, Lisboa

Mosteiro dos Jerônimos, Lisboa

Quinta da Regaleira, Sintra

Palácio Nacional, Sintra

Jardins dos Marqueses de Pombal, Oueiras

Muralha que cerca a cidade de Óbidos

Castelo, Óbidos

Mosteiro de Alcobaça

Mosteiro de Alcobaça

Mosteiro de Alcobaça, vista da nossa janela no hotel

Cabo da Roca

Farol no Cabo da Roca

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Coisas novas no mundo da neve...


Quarta-feira foi um dia pra lá de especial. Nevou, e nevou muito!!! Este é um dia da semana em que normalmente saímos um pouquinho da rotina porque nem Ismael nem eu temos aula de francês. Ismael não tem porque o curso dele é da prefeitura de Paris, e como o sistema é público segue o calendário escolar, e aqui na França as crianças não tem aula na quarta-feira! Já eu, que estudo numa escola particular, não faço aula na quarta porque o horário não bate com o curso que Ismael faz à noite (que tem a ver com sua pesquisa de doutorado), pois na quarta a aula dele começa mais cedo... bom, tudo isso pra dizer que quarta-feira foi o dia perfeito para a primeira neve mais consistente do ano, pois estávamos os dois em casa para curtir.

Acordamos normalmente e começamos o dia como sempre. Lá pelas tantas Ismael saiu para ir ao mercado "caçar" o almoço e comprar umas frutas para Joaquim. Percebi que o chuvisco que caia começava a ficar mais leve, estava virando gelinho que caia ao invés de gotinhas de chuva. Joaquim sinalizou que estava na hora da soneca, coloquei ele no berço e vim dar uma geral na baguncinha que ficou na sala. Quanto maiores e mais intensos ficavam os floquinhos que caíam, mais empolgada eu ficava e me perguntava: "cadê Ismael que não volta nunca desse mercado?!?!". Lá pelas tantas chegou o moço, com um sorrisão imenso no rosto e a máquina fotográfica, meio molhada, nas mãos. Ele, assim como eu, se empolgou com a neve que caia, e aproveitou que estava na rua para ir ao parque André Citröen, que fica há duas quadras aqui de casa. A essas alturas já estava tudo tomado pela neve, tudo branquinho, tudo lindo...

É bom ver mais gente deslumbrada com a neve... he he


E tem gente que leva vida normal... correndo no frio

Registros fotográficos devidamente feitos, ele chegou em casa, almoçamos, e até abrimos um vinho para brindar a neve! e a cada tanto de tempo um de nós ia fotografar o terraço que ficava cada vez mais branco, e nosso pinheirinho de Natal, que acumulava cada vez mais neve... e Joaquim dormia...

Começamos a imaginar se já não teria neve suficiente para um boneco lá fora... Ismael pegou um escalímetro (régua) e mediu. 7 cm de neve acumulada no nosso terraço. Acho que dá. Ele se muniu de casaco, gorro e calçado e foi lá fora. Eu fiquei aqui dentro no quentinho, só dando palpite e fotografando tudo. Enquanto Joaquim dormia...

Seguimos a dica da Mabel, com toda a sua experiência com a neve, que nos disse pra fazer uma bolinha pequena com a mão, depois colocar no chão e ir rolando, que rapidamente a bola crescia e começava a dar forma ao boneco. Bingo! Funciona mesmo. Nos divertimos muito. Rimos muito... enquanto Ismael quase congelava lá fora e eu fotografava tudo aqui dentro. E a gente querendo muito que Joaquim visse seus amiguinhos de neve "nascendo"... mas ele dormia o sono dos justos... Ismael não se contentou com um boneco, fez logo dois. Ficaram lindinhos de tudo. Batizamos de Floquim e Gelim, os amiguinhos de Joaquim.



No dia seguinte, indo para a aula de francês, pequei um jornalzinho do metrô para ir lendo no caminho. Fiquei sabendo que nossa diversão foi considerada a maior "nevasca" dos últimos 25 anos para esta época em Paris - e ainda estamos no outono! O trânsito ficou caótico, paralisou em vários trechos, muitas linhas de metrô foram suspensas, a Torre Eiffel foi fechada... e tudo isso enquanto Joaquim dormia, he he...Mas no final da tarde, quando ele acordou, levei ele até o janelão da sala para ver se ele reparava nos bonecos. Levou um tempinho, mas quando ele viu abriu um sorrisão e deu tchauzinho!! Um lindo esse meu filho...


E os dois fica lá... só de olho na gente aqui dentro...

Bom, para além de nosso deslumbre. Temos observado algumas coisas interessantes nesse novo mundo da neve:
- Já ouvimos falar muito que as calçadas e ruas ficam muito escorregadias depois da neve. É verdade, parece que estamos só esperando nossa vez de levar um tombo, he he...

- Vi na TV matérias sobre a solidariedade que surge nessa época, torna-se comum pessoas limparem as calçadas e entradas das casas dos vizinhos, principalmente quando tratam-se de idosos;

- vimos no jornal, na TV, que no dia em que nos divertimos fazendo bonecos, muitas pessoas ficaram horas paradas em autoestradas. A polícia resolveu bloquear o tráfego, porque a situação ficou perigosa. Na hora pensamos em como deve ser horrível ficar dentro de um carro, por horas e horas, cercado de neve por todos os lados. Mais tarde eu ouvi sobre alguns abrigos que existem na estrada para estas ocasiões. Se a pessoa tem a sorte de parar perto de um desses, tem um lugar quentinho para esperar.

- ontem voltando da aula, vi garis nas ruas. Mas eles não varriam as calçadas, eles quebravam o gelo com pás. Achei inusitado.

Além de quebrar gelo, eles também jogam sal na rua, para derreter o gelo mais rápido


São tantas as emoções neste mundo gelado que tudo nos chama a atenção!

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

As belezas de Paris

Agora a pouco meu telefone tocou. Eu já sabia quem era, e estava mesmo pensando em ligar pra ele... era Ismael me ligando pra falar que estava nevando, e era justamente o que eu ia contar a ele... fico pensando até quando a gente vai ficar abobado. Espero que sejo o inverno inteirinho, rssss...
Domingo que passou foi dia de museu grátis em Paris. O primeiro de mês sempre é. Este queríamos muito aproveitar pois acabamos perdendo a oportunidade em outubro e novembro, e em janeiro vamos estar viajando. O museu escolhido foi o d'Orsay, onde estão reunidas algumas das mais importantes obras impressionistas, Renoir, Monet, Manet, Degas entre outros. É muito louca esta coisa de estar diante de um original nestes tempos de reproduções ilimitadas e estampadas nos mais variados suportes. Estamos tão acostumados a nos deparar com, por exemplo, as bailarinas de Degas em camisetas, bolsas, quadrinhos, etc. que é difícil lidar com o que se sente diante do original. Eu só conseguia pensar: "há mais de 100 anos atrás, Edgar Degas estava assim como eu estou, parado diante desta tela... ou melhor, ele estava produzindo esta tela para a qual eu estou olhando agora...". É de pirar o cabeção!! Pra mim é mais ou menos como uma viagem no tempo. Olhar para aquelas pinceladas e pensar na revolução visual e estética que elas provocaram... Não dá pra ficar indiferente, esses momentos fazem bem para a alma e para o espírito! he he...
Depois do museu fomos para a Avenida Champs Elysées, ver a feira de Natal. Eram 17h30 e já estava escuro. Ótimo, assim poderíamos admirar as luzes e decorações natalinas. E está tudo lindo!! Tudo muito iluminado, bastante variedade nas banquinhas e muuuuuuita gente!!! Estava fazendo muito frio, por isso nós vimos a feira en passant, nem fizemos comprinhas. Nem pensar em tirar a luva para pegar o dinheiro na carteira!!! he he he...
Enquanto caminhávamos lá aconteceu um episódio engraçado. Eu estava parada, esperando Ismael fotografar perigosamente no meio da rua, e uma moça parou para me pedir informação: "S'il vous plaît, comment s'appele cette avenue?" (por favor, como se chama esta avenida?). Quase não acreditei na pergunta da pessoa perdida... mas de maneira muito polida e educada respondi que era a Champs Elysées. Ao que ela sorriu felizinha e repetiu "Ah, então esta é a Champs Elysées!!!", e eu falei no melhor estilo parisienne "Mais bien sûr!!!" (mas com certeza!!). Aí para provar que ela estava realmente perdida, ela ainda me perguntou se aquilo que víamos no final da avenida era o Arco do Triunfo... achei de uma graça, tsc, tsc... mas tenho a dizer em minha defesa que em nenhum momento fui grosseira com a moça, no fundo fiquei super feliz por estar dando a ela informaões sobre a "minha" cidade...

Feira de Natal na Avenida Champs Elysées

Estes dias frios e cinzentos nos dão muita vontade de ficar no aconchego da nossa casa, mas ao mesmo tempo a cidade tem toda uma beleza que precisa ser contemplada. Dia desses voltei para casa um pouco mais tarde e já estava escuro, nevava... me dei conta de que eu ainda não tinha visto como a rua pertinho de casa está lindamente iluminada para o Natal. Foram penduradas luzinhas atravessando a rua e no meio do cordão sempre tem um Torrinha Eiffel de luzes, e lá no fim da rua, ao longe, a gente vê a Torre de verdade toda iluminada. É mágico.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Neve...

Todos dizem que vamos enjoar. Eu acredito. Mas por enquanto o deslumbre é absoluto. Estamos feito criança em dia de festa de aniversário, quando acordamos vamos direto olhar lá fora pra ver se nevou à noite...


Meu primeiro contato com a neve, uma nevinha tímida ainda, foi mágico. Eu estava voltando da aula de francês, e tinha um chuvisquinho chato caindo, eu vinha distraída quando de repente notei que as gotinhas de chuva estava levinhas de tudo, planando no ar... não eram mais gotinhas, eram floquinhos!!!! Comecei a rir e olhar para o céu feito boba, foi tão lindo!!! Eu olhava para os lados para ver se tinha mais gente tão feliz quanto eu, as pessoas agiam normalmente - afinal para eles isso é normal! he he... - mas eu vi uma senhora fazendo festinha por causa da neve do outro lado da rua, deu vontade de ir lá comemorar com ela, mas a vontade de vir correndo para casa contar para Ismael e Joaquim era maior!!! A nevinha durou pouco, nem deu para acumular, mal deu pra ver, mas foi lindo.

Outro dia eu estava na sala de aula, estávamos em pleno exercício em grupo, quando o professor chamou nossa atenção para olharmos pela janela, estava nevando!!!! Neve mesmo, e víamos pessoas nas janelas do prédio em frente à escola, todos olhando deslumbrados, e na sala de aula as reações eram divididas, tinha o grupinho do "ah, la neige... ahã..." (era o pessoal da Rússia, Alemanha, etc.) e o grupinho do "la neige!!!! Mon Dieu, c'est très jolie!!!", claro que eu estava no segundo grupo, quase chorei, e depois de quase chorar, saí correndo da sala com o celular na mão para ligar para o Ismael e falar pra ele olhar pela janela... ele não atendeu o telefone, imaginei que estaria trocando ou fazendo Joaquim dormir. Mandei uma mensagem: "la neige!". Quando nos encontramos mais tarde soube que ele até saiu no terraço para dançar na neve enquanto Joaquim pensava "o que será que o louco do meu pai está fazendo?!?". Ai, ai, é tão bom a gente se emocionar com uma coisa assim, imagino que seja algo como ver o mar pela primeira vez quando a gente não conhece o mar desde criança... meu avô viu o mar pela primeira vez só depois dos 60 anos, acho que ele deve ter sentido vontade de chorar ou de dançar também...

E hoje nós caminhamos pelas ruas de Paris enquanto a neve caia... todos devidamente agasalhados, Joaquim no carrinho protegido pela capa de chuva e andamos feito bobos, sorrindo e achando o máximo ver os floquinhos ficando na roupa, nos cabelos, no gorro. Por onde as pessoas caminhavam ficava a calçada molhada, mas onde não havia movimento de pedestres ou carros, o chão ia ficando branquinho... foi emocionante, e foi só o começo, ainda vai nevar mais, o chão vai ficar mais e mais branquinho... vamos sentir como é escorregadio caminhar na neve congelada nas calçadas, vamos ver o pé afundar na neve, vamos poder segurar bolinhas de neve... tudo lindo! Se a gente vai enjoar? Talvez, mas até lá vamos curtir muito!!!!



Hoje à noite, quando Ismael chegou da aula, foi tirando a bota e casaco e me passando para eu vestir, sem entender muita coisa fui sendo (gentilmente) empurrada para o terraço e recebi "ordens" de ir lá fora e ver se eu encontrava um recado... olhei para baixo, na rua e vi a imagem da foto acima. Por essas e outras é que a neve emociona...

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Budapeste

Tentamos lembrar quando foi a primeira vez que Budapeste foi citada em algum dos nossos planos de viagem (sonhar e planejar viagens é meio que uma mania que a gente tem, algumas acabam acontecendo...). Concluímos que foi em algum dia remoto onde decidimos que um dia faríamos uma viagem ao leste europeu. Mas a coisa parou por aí. Nunca tínhamos pesquisado realmente, procurado saber mais sobre esta cidade.

Quando, há um mês atrás, resolvemos comprar as passagens para A viagem de novembro, abrimos o site da e-dreams, de passagens low cost, e um mapa da europa, que compramos na banca de revistas. Sem muitos critérios específicos fomos elegendo cidades no mapa e procurando preços na internet. Budapeste tinha um bom preço para o aéreo + hotel. E foi assim que a cidade voltou aos nossos planos de viagem. Faltando uma semana para embarcarmos, resolvemos pesquisar, afinal chegar numa cidade sem saber nada sobre ela é desperdiçar tempo e oportunidades! O Santo Google nos deu vários informações; a Lu, do blog Aventuras de uma família na Europa, também nos deu dicas bem legais e nos indicou o blog da Liana (Ela é americana... da América do Sul!) com ricas informações históricas sobre a cidade. Sabendo um pouco mais sobre nosso destino, começamos nossa aventura na sexta-feira pela manhã, nosso vôo era às 13h e precisávamos descobrir como chegar no aeroporto de Orly, em Paris, de trem.

Não foi difícil, descobrimos o itinerário na internet, site da RATP, e assim deu para calcular o tempo, quase 1 hora para chegar lá. No aeroporto andamos um bocado até encontrar os guichês da Easy Jet, eles ficam numa parte meio isolada do aeroporto, mas quem tem boca vai a Roma, no caso à Easy Jet! Embarque tranquilo, vôo tranquilo. Ah, a Easy Jet não oferece lanchinho no vôo, como estamos acostumados no Brasil, aqui eles vendem lanches, bebidas, roupas, acessórios... tudo e mais um pouco. Tem um catálogo à disposição dos passageiros e a gente pede o que quer.


No trem para o aeroporto em Paris

No avião para Budapeste

Chegamos em Budapeste às 15h30 e já tínhamos decidido ir de táxi para o hotel. Isso não é muito comum para os nossos padrões, normalmente preferimos pegar transporte público, ônibus ou metrô e caminhar mais um tanto para ir para o hotel quando chegamos numa cidade nova. Por duas razões, preço e oportunidade de já ir aprendendo como as coisas funcionam. Mas com um bebê a gente repensa algumas coisas... he he... e já tínhamos visto que o táxi não era assim tão caro. Fizemos um trajeto de mais ou menos 45 minutos confortavelmente instalados no carro e cada qual vidrado na paisagem do lado de fora de sua janela, Ismael e eu estávamos impressionados com o pôr-do-sol, às 15h30!, e com a cidade que aos poucos ia se revelando. Prédios lindos, antiquíssimos e impressionantes. Quando nos aproximamos do Rio Danúbio foi emocionante, estávamos do lado de Peste, e nosso hotel era na antiga Buda, de forma que nós não apenas avistamos o Danúbio, como fomos logo atravessando sua extensão através da ponte mais antiga da cidade! Memorável...

Ponte das Correntes, com Peste ao fundo


Castelo de Buda, um dos principais "postais" da cidade


Nosso hotel ficava pertinho da Ponte das Correntes (ou Széchenyi lánchid), que foi a primeira a ser construída ligando Buda e Óbuda à Peste. Estávamos super bem localizados, e o hotel era bem gostosinho. Achamos o atendimento eficiente, apesar de frio, os recepcionistas não eram de muito papo não, he he... Quando chegamos, tentamos a comunicação primeiro em francês, não rolou, depois em espanhol, não rolou, até que meu parco inglês resolveu ressucitar e eu virei a porta-voz da família. Ismael só agradecia em alemão! Eles providenciaram berço para Joaquim e sempre foram muito solícitos em nos deixar usar o microondas na cozinha para aquecer as sopinhas. Ah, e tinha frigobar no quarto, enchemos de sopinha caseira! O nome do hotel: Carlton.

Sobre a língua local, foi muito estranho não reconhecer nenhuma palavra! Até para olhar o mapa tínhamos dificuldades. Mas conseguimos nos virar bem, com meu inglês fraquinho. Ismael que ficava na maior agonia, porque ele adora interagir com o povo mas não conseguia, he he...

Estávamos hospedados a 1 minuto a pé da Ponte das Correntes, que atravessamos zilhões de vezes durante todo o final de semana. Fizemos praticamente todos os passeios a pezão, mesmo quando olhávamos no mapa e achávamos que era um pouco longe, logo pensávamos que caminhando a gente poderia ver mais coisas pelo caminho e fotografar e coisa e tal, e assim foi. Primeira pernada foi logo na tarde/noite em que chegamos. Atravessamos a ponte e, seguindo a dica do recepcionista do hotel, fomos ver a tal Feira de Natal que estava começando naquele dia, no centro de Peste. Só para atravessar a ponte levamos quase meia hora, de tanto que parávamos para admirar a vista da cidade, os prédios históricos iluminados e fotograr muito. Quanto mais andávamos mais empolgados ficávamos com a beleza de Budapeste.

A Feira estava lindona, foi bem legal começar o final de semana assim, pois ela reunia várias coisas típicas e muitas coisas lindas. Jantamos por lá mesmo, depois de muita dificuldade para conseguirmos nos familiarizar com a moeda local, o forint (1 euro = 250 forint = 2,40 reais), aliás passamos o findi todinho fazendo nó na cabeça para calcular o preço das coisas. E concluímos que Budapeste é uma cidade cara, embora tivéssemos lido o contrário. Na verdade concluímos isso porque passamos a calcular as coisas em reais, quando pensávamos em euro víamos que os preços estavam compatíveis com Paris, ou seja, caro!

No sábado, fomos presenteados com um sol lindo, coisa que há muitos dias não víamos em Paris. E percebemos que o dia clareia mais cedo em Budapeste. Vimos o sol nascendo às 7h. Começamos o dia visitando a Bazilika Szt. István, ou igreja de São Estevão. Uma das mais bonitas que já conhecemos!! Seu interior é de tirar o fôlego. Depois decidimos comprar tickets para o Sightseeing, ônibus turístico que passa pelos principais pontos da cidade e que permite saltar e pegar outro no decorrer de 24 horas. Os tickets incluiam também um passeio de barco pelo Danúbio. Acho que o ônibus é um jeito legal de entender como a cidade se distribui, as distâncias entre os pontos, etc. Nós fizemos o passeio completo e elegemos lugares para voltar depois. O único incoveniente é que o ônibus faz muitas paradas, tornando o passeio bem demorado. Depois do bus e do barco, foi a vez de bater perna novamente. Ficamos cerca de duas horas explorando a cidade no lado de Peste. Vimos o Mercado Central, um prédio magnífico, mas que infelizmente estava fechado; fomos caminhando pela Váci, que é um calçadão bem animado, com muito comércio, algumas praças e monumentos; passamos novamente pela feira de Natal e continuamos caminhando até o prédio do Parlamento, que é um espetáculo à parte. Não cansamos de fotografá-lo durante todo o dia, de vários pontos da cidade, ele é como um imã que atrai olhares e lentes por ser tão lindo. Há uma visita guiada para conhecê-lo por dentro, mas nós não a fizemos.

Interior da Igreja de Szt. István, ou São Estevão


Rio Danúbio à noite

Cidade vista da Citadella. Buda à esquerda e Peste à direita


Mercado Central

Prédio do Parlamento

Domingo, ao contrário do dia anterior, amanheceu e permaneceu cinza, fazendo jus ao clima outonal, mas pelo menos não choveu, deu para passar o dia inteiro batendo perna novamente. Começamos pelo lado de Buda. Saindo do hotel subimos a íngreme colina, empurrando o carrinho do Joaquim escada acima, até chegar no Mátyás Templon, ou igreja de Mathias. Um conjunto arquitetônico deslumbrante, com muitas torres, mosaicos, elementos decorativos, estátuas, etc. Além da construção em si, com ares medievais, que impressiona muito, lá de cima tem-se uma vista maravilhosa do Rio Danúbio e Peste. Ficamos um tempão admirando e fotografando tudo. Próximo dali está o Castelo de Buda, a construção imponente que mais se vê quando estamos às margens do Danúbio do lado de Peste. O Castelo abriga um museu com obras de artistas húngaros, moedas e relíquias, nós só conhecemos a parte externa. Dentre as coisas que nos chamaram bastante a atenção destaca-se uma fonte com a estátua de três crianças brincando com um peixe, linda!; e uma senhorinha tocando realejo perto do Castelo, ela era muito fofa, e aquele musiquinha enchendo o ar imprimia algo de surreal ao momento.

Mátyás Templon


Parlamento visto da Igreja Mathias


A empolgação diante da beleza da Igreja Mathias
A senhorinha e o realejo


Detalhe da fonte no Castelo de Buda


De lá, atravessamos a Ponte das Correntes e seguimos, à pezito, pela Avenida Andrássy, até a Praça dos Heróis. É uma pernada e tanto, mas vale a pena, pois passamos pela Ópera, e por diversas casas e palacetes que marcam uma época muito próspera da cidade, anterior ao comunismo. Nesta avenida também está o monumento da Cortina de Ferro, bem interessante. Junto à Praça dos Heróis está o Museu de Belas Artes onde havia uma exposição com obras de Bottero e Klimt, entre outras, os ingressos para nós dois sairia quase R$ 70,00, e ainda tinha tanto para ver da cidade... e Bottero e Klimt nem são húngaros... resolvemos aproveitar a estrutura do Museu: café, fraldário, toilettes, calorzinho, he he... e continuar nossa jornada.


Praça dos Heróis

Ópera


Monumento da Cortina de Ferro


Caminhando na Av. Andrássy

Av. Andrássy


Atrás da Praça dos Heróis está um lugar encantador e que nos foi uma grata surpresa, pois não sabíamos direito o que nos esperava. Trata-se do Parque Municipal Varosliget, uma grande área verde onde, entre outras coisas, está o Castelo de Vajdahunyad. Nós não sabíamos de sua existência, e foi super gostoso descobrir essa maravilha. O Castelo é lindo e junto a ele tem uma capela, e outra construção impressionante que abriga o Museu da Agricultura, além da estátua de Anonymus, uma homenagem ao autor, até hoje desconhecido, que foi o primerio a transpor a história da Hungria para uma obra literária. A estátua é linda e de dar arrepios!


Castelo de Vajdahunyad


Castelo de Vajdahunyad


Estátua de Anonymus

Caminhamos um pouco mais pelo parque enquanto tomávamos um vinho quente e sentamos à beira do lago para dar o lanchinho do Joaquim. Ele curtiu olhar os patinhos enquanto degustava sua papinha de fruta e víamos as luzes da cidade acendendo.

De lá pegamos um metrô, (o primeiro metrô da Europa Continental foi construído em Budapeste), e foi bem pitoresco, pois as estações são super antigas, algumas delas pareciam locação de filme de época. Descemos perto do calçadão da Váci e fomos fechar o dia na Feira de Natal, compramos uns enfeitinhos lindos entre outras coisinhas.

Última manhã em Budapeste, segunda-feira amanheceu chovendo. Que bom que foi no final! Não nos animamos a sair do hotel. Curtimos bem o café da manhã e ficamos de preguicinha até a hora de ir para o aeroporto.
Nós amamos conhecer Budapeste. Saímos muito com a sensação de quero mais, pois muita coisa do que tínhamos pesquisado não conseguimos ver ou fazer. Fica a pergunta, será que com tanto lugar no mundo para conhecer um dia ainda voltaremos à Budapeste? Se rolar vamos querer curtir os banhos termais, famosíssimos na cidade; queremos ver o Memento Parque, com estátuas do tempo do comunismo; vamos conhecer o prédio do Parlamento por dentro e vamos pra lá na primavera ou verão, para ver a cidade com outras cores.

Ah, e agora eu PRECISO ler o livro do Chico: Budapeste!

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Antuérpia e Bruxelas

Final de semana que passou colocamos o pé na estrada novamente. Fomos visitar Carla, Rui e Pierre, a família que nos alugou o primeiro apartamento aqui em Paris, eles moram cá e lá e nos convidaram para conhecer um pouco da Bélgica. Na quinta-feira foi o feriado do Armistício e Ismael e eu enforcamos a sexta, assim tivemos um final de semana prolongado para passear.

Resolvemos alugar um carro novamente. Carla e Rui, com Pierre, foram na quarta à noite e nós pegamos o carro na quinta e seguimos viagem. Como pegamos o carro às 10h, tínhamos a previsão de chegar lá por volta de 14h30... ahããã... teria sido assim se não fossem os percalços que sempre deixam uma história mais divertida para contar. Primeiro, como da outra vez, eu fui pegar o carro enquanto Ismael ajeitava Joaquim e juntava as coisas para viajarmos. Achei que estava abafando pois já tinha ido uma vez pegar o carro na Gare de Montparnasse... mas aquilo lá é um labirinto!!! Demorei mais desta vez do que da outra para achar a loja da AVIS. Mas achei, então vim tranquilinha para casa, carregamos tudo, resolvemos dar almoço para Joaquim antes de sair, e às 11h30 estávamos prontos, todos dentro do carro, tentando programar o GPS para nos levar à Bélgica. Mas não é que o bichinho só tinha o mapa da França?!?!? Claro que levamos um bom tempo para descobrir isto, pois estávamos achando que não sabíamos como programar o negócio. Constatado o problema resolvemos voltar à loja da AVIS para resolver. O GPS nos levou de volta até a Gare de Montparnasse, mas e quem disse que eu achava a entrada de carro para chegar até a loja! Afinal, até então eu só tinha saído de lá com o carro, nunca tinha entrado!! (da outra vez devolvemos o carro em outra loja mais perto de casa). Demos algumas voltas, até que resolvi estacionar na rua e, enquanto Ismael e Joaquim esperavam no carro fui a pezito até a loja. Chegando lá, sabe qual foi a solução que a mocinha me sugeriu? Colocar a cidade da França mais perto da fronteira com a Bélgica e ir até lá com a ajuda do GPS... e depois?!?!?!?! Ela só fez um levantar de ombros como quem diz "é o jeito...". E a mané achou que a gente ia ficar pagando aluguel do GPS dois dias sem usar porque a gente gosta de gastar dinheiro?!?!?! que idéia!!! Até que surgiu alguém mais esperto e pensou na possibilidade de olhar outro aparelho de GPS para ver se tinha mais opções de mapas. Bingo! Problema resolvido, uma hora perdida.

Finalmente começamos a viagem. Mas para sair de Paris, o GPS nos fez cruzar a cidade pelo centro, ao invés de nos levar por uma periferique, resultado: mais uma hora perdida... e para finalmente achar a saída de Paris foi outra sessão, pois havia obras na estrada e achamos que o GPS ficou meio perdidão, assim como nós, obviamente. Um pouco antes da hora prevista para chegarmos na casa de Carla e Rui estávamos finalmente pegando a autoroute... ai, ai... mas a partir daí a viagem seguiu tranquila... até chegarmos em Lille, na fronteira da França com a Bélgica.

Neste ponto da viagem houve o momento caos. Ismael se deu conta de que havia esquecido o passaporte (na outra viagem foi a carteira de habilitação), eu me perdi e entrei na cidade de Lille ao invés de apenas passar por ela, e Joaquim começou uma crise de choro de "ai que tédio!". Todos contribuimos para o momento mais tenso da viagem. Depois de algumas voltas consegui pegar o rumo certo novamente e nos aproximávamos da fronteira, ninguém falava nada, mas o balãozinho de pensamento era unânime "será que vão pedir passaporte na fronteira?"... e Joaquim chorava... mas ufa! Ninguém na fronteira, luzes apagadas, um ou dois carros da polícia federal estacionados, passagem livre. E viva a União Européia!!

Finalmente chegamos na casa de nossos amigos. Que delícia pisar em "terra firme" e entrar numa casa sequinha, quentinha e aconchegante! Choveu o tempo todo durante a viagem. Assim como choveu praticamente o final de semana inteiro. Mas isso não nos impediu de fazer bons passeios, ver muitas coisa lindas e experimentar um bom tanto da gastronomia belga. Carla e Rui foram ótimos anfitriões e nos mostraram pontos super bonitos, curiosos e típicos da Antuérpia e Bruxelas, que fica a 50 km dali. Rui podia ser guia turístico, pois sabe contar ótimas histórias e explicar a origem de muita coisa!! E para Joaquim foi tudo super legal, pois tinha um amiguinho da mesmo idade para brincar, Pierre e ele foram bons companheiros de brincadeira e bagunça.

A viagem de volta, no domingo foi mais tranquila, embora Joaquim também tenha tido seu momento chororô. Ismael dirigiu grande parte do tempo e pode experimentar as autoestradas européias. Chegando aqui, Joaquim ficou desmaiado na cadeirinha enquanto descarregamos o carro todo (e veio muuuuuita coisa, pois fizemos compras na Bélgica, lá as coisas são mais baratas), ele subiu dormindo e foi direto para o berço, enquanto papai se "divertia" procurando lugar para estacionar o carro. Foram voltas e mais voltas para, meia hora depois, deixar o carro a umas três quadras aqui de casa. Esta é Paris!


Experimentando deliciosos gofres com chocolate da Leonidas, em Bruxelas


Com Carla e Rui em frente ao Manneken Pis, estátua famosa do menino mijão, em Bruxelas


Atomium, Bruxelas


Estátua do pintor Rubens, com catedral da Antuérpia ao fundo


Antuérpia

Antuérpia
Estação Central em Antuérpia
O possante que nos levou à Bélgica
Dicas e Curiosidades:
  • Sempre conferir as opções de mapas que o GPS do carro alugado oferece.
  • GPS é muito bom, mas não é perfeito. Às vezes ele se engana, ou não se dá conta de barreiras na estrada, rssss...
  • Não sei se é possível escolher o modelo do carro, sei que na hora de alugar escolhemos a categoria. Nas duas vezes pegamos o Petite, citadine 4 places (pequeno, cidade, 4 lugares), por ser o mais barato. Mas para ir a Mont Saint-Michel, fomos num Panda, da Fiat, pequeno mas espaçoso e com um porta-malas razoável (considerando a categoria), já desta vez pegamos um Peugeot 107. Parece um carro de brinquedo!!! É super fofo, e bem gostoso de dirigir, mas o espaço é zero! No porta-malas cabe uma mala média e uma bolsa, o resto já vai meio empilhado... Fizemos milagra para levar o carrinho e colchão do Joaquim, além de malas, bolsas, etc. E na volta trouxemos 4 caixas de fraldas, além de umas compritchas básicas.
  • Os limites de velocidade variam de um país para outro. E nisso o GPS é ótimo pois sempre avisa qual é o limite.
  • Foi muito estranho entrar na Bélgica e, de repente, não entender mais nada do víamos nas placas. Assim como foi reconfortante cruzar a fronteira na volta e nos depararmos com as placas em francês... nos sentimos em casa!