retrospectiva

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quinta-feira, 19 de julho de 2012

Sobre ser petit em Paris...

Eu já escrevi aqui sobre minhas impressões acerca de como é envelhecer na Europa, hoje venho falar do que temos percebido (bem de perto) sobre como é ser criança aqui em Paris.

Bom, uma das coisas que mais me chamou a atenção, SEMPRE, e falei disso desde que chegamos aqui para morar durante um tempo pela primeira vez, em agosto de 2010, foi a quantidade de famílias com crianças pequenas, mulheres grávidas, homens com bebês, e casais com bebês + crianças pequenas, circulando pelas ruas e praças e parques... ou seja, a taxa de natalidade por aqui é alta! Segundo minha pesquisa vapt-vupt na internet, a França é responsável pela segunda maior taxa de natalidade da Europa, e eu acredito!

Mas nem foi isso o que mais me impressionou... o que realmente me fez aplaudir em pé (e tentar aproveitar ao máximo) foi que para tal dado demográfico, existe uma resposta à altura da administração pública, e privada! A questão é a seguinte: existe um público enorme de pessoas com filhos pequenos, que precisam se distrair e, ao mesmo tempo, distrair os petits? Ok, então 'vamos' oferecer opções, e que sejam coisas interessantes!!!

A começar pelas pracinhas com playground, ou as squares, que a gente encontra a cada tanto por aqui. A cada tanto, quer dizer que existem muuuuitas. Aqui mesmo, pertinho de onde estamos morando, temos ao menos seis opções que lembro rapidamente e que já conheci, talvez existam mais algumas que ainda não encontrei... E pertinho que eu digo, é coisa de colocar Joaquim no carrinho e caminhar algo entre 5 ou 10 minutos. Se Joaquim for caminhando junto, é coisa de 15 a 20 minutos, rssss... É realmente perto. E o mais legal é a variedade, coisa fundamental para quem é pai e/ou mãe. Infelizmente, neste caso, não consigo fugir das comparações com minha terrinha, coisa que evito fazer pois afinal sei que muitos fatores contam nessa coisa de "aqui é assim, lá é assado...", mas as diferenças são gritantes. Cada uma dessas 6 pracinhas que temos aqui por perto oferece um tipo de atividade, brinquedo ou desafio diferente para Joaquim, e isso é muito legal! Na cidade onde moramos, no Brasil, as pracinhas mantidas pela prefeitura tem sempre os mesmos brinquedos: um escorregador (assassino, de tão alto e perigoso, e que não pode ser usado no horário de sol a pino, pois esfola a pele de tão quente que fica - eles são de metal), um gira-gira e uma, ou duas gangorras. É isso, sem variação. Se vc quer algo diferente, precisa pegar o carro, ou um transporte público, e ir para um ou outro parque que oferece algumas alternativas (devo admitir que até tem algumas bem legais, mas o problema é que são pontuais, e distantes). Aqui, na rotina diária com Joaquim, consigo incluir uma ida a um parquinho muito bacana, sem precisar me programar toda, empacar no trânsito, gastar com transporte.

Joaquim curtindo o "parquinho de madeira"

uma das coisas mais legais dos parquinhos é o contato com crianças de outras culturas e que falam outra língua!

Ele próprio já batizou alguns dos lugares que frequentamos: tem o "parquinho de madeira" - que é um parque com uma grande e variada estação de brinquedos de madeira, corda e borracha. Foi onde ele aprendeu a escalar, subir escada de corda, e onde pudemos ficar sentados pela primeira vez, Ismael e eu juntos, enquanto ele brincava livremente. É um dos mais próximos e um dos que mais frequentamos. Tudo bem que todos os outros parquinhos tem brinquedos de madeira, mas esse foi batizado assim pelo petit, voilá! Depois, descobrimos aqui pertinho o que Joaquim resolveu chamar de "o parque do coelho". Porque recebeu esse nome? Porque tem uns desníveis no chão, literalmente "montinhos" que fazem as crianças subir e descer. Nosso petit amou a "proposta" e decidiu que esses montinhos fazem ele pular como um coelhinho. Além disso, a praça tem brinquedos mais elaborados que o "parquinho de madeira", desafiando ainda mais nosso pequeno a testar suas habilidades e sua imaginação. Nota super legal: nesse parquinho Joaquim aprendeu por conta uma nova palavra em francês. Há um brinquedo que lembra muito um barco, e as crianças chamam de bateau (barco, em francês), ele voltou pra casa todo empolgado contando que havia brincado no bateau. Outro parquinho supimpa que conhecemos foi l'aire de jeux (área de brinquedos) do Parc de la Villette. É um espaço incrível ao ar livre, bem organizado e dividido em áreas para crianças de 2 a 4 anos e de 5 a 9 anos. A primeira vez em que estivemos lá, eu pensei que era pago, porque tem uma portaria, com porteiro inclusive, espaço para "estacionar" os carrinhos de bebês, toilettes e coisa e tal, mas é tudo free. O parquinho tem muita areia, uns colchões infláveis gigantescos para pular muito, balanços, brinquedos super legais para desafiar a motricidade e lógica dos petits e, olha só, espreguiçadeiras para os pais curtirem também enquanto os pimpolhos 'sijogam' na brincadeira. Super amei! E Joaquim também, esse foi batizado por ele de parque "novo", já fomos lá váaarias vezes, mas continua sendo o parque "novo". Bom, esses são alguns dos que temos aqui por perto, os outros são menores, mais simples, mas nem por isso menos interessantes. O que mais me chama a atenção é como parece existir uma preocupação em propor coisas diferentes para os pequenos, no sentido de desafiar habilidades, limites, curiosidade, etc. sem deixar de lado a segurança. Todas as pracinhas, sem excessão, tem um piso especial que contém borracha e ajuda a amortecer uma possível queda, por exemplo. Juro que eu queria conhecer quem foi que projetou e pensou tudo isso, é lindo!

essa ponte de cordas e madeira fica no "parque do coelho"

Joaquim descendo no "u-hu" que é como ele chama o escorregador  ("parque do coelho")

L'aire de jeux do Parc de La Villette
desafios divertidos para o pequerrucho -  L'aire de jeux do Parc de La Villette 
É muito legal ver a alegria dele quando consegue superar um desafio!

aí estão os "montinhos" que levaram este parque a ganhar o nome de "parque do coelho"

Outra coisa incrível que encontrei aqui são os Cafés des Enfants. Paris tem a fama de não ter restaurantes, bistrôs ou cafés com estrutura para receber crianças. Geralmente os espaços são super apertados, impossível entrar com um carrinho e não existem cadeirões disponíveis, MAS, por outro lado, aqui existem esses lugares onde se pode ir com os pequenos para, além de comer ou beber algo, propor alguma atividade interessante e divertida para as crianças. O cigarro é proibido e a maioria não vende bebida alcóolica, em geral existe um cardápio que contempla também os pequenos. No Brasil é comum nos restaurantes e até alguns barzinhos, ter um playground na área externa, mas o que estes Cafés des Enfants oferecem vai além disso. O Café Zoïde, por exemplo, opção que fica a 5 minutos de nossa casa, oferece ateliers de música, construção de brinquedos, desenho, dança, etc, além do espaço com brinquedos de mesa, livros, etc. Para participar de forma mais intensa nas atividades que o Café oferece e até fazer empréstimos de livros e brinquedos, a criança pode se associar, e seus pais podem se voluntariar para ajudar como monitores vez ou outra. Os preços todos são bem camaradas. Pra mim isso tem ares de uma "sociedade utópica", rssss... me emociona ver que lugares assim existem, e funcionam! 

Como se já não fosse o suficiente, quando soubemos que seria bem difícil conseguir vaga para o Joaquim numa garderie (mais ou menos como uma creche), nos indicaram alguns lugares denominados l'aire de famille (área de família). Fomos conferir e fiquei impressionada, mais uma vez! São lugares fechados, como uma grande sala de brinquedos, re-ple-tos de brinquedos lindos, fofos, deliciosos e divertidos. É comum ter um espaço para a criança brincar com água, como um tanque com torneirinhas e brinquedos de água, e estaçõezinhas para ler, para pintar, para desenhar... Aqui pertinho de casa tem dois destes lugares. A Maison des Enfants, fica no 104 (Centquatre), um lugar que por si só já é incrível, é um centro cultural que propõe o contato e vivência da arte contemporânea, e ainda de quebra tem esse regalo, para pais ligados em arte (ou não) levarem seus filhotes. A Maison é indicada para crianças de 0 a 4 ou 5 anos, e os bebês comparecem!!! Achei o máximo um cantinho dedicado especialmente a eles, é uma espécie de "ilha" toda acolchoada onde eles podem ficar sentados ou engatinhando, enquanto os pais se sentam em pufes ao redor. Joaquim conheceu também o Le Coquelicot, mesma proposta da Maison des Enfants, só um pouco menor mas com o plus de oferecer cozinha para o preparo de lanches, mamadeiras e afins. São espaços gratuitos, abertos de 4 a 5 dias por semana. Fiquei encantada com diversas coisas: a proposta em si, o respeito em relação à criança - tudo é para eles, incluindo o toillette em miniatura! As ótimas condições dos brinquedos (não vi nada encardido, quebrado, faltando peça), e a maneira como nos recebem na primeira vez, os monitores conversavam comigo, mas também com Joaquim, nos apresentando o lugar, falando do funcionamento e das regras que devem ser respeitadas e que garantem que coisa funcione. Lindo! Ah, momento emoção: a primeira vez que fomos ao Centquatre, a monitora se dirigiu ao Joaquim e perguntou seu nome - Comment tu t'appeles? - ele nem piscou, respondeu na hora, em alto e bom som, "Zaquim!", assim como quem entende francês desde sempre... emocionei!

Maison des Enfants, no centro cultural Centquatre

Pra brincar com água, a regra da casa é vestir o aventalzinho plastificado

Estação de desenho, com lápis de cor ou canetinhas

Ele amou!

Estação de pintura, a monitora prepara a tinta, nos dá papel e precisa vestir o avental também, depois podemos pendurar as pinturas num varalzinho para secar e levar pra casa


Voltando às grandes áreas ao ar livre, falei antes do parquinho de brinquedos do Parc de la Villete, mas lá tem muita coisa pra fazer com os pequenos, o próprio parque tem uma área verde imensa para caminhar, correr, fazer piquenique, etc. Além disso tem a Cité des Enfants, um espaço dedicado às crianças dentro de la Cité des Sciences e de l'Industrie, cheio de experimentos, brinquedos educativos e pedagógicos para crianças a partir de 2 anos. E a Cité de la Musique, espaço de shows, exposições, ateliers, e várias atividades dirigidas também ao público mirim: concertos educativos, ateliers, espetáculos musicais, etc. Ainda tem a Geóde, o Argonaute, enfim, uma infinidades de coisas, dá pra passar horas por lá, ou voltar sempre que possível, ou que o bolso permitir, pois lá a maioria das atividades são pagas. Nós estamos morando pertinho do parque, uma caminhada de 15 minutos, então Joaquim  tem aproveitado bem, principalmente a área ao ar livre.

Piquenique no gramadão de La Villette, com a Geóde ao fundo, ou Bola Gigante, como Joaquim a chama

E falando em parques, Paris tem muuuuitas opções. E é lindo de ver como as pessoas aproveitam de forma intensa esses espaços públicos, sempre tem muita gente estendida na grama, muitas crianças brincando entre os piqueniques instalados quase que lado a lado no gramado, nos carrosséis ou brinquedos. Em geral, cada parque tem sua l'aire de jeux, proporcionando ainda mais atividades para os pequerruchos. Aqui pertinho de nós fica o Parc Buttes Chaumont, que para o Joaquim é o parque onde o papai foi correr! Toda vez que vamos lá ele me mostra como o papai correu no dia do percurso de 10 Km, rsss... É um lugar que curtimos de forma especial, desde nossa primeira estadia aqui em Paris, quando ainda morávamos bem longe dele, agora dá pra ir caminhando, uma delícia! Neste parque tem uma cachoeira linda dentro de uma gruta, caminhos deliciosos cheios de subidas e descidas, a ponte até o mirante, e tem também le théâtre guignol Anatole (teatro de marionetes).

Teatro de Marionetes no Parc Buttes Chaumont

Povo esparramado nos gramados

Cachoeira na gruta

Joaquim fazendo amigas!

E falando em teatro... he he... Na frente do nosso prédio, atracado na margem do canal, temos o Peniche Antipode. Trata-se de um grande barco que oferece atrações como shows de bandas do circuito independente, exposições e espetáculos teatrais, inclusive para os pequerruchos!! Na temporada anterior nós trouxemos Joaquim para assistir um espetáculo - A la recherche du doudou perdu (Algo como "À procura do naninha/cheirinho/paninho perdido), um universo totalmente familiar à maior parte dos bebês! he he... Ah, e no convés do barco tem mesinhas pra sentar e degustar um vinho, ou comer um crêpe... u-la-lá!

E pra fechar com chave de ouro, teremos o privilégio (ainda estamos para conferir se será privilégio ou stress, mas...) de ter uma praia à nossa disposição, na porta de casa, durante um mês, à partir do próximo final de semana. Muita areia e atividades para a pequerruchada! Vou poder falar mais depois que abrirem "as porteiras"! rssss... É o evento Paris Plages, que acontece todo ano, durante as férias de verão. Eles literalmente constroem praias em três pontos da cidade, e um deles é justamente aqui!

Bom, estas são algumas das opções que descobrimos, experimentamos ou vimos pessoalmente, mas sei que a oferta vai muito mais além. O que acho mais legal é que tudo isso é aqui pertinho de onde estamos morando, e imagino que cada arroundissement da cidade deva ter suas próprias pérolas! Eu estou participando de uma comunidade virtual de mães brasileiras que moram em Paris, onde rola muita troca de dicas, informações, etc. e lá fiquei conhecendo um blog que é "o canal" pra quem procura dicas legais de coisas pra fazer com os petits, é o Paris des Petits, super recomendo!

sábado, 30 de junho de 2012

Um dia especial...

Quis a vida, e nossos projetos de vida, e as oportunidades que surgiram e os desígnios de Deus que, pelo segundo ano consecutivo, eu comemorasse meu aniversário em Paris. Às vezes penso que é só mais um lugar no mapa, mas logo lembro que não é não... é Paris! E por aqui as coisas tendem a ter significados diferentes, caminhar pelar rua não é "bater perna", é flanar; sentar na calçada na beira de um canal com uma garrafa de vinho não é vagabundagem, é boemia; pedalar pela cidade de terno e gravata não é esquisito, é mobilidade inteligente; ser educado sem ser simpático não é rabugice, é ser parisiense... mas tem uma coisa que não muda, seja em que canto do mundo a gente esteja: em um dia especial como o aniversário, a gente quer estar juntinho de quem se ama, seja onde for!!! E isso faz de mim uma mulher feliz, com bônus: comemorei meu aniversário com meus amores... e em Paris!!!

O dia começou com pain au chocolat, viennoise, cerejas e flores lindas! Surpresinha do meu amor!

Estávamos de olho naquela roda gigante, láaaa atrás...

Joaquim se realizou no carrossel

Meu melhor presente!

Roda giganteeee!!! E a Torre Eiffel láaaa no fundo...

Meus lindos... com eles, a festa é boa em qualquer lugar!!!

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Museu Carnavalet, uma boa surpresa...

Quando fomos embora de Paris, no ano passado, Ismael e eu levamos conosco uma lista de coisas que ficaram para ser feitas (visitadas, experimentadas, vistas) quando, por ventura, voltássemos para cá. Nem sonhávamos que voltaríamos tão rápido, e nem que iríamos passar mais uma temporada e não apenas um período de férias! Pois bem, voltamos, e conosco veio a lista de "Coisas que ainda não fizemos em Paris". Aos poucos vamos colocando um OK ao lado dos itens cumpridos. 


Hoje foi a vez do Museu Carnavalet. Aliás, foi minha vez, tive minha tarde comigo mesma e um dos planos era ir ao Centre Pompidou e, se desse tempo, ao Carnavalet. Mas quis o destino, e minha falta de noção geográfica, que eu cruzasse com a porta do Musée Carnavalet antes de chegar ao Pompidou. Voilá, já que ali estava, resolvi inverter a ordem dos fatores. 




Esse museu entrou para nossa lista por causa de uma aula de francês no ano passado, em que minha professora citou o lugar como digno de uma visita que poderia surpreender, e destacou que a entrada era gratuita. Com esse "incentivo", né? Pensamos, por que não? Cheguei sem muita expectativa, fui entrando no pátio, pensando se eu daria conta de dois museus, lembrei do Pompidou me esperando, quase desisti, mas resolvi entrar e dar uma espiada, se não agradasse eu sairia rapidinho e iria ver os modernos no Georges Pompidou... 


Eu fui!

Um setor do museu é dedicado à Revolução Francesa

Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão


E é tão bom quando a gente se supreende! O Museu tem um acervo incrível que conta a história da capital francesa desde sua pré-história. São principalmente pinturas (achei o máximo ver a Paris de outros tempos pelo olhar dos pintores, lugares que fazem parte do nosso cotidiano, nossa "vizinhança", como já foram um dia... E pra quem está de passagem pela cidade, e não tem uma relação de cotidiano, ainda assim é legal, pois muitas pinturas mostram antigas versões de lugares que obrigatoriamente quem vem conhecer a cidade visita, como Champ de Mars, Champ Elysées, a Catedral de Notre Dame, etc.), e além das pinturas, o acervo conta com relíquias arqueológicas, maquetes de arquitetura, esculturas e objetos do cotidiano. Me diverti um bocado apreciando as duas salas com placas super criativas de estabelecimentos comerciais que já existiram em Paris, achei no mínimo inusitado! A proposta é passar ao espectador um pouco da atmosfera das ruas da cidade entre os séculos XVI e XX, e mostrar como os comerciantes, muitas vezes analfabetos, faziam para chamar a atenção. É a publicidade das antigas...







E além do acervo permanente, eu tive a oportunidade de ver também uma exposição super bacana, a Vis-à-Vies (uma "brincadeira" com a expressão Vis-à-Vis - face-a-face - que virou algo como Face-à-Vidas). O fotógrafo Thomas Bilange convidou todo o staff do museu a participar de uma sessão fotográfica. Ele fez os retratos dos funcionários que toparam (desde o jardineiro até o curador do museu) e pediu a cada um que elegesse sua obra (pintura ou escultura) favorita do acervo da casa. A exposição consiste na justaposíção das fotos destas pessoas com detalhes das obras escolhidas. É incrível como é possível perceber semelhanças, às vezes sutis outras nem tanto, entre as imagens! A exposição está no Carnavalet até 29 de julho.

Então fica a dica: http://carnavalet.paris.fr/

PS: Mesmo achando que não daria conta, eu segui para o Pompidou depois desta visita, entrei no saguão para decidir se iria encarar ou não... e fui! Hoje foi um dia de colírio para os olhos e para a mente...

Centre Pompidou, terraço do quinto andar, lá onde se vê Picasso, Braque, Duchamp, Miró,...

domingo, 24 de junho de 2012

Fête de la Musique em Paris... uma delícia de experiência!

Depois do que vivenciamos em Praga no ano passado e, principalmente, da delícia que foi andar pelas ruas de Paris ontem, se me perguntarem onde quero passar todos os próximos dias 21 de junho da minha vida eu direi: em qualquer cidade de Europa!


Na verdade eu não sei o quanto ela é comemorada em qualquer cidade da Europa, mas em Praga (no ano passado) e em Paris a Fête de la Musique é mais do que celebrada, o dia se torna um verdadeiro brinde à alegria, à festa, à música! É contagiante!!


Nosso passeio pela festa começou bem no final do dia. E nem seria diferente se não tivéssemos os compromissos rotineiros a cumprir, afinal ontem choveu, e choveu bastante durante a tarde. Inclusive esta chuva, que veio acompanhada de raios e trovões para os lados do 19éme arroundissement, atrapalhou o início da "nossa" Fête que começava a se armar aqui na beira do canal, quase em frente ao nosso prédio. E a chuva deu aos meus ouvidos a benesse de ouvir um pouco menos do tumtchi-tumtchi que foi a o estilo musical predominante nesta região. Mon Dieu! Mas tudo bem a festa é de todos...


Eram 9 horas da noite quando finalmente saímos para a "gandaia". Sempre é válido lembrar que às 21h o sol aqui ainda está bem presente! Lá fomos nós, felizes por tomar distância do  tumtchi-tumtchi que já  gerava certas dores de cabeça, literalmente falando. Pegamos a linha 7 do metrô e descemos na estação do Palais Royal, onde eu havia visto na programação que teriam várias coisas acontecendo. 


pausa. Eu me dei ao trabalho de olhar a programação na internet, pelo receio de ficarmos vagando pela rua sem saber onde as coisas estavam acontecendo, onde teria música rolando... ingenuidade minha, não tem como vc andar na rua e não ouvir música! Mas de qualquer forma foi legal saber, por exemplo, que na região do Louvre e Palais Royal, estava rolando bastante música clássica, na região de Chatelet e  Les Halles, em geral, tinham músicos de jazz e no Quartier Latin o lance era Rock'n Roll. despausa.


Saímos da estação do metrô praticamente em frente a uma orquestra se preparando, com o público já cercando, em expectativa, para a apresentação. Nós fomos super espertos e conseguimos um lugar especial, tudo bem que os músicos estavam de costas, mas o importante é que não tinham pescoçudos da nossa frente e conseguimos nos deleitar com a proximidade dos instrumentos e músicos, até que, iniciada mais uma música, passou "relando" em nós, um tenor que soltou a voz deu um show, dirigindo-se para a frente de onde estava posicionada a orquestra. Alguns minutos mais e de repente, do nada, vozes, muitas vozes, se juntaram ao tenor... primeiro eu me arrepiei toda, depois entendi que as vozes vinham da platéia, estava em êxtase quando entendi também que estávamos no lugar destinado ao coral que começava a vir caminhando em nossa direção. Começamos a rir, nós e mais uns espertos que estavam conosco, quando percebemos que estávamos no que seria o "palco", se não estivéssemos todos numa calçada... mas tudo bem, o clima de festa traz um certo ar de informalidade, e ninguém nos olhou feio pelo "mico" que pagamos. Assim que deu um pequeno intervalo, saímos rapidinho e continuamos nossa caminhada... 








Póxima parada foi nos jardins do Palais Royal, onde havia um palco montado, com uma sonzera rolando... não fazia bem nosso estilo e a coisa estava bem muvucada, mas o que mais valeu foi ver os 40 pianos do projeto Play Me, I'm Yours em torno do Bassin do Palais Royal, com as pessoas se empolgando e tocando e cantando... num dos pianos havia um adolescente tocando Beatles, e outro garoto empolgado cantando como se estivesse no chuveiro de casa, logo se juntou a ele um senhor de cabelos brancos e aparência respeitável, soltando a voz "Let it be, let it be...", muito bom! Em outro piano havia um casal, ele de terno, ela toda hiponga, os dois pra lá dos 60, enquanto ele tocava (lindamente) ela, de olhos fechados e sorriso esquecido no rosto, fazia cafuné na cabeleira farta e branca de seu pianista, lindo!



Joaquim fez questão de experimentar!


Adorei este piano!


Dali fomos à pirâmide do Louvre, onde eu havia lido que a Orquestra de Paris se apresentaria. Mas a apresentação era no hall do museu, não no pátio externo. Como já estávamos super no clima da rua, resolvemos continuar caminhando e fomos em direção à Pont des Arts, nossa amada salve-salve, que ainda não havíamos visitado nessa temporada. E como ela não nos decepciona, o clima lá estava ótimo, com muitos músicos informais mandando ver em seus instrumentos: violão, sax, trombone, trompete, etc... muita alegria, muito riso, piqueniques noturnos, os cadeados com juras de amor. Joaquim correu solto achando graça nos cadeados e nos ajudando a procurar o nosso... (sempre procuramos, nunca encontramos... mas sabemos que ele está lá...), enquanto parávamos de vez em quando pra uma embaladinha numa música ou outra.






Enquanto estávamos na Pont des Arts, passou por nós um "barco balada", maior agito!


Vimos a torre piscando da Pont des Arts, é sempre emocionante!


Seguimos em direção a Boulevard Saint German e nos embrenhamos no Quartier Latin, ficamos surpresos com o movimento! Bandas e mais bandas, a cada quadra um amontoado de gente dançando, curtindo e celebrando ao som do bom e velho Rock'n Roll. Não somos experts, nem altos conhecedores do assunto, mas a música era muito boa! A cada tanto parávamos para nos deixar contagiar. E era incrível como havia música em qualquer canto! Literalmente. Muitas bandas se apresentavam em bares e cafés, mas outras tantas estavam na calçada, num lugar qualquer, em frente a uma galeria fechada, uma loja de souvenirs, onde houvesse espaço. Apesar de nossa empolgação, eu sempre de olho no Joaquim pra ver se ele estava bem, se estava curtindo também e coisa e tal, perguntei: "e aí filho?! Muito legal, né?", ele olhou pra mim todo empolgado e falou: "muito legalzinho, mamãe!!!". Ai que delícia!


A caminho da Boulevard Saint German, nos deparamos com várias bandas fazendo um som muito bom!! Esta estava numa calçadinha estreita, em frente a uma galeria de artes fechada.



Não tinha como ficar parado,  a música era contagiante!

Joaquim agitando na Fête de la Musique


E uma das coisas mais legais e mais empolgantes foi ver gente de todas as idades, juntas, dançando e fazendo festa. Muitos adolescentes e jovens sim, mas também muuuuuitas "pessoas maduras" como nós (rsssss...), e muitas pessoas mais velhas! Num café onde paramos porque o som estava bom demais, havia um casal com a maior pinta "Harley Davidson pra mais de 50", dançando, super empolgados na calçada, ao nosso lado. Pensei que quando eu crescer quero ser assim. E um pouco mais adiante, pertinho da Catedral de Notre Dame, vimos mais um grupo empolgadíssimo com o som pra lá de animado que um casal, bem excêntrico, estava fazendo com um teclado e amplificadores. As pessoas dançavam loucamente, e entre elas em casal de "mais idade". Monsieur, mais sóbrio, estava mais ou menos parado, enquanto Madame, numa cadeira de rodas, parecia que ia sair voando, de tanto que agitava com sorrisos e festejos e balançar de braços... de emocionar!


E foi assim, ao longo do trajeto que fizemos em nossa deliciosa caminhada nos deparamos com inúmeras bandas, duplas, músicos solitários... todos fazendo valer o direito de sair às ruas e festejar, para comemorar a chegada do verão (que aliás, chegou bem tímido por aqui...). Depois de ontem, conclui que vivenciar um 21 de Junho em qualquer cidade da Europa (onde se comemore o 21 de junho) é uma experiência que deve ser vivida! Voltamos pra casa depois de 1h da manhã, já não havia mais metrô para chegarmos em casa, mas nessa noite, até uma caminhada prolongada com filhote dormindo gostoso no carrinho, tá valendo!!! Chegamos em casa exaustos e felizes!


Voltando para casa ainda tivemos o prazer de ver esse cara dando um show de malabares!


sexta-feira, 15 de junho de 2012

Sobre envelhecer na Europa...

Não que eu esteja planejando envelhecer por aqui, afinal meu Brasil brasileiro está me esperando... mas se tem uma coisa que já me chamou a atenção na outra temporada em que moramos aqui e agora só se confirmou, é a qualidade de vida das pessoas acima dos 60 anos - idosos? terceira idade? melhor idade? seja lá qual for o nome, ser vovó aqui é outra coisa!!

Entre nós, Ismael e eu brincamos que nunca vimos tantas pessoas com 200 anos de idade circulando na rua, porque aqui a terceira idade de fato parece que é pra lá dos 80... e é verdade, a gente vê vovózinha e vovôzinho, com bengala, com andador, ou se apoiando nos muros para caminhar, mas indo ao mercado, sentando ao sol numa praça para ler um livro, circulando de metrô, lendo jornal num café, etc. É lindo!

E nessa temporada, em especial, estou impressionada, especialmente com o que resolvi, por conta própria, chamar de "curtição da terceira idade na europa". É impressionante o que esse povo faz para passar o tempo! Aula de artesanato? Ginástica uma vez por semana? Encontro dançante no domingo à tarde? Tudo isso eu já achava super bacana e sempre admirei quem chega nessa fase da vida e se envolve e tem pique para essas atividades tão populares no nosso país, ou pelo menos na região onde eu moro... Mas tenho a impressão de que aqui o pessoal é mais ousado... tenho fotografado, sempre que posso, alguns flagrantes do que eu considero atividades que já consideraria bastante satisfatórias para a minha faixa etária! Claro que há de se considerar fatores sociais, culturais e, principalmente econômicos, entre outras coisas, mas não canso de me admirar:

Ao invés de ficar em casa, ele resolveu ir ler um livro na pracinha, onde eu, e mais trocentas mães, levamos nossos pequerruchos para brincar. Ele não estava cuidando de nenhum neto, só estava ali, para tomar sol, e ler...
Sabe o que eles resolveram fazer na manhã do dia 27 de maio de 2012? Participar de uma corrida de rua de 10Km!! Me apaixonei. Como estava na platéia, porque maridão também estava participando do evento, vi quando eles partiram por último, ao sinal da largada, de mãos dadas, correndo felizes da vida... chorei.
Essa chegada foi emocionante! Ela tinha pra mais de 65 anos, com certeza. Ele?  O personal trainer, que comemorou a vitória, de ter completado a prova, como se fosse dele! Foi lindo...

Roda de amigos trocando impressões sobre a prova. Faixa etária média... 60 anos! Incluindo a madame magérrima ali, provavelmente uns 65... 


E antes que pensem bobagem... as fotos anteriores foram as exceções, o que me chamou a atenção, mas em sua maioria, os participantes da corrida estavam na faixa etária dos 20 aos 40... olha maridão ali (192)!!!

Estávamos nós admirando as belezas de Rocamadour, na região do Lot, sul da França, quando de repente chega um grupo, era uma "excursão" da terceira idade, de bicicleta!

Só dava vovô e vovó, com capacete e bike, chegando, chegando...
De umas semanas pra cá, ficamos impressionados com o números de barcos atracando no canal, em frente ao prédio onde moramos. Aos poucos percebemos que era um evento, um encontro de pessoas (que podem ter e manter um barco--casa) viajando pela europa, ou algo assim...

Sei que, neste caso, não é só a disposição que conta, mas também a DI$$PO$IÇÃO.  Pra manter um barco desses não é qualquer bolso, mas ficamos impressionados com a quantidade de casais com o maior jeito de "curtindo a aposentadoria" atracando e trocando idéias com os vizinhos, no tal evento.


E esses são apenas alguns dos flagrantes que consegui registrar, mas tenho visto vovôs e/ou vovós patinando ou correndo na beira do rio Sena, muitos andando de bicicleta pela cidade e assim por diante. Coisas que me inspiram!