retrospectiva

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domingo, 24 de junho de 2012

Fête de la Musique em Paris... uma delícia de experiência!

Depois do que vivenciamos em Praga no ano passado e, principalmente, da delícia que foi andar pelas ruas de Paris ontem, se me perguntarem onde quero passar todos os próximos dias 21 de junho da minha vida eu direi: em qualquer cidade de Europa!


Na verdade eu não sei o quanto ela é comemorada em qualquer cidade da Europa, mas em Praga (no ano passado) e em Paris a Fête de la Musique é mais do que celebrada, o dia se torna um verdadeiro brinde à alegria, à festa, à música! É contagiante!!


Nosso passeio pela festa começou bem no final do dia. E nem seria diferente se não tivéssemos os compromissos rotineiros a cumprir, afinal ontem choveu, e choveu bastante durante a tarde. Inclusive esta chuva, que veio acompanhada de raios e trovões para os lados do 19éme arroundissement, atrapalhou o início da "nossa" Fête que começava a se armar aqui na beira do canal, quase em frente ao nosso prédio. E a chuva deu aos meus ouvidos a benesse de ouvir um pouco menos do tumtchi-tumtchi que foi a o estilo musical predominante nesta região. Mon Dieu! Mas tudo bem a festa é de todos...


Eram 9 horas da noite quando finalmente saímos para a "gandaia". Sempre é válido lembrar que às 21h o sol aqui ainda está bem presente! Lá fomos nós, felizes por tomar distância do  tumtchi-tumtchi que já  gerava certas dores de cabeça, literalmente falando. Pegamos a linha 7 do metrô e descemos na estação do Palais Royal, onde eu havia visto na programação que teriam várias coisas acontecendo. 


pausa. Eu me dei ao trabalho de olhar a programação na internet, pelo receio de ficarmos vagando pela rua sem saber onde as coisas estavam acontecendo, onde teria música rolando... ingenuidade minha, não tem como vc andar na rua e não ouvir música! Mas de qualquer forma foi legal saber, por exemplo, que na região do Louvre e Palais Royal, estava rolando bastante música clássica, na região de Chatelet e  Les Halles, em geral, tinham músicos de jazz e no Quartier Latin o lance era Rock'n Roll. despausa.


Saímos da estação do metrô praticamente em frente a uma orquestra se preparando, com o público já cercando, em expectativa, para a apresentação. Nós fomos super espertos e conseguimos um lugar especial, tudo bem que os músicos estavam de costas, mas o importante é que não tinham pescoçudos da nossa frente e conseguimos nos deleitar com a proximidade dos instrumentos e músicos, até que, iniciada mais uma música, passou "relando" em nós, um tenor que soltou a voz deu um show, dirigindo-se para a frente de onde estava posicionada a orquestra. Alguns minutos mais e de repente, do nada, vozes, muitas vozes, se juntaram ao tenor... primeiro eu me arrepiei toda, depois entendi que as vozes vinham da platéia, estava em êxtase quando entendi também que estávamos no lugar destinado ao coral que começava a vir caminhando em nossa direção. Começamos a rir, nós e mais uns espertos que estavam conosco, quando percebemos que estávamos no que seria o "palco", se não estivéssemos todos numa calçada... mas tudo bem, o clima de festa traz um certo ar de informalidade, e ninguém nos olhou feio pelo "mico" que pagamos. Assim que deu um pequeno intervalo, saímos rapidinho e continuamos nossa caminhada... 








Póxima parada foi nos jardins do Palais Royal, onde havia um palco montado, com uma sonzera rolando... não fazia bem nosso estilo e a coisa estava bem muvucada, mas o que mais valeu foi ver os 40 pianos do projeto Play Me, I'm Yours em torno do Bassin do Palais Royal, com as pessoas se empolgando e tocando e cantando... num dos pianos havia um adolescente tocando Beatles, e outro garoto empolgado cantando como se estivesse no chuveiro de casa, logo se juntou a ele um senhor de cabelos brancos e aparência respeitável, soltando a voz "Let it be, let it be...", muito bom! Em outro piano havia um casal, ele de terno, ela toda hiponga, os dois pra lá dos 60, enquanto ele tocava (lindamente) ela, de olhos fechados e sorriso esquecido no rosto, fazia cafuné na cabeleira farta e branca de seu pianista, lindo!



Joaquim fez questão de experimentar!


Adorei este piano!


Dali fomos à pirâmide do Louvre, onde eu havia lido que a Orquestra de Paris se apresentaria. Mas a apresentação era no hall do museu, não no pátio externo. Como já estávamos super no clima da rua, resolvemos continuar caminhando e fomos em direção à Pont des Arts, nossa amada salve-salve, que ainda não havíamos visitado nessa temporada. E como ela não nos decepciona, o clima lá estava ótimo, com muitos músicos informais mandando ver em seus instrumentos: violão, sax, trombone, trompete, etc... muita alegria, muito riso, piqueniques noturnos, os cadeados com juras de amor. Joaquim correu solto achando graça nos cadeados e nos ajudando a procurar o nosso... (sempre procuramos, nunca encontramos... mas sabemos que ele está lá...), enquanto parávamos de vez em quando pra uma embaladinha numa música ou outra.






Enquanto estávamos na Pont des Arts, passou por nós um "barco balada", maior agito!


Vimos a torre piscando da Pont des Arts, é sempre emocionante!


Seguimos em direção a Boulevard Saint German e nos embrenhamos no Quartier Latin, ficamos surpresos com o movimento! Bandas e mais bandas, a cada quadra um amontoado de gente dançando, curtindo e celebrando ao som do bom e velho Rock'n Roll. Não somos experts, nem altos conhecedores do assunto, mas a música era muito boa! A cada tanto parávamos para nos deixar contagiar. E era incrível como havia música em qualquer canto! Literalmente. Muitas bandas se apresentavam em bares e cafés, mas outras tantas estavam na calçada, num lugar qualquer, em frente a uma galeria fechada, uma loja de souvenirs, onde houvesse espaço. Apesar de nossa empolgação, eu sempre de olho no Joaquim pra ver se ele estava bem, se estava curtindo também e coisa e tal, perguntei: "e aí filho?! Muito legal, né?", ele olhou pra mim todo empolgado e falou: "muito legalzinho, mamãe!!!". Ai que delícia!


A caminho da Boulevard Saint German, nos deparamos com várias bandas fazendo um som muito bom!! Esta estava numa calçadinha estreita, em frente a uma galeria de artes fechada.



Não tinha como ficar parado,  a música era contagiante!

Joaquim agitando na Fête de la Musique


E uma das coisas mais legais e mais empolgantes foi ver gente de todas as idades, juntas, dançando e fazendo festa. Muitos adolescentes e jovens sim, mas também muuuuuitas "pessoas maduras" como nós (rsssss...), e muitas pessoas mais velhas! Num café onde paramos porque o som estava bom demais, havia um casal com a maior pinta "Harley Davidson pra mais de 50", dançando, super empolgados na calçada, ao nosso lado. Pensei que quando eu crescer quero ser assim. E um pouco mais adiante, pertinho da Catedral de Notre Dame, vimos mais um grupo empolgadíssimo com o som pra lá de animado que um casal, bem excêntrico, estava fazendo com um teclado e amplificadores. As pessoas dançavam loucamente, e entre elas em casal de "mais idade". Monsieur, mais sóbrio, estava mais ou menos parado, enquanto Madame, numa cadeira de rodas, parecia que ia sair voando, de tanto que agitava com sorrisos e festejos e balançar de braços... de emocionar!


E foi assim, ao longo do trajeto que fizemos em nossa deliciosa caminhada nos deparamos com inúmeras bandas, duplas, músicos solitários... todos fazendo valer o direito de sair às ruas e festejar, para comemorar a chegada do verão (que aliás, chegou bem tímido por aqui...). Depois de ontem, conclui que vivenciar um 21 de Junho em qualquer cidade da Europa (onde se comemore o 21 de junho) é uma experiência que deve ser vivida! Voltamos pra casa depois de 1h da manhã, já não havia mais metrô para chegarmos em casa, mas nessa noite, até uma caminhada prolongada com filhote dormindo gostoso no carrinho, tá valendo!!! Chegamos em casa exaustos e felizes!


Voltando para casa ainda tivemos o prazer de ver esse cara dando um show de malabares!


Um comentário:

Diz aí!! Gostamos de visitas e mais ainda de visitas comentadas!! Merci beaucoup!!!