No aeroporto, ainda recolhendo as malas na esteira de chegada, uma visão de nossos amigos nos aguardando foi emocionante. Tantos meses longe e eles estavam ali, tão perto novamente. Preciso dizer que foi choradeira total?
Encontrar nosso antigo apartamento, rever família e amigos trouxe uma série de emoções. De repente era como se nunca tivéssemos partido. E percebemos que aquele medo sentido na véspera da volta era inútil, pois de fato, em menos de uma semana depois de aterrissarmos nesta terra tupiniquim, as lembranças foram se tornando pálidas e desbotadas - "e descolorirá...", diria Toquinho. As primeiras semanas não foram tão simples, experiência de quem fica fora e volta, sempre voltar parece ser difícil. Aos poucos vamos construindo novas memórias, criando novas relações e parâmetros. A vida aqui é mais fácil. Menos esforço com a comunicação, menos esforço em saber como e por que as coisas são como são. Relaxar ou curtir certa anestesia é bom. Porém, depois de tanta vibração, também é triste. Mas nada de trágico, nem depressivo - apenas relato um pouco sobre a volta e a transição e a necessidade de nos localizarmos novamente no mundo. Sabíamos que era hora de voltar e assim até mesmo a tristeza encontrava certo consolo. Ainda era preciso encontrar nosso novo lugar no mundo conhecido e ver como éramos agora no novo-velho aqui. Não voltamos a velha rotina anterior, pois mudamos nossas formas e lugares de trabalhar, então isso ajudou a deixar certo ar de flutuamento.
Conformados e tentando visualizar a vida em seu tempo profano e cotidiano, rotineiro e instalado em berço esplêndido, eis que surge uma possibilidade, em menos de 2 meses depois da volta, de regressarmos para uma nova estadia em Paris. Foi assim, que diante dessa possibilidade precisamos decidir: voltar ou não voltar, eis a questão. Parece injustificada a dúvida? De forma alguma, pois isto significaria nova jornada de burocracias, novo desprendimento do ninho... Mas por fim, e sem grandes dúvidas, nossa decisão foi sim: Paris não acabou. Depois de 6 meses no Brasil, recebemos a confirmação de nossa ida - não meramente por acaso - para abril de 2012 - primavera em Paris.
E é incrível como a compra das passagens pode fazer uma viagem parecer tão real rapidamente, como mágica. E diante do mapa de Paris, passamos a nos perguntar: e para onde agora? Com uma certa visão da cidade elegemos um dos arrondissements de Paris onde circulamos mas não moramos, mas lembramos que um dia dissemos: seria bom morar aqui. Na árdua tarefa de encontrar um lugar pra morar em Paris, encontramos uma pérola que até excedia nossas expectativas. E ao fecharmos o contrato de aluguel, conseguimos visualizar um futuro que nos aguarda. Hoje, dia primeiro de março, faltam 45 dias para embarcarmos para Paris. E além de todos os compromissos que nos levam novamente, existe um fator emocional que é impossível fingir que não há, pois afinal, aliadas à razão, nossas emoções nos movem ou nos paralisam; e não é o sangue que corre nas veias que move o corpo, mesmo parado?
Embora estejamos tão longe do frio inverno europeu neste ano, parece que a mesma vibração da chegada da primavera que eles logo começarão a sentir lá, nós já sentimos aqui. Embora o verão no Brasil esteja chegando a seu fim, em nós se prepara a primavera - creio que quem já passou por essa experiência, como tivemos em Paris, de ver o mundo renascer em cor depois do inverno cinza, consegue entender exatamente do que estou falando.
Saímos de Paris pensando que talvez nunca mais voltássemos. E exatos 9 meses depois, reencontraremos a Cidade Luz! Oui, nós vamos pra Paris - de novo.
ismaEU
A foto acima é do 19º distrito (arrondissement) de Paris, próximo de onde moraremos agora, nos últimos dias do inverno de 2011. Não veremos as árvores secas quando voltarmos - Paris já terá renascido!
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