Passados tanto tempo desde o nosso retorno ao Brasil, volto aqui para registrar nossos últimos dias em Paris. O mês de julho. Esse adiamento tem dois lados, o prático, no que concerne à questão do tempo, é preciso tempo para sentar e escrever; e o romântico, uma vez que enquanto não "fecho este ciclo" aqui no blog, parece que ainda tenho mil motivos pra pensar, e lembrar, e querer escrever sobre esse tempo na cidade luz...
Bom, o mês de Julho começou com uma sensação forte de final e de que éramos definitivamente cidadãos do mundo. Havíamos entregue o apartamento em Paris, e um amigo ainda morava em nosso apartamento no Brasil, enquanto nós "morávamos" em um hotel, nos preparando para desbravar a Itália nos últimos dias de Europa.
Embora eu tivesse alguns receios sobre terminar nossa temporada na Europa com uma viagem de 10 dias perambulando em várias cidades, por achar que estaríamos super cansados e um tanto ansiosos com a volta para casa, tive que concordar com Ismael que foi a melhor idéia que tivemos. Assim ficou um sentimento muito gostoso de aproveitar até o último minuto, e não demos espaço para a ansiedade.
| Vernazza, vista do mirante do Castelo Doria |
De lá partimos rumo à Toscana, fizemos de Siena nossa cidade sede, e de lá partíamos a cada dia para conhecer duas ou mais cidadezinhas, rodando sempre por estradinhas secundárias e nos deliciando com os campos de girassóis, super floridos nessa época. Era até engraçado, pois desde o primeiro campo que vimos, sempre parávamos para fotografar, mas conforme seguíamos viagem os campos iam ficando maiores e mais lindos, e a gente ria por termos ficado loucos com os primeiros que já pareciam tão mirradinhos. As cidadezinhas todas muito convidativas e cheias de cantinhos por onde não cansamos de caminhar e fotografar.
| Um dos tantos campos de girassóis que nos acompanhavam na estrada |
Além da Toscana, fomos também para a região da Umbria, pois queríamos visitar a Civitá de Bagnioreggio, uma cidadezinha medieval plantada no alto de uma montanha, cujo único acesso é uma ponte longa, estreita (basicamente para pedestres) e de aclive acentuado. Lindo! Um daqueles lugares que parecem cenário de filme. Para ir a Civitá, estabelecemos a base em Orvieto, num bed and breakfast charmosíssimo, Casa Sèlita. Parecia que os donos estavam nos recebendo em casa, muito simpáticos, calorosos e empolgados em nos dar dicas sobre a cidade. Orvieto acho que foi uma das nossas cidades preferidas!
| pelas ruas de Orvieto. Catedral lá no fundo... |
| a caminho da Civitá de Bagnioreggio |
Na volta ainda passamos por Siena novamente e antes de ir para o aeroporto fomos ver a Torre de Pisa. No nosso blog de viagens tem mais detalhes sobre esses dias deliciosos na Itália, estamos atualizando aos pouco.
Tínhamos mais 3 dias em Paris antes do fim de nossa temporada. Apesar do cansaço e dos ares de finalmente, estávamos decididos a aproveitar a cidade, passamos muito tempo na rua, tentando não falar muito do nózinho que crescia na garganta. Já estávamos sentindo por ter que partir. Dia 14 de julho era feriado na França, dia da Tomada da Bastilha. Tinha parada de militares na Avenida Champs Elysèes e nós fomos bem felizes dar uma tchauzinho para o Sarkozy. Mas quem disse que conseguimos chegar perto da Avenida, e não era nem por causa da multidão, era porque os acessos todos, de metrô, carro, pedestres... estavam bloqueados! Quando chegamos já estava quase acabando, eles devem ter fechado os acessos em algum momento justamente para evitar que juntasse muita gente, sei lá, sei que ficamos frustrados. Caminhamos às margens do Sena e voltamos para o hotel, dispostos a voltar à noite para ver a queima de fogos prevista para às 23h, seria uma despedida digna de fogos!! Resolvemos ver os fogos da Pont des Ars, porque achamos que seria um bom ponto de vista, longe da multidão na Torre Eiffel e porque nós amamos aquele lugar. Mas tivemos outra surpresa, nós e mais um aglomerado de gente que estava na ponte, em clima de festa, não conseguimos ver praticamente nada! Os fogos não atingiam altura suficiente... desolé! Mas tudo bem, rimos e curtimos os ares de festa até que o cansaço e a perspectiva de enfrentar mais de 24 horas de vôos e aeroportos no dia seguinte, nos conduziram de volta ao hotel
| Último fim de tarde que curtimos às margens do Sena... |
A viagem de volta foi tranquila, tanto quanto pode ser um vôo com 2 escalas e horas e horas de espera nos aeroportos de Lisboa e do Rio de Janeiro. Mas realmente não dá pra reclamar, no final de tudo tivemos um atraso de apenas 1 hora e pouquinho, e na madrugada do dia 15 para 16 de Julho chegamos em casa. Com direito a banda e tudo no aeroporto!! Foi uma linda surpresa, um grupo de amigos estava lá com um violão e muita animação, nos esperando.
Depois de tanto tempo fora, é muito estranho estar de volta. Depois da primeira semana de euforia, de reencontros e etc, começa a bater uma sensação de que tudo aquilo ficou lá trás, de que já faz muito tempo... Mas uma coisa é fato, as pessoas até hoje nos perguntam se já nos habituamos, se já voltamos à vida normal aqui no Brasil, e concluimos que nunca mais voltaremos à vida que tínhamos antes. Nós não somos mais os mesmos, a experiência que vivemos estará pra sempre conosco, nos fazendo ver, perceber e sentir as coisas diferente de como o fazíamos antes. E, no final das contas, sempre teremos Paris!
Tão bom entrar aqui e ler coisa "nova"! hehe
ResponderExcluirsauahusahusa
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