retrospectiva

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quarta-feira, 25 de abril de 2012

Reencontrando Paris [ismaEU]

Hoje, fim da tarde, ao sair da universidade, vi que o céu tava azul e que tinha um sol claro. Decidi caminhar pra aproveitar, afinal em mais de uma semana em Paris só vimos muito frio, vento e chuva muitas vezes por dia, todos os dias. Decidi andar e fui em direção ao Jardin des Plantes. Impressionante o que um pouco de sol pode fazer em uma cidade! Enquanto andava pela trilha entre os canteiros, percebi que algumas centenas, milhares de papoulas de tons que iam do branco ao laranja intenso, passando por várias graduações de amarelo, sorriam e abanavam pra mim. Fiquei intimidado, com um sorriso honesto no rosto. Liguei pra Aline pra dizer que o tempo tava bom e que devia aproveitar a não-chuva pra sair com Joaquim: "Já estamos no parquinho!". Fiquei feliz. Daí avisei: "Tô indo, mas não sei como, nem por onde e nem que horas chego!" Atravessei o Jardin e pensei em seguir pelo Promenade Plantée, próximo de onde morávamos, e seguir por aquele caminho até a Bastille. Mas quando cruzei o Sena, foi como se eu recebesse um abraço de um antigo amigo que há muito não via. Meus olhos brilharam e o sorriso se reforçou. E parece que nessa hora, o sol resolveu me seduzir, vendo que eu tava por ali, facinho, facinho. Dei mole pro sol e vi, ainda cruzando a ponte, as torres de Notre Dame logo na curva. Não resisti. Resolvi cumprimentar aquele velha senhora, de tanta presença, que faz os turistas sorrirem tanto. Desisti de todos os planos e fiquei flanando pela cidade, beirando o rio. Entrei na Ilha de Saint-Louis e segui por sua rua central, sentindo o cheiro doce das boulangeries, vendo as pessoas tomando sorvete na rua ou um vinho nos cafés. Achei um sombrinha pink numa lixeira e levei ela comigo nesse passeio. Cheguei por trás, pelo jardim nem sempre descoberto pelos turistas, me perguntando se Notre Dame é mais linda vista por trás ou pela frente. Circulei ela toda, pelo lado do rio, vendo os canteiros de tulipas violetas em degadrê. Me parei em frente a essa grande dama, encarando-a, e me perguntei novamente: será que ela é mais bonita vista pela frente ou por trás? Sorri e pensei em pirar, abrir a sombrinha pink e sair cantando "La vie en rose" ali mesmo. Não queria ir embora. Então cruzei a rua e fui até a Shakespeare & Cia. Sempre tão cheia e tão apertada, hoje a livraria estava vazia e me embrenhei por entre as estantes abarrotadas de livros novos e velhos do chão ao teto. Me senti num filme quando vi um grupo de pessoas sentadas numa salinha em sofás e poltronas antigas discutindo concentrados, um texto que liam, e quando entrei em outra sala de livros muito antigos, e vi dois homens de barba jogando xadrez enquanto uma mulher de véu sentada um sofá falava com eles e com um garoto de uns 10 anos - o que toda essa gente fazia ali? Sai deste fissura de tempo e espaço e voltei às ruas. Meu rosto quase doía mantendo ainda o mesmo sorriso posto pelas papoulas no Jardin. Só havia se passado um hora, mas finalmente reencontrei Paris!

Tem feito uns dias bem feinhos e chatos. Temos saído pouco por conta disso e dos resfriados que rondam a casa. Temos andando mais nas redondezas do arrondissement, ainda nos instalando e adaptando a vida. Mas na sexta-feira resolvemos superar tudo e fomos ver a torre, atendendo aos pedidos de Joaquim pra ver a torre e andar de trem (metrô). Temos reencontrado Paris aos poucos. Mas tem sido ótima a sensação de estar de volta!

4 comentários:

  1. Adorei esse texto! Li um texto sobre Paris. Comprei um livro daquele cara do Viaje na Viagem, em um sebo por 5 reais!! Muito engraçado! O texto sobre Paris emociona:
    "Gosto de Paris pelos mais mundanos dos prazeres - caminhar, ir ao cinema, tomar sorvete. Paris é indiscutivelmente o maior triunfo do urbanismo sobre a natureza, e eu, metropolitano convicto, dou uma passadinha aqui sempre que posso, para recuperar minha fé nos incríveis poderes curativos de andar na rua".
    postais por escrito - Ric Freire

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    1. Poderes curativos de andar na rua... concordo... desde chovendo, ventando e frio hahaha...

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  2. Adoro seu blog.. Iria ficar tres neses em Paris com meu marido e filhote tb!!! Mas engravidei de novo.. E vou parir qd estaríamos aí!! Enfim um dia retorno a esta cidade que tanto amo!!! Bjos

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    1. Puxa! Que dizer??? Parabéns!!!! E sabe nosso lema? "Sempre haverá Paris!", já dizia Bogart....

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Diz aí!! Gostamos de visitas e mais ainda de visitas comentadas!! Merci beaucoup!!!